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Eu entendo, não vou me rebelar. Eu não nasci com um privilégio, mas com uma responsabilidade. Como uma princesa Peacecraft, tenho um dever a cumprir, um dever que fui ensinada a prezar e reconheço o valor dele. Eu preciso manter a paz, nem que seja o pouco que exista neste mundo conturbado. Ainda assim...

Eu não escolhi isso. Ninguém me perguntou como eu queria que fosse, ninguém nunca me deu uma chance, nem sequer uma. Eu só tenho dezessete anos... Sou muito jovem para essa vida que preciso levar, queria viver, um dia que fosse, como uma garota normal: ir para a escola com roupas comuns e da moda, e não o uniforme elegante da Academia Real, ter amigos legais e divertidos, e não ser exageradamente bem tratada ou exageradamente desprezada, queria professores simpáticos e compreensivos, queria uma vez na vida falar de modo mais espontâneo. Sonho acordada com isso e suspiro, pensando quão boa seria esta realidade. Ainda assim...

Eu não sou infeliz, nem estou com o complexo da "menina rica mal-agradecida". A única coisa que tenho é o desejo da independência, de poder andar na rua sem ser seguida por fotógrafos e conhecer gente sem sair na coluna social. Se as pessoas pensam que ser famoso é muito difícil, elas nem imaginam quão complicado é ter uma hora de anonimato.

O que não sabia era que as coisas iam mudar totalmente na minha vida.

Virei-me na cama e abri os olhos, a empregada já estava trazendo o café. Ela me deu minha xícara de capucchino expresso e me saudou bom dia. Sorri-lhe e tomei a bebida quente devagar. Era um dia como todos os outros, tomava o café, me vestia e ia para a aula e, depois que chegava, jantava com papai e mamãe. Zechs estudava internado na academia das Forças Aéreas e só vinha no fim de semana. Era um momento tranqüilo da nossa família, por um instante parecíamos normais, sem qualquer coroa pesando nas nossas cabeças. Depois do jantar, eu e mamãe íamos ler no quarto enquanto papai continuava trabalhando.

Só que uma coisa saiu errada na minha rotina quando mamãe entrou assim que a empregada levava a cafeteira expressa do meu quarto. Ela já estava toda arrumada, cheirando à camomila por causa da loção que usava para as mãos. Veio com um modo respeitoso e elegante, o usual, e sentou-se na cama ao meu lado.

–Bom dia, filha. –e então sorriu e foi animador. Embora não entendesse o que a trouxera ali, era bom senti-la presente na minha vida.

–Bom dia! –respondi assim, sorrindo e saindo da cama, procurando os chinelos. Fui logo em direção do closet apanhar meu uniforme quando mamãe falou me avisando:

–Não, meu bem, você não vai à escola hoje. É isso que vim te avisar… Seu pai programou um compromisso especial para você! –houve certa empolgação na voz da minha mãe e então comecei a perceber que havia algo terrível vindo em minha direção.

Enrolei-me no robe e franzi as sobrancelhas, intrigada, e fitei mamãe, exigindo mais. Ela riu, tinha uma risada melódica que na verdade debochava de mim.

–Seu pai quer que você conheça uma pessoa…

–Oh não! –protestei, pasma. Não podia ser o que estava pensando, orava para estar enganada.

Mamãe riu mais. Desesperava-me a cada minuto… pedia para estar enganada, mas lá no fundo sabia que não era assim.

–Dê uma chance ao rapaz… ele é o segundo príncipe da Holanda, realmente um rapaz muito lindo e de modos tão agradáveis!

Mamãe achava que ia me convencer, mas na verdade ela entrou em conflito com meu primeiro mandamento: "Jamais permitirás que escolham seu marido por ti". E por aquela diretriz eu lutaria até o final, até ser deserdada se preciso.

–Isso é coisa de séculos atrás, mamãe, por favor! Não me faça passar por isso! –protestei imediatamente, levantando-me e indo de volta até o closet, apanhando o uniforme.

–Eu não acredito que você vai querer usar o uniforme no primeiro encontro com seu futuro marido… –mamãe disse malvadamente, rindo, quando viu minha atitude. Virei-me para trás e fiquei imóvel, tamanho foi meu choque.

–Há um segundo atrás eu tinha escolha, mas agora ele já é meu marido! Oh não! –e disse brava e vesti na marra o tailleur rosa que mamãe escolheu.

Desci e o tal príncipe já estava me esperando na sala, vestindo um terno sem gravata. Ele era tão loiro quanto eu, de olhos verdes e um sorriso caloroso, e, sinceramente, não era de se jogar fora. Do lado dele, estava o pai e na frente, o meu pai, que se levantou e sorriu, falando alto:

–Venha, Relena, me deixe apresentá-la aos nossos nobres visitantes.

Eu fui calmamente, fazendo bem meu papel, e depois das apresentações e cortesias, papai me dispensou, dizendo que eu fosse mostrar os jardins ao holandês. O nome do príncipe era Noël, uma palavra de som muito meigo.

Assim que alcançamos o jardim, longe dos empregados e soldados, o holandês me olhou de modo malicioso e confidenciou:

–O que é que tem de bom nesse seu reino, hein?

Por um instante me ofendi, parecia que ele estava fazendo pouco caso do meu país. Olhei-o indignada, mas ele entendendo minha reação, riu a bom rir, os olhos verdes raiando.

–Não, menina, você não me entendeu! Estou falando da badalação… clubes, festas, rachas…

E vejam só! Um príncipe rebelde bem diante de mim!

–Eu não sei, não freqüento estes lugares. –respondi tranquilamente, adiantando o passo. Ele riu mais, e correu até mim:

–Não está a fim de descobrir então? Vamos lá, a gente burla a segurança facilmente e saí para dar umas voltinhas! Que tal?

Aquilo que ele estava fazendo comigo tinha apenas um nome: corrupção. Ele queria que eu estivesse disposta a jogar um longo histórico de bom comportamento por causa de um dia! E o pior de tudo é que eu estava pagando para fazer isso!

–Como vamos sair? –indaguei e ele me olhou astutamente.

–Vamos sair na sua limousine. –sugeriu, como se na verdade já tivesse arquitetado o plano há muito tempo.

Eu sabia que era arriscado e isso me deu mais vontade de prosseguir. O que aconteceu mesmo foi que nós simplesmente pegamos o carro enquanto Pargan, meu motorista, estava na cozinha, tiramos as bandeirinhas, e saímos com ele. Juro por Deus que não sei como passamos pelo portão principal sem problemas!

Noël sorriu contente quando três quadras depois, largou a limousine estacionada e meu deu a chave:

–Guarde, daqui para diante, nós vamos caminhar.

Estava cada vez mais confusa sobre o que fazia, mas me deixei levar, e coloquei a chave na bolsinha que trouxera por precaução. E nós dois saímos caminhando pela rua principal sem qualquer problema.

–Você sabe por que veio, Noël? –perguntei, enquanto andávamos ladeando uma porção de vitrines que não me interessavam em nada – eram apenas roupas chiques e caras, bem cortadas, justamente as quais eu já estava cansada de ver no meu armário.

–Ah, meu pai estava falando de eu e você nos casar, não é? –e o modo simplista que ele usou me chocou. Noël riu. –Esses velhos! Meu pai acha que vai conseguir me convencer! –ele exclamou, rebelde, sorrindo sagazmente. –Nada pessoal, viu, porque você é muito linda… –e mais chocada ainda fiquei com o jeito de ele me elogiar.

Noël era o perfeito príncipe problema que só queria curtir a vida. E, de um modo inesperado, o jeito problemático dele foi minha solução…

–Talvez a gente termine o dia de bem, que você acha? –falou depois, me olhando ainda mais internamente, mais malicioso. Enquanto queria falar espontaneamente, Noël não passava vontade.

Ele me pagou um crepe num lugarzinho chique, e foi isso que almoçamos. Mas nossa paz durou só até aí. Como era fácil de prever, Noël era um prato cheio dos paparazzi, que já estavam de sobreaviso, esperando que ele aprontasse uma em meu reino. Logo, eles estavam atrás de nós, foi um tumulto só, e caí na real então. O que é que estava fazendo? Estava acabando com minha reputação, com o exemplo que era para todas as moças do país, estava envergonhando minha família, desobedecendo meu querido pai! Noël segurou minha mão de repente e me puxou, gritando:

–Vamos por aqui! Temos de fugir! –disse com pressa e um sorriso excitado no rosto, mas eu não queria aquilo para mim. Tinha de parar antes que não houvesse volta.

–Não! –soltei a mão dele e caminhei rapidamente para outro lado, de encontro a um grupo de paparazzi que iam atrás de Noël. Com um breve movimento, me escondi na entrada de uma loja, e por pouco não fui percebida. Ali suspirei e tentei acalmar meu coração que batia acelerado de tanta agitação e medo.

Quando saí da loja, antes que qualquer vendedor viesse perguntar o que eu queria, esbarrei em alguém que vinha passando e caí, por que o choque foi muito grande, mas o rapaz continuou em pé e me olhou no chão de um modo ameaçador. Olhei-o um instante, assustada outra vez, e tentei me recompor, desviando o olhar, intimidada, e de repente senti alguém me erguendo pelo braço.

De pé, o fitei corada e sorri sem graça:

–Muito obrigada.


Olá a todos! Esta é minha estréia! Enfim eu estou fazendo o upload de uma fanfic! Que emoção!

Como todos perceberam, essa será um romance entre Relena e Heero. É necessário citar que nada relacionado com Gundam WIng me pertence. Fazer o que, né?

É um grande prazer estar trazendo esta fic para vocês! Espero vê-los comentar e corrigir-me! Suas opiniões são extremamente queridas por mim:D

O personagem Noël é de minha autoria. Por favor, não o usem sem permissão.
E por favor, não usem a fic sem permissão também.

Bem, eu comecei a escrever este fic com a intenção de fazer uma oneshot, mas é quase impossível para mim escrever coisas curtas... TT Este seria meu fic para participar num certo concurso, de um certo blog que amo, de uma certa escritora que arrasa com as fics de RxH dela por aqui (Suss! You rock!)... XD
Mas sabe como é, né? Eu não consegui terminar a tempo e não deu para participar… é duro ser prolixa! XP
Também, é um marco para mim, porque é meu primeiro romance em 1ª pessoa! Está sendo muuuuuitoooo bom escrever este!

A maior parte da fic já está pronta, então, se eu demorar para uppar, é por pura preguiça...

Se acharam o capítulo curto, não se preocupem que eles vão aumentando cada vez mais...
Se acharam o capítulo, podem se preocupar por que eles vão aumentando cada vez mais!
Eu avisei que sou prolixa! XD

As notas vão ser sempre aqui em baixo, ok?

Bem, até mais!
XOXO

23.02.2007