Capítulo 10: Uma palavra

Capítulo 10: Uma palavra

O sol batia em seu rosto. Seu estômago borbulhava. Ela abriu os olhos.

- Ai... – resmungou percebendo que a visão estava embaçada.

- Oi – respondeu o namorado com uma voz séria.

- Sasukee?... – Ela sentou-se na cama ainda tonta e com o coração saindo pela boca – Ai... Eu bebi demais né? – respondeu lembrando-se vagamente de algumas cenas da noite anterior.

Meu deus! Teria ela dito algo sobre Sai? Não, não podia ser, tinha que manter a calma.

- Aham. – disse ele ainda sério a olhando no fundo dos olhos.

Aquilo estava tenso. Mas ela não disse nada comprometedor.

- Desculpa ter te dado o trabalho de me trazer até aqui... – desculpo-se envergonhada.

- Nem imagina o trabalho que me deu... – Respondeu ele alterando a expressão séria para o que pode ser descrito como "um meio sorriso malicioso".

- Pára com isso! Ta me deixando sem jeito! – respondeu vermelha.

Era um alívio, isso era a prova de que manteu sua boca bem fechada, mesmo tendo bebido tanto a ponto de perder a noção, a ponto de lembrar pouquíssima coisa.

Sasuke então, completou o sorriso. Ah... Isso certamente é fatal a todas que imaginam essa cena... Inclusive, e principalmente para a que a viu. É claro que para escapar da vergonha de ter tomado um porrete em uma festa de empresa, e "não se lembrar de nada", ela desviou o olhar. Olhou o peito do namorado com um arranhão gigantesco. Seu coração deu um salto. Ela já imaginou o pior, provas de uma violenta briga.

Era a única coisa lógica que vinha em sua cabaça. E seria uma briga com Sai, com ela não teria sido... Nunca machucou alguém quando estava com raiva... Mas no caso ela estava bêbada... Mas esse ponto não foi cogitado pela mente da falsa menina santa.

Em meio de tantos delírios que ocorreram em frações de segundos, ela se pronunciou:

- MEU DEUS O QUE FOI ISSO? – Exclamou.

- Você. – respondeu maliciosamente.

Agora sim ela se desesperou. Para ela, aquele "Você" referia-se a "Você que não me contou que a vaca XXY estava te molestando por isso quando você abriu a boca e enchi ele da porrada mais linda que você viu mas não lembra porque estava muito bêbada para tal". E aquele sorriso só podia ser sarcástico. Seu coração chegava a machucar de tão rápido que batia.

- COMO ISSO? – Ela não estava agüentando.

- Você não vai querer saber... – ele sorriu novamente e se aproximou.

Aquilo era muito cruel da parte dele, mesmo sem ele ter consciência disso.

- Sasuke... Eu não me lembro de nada... Pare com isso e me conte o que foi... – disse ela fazendo beiço para chorar.

- Vai começar? – Ele mantia o sorriso.

- Sasuke... – Ela, o beiço.

- Já disse... Você não vai querer saber... – Ele se aproximou mais.

Uma palavra: Tortura.

- Pára com isso! – Ela o empurrou.

Ele riu apoiando os braços no colchão para não cair.

- Quer mesmo saber? – Ele foi para cima dela novamente.

- Por favor... – Disse ela morrendo de medo.

- Isso.

Essa palavra que foi a deixa para que Sasuke a beijasse loucamente, mordendo seus lábios, passando a mão pelo seu corpo de modo selvagem, a jogando contra a cama, deixando-a imobilizada. Ele parou e olhou dentro de seus olhos. Ela estava ofegante, ruborizada. Ele sorriu:

- Agora multiplica isso por cinco... – lambeu os lábios da namorada - Você tava bem animadinha ontem... – termiou a frase lançando um olhar profundo.

Meu deus. Aquilo foi fatal. Ela ficou com os olhos arregalados. Ele se levantou.

Sakura ainda estava vermelha, e várias coisas começaram a se passar pela sua cabeça; como vários flashs embaralhados. As coisas estavam lá; confusas, mas estavam. Respirou fundo aliviada por nada daquilo ter relação com Sai, mas estava morrendo de vergonha. Não sabia ao certo o que fez; mas o que os flashs lhe mostraram acusava algo nada "leve".

Mas eles também revelaram as atitudes de Sasuke antes da virada do ano.

- Sasuke... – ela arriscou a pronunciar-se.

- Humm... – respondeu ele fechando o zíper da calça.

- Você me ama? – não sabia o porque daquela pergunta repentina, mas tinha que fazê-la.

- Isso não é da sua conta. – respondeu a olhando profundamente e sorrindo.

- Claro que é! – ela ficou de joelhos na cama.

- Hum... – ele parou e pensou, fechou os olhos – Você é muito irritante...

Ele caminhou mais uma vez na direção da jovem e a beijou, era um beijo terno, era o beijo de Sasuke.

- Descubra isso sozinha – foram as últimas palavras dele antes sair.

Aquilo permeou por sua cabeça até depois que o namorado foi embora... Mas sua memória estava voltando aos poucos, a dor de cabeça passando, e ela se dava conta que segunda feira no trabalho não ia ser nada fácil. O bovinão XXY certamente daria o troco por tudo que estava acontecendo...

- Mas que merda... – disse ela arrumando a cama.

Já não sabia mais o que era certo, ou errado, mas tinha medo de contar a Sasuke o que estava acontecendo... Medo de ele descobrir... Medo de ele achar que ela ainda era uma prostitua, mesmo depois de tudo... Medo de nunca mais sentir o sorriso dele... Nunca achou que sua vida ia se tornar tão moribunda por causa de um homem...

Um homem, a razão de seu sofrimento: Afinal, se não fosse a noite no bordel, depois a noite na sala de Sai, nada seria o mesmo... O destino de sua caminhada: Já que era ele que fazia com que ela fosse trabalhar todos os dias, mesmo sabendo que seu chefe a esperava... O príncipe dos seus sonhos: Com o sorriso mais lindo, os braços mais fortes, a fragrância mais entorpecente... O prazer das suas noites: Seu corpo, seu rosto, sua boca, seus lábios, sua língua...

Não entendia aquela última fala dele. Porque diabos ele não podia ser claro? Aquilo pareceu um sim, mas não teria certeza até que ouvisse da boca dele aquela simples frase "eu te amo".

Nem ele entendia a própria fala. Era um idiota ou o que? Pra ele, no momento em que a viu olhando distraída para o céu na noite anterior, ficou claro que aquilo não passava de um reles compromisso, ficou claro que ele sentia algo mais. Ele sabia que aquele "Eu te amo seu desgraçado" era algo recíproco. Mas então porque não conseguiu dizer nada?

- Que mulher irritante... – praguejou ao entrar no seu apartamento.

Mas algo, além disso, o incomodava. Sakura ficou muito tensa. Estava desesperada pra saber o que tinha feito noite passada. Talvez porque estava com medo de fazer algo que não podia, ou dizer algo que não devia... Sem dúvidas ela estava escondendo algo.

Segunda feira começou tensa. Sasuke foi chamado pra ajudar em alguns assuntos no setor financeiro, e Sakura, não demorou a ser requisitada a prestar serviços para o chefe.

"Fique calma, se ele fizer alguma coisa é só gritar que eu vou ai..." Essa frase do namorado não saia da cabeça de Sakura. Foi isso que o Uchiha disse antes de sair de perto dela, dando paços lentos para fora da sala. E a cada paço que ela dava em direção a sala de Sai, mais ela ecoava com força.

Entrou no escritório. Estava tudo escuro, só a luz do notebook do chefe iluminava seu rosto. Ele viu Sakura, e ela ficou paralisada com o olhar.

- Não acenda a luz – disse ele com um olhar estranho.

Ela apenas assentiu com a cabeça, e com isso o olhar de Sai voltou onde estava: na tela do computador. Sakura então foi caminhando para mais perto da luz.

- Pode me trazer um café? – perguntou a figura sorrindo como sempre.

- Claro... – disse ela de cabeça baixa como de costume já se retirando da sala.

- E traga bem quente... Fervendo... O mais quente possível... – disse sorrindo sem tirar os olhos da tela do computador.

Sakura não entendeu o porque da luz apagada e do café quente, mas certamente não era nada bom... Aquele primeiro olhar de Sai lhe arrancou a espinha pela boca, estava tremula, estava perdida em meio à situação.

Cada vez que tirava o leite do microondas parecia que ele continuava frio. Depois de várias tentativas percebeu que o leite estava fervendo, chegou a queimar de leve os dedos ao encostar-se no líquido a fim de verificar sua temperatura.

Lentamente foi caminhando com a xícara de café pelando a levando em uma bandeja, cuidando para não derramar uma gota, o que estava difícil já que ela estava tremendo muito. Pode-se imaginar a velocidade dela. Chegou na sala um tempo depois, as luzes ainda estavam apagadas, e colocou o café em cima da mesa, e este, mesmo com a demora, ainda estava quente.

Ao ouvir o barulho da bandeja na mesa, Sai a olhou novamente com aquele olhar.

- Puxe essa cadeira e a coloque aqui do meu lado. – disse ele mostrando a cadeira que estava na frente dela.

Ela o fez de cabeça baixa.

- Agora sente-se ai. – ele exibiu o seu sorriso.

Ela obedeceu ainda de cabeça baixa. Sentiu então que ele levantava sua longa saia. Era o momento, já esperava pela vingança. Fechou os olhos. Sentiu aquele pano preto asqueroso em sua boca, seu velho amigo, uma lágrima escorreu em seus olhos. Mas o que veio agora, foi uma péssima surpresa. Sentiu a xícara com o líquido quente queimando sua pele, queimando suas coxas. Sentia as bolhas se formando, e mais lágrimas em cachoeiras passando por suas bochechas. De repente, a o calor passou. Estava quase ficando aliviada pelo fim da tortura quando sentiu que o chefe jogou o café ainda extremamente quente em cima das queimaduras formadas.

Uma palavra: Dor.

Ela chorava intensamente, a dor era intensa, a queimadura estava em grande parte de suas coxas, com o café ardia demais, e para não deixar possibilidades que aquilo era um acidade Sai abriu a boca dizendo:

- Oh, derrubei o meu café... – o sorriso XXY estava formado – Melhor eu não desperdiçar o seu trabalho...

Com isso, ele se colocou para lamber a área queimada. Se fosse só isso, as coisas não seriam tão ruins, mas é claro que não era só isso. Ele começou a morder a área, e depois a dar vários chupões na região.

- O que você tem? – perguntou Sasuke no carro desconfiado.

- Nada – respondeu ela desanimada.

- Ótimo. – ele disse sério – Se está bem vai dormir na minha casa hoje. – disse ele sem tirar os olhos do volante.

- Ma... – ela tentou inventar uma desculpa, mas não conseguiu, ele a cortou.

- Não quer descobrir a resposta pra sua pergunta? – ele ainda estava sério, afinal, ele sabia que ela não estava bem, era a hora de descobrir o que ela o estava escondendo, e como era esperto, precisava de uma boa isca.

- Isso é golpe baixo... – ela disse olhando pela janela.

precisava de uma boa isca.

- Isso é golpe baixo... – ela disse olhando pela janela.

- Que bom que você percebeu que não tem escapatória. – Encerrou o assunto estacionando o carro.

Sasuke agora tinha certeza que ela lhe escondia algo. Sai certamente faria alguma coisa contra ela, não deixaria o bafão da festa passar assim, batido. Tudo estava passando batido, e aquilo não fazia sentido algum.

"A menos que... A menos que ele já tenha feito... Ou que esteja fazendo..."

Tudo fazia sentido agora. Só precisava descobrir o que estava acontecendo, e descobriria a todo o custo, não ia deixar aquilo passar barato. Sakura o enganou tempo demais já, e isso o irritava, afinal, as pessoas só escondem o que é ruim...

Abriu a porta do apartamento, e assim que ela entrou, ele fechou a porta. Ficou vendo ela se dirigir para o sofá, e antes que ela se afastasse demais, a capturou pela cintura e a colocou nas costas.

- Ei o que é isso?! – exclamou ela sentindo a dor em suas pernas na área queimada.

- Sua resposta – ele respondeu sério.

Sakura ficou assustada, ele estava estranho, normalmente ele estaria fazendo aquilo maliciosamente, mas agora ele parecia zangado.

Sasuke a jogou na cama e olhou bem dentro dos olhos dela e disse sem nenhuma emoção:

- Eu te amo.

Uma palavra: Choque. Nada melhor explica o que se passou com ela. Aquilo na mente dela era como o "delete" do computador, deletou todos os pensamentos que ela tinha.

Nem percebeu que ele tirava a roupa dela, primeiro a blusa, e depois foi levantando a saia dela. Nesse momento Sakura acordou: se ele visse suas pernas queimadas e com chupões seria o fim. Ela hesitou.

- O que você tem? – ele ainda estava sério.

- nada... – respondeu ela em voz baixa.

- Ah é? – ele sorriu, pela primeira vez aquela noite – Então porque não posso fazer isso?!

E com isso ela levantou a saia de Sakura.

Choque.

- Nada é? Acabou Haruno, eu sabia que você estava me escondendo alguma coisa!

Ele envolveu as mãos no pescoço da namorada.

- Sasuke eu... – ela tentou se explicar, mas começou a chorar.

- Foi ele não foi? – ele a levantou da cama ainda a puxando pelo pescoço – Por isso não fazia nada... Por isso andava com medo... HÁ QUANTO TEMPO ELE VEM ABUSANDO DE VOCÊ? – ele a chacoalhou.

Quando viu que ela ficava sem ar, ele a jogou na cama e se levantou.

- Sasuke... Ele não fez nada... – ela tentou contornar a situação, inutilmente.

- Não se faça se sonsa... Achou que ia esconder isso de mim por quanto tempo? Achou que eu não ia perceber? Acha que eu não estava desconfiando? Era disso que eu precisava... – ele estava sério, aquele olhar era acusador.

- Eu não tinha escolha... Fiquei com medo... Ele disse que ia espalhar o vídeo, que ia te despedir, que você ia ficar com a fixa suja, e eu fiquei com medo de ele mostrar aquilo pra polícia, e não sei, e... – ele a cortou.

- E por isso aceitou ser a puta dele? – Ele não estava gritando, estava sério.

- Eu... – ela foi mais uma vez interrompida.

- Você deixa um filho da puta como esse te usar assim?... VOCÊ É UMA IDIOTA! DIZ TANTO QUE NÃO É UMA PROSTITUTA, MAS AGE COMO SE FOSSE UMA! DEIXANDO ESSE CARA NOJENTO PASSAR A MÃO EM VOCÊ! POR UMA CHANTAGEM!... E NEM VEM ME DIZER QUE AS PUTAS FAZEM O TRABALHO POR LIVRE E ESPÔNTANEA VERDADE, ELAS ACEITAM AS CIRCUNSTÂNCIAS E APRENDEM A VIVAR COM ISSO! O MESMO QUE VOCÊ ESTAVA FAZENDO!

- Eu... Eu fiquei com medo que você não me amasse se soubesse o que ele fez comigo na primeira vez... – ela chorava.

- Então eu não tenho motivos pra te amar agora então.

- Mas... Você acabou de dizer... – outro corte.

- Eu menti. Menti pra poder descobrir a verdade.

- VIU? É POR ISSO QUE EU NÃO TE CONTEI... EU SABIA! SABIA! – ela gritava chorando e soluçando.

- Não é por isso que eu não te amo... Eu não consigo amar alguém que mente pra mim...

- COMO EU POSSO FAZER VOCÊ ENTENDER?... Eu te amo... Eu fiquei com medo... Não queria perder você... – os lençóis estavam encharcados.

- Lembra que eu te disse... Que se ele encostasse o dedo em você eu ia acabar com a raça dele? Quem tem que entender as coisas aqui é você... Sua estúpida. – O jeito ríspido como ele disse tais palavras acabavam com ela.

- Eu te disse... Eu não queria perder você...

- Tarde demais, já perdeu. – ele deu as costas para ela.

- Tudo bem... Eu sabia que estava num caminho sem volta... – disse ela sorrindo melancolicamente – agora... NUNCA MAIS APAREÇA NA MINHA FRENTE! PORQUE SE EU SOFRI O QUE EU SOFRI, FOI PORQUE EU TE AMO! EU TE AMO! EU TE AMO! EU TE AMO!... – ela respirou, um breve silêncio se formou - Mas... No momento eu que eu cruzar aquela porta... Você nunca mais... Nunca mais... NUNCA MAIS VAI ME VER! NUNCA MAIS! NUNCA MAIS! ENTENDEU?

- Entendi... Nunca mais ia conseguir te ver... Porque eu perdi o principal fator que motiva qualquer sentimento que eu tenha por alguém... Confiança... Eu disse que você devia confiar em mim, que se alguma coisa acontecesse eu ia te socorrer... Mas se você não confia em mim... Não vejo motivos pra confiar em você... – a frieza dele certamente escondia a decepção, e o ódio que sentia no momento. Não iria gritar, melhor do que mostrar algum sentimento, era não mostrar algum.

- Fica com isso então – ela disse com raiva já com os olhos vermelhos jogando a aliança no chão.

Uma palavra: Acabou.