Mina e Hilde são personagens originalmente do Expresso Hogwarts.

Para ver o trailer com as imagens, o link encontra-se no perfil da autora.


O dia estava tranqüilo. Deitada sobre a relva verde, ela observava as nuvens, preguiçosa, tentando descobrir formas nos diáfanos algodões-doces que pairavam sobre o fundo azul.

- MINA!!!

Quase de um pulo, menina pôs-se em pé, os olhos arregalados de susto, enquanto uma figura feminina atravessava o gramado rapidamente, até parar diante dela, colocando as mãos sobre os joelhos enquanto ofegava.

- Hilde? - a jovem MacFusty perguntou, confusa - O que você está fazendo em Hogwarts? Como conseguiu entrar aqui? Você não está querendo abrigo no QG também, né?

Essa última frase foi dita quase em pânico, à lembrança do visitante indesejado que já s encontrava abancado por lá.

A outra respirou fundo, tentando recuperar fôlego suficiente para responder.

- Calma. Eu estou aqui apenas para cumprir uma missão.

- Missão?

- Sim. - Hilde sorriu sinistramente, abaixando a voz a um tom fantasmagórico - Uma missão para "Aquelas-que-tudo-vêem-e-tudo-sabem".

Mina arqueou a sobrancelha.

- Perdão?

- Ah, você sabe... - Hilde fez um gesto negligente com a mão - As responsáveis pela Criação. As Mães de Todas as Coisas. As...

- Ah, entendi agora. - Mina sorriu, apontando o dedo para o alto - As autoras. É delas que você está falando, não é?

Hilde assentiu.

- Exatamente. Como eu disse, estou numa missão. Então, meu aparecimento aqui é apenas uma rápida participação especial, pela qual eu sequer vou ganhar cachê...

- Hum... - Mina decidiu não mencionar nada sobre a última parte - E de que se trata essa missão?

Em resposta, Hilde tirou do bolso duas folhas cuidadosamente dobradas.

- Bem, Mina, veja só... Eu era apenas uma secundária que apareceria rapidamente nas "férias da Mina" e, ocasionalmente, poderia visitar as Hébridas para feriados, casamentos e batizados. No entanto, apesar de ser apenas uma secundária...

- Por que esse preconceito com personagens secundários? - Mina perguntou, cruzando os braços - Eles são muito importantes para o desenvolvimento de uma história, sabia?

- Não é essa a questão aqui. - Hilde retrucou - A questão é que, embora eu tivesse nascido para aparecer apenas naquele plot, eu tinha um grande background por trás.

- Sabe, se formos pensar bem, as autoras são meio loucas... Elas organizam TUDO aquilo de background e não usam 70 de tudo que tem por trás da gente...

- Sim, sim. - Hilde concordou - Mas, dessa vez, 'Aquelas-que-tudo-vêem-e-tudo-sabem' viram um grande potencial nesse background. Tanto que estou aqui hoje em caráter oficial para fazer o primeiríssimo anúncio do PROJETO AMATERASU.

- Projeto Amaterasu? - Mina estreitou os olhos - Acho que já ouvi esse nome antes...

Hilde sorriu.

- Não seria à toa. Faz um ano que 'Aquelas-que-tudo-vêem-e-tudo-sabem' só falam disso. - ela abriu o sorriso ainda mais - Veja só... Assim como vocês têm o Expresso Hogwarts, lá no temos a Amaterasu, que é a contraparte japonesa de uma escola de magia. Só que as histórias são presentadas de maneira diferente das daqui. Para começar, elas são independentes entre si, algumas tratando-se inclusive de projetos-solo d'Aquelas-que...

- Certo, já peguei o cerne da questão. - Mina interrompeu a prima - E onde, exatamente eu entro nessa missão?

- Bem, sendo uma das responsáveis pelo OLHO, sua missão é capitanear estratégia de marketing do Projeto Amaterasu. - ela entregou as duas folha dobradas - Para começar, você tem que divulgar esse primeiro trailer da história que é nosso carro-chefe na Amaterasu.

A outra encarou o papel, interessada.

- Hitsuzen?

- Numa tradução muito porca, seria "Inevitável". - Hilde respondeu prontamente - O título foi tirado de uma citação famosa nos mangás do CLAMP, "não existem coincidências, apenas hitsuzen". Ou seja...

Mina voltou-se para ela.

- Mangás?

- É que, já que a escola é japonesa, em vez de tirarmos nossa inspiração dos livros de Harry Potter, nós fomos beber da fonte, se é que me entende.

Mina assentiu, antes de sorrir um tanto malignamente ao terminar de ler o papel que tinha em mãos.

- Entendo agora. É parte da velha estratégia "Torture-leitores-indefesos-e-inocentes-deixando-os-sedentos-e-loucos-por-mais". Vocês vão ir liberando a conta-gotas trechos e informações do projeto até que os pobres leitores comecem a enlouquecer e subir pelas paredes para descobrir o que vocês estão aprontando e aí...

- Com eu disse, é tudo uma questão de marketing. - Hilde retrucou, com um sorriso idêntico - E então?

Os olhos da outra brilharam por trás das lentes dos óculos à visão de uma barganha.

- Se eu ajudar, posso ler mais?

- Sinto muito, Mimuca. - Hilde respondeu, embora, por sua expressão, ela claramente não sentisse - Vai ter que esperar a estréia, como todo mundo.

A grifinória suspirou.

- Acho então que serei mais um mebro do grupo de "leitores-que-necessitam-saber-mais-e-estão-sendo-torturados-pelas-malignas-autoras". - ela olhou mais uma vez para o papel - Ok, Hilde, pode contar comigo.

Hilde sorriu, fazendo um "V" de vitória com os dedos.

- YATTA! Projeto Amaterasu, primeira fase completa!


Uma gota de orvalho


- É melhor tomar cuidado ou pode acontecer algo e você cair. Se você se machucar não será nada bom.

Uma voz que ela conhecia bem falava pouco atrás, tirando-a de seus pensamentos e ao mesmo tempo o seu sorriso do rosto. A serenidade que ali estava rapidamente se foi e o auto-controle tomava conta

- O que deseja Hoitiro? Não há nada aqui para você nem ninguém para você tentar impressionar. - Shizu não se levantou nem olhou para trás.

- É Hoitiro-SAN para você! Vim lembrá-la que você não fez o que mandei. - O rapaz estava encostado em uma árvore um pouco acima da pedra onde a irmã estava sentada.

- Todos os alunos limpam e arrumam seus pertences, mesmos os mais folgados, Hoitiro-KAN. Se não está satisfeito, reclame com a diretora ou com nosso pai.

- As mulheres devem aprender a obedecer os homens. Assim parece que nosso pai não a ensinou corretamente. Ele sempre teve um coração mole com você.

Shizu sabia o que seu irmão queria ao ir até ela. Era mostra que conseguia, somente com sua presença e com poucas palavras, tirar sua paz.

Com um suspiro, ela pegou seu sapato que estava a seu lado e se levantou, ainda sentindo a pedra aos seus pés. Tinha momentos que gostaria de ser tão dura quanto ela, mas não era. Silenciosamente sentia as provocações de Hoitiro.


O crepitar de uma fogueira


Pouco importando-se em esperar por qualquer palavra da parte dela, Noboru a empurrou com mais força do que seria necessário de encontro a porta.

Tudo o que a garota conseguiu sentir através da sensação de dor por sua cabeça ter batido de maneira tão violenta contra a madeira foram os lábios de Seta movendo-se contra os seus.

E aquilo até poderia tê-la ajudado a se esquecer da dor em sua cabeça caso o gesto do rapaz não fosse tão exigente e devastador. Quase como se estivesse tentando sugar a alma dela através daquele beijo.

Com uma boa dose de esforço e luta, Hikaru conseguiu separar-se alguns centímetros dele.

- Não, espera... – ela protestou, a voz fraca e afogueada, tentando inutilmente livrar-se do abraço.

Porém Seta era muito maior e mais forte do que a jovem, e parecia perfeitamente lúcido, apesar de seus olhos escuros terem a aparência de dois túneis frios, vazios e intermináveis, enquanto Hikaru tentava lutar contra a dor e a tontura de quem sente que teve o próprio crânio rachado em dois e a falta de ar decorrente do beijo que se seguiu.

E então Noboru estava beijando-a novamente. Cruel e insistente. E tudo o que ela sentia contra os seus lábios eram dentes e metal frio.


A brisa fria que vem do oceano


Somente quando chegou mais perto do palco é que ele pôde vê-la melhor. A jovem de cabelos escuros segurava uma afiada katana junto ao corpo e tinha os olhos fechados, imersa na mais pura concentração.

Sem aviso ela cortou o ar com a sua espada, parecendo uma guerreira recém-desperta de um longo sono e que ansiava por nada além da batalha. Mas junto aos golpes com a lâmina ela também dançava. Seu corpo magro e pequeno descrevendo movimentos belos e precisos, suaves porém dotados de uma força palpável.

Os olhos de Nao seguiam cada passo como se fossem atraídos por alguma espécie de feitiço. Ele finalmente teve um vislumbre do rosto dela através das cortinas de fios escuros que açoitavam a pele delicada, e aquela garota possuía as feições mais belas e expressivas que ele jamais havia visto.

Subitamente, ao fitar aquele rosto, Nao pôde ouvir claramente a melodia não-tocada que clamava todo o lugar. A mesma melodia que a garota ouvia dentro de sua mente e fazia companhia aos seus passos.

O baterista fechou seus olhos. Era exatamente aquela música que ele estivera procurando. Os acordes que ele tão insistentemente tentara retirar de todos os instrumentos que sabia tocar, porém nada que saísse deles parecia correto. Talvez fosse porque, no final, ele sequer soubesse o que estivera procurando até aquele exato momento. Mas tão logo a melodia revelou-se aos ouvidos do rapaz, ela desvaneceu-se.

Surpreso, Nao abriu seus olhos, tentando descobrir o que fizera a música parar dentro de sua mente. E então ele notou que a garota não estava mais dançando. Parada em cima do palco e com o rosto vazio, num contraste profundo com a face expressiva de antes, ela olhava na sua direção. Ela o havia visto.


O punhado de terra que primeiro cai sobre seu túmulo


Já começava a escurecer. A tempestade, que caía desde a manhã, não parecia querer dar trégua. Caía violenta, formando pequenos riachos por entre as pedras que marcavam os túmulos, transformando a grama recém-plantada em nada mais que poças de lama, e encharcando sua figura solitária até os ossos.

Não que ela se importasse. Chegara a um ponto em que não se importava mais com a roupa pregada ao corpo pequeno, a água escorrendo por entre os cabelos revoltos, o vento frio que açoitava tudo ao seu redor, sibilando furiosamente. Se o mundo estivesse desmoronando do outro lado das grades daquele maldito cemitério, ela tampouco se importaria.

A ferida fora muito mais profunda do que lágrimas podiam sanar. Passara o dia lembrando-se de flashs de cenas ao lado da amiga. O dia em que tinham se conhecido... As duas juntas, descendo da barca para seu primeiro ano letivo na Amaterasu. As desastradas tentativas de estabelecer amizade entre ela e Otsu-hime. O sorriso maroto, a incrível capacidade de convencê-la a fazer as coisas mais ridículas, como desfilar pela escola com um quimono da Hello Kitty...

Quanto tempo levaria até que, aos poucos, a imagem dela começasse a se desvanecer em sua mente? Quanto tempo até que ela fosse apenas uma lembrança distante, o som de um riso ecoando pelas paredes de sua memória...


A magia tem muitas maneiras de se manifestar


- A magia está no sangue. - ela recitou, depositando as mãos de Otsu sobre as bordas da bacia - É pelo sangue que estamos ligadas, é pelo sangue que se fará o sacrifício.

Com isso, ela fechou a mão direita sobre a lâmina do punhal, abrindo uma antiga cicatriz - a única lembrança que permanecera de seu próprio otemise. O sangue imediatamente gotejou, farto.

Sem se importar com a dor ou com o líquido que escorria por seu braço, começando a empapuçar-lhe o quimono escuro, ela trouxe para si a mão direita da filha, forçando a menina e fechar os dedos em torno do atame com força, da mesma maneira que ela fizera. Nem um único esgar de dor escapou dos lábios de Otsu - os olhos dela continuavam perdidos, aparentemente muito distantes, mas ela ainda podia ver o que estava acontecendo.

Recolocando a arma ritual sobre a mesa, ela apoiou a própria mão sobre a bacia, observando seu sangue escorrer junto as águas já turvas, como um rio vermelho, para, em seguida, repousar a mão de Otsu sobre a sua, redobrando a correnteza do pequeno rio que criara.

Ela fechou os olhos, procurando, tateando com a própria mente a entrada para o espírito da outra. Em sua mente, uma linha dourada envolvia agora as mãos unidas, fechando-se em um laço sobre seus pulsos, de maneira cada vez mais apertada e dolorosa até que, por fim, havia apenas uma mão translúcida, ainda vermelha e dolorida.


Mas há algo que jamais se modifica em sua essência...


- Shizu, certo? O que traz uma garota como você para um canto feio desse da cidade? - a loira sentou no bar indicando o banco para que a morena sentasse.

- Liberdade. - Shizu virou para o barman. - Uma dose de tequila para mim e o que ela quiser também.

O barman trouxe a tequila e uma cerveja para Misuki, que olhava para a morena a sua frente se divertindo.

- Não sou uma princesa, então pare de me olhar. - Shizu bebeu em um gole só a bebida e pediu em seguida outra dose. - Você vai ter sua cerveja, então não me amole.

- Deixa a garota em paz, Misuki, é uma menina ainda. - o rapaz do balcão falou.

- Deixa de ser chato Mitsu, só queria brincar com a filhinha de papai aqui que está sofrendo porque o mundo é cruel.

Ao ouvir aquilo Shizu olhou atravessado para a loira que sentiu como se algo a atingisse, uma vontade de sair de perto da morena o mais rápido possível. Misuki não soube de onde veio aquilo e suspeitava menos ainda que foi o inconsciente de Shizu que o fez.


SACRIFÍCIO


- Não se iluda, Otsu. O fato de ser uma vidente completa não quer dizer que esteja isenta do sacrifício. Cedo ou tarde, ele será cobrado de você... Sempre existe um preço, e para nós, ele é muito maior que a entrega de um dos sentidos.

A hime piscou seus olhos carmim, surpresa com as palavras da mãe. Não as palavras em si, mas o tom em que foram ditas. A voz de Setsuna era mais suave do que ela jamais se lembrava de ter ouvido. E olhando com um pouco mais de atenção, havia nos olhos da Myrai-no-kami um brilho que Otsu nunca havia notado. Era como se visse a mãe pela primeira vez, era como se ela fosse... humana. A hime sentiu medo... Para fazer Setsuna sair de seu pedestal, aquelas palavras não eram parte do costumeiro jogo que ela utilizava para manter todos sob seu domínio. Havia sinceridade ali.

- Toya... - Setsuna fechou os olhos quase sentindo o cheiro de flores de pêssego que a lembrança dele evocava - Seu pai foi o meu sacrifício...


Em setembro, as portas de um novo mundo se abrem


- Desculpe... - disse, quase em um murmúrio.

Shinji meneou a cabeça.

- Você sabe que não precisa ser assim tão educada comigo, não sabe? Tudo bem se você se irritar comigo. Pode me xingar. Então eu te xingo de volta. E seremos duas pessoas felizes trocando ofensas até o raiar o dia.

A hime levantou o rosto, os olhos arregalados em surpresa por breves segundos. Esperava ouvir qualquer coisa vinda de Shinji, menos uma resposta como aquela.

Quando em sua vida escutara alguém lhe dizer que não deveria ser educada, ponderada, calma e centrada, que lhe era permitido xingar e esbravejar, que lhe era permitido sentir?

A surpresa, contudo, foi substituída por um sentimento diferente, a imagem dela e de Amano-kun gritando um com o outro e ainda assim sentindo se verdadeiramente felizes com aquilo pareceu-lhe estranhamente divertida. Sem que ela notasse, a máscara impassível de hime abandonou seu rosto, um sorriso verdadeiramente genuíno aflorou em seus lábios...


E essa será apenas a primeira história


Usando a espada e o braço, conseguiu aparar o calcanhar de Kitsune. Só que ela não esperava que a moça fosse usar o apoio que ela lhe dera para jogar a outra perna contra ela, girando o corpo no ar, antes de cair com um joelho flexionado, junto à shinai que Otsu conseguira tirar de suas mãos.

Tonta pelo golpe, ela cambaleou para trás, a visão escurecendo por alguns instantes, enquanto o ombro latejava de dor. À medida em que sua vista voltava ao normal, ela pode ver Kitsune voltando a pegar a espada, a face dura, os olhos cinzentos quase como uma máscara de desprezo.

Quase um reflexo dos olhos de Setsuna-no-kami.

Sentindo algo inflamar dentro de si, ela voltou a aprumar-se, sem se importar com a tontura ou a dor. Segurou a shinai com as duas mãos, pronta para receber o próximo golpe. Antes, porém, que pudesse fazê-lo, sentiu uma pressão sobre o peito, como se a tivessem jogado para trás. E, para sua surpresa, ela estava realmente sendo arrastada para trás.


Você acredita em DESTINO?


À partir do dia 21 de julho mais trailers e mais detalhes sobre Gakko Mahou Amaterasu! O novo projeto da Silverghost e da Equipe Expresso Hogwarts