"As pessoas me perguntam se acredito em magia. Ora, eu sou um escritor. Acredito em tudo o que for preciso para fazer uma história funcionar."

Neil Gaiman

Magia não é só encantamentos e poções. Não é só mito e conto de fadas. Não é só "yo no creo en brujas, pero que las hay... las hay". Ela não nasceu ao acaso, mas do ocaso e da aurora; de uma característica essencialmente humana - a de crer no invisível, no divino ou no profano. O termo vem do persa magi, que significava tanto imagem quanto homem sábio.

Ela começou da observação dos fenômenos naturais, passando pela criação dos deuses. Magos eram aqueles que podiam subjugar os poderes da natureza, que conversavam com anjos ou demônios e, no mais das vezes, nas sociedades primitivas, eram os próprios guardiães da sabedoria e da cultura de seu povo. E, em tal posição, eram eles os responsáveis por passar adiante as tradições da tribo.

Tradições passadas através da palavra.

Se formos pensar dessa maneira, os primeiros magos foram também os primeiros contadores de histórias. Aprenderam cedo que palavras têm poder. Com elas, você pode manipular, de todas as formas e maneiras, indivíduos e multidões. Pode fazê-los chorar. Pode fazê-los rir. Pode fazê-los coléricos ou incitar a compaixão. Não foi assim afinal que Sherazade domou a cruel vingança de seu sultão?

A palavra escrita sobrepôs-se à palavra falada, afinal, com o acúmulo de informações e de conhecimentos, ficou impossível uma só pessoa deter todo o conhecimento de cor para passar às outras gerações. Isso não significou, entretanto, que seu poder diminuiu. Ao contrário, as milhares de histórias existentes no mundo estão agora ao alcance da prateleira de uma biblioteca. Se quiser ler sobre Suzanowo e Amaterasu e todos os outros mitos japoneses ou quiser conhecer mais sobre os indícios da Atlântida perdida; se quiser saber sobre os ritos de iniciação guerreiros das tribos da Nova Guiné e sobre o vodoo; enfim, tudo está compendiado.

Tornou-se assim o escritor também ele um mago. Primeiro, ele é o ventriloquista que mexe as cordas atadas a seus personagens (embora, por vezes, haja cordas do personagem atadas sobre ele...). Ele determina a importância de cada personagem, o círculo de ação, os acontecimentos e as "coincidências" que darão fôlego à narrativa.

Depois, ele é o incitador da reflexão do leitor. O bom escritor, ao menos na minha concepção, é aquele que é capaz de catalisar as emoções de quem o lê, instigando-o a refletir sobre aquilo que tem diante de si.

Há vários tipos de literatura - policial, romântica, histórica... Dessas, a que mais se aproxima da figura mística dos nossos primeiros contadores de história, por óbvio, é a literatura fantástica.

A fantasia trabalha com aquilo que temos de mais íntimo: nossas crenças - seja para o bem ou para o mal. É quando estamos mais próximos não apenas da magia em si, mas de, nós próprios nos tornarmos magos. Para tanto, basta adicionar apenas mais um elemento à equação: imaginação. A partir do momento que o leitor não apenas lê, mas também cria, está a um passo de se tornar também escritor. É uma barreira tênue que, no mais das vezes, não ultrapassamos, seja por preguiça ou comodidade.

Porque, confesso uma coisa... ser escritor (ainda que amador) não é nada fácil.

Toda essa digressão serviu ao propósito de introduzir vocês, leitores, a esse nosso reino de magia. De prepará-los para o que encontrarão aqui. E esperamos, sinceramente, que sejamos dignos de sustentar o bastão de narradores; que possamos fazê-los rir, chorar, gritar de raiva e esperar ansiosamente por cada capítulo e cada novo passo dos personagens que lhes apresentamos.

Como já terão percebido, Amaterasu engloba não uma, mas várias histórias, todas, de certa maneira, interligadas. Ao longo dessa semana, algumas dessas histórias irão estrear - começando hoje com o primeiro capítulo de Hopelessly Addicted (basta ir no link que encontra-se no perfil da autora).

Outras virão. Temos muito o que contar a vocês. Hoje é apenas o começo, caros leitores. Apenas o começo do que, eu espero, seja um longo relacionamento. .. E assim, sejam bem-vindos.

Bem-vindos à Amaterasu!

Lulu-sempai.