Sirius lentamente deslizou até o chão, com lágrimas silenciosas descendo pela sua face em um grande fluxo de miséria sem fim. Ele manteve seus olhos posicionados em um ponto a sua frente sem realmente o ver; eles estavam desfocados e brilhando com lágrimas. Remo sentia como se um vazio e profundo abismo acabara de ser aberto dentro do seu coração, e ele estremeceu: não podia sequer começar a imaginar como Sirius estava se sentindo. Ele abriu e fechou sua boca várias vezes para dizer algo, mas descobriu que, pela primeira vez, não tinha palavras. Mas isso lhe foi resolvido quando a abatida voz de Sirius rompeu o silêncio.

"...É isso, Remo." Ele sussurou.

Remo caiu pesadamente próximo a Sirius, aterissando com um suave 'tump'. Ele virou sua cabeça e olhou para Sirius, só para encontrá-lo ainda encarando aquele ponto invisível. "O que é isso, Siri?" Remo estava surpreso em ouvir sua voz hesitante e insegura.

"Harry. Ele se foi. Depois e tudo que eu enfrentei... depois de eu tentar tanto, e chegar tão perto... eu o perdi." Sirius interrompeu com um soluço tremido. "Eu estraguei tudo, e ele se foi. É ISSO. E a a culpa é minha, Rem. É minha culpa."

Sirius trouxe seus joelhos para seu peito e escondeu sua cabeça de vista, seus ombros tremendo com soluços contidos Quando Remo olhou, a realidade do que eles haviam feito atingiu tão forte que ele não conseguia até mesmo respirar. Ele não conseguia evitar em pensar que Sirius estava certo. Depois de todos os erros que eles havia tido com Harry, dos Dursleys, da Ordem, de tudo... eles tinham finalmente o perdido.

"Oh Deus, Rem. O que eu vou fazer? Eu-Eu não posso viver sem ele, eu não posso! Não consigo acreditar que fui tão estúpido para realmente mentir pra ele-eu só... isso não... porque..." Sirius estava lentamente ficando histérico e sua respiração estava vindo em grandes arfadas.

Remo saia que tinha que fazer algo, mas ele não conseguia de maneira nenhuma pensar o que devia fazer para ajudar seu amigo quando ele mesmo queria sentar-se ali e também chorar. As primeiras lágrimas que desceram seu rosto o trouxeram de volta a realidade, e ele rapidamente secou seu olhos e, fungou suavemente, ficou de pé e ajudou Sirius a se levantar.

Sua voz quebrou quando ele falou, "Vem, Siri, vamos ir embora."

Sirius arrancou seu braço do aperto de Remo. "Ir para onde, Remo?" ele perguntou, sua voz perigosamente baixa. "De volta pros nossos quartos? Ter uma boa noite de sono? Tudo ficará melhor de manhã, não é mesmo? Bem não existe nenhuma merda de chance que--"

Remo o interrompeu. "Para ver Dumbledore."

Harry cambaleou sem direção pelo castelo, não sabendo onde ele era levado ou o que estava fazendo. Ele estava só... indo. Tudo o que sabia era que machucava. Ele sentia como se os pedaços do seu coração partido estavam o perfurando por todo o seu corpo e queria nada mais do que fazer isso ir embora- para sentir nada. Para ser nada.

Harry de alguma maneira encontrou-se subindo as escadas em direção a Torre de Astronomia. Uma vez que atingiu o topo, ele abriu a porta e andou para fora, para o frio ar noturno. O vento de outono estava queimando furiosamente a sua pele, mas este passou despercebido. Harry caminhou para a brusca extremidade da Torre e avisou os terrenos de Hogwarts. Tudo estava calmo e parado na noite, o completo oposto do tumulto de emoções que Harry estava sentindo.

Harry achou irônico que de todas as pessoas do mundo que queriam causar a sua destruição, incluindo o bruxo das trevas mais poderoso de todos os tempos, a única pessoa que realmente conseguiu destruí-lo, foi seu padrinho. Seu padrinho que estava vivo. E respirando. E quebrando a alma já atormentada e torturada de Harry.

Harry encostou-se e sentou apoiado na parede da Torre de Astronomia e encolheu-se em uma bola no canto mais afastado. Harry manteve seus olhos firmemente fechados para tentar segurar as lágrimas que estavam tão desesperadamente se libertar, mas ele não conseguia. Harry permaneceu na Torre a noite inteira, encolhido em uma bola miserável, chorando pelo seu coração partido.

Sirius sentou no escritório de Dumbledore em uma longa mesa entre Remo e a Molly Weasley. Tão logo que Dumbledore ouviu o que aconteceu, ele tinha chamado uma reunião de emergência da Ordem para discutir as conseqüências da visão de Harry e a sua descoberta sobre Sirius.

Dumbledore sentou na cabeça da mesa, seus olhos completamente privados do brilho usual e parecendo mais velho que o próprio Merlin. Ele juntou seus longos dedos quando olhou seriamente para Severo por cima dos seus óculos de meia-lua e perguntou, "Severo, o que você pode nos contar das ações de Voldemort nesta noite? Você sabe o que Harry pode ter visto?"

Severo suspirou e disse, "O Lord das Trevas e seus Comensais da Morte atacaram uma pequena cidade trouxa nos arredores de Londres. Esse foi... o pior ataque que já aconteceu na Segunda Guerra." Ele engoliu em seco antes de continuar. "Eu não sei quanto o Potter viu...Malfoy, Crabbe e Goyle estavam... estuprando mulheres e jovens adolescentes. Outros estavam torturando crianças e, Lestrange... ela... era exatamente como os Longbottoms." A voz de Severo permaneceu firme, mas seu familiar sorriso desdenhoso não estava presente no seu rosto, um sinal que ele estava se esforçando para manter sua compostura. "...Mas Potter estava profundo o bastante na mente do Lord das Trevas para ter sua presença notada. A fúria do Lord das Trevas foi... indescritível."

Alvo suspirou quando disse, "Muito bem, Severo, obrigado. Harry está provavelmente com dor, você poderia por favor fazer um frasco de uma forte poção para aliviar a dor, para ele tomar amanhã de manhã?"

Severo assentiu brevemente e desviou seus olhos para o chão. Alvo olhou a sua volta e endereçou a Ordem como um todo, "Como vocês podem ver, os ataques de Voldemort estão se tornando mais freqüentes, e mais violentos. Nós teremos que trabalhar imediatamente para tentar proteger o maior número de pessoas possíveis e tentar prevenir que Voldemort de atacar novamente. Mas antes que nós move para isso, acredito que devíamos discutir os problemas relativos ao nosso jovem senhor Potter." Ele parou e disse quietamente, quase para si mesmo, "Nós temos escondido muitas coisas dele por tempo demais."

Nisso a cabeça de Sirius ergueu-se e ele silibou cruelmente "Não. A Ordem não tem. Você têm" Quase todos os outros membros mantinham seus olhos abaixados, recusando-se a encontrar os olhos de Dumbledore em silenciosa concordância com a afirmação de Sirius. Sirius, entretanto, encontrou diretamente seus olhos e os encarou de modo frio friamente, seu olhar ameaçador e irredutível.

Novamente Alvo suspirou e falou, "Você está certo. Eu tenho escondido muitas coisas dele por tempo demais." Ele parou de novo quando olhou tristemente para Sirius e percebeu exatamente quanto dano ele havia causado. Sirius parecia horrível. Dor e sofrimento estavam radiando dele em ondas. Seus olhos estavam vermelhos e tinham ficado opacos relembrando o que pareciam quando ele primeiramente havia escapado de Azkaban. A aparência da sua face era de congelar os ossos e o total efeito fazia ele parecer com o assassino que ele havia sido chamado por tanto tempo. Alvo desviou seus olhos e continuou. "Acredito, com a descoberta de Harry sobre... a condição de saúde de Sirius, que é hora de começarmos a monitorar seu comportamento."

Vários pares de olhos ergueram-se para ele curiosamente. Alvo continuou, "Muitas pessoas têm a impressão que o oposto do amor... é o ódio. Mas isso não é verdade. O oposto do amor é a apatia. O amor é a emoção mais forte que existe. Pode construir nossas vidas... ou quebrá-las." Nisso, os olhos de Sirius moveram-se para a mesa e permaneceram lá, imóveis. "Ódio, não importa o quão destrutivo, ainda é uma emoção. As pessoas que sentem ódio fazem exatamente isso - elas sentem. Harry tem amado todos a sua volta mesmo quando eles não o amam. Ele experimentou amor, ódio, e tudo o que existe entre eles Harry simplesmente não seria Harry se não fosse tão dinâmico quanto ele é. Apesar dele ser às vezes impulsivo," Dumbledore parou quando Sirius lhe mandou um olhar ameaçador. "Apesar dele ser ás vezes impulsivo, ele sempre age de todo o coração. Sua habilidade de sentir e amar e odiar de todo o seu coração e de sua alma é o que faz Harry ser quem ele é. "

Sirius começou a se inquietar. Isso tudo era ótimo, e inteiramente verdade—Alvo estava citando muitas das razões porque Sirius amava tanto Harry tanto- mas agora não era a hora de discursos. Agora era a hora de estar implorando de joelhos para Harry por desculpas. Sirius olhou para cima e rosnou, "Chegue ao ponto, Dumbledore."

Alvo suspirou mais uma vez, e distraidamente percebeu que ele parecia estar fazendo isso muito ultimamente. Ele balançou a cabeça quando pensou como as coisas tinham ficado ruins em apenas duas horas. Ele respirou profundamente e continuou, "Depois da sua... queda, junho passado, Sirius, Harry e eu tivemos uma... conversa... na qual Harry disse algumas coisas muito inquietantes para mim. E eu admito, eu tenho estado preocupado infinitamente sobre elas desde que ele as mencionou, e essa situação só faz eu me preocupar ainda mais."

Dumbledore estava não só irritando Sirius agora. De cada lado dele, ele podia sentir Remo e até mesmo Molly Weasley ficando tensos com raiva. Dumbledore estava circulando em volta do assunto- dançando em volta da situação sem atingir seu centro, e Sirius sentia como se fosse uma cruel zombaria da sua dor e angústia. No momento que ele estava prestes a perder sua compostura e gritar para o homem, Molly foi mais rápida.

"Pelo amor de Deus, Alvo, o que aconteceu? O que ele disse?" Ela falou em uma voz exasperada, e Sirius a reconheceu como a voz que ela usava com Fred e Jorge, e até mesmo com ele na ocasião em que estivesse momentos antes dela perder o seu famoso temperamento Weasley. Alvo deve ter percebido também, pois ele finalmente foi direto para o ponto.

"Ele estava zangado, e com dor, depois da morte de Sirius, e seus sentimentos extremamente machucados. Ele estava gritando para mim, dizendo que ele não se importava, e eu disse a ele que ele se importava, e que aquele sofrimento provava que ele ainda era um homem. Que essa dor era parte de ser humano."

E Sirius subitamente não queria saber o que Harry havia dito depois disso, porque sabia que isso iria fazer seu sangue completamente gelar. Ao seu lado, ele podia sentir Remo tremendo, podendo ser tanto de antecipação como de medo. Sirius achava que era um tipo de uma doentia, agonizante combinação das duas, pois ele mesmo estava se sentindo exatamente do mesmo jeito.

"Harry me disse que se ser humano significava que ele tinha que sentia dor como essa... então ele não queria ser humano. Que ele não se importava, e que já tinha tido o bastante. Ele queria se livrar disso, e queria que acabasse."

Houve silêncio na sala por um mero segundo antes Molly romper em altos soluços, apoiando sua cabeça no peito de Arthur, que também tinha silenciosas lágrimas escorrendo pelas suas bochechas, assim como vários outros membros da Ordem. Remo mantinha seus olhos fechados e estava tremendo, beliscando a ponta do nariz do seu nariz em uma tentativa de permanecer em controle.

Mas Sirius ficou sentado lá quietamente, sem se mover, sem fazer barulho. Ele se levantou lentamente e caminhou de modo sereno para a porta, colocando sua mão na maçaneta. Mas ele não a abriu. Ele ficou lá, congelado. E então, de repente, ele apoiou ambas suas mãos na porta e a arrancou da parede, jogando-a em outra parede com um rosnado de raiva. Ele observou quando ela se estilhaçou e rompeu-se com vários satisfatórios 'CRACK's antes de transforma-se em Almofadinhas e galopar para fora do escritório e descer em direção aos terrenos de Hogwarts.

O resto da Ordem ficou sentada em silêncio chocado, só quebrado pelos ocasionais fungadas. Remo ficou de pé e lentamente fez seu caminho em direção a moldura da porta, pretendendo tentar encontrar e com sorte acalmar Sirius. A voz de Alvo e o parou quando ele estava na metade do caminho de atravessar a sala. "Remo, por favor, eu sei que essa é uma situação difícil para todos nós, mas essa reunião ainda não está finalizada. Sua presença ainda é requisitada."

Remo olhou furioso para ele e relutantemente voltou a sentar-se ao lado de Molly, que segurou seu braço com uma força de ferro. Ele falou com uma voz forçadamente calma, "Então o ponto de nos contar isso é... que você teme que Harry vai tentar fazer isso? Tentar se tornar apático, sem emoções?"

Os olhos de Alvo brilharam suavemente por um segundo. "Você sempre foi o bruxo mais brilhante do seu ano, Remo, e também por uma boa razão. Sim, isso é exatamente o que eu temo. Que por causa de toda a dor de Harry, ele tentará se tornar apático. Tentar fazer o que ele tão desesperadente quer. Eu acredito que ele tentará esconder e conter sua dor, em vez de libertá-la e eventualmente lidar com ela. Este sempre tem sido seu instinto, e poderia ter vários efeitos para ele, todos negativos."

"Que tipo de efeitos?" Arthur perguntou quietamente.

Alvo suspirou. "Nós todos sabemos como Harry reagiu em Agosto do ano passado, depois acumular suas emoções durante parte do verão. As emoções dele agora, entretanto, são muito mais dolorosas e próximas de casa do que eram depois do Torneio Tribruxo no seu quarto ano. Se elas foram contidas, por um longo período de tempo, suas emoções quando for liberadas será muito mais graves que os seus anteriores acessos de raiva. Ele também pode começar a tomar riscos desnecessários, intensionalmente arriscando sua vida, não pelo desejo de se matar, mas porque ele não se importa mais com a sua vida... nenhum de nós sabe como Harry irá reagir a isso. Ele é forte, mas até mesmo os mais fortes podem suportar uma determinada quantia, e ele ainda é um garoto de dessesseis anos. Nós teremos que observar Harry atentamente e seus atos. Professores, monitorem ele na aula, me contem seu comportamento, suas notas, suas ações... Remo, Molly, Arthur, se ele ou qualquer um dos seus amigos escrever para vocês, por favor me comuniquem se algo for significante. Nossa principal prioridade agora é ajudá-lo."