Ser normal para ser diferente

E lá estava ele. Artemis. Espumando de raiva. Não era a primeira vez em que seus pais tocavam no assunto "heroísmo" e "pureza de coração", mas mandá-lo para um internato de segunda só porque tentara roubar o banco mais famoso de todo o mundo não era motivo para tanta violência!

"Você precisa ser controlado, Artemis!", falou seu pai, com firmeza. "Você vai se tornar um garoto normal, sem crimes, sem vilania. Apenas cdplayers, vídeo-games e namoradinhas, entende?"

Artemis tentou se lembrar quando tinha sido seu primeiro beijo... Não lembrava.

"Vai ser um garoto normal daqui por diante, Artemis. Nada de ternos, muito menos sapatos sociais.", a mãe falou, convicta. "Vista-se como um jovem normal. Jeans e tênis."

Ele se contorceu com a idéia, mas não iria discordar dos pais... Mesmo morrendo de vontade.

E lá estava ele. Uma jeans folgada cobrindo-lhe as pernas, e um camisa preta, de mangas compridas. Tênis... Reebok, mas tênis. A franja, penteada de lado, insistia em cobrir um dos olhos.

"Já tenho 15 anos, mãe! Quase 16! Não preciso de um colégio assim...!", Artemis tentou rebater, mas seus pais estavam muito bravos.

Buttler dirigia o carro negro que o levava para o novo internato. "Nada de limusines, Artemis, você é um garoto NORMAL agora.", disseram os pais... Era só o que faltava.

- Alguma coisa o aflige, Artemis? – O guarda-costas perguntou, olhando-o pelo retrovisor do carro.

- Isso de eu ir para esse colégio interno. Será que eles limpam direito, pelo menos? – ele falou, sem nem piscar ou se virar. – Não quero ter crises alérgicas lá dentro.

- Tenho certeza de que eles limpam, Artemis. – Falou Buttler, resistindo à tentação de revirar os olhos.

- E que tipo de pessoas moram lá? Apenas a "ralé"... – ele respondeu à própria pergunta, com um acento de sarcasmo e irritação.

- Estamos quase chegando, Senhor... – Buttler avisou, virando para a direita.

Então apareceu. Uma enorme fundação de tijolos e mármore, com cinco pilastras logo na frente. Era espantoso o tamanho daquele prédio em questão. Tinha quatro andares, com inúmeras janelas. Artemis leu o nome na fachada: "COLÉGIO MEDELEV PARA JOVENS GÊNIOS". Não estranhou o nome. ELE iria para aquele colégio, e isso quer dizer que o letreiro caia perfeitamente bem. Mas e quanto às outras pessoas? Seriam elas tão inteligentes quanto ele? Ou REALMENTE pagaram para entrar no colégio?

- Quer que eu o leve para lá, Senhor? – Buttler perguntou.

- Não, Buttler. Pode voltar. Mas esteja pronto para vir me buscar. Dentro de um mês, vou estar fora desse internato. – ele falou, decidido.

- Sim, Senhor Fowl. – Buttler abriu a porta para Artemis e carregou a mala dele até a entrada. – Boa sorte, Senhor. – e lhe jogou um sorriso.

- Obrigado, Buttler. – Artemis tentou retribuir o sorriso, mas só conseguiu um esboço de sorriso. Mas, tanto fazia.

Pegou a mala, não tão pesada, e rumou para o hall de entrada. Chegou onde estava a recepcionista.

- Pois, não, senhor? – ela lhe mandou um sorriso. – Em que posso ajudá-lo?

- Em nada que eu queira, se quer mesmo saber. – ele falou, irritadiço. A mulher fechou o sorriso. – Só quero o número do meu quarto.

- Nome? – ela perguntou, séria. Artemis às vezes fazia isso com as pessoas.

- Artemis. Artemis Fowl II. – ele falou o nome que, tantas vezes, em assuntos da LEP, já havia saído de sua boca.

- Você é um Fowl? O Artemis filho daquele homem super rico e cheio da grana? – a mulher perguntou, o sorriso já surgindo no rosto.

- É, foi ele quem me mandou para este lugar. – respondeu, seco. – Será que poderia me dar o número do meu quarto?

- Moça. Quero o número do meu quarto. – Uma menina surgiu, de supetão, ao lado dele, e parecia estar com pressa. – Diana Corr.

- Espera um minuto. – a mulher parou e olhou as fichas de quartos. – Só tem um quarto vago.

- Então, deve ser o meu. – Artemis e Diana falaram ao mesmo tempo.

- Claro que não é o seu! – Diana replicou.

- Claro que é! – Artemis olhou para ela com o mesmo olhar penetrante que tanto intimidava as pessoas, mas, ao encontrar com os olhos dela, descobriu que não seria tão fácil intimidá-la. Ela tinha aquele brilho nos olhos. O mesmo brilho de Artemis Fowl II.

- Acho que vocês vão ter de dividir. – Disse a mulher.

- Mas ele é homem! – a menina gritou.

- E ela é mulher! – ele falou, horrorizado.

- Esse é um problema. – A recepcionista pegou um telefone, discou uns números. Quando atenderam, ela informou o problema e, depois de alguns "ahans" e "sins", ela se virou para eles. – Vocês vão ter de dividir o quarto. Mas tem um lado bom nisso. – ela sorriu. – Ele tem dois banheiros com banheiras! – ele entregou a chave aos dois.

-Continua-

N/A.:Lô! Meu nome é Pollyanna! Ou se preferir, Polly

Essa é minha primeira fic de Artemis, e espero que vocês gostem!

Beijinhos!!

Polly Polly.