Capítulo 11: O Navio e sua ruína

"Impossível...!" sussurrou uma donzela guerreira no convés do Navio em Ruínas. Os espíritos sombras já haviam sido derrotados, e o véu estava inteiro novamente, porém um novo problema surgia para os Homens-do-gelo.

O grande navio em ruínas começava a ser invadido por ondas esverdeadas de água. Outros navios de clãs ao redor viam o mesmo ocorrer, conforme o gelo fino rachava revelando um mar capaz de engolir tudo ao redor.

Frenc e uma Donzela Guerreira-mãe se encontravam no convés, e logo a mulher perguntou: "Conhece uma forma de impedir isso?"

"Não há conhecimento de nada capaz de congelar o gelo, porém posso tentar outras formas. Melhor: Eu vou conseguir por outras formas" falou Frenc, pronto para mostrar o quão útil podia ser

"O que foi isso?" perguntou Rina interrompendo uma discussão, ao sentir o navio chacoalhar

"Eu já imaginava isso...Vamos matriarcas, temos de sair daqui. O navio será engolido pelas forças abaixo do gelo, precisamos sobreviver" falou a Matriarca-mãe das mães.

"E abandonar essa construção milenar?" questionou outra Matriarca, sua voz vacilante.

"Sim...porém não se engane. A memória desse navio estará sempre na mente das matriarcas" concluiu, e todas concordaram lentamente.

Seguiu-se um estrondo e um solavanco. As matriarcas começaram a se mover de forma ritmica, as mais velhas na frente. Todas estavam preocupadas, mas haviam aprendido a não demonstrar isso. Nem para elas mesmas. Antes que elas saissem do salão uma Donzela Guerreira surgiu, e após uma saudação muito rapida, começou a falar: "Frenc está tentando salvar o navio, mas creio que isso não será possível. As outras Donzelas estão tentando retirar parte do arsenal, para aliviar o peso. Não podemos leva-las para fora, pois ainda existem algumas sombras. Acreditamos que a poupa do navio seja mais seg...

"Sem perda de tempo" cortou a Matriarca mãe impassível

"Frenc nunca conseguirá sozinho. Preciso alcança-lo, mesmo correndo o risco das matriarcas me pegarem. Vou esperar a melhor hora" pensou Rina, se preparando para encontrar e ajudar Frenc.

Um estrondo ensurdecedor do navio quebrando os restos do gelo foi o suficiente para Rina fugir da fila de matriarcas. Ela passou rapidamente pela porta que levava ao convés e viu um homem disparando cores diversas de luz para contornar o navio. Ela também via as enormes velas decorativas do navio se balançando ao vento. Pela primeira vez desde a guerra de Danir, o navio em ruínas estava se movendo. E infelizmente esse movimento era para o fundo do oceano gelado.

"Tomara que Frenc agüente o tranco" pensou Rina.

O navio movimentava-se irregularmente. Em parte afundando devido à antiga abertura na sua lateral. Em parte velejando com a ajuda de Frenc até um monte firme de gelo, onde 'atracaria'. Rina estava tentando chegar a uma parte escondida do navio quando um enorme solavanco a derrubou, machucando seu ombro. Em outra parte do navio as Matriarcas se seguravam, ao sentir a inclinação do navio

"Não se preocupem. Frenc ainda tem o sangue e a força do gelo, apesar de buscar suas habilidades na cultura do Castelo. Ele conseguirá..." falou a Matriarca-mãe tentando acalmar as outras, embora ela já estivesse começando a ficar insegura.

Um novo solavanco podia garantir que o navio estava no fim, porém uma enorme rede de luz laranja o levantou novamente.

Frenc fazia força, era um esforço mental imenso para agüentar firme a rede que criara. "Se pelo menos eu soubesse usar luz mais alta, e tivesse mais pedras" pensou um momento, se destraindo.

Essa distração custou caro, pois a água atingiu a enorme abertura lateral do navio, e mesmo já estando quase em gelo firme, a água começou a consumi-lo por dentro.

Rina levantou-se e mesmo com dores e raiva começou a ajudar. Nada mais importava, pois ela ainda era do gelo, e não poderia deixar a mais antiga das construções de seu povo sumir. Com luzes amarela e verde começou a empurrar a água de volta, permitindo a Frenc de onde estava reerguer o navio com a rede. Juntos, Rina e Frenc estavam conseguindo salvar o navio.

"Onde está Rina?" perguntou Milen, finalmente dando pela falta da Matriarca Jovem.

"Ela não está com você?" disse outra Matriarca.

"Vou atrás dela" decidiu-se a mulher, soltando-se de uma tora e andando tortamente até a entrada do navio

Rina não tinha força mental suficiente para atender aos chamados de outras matriarcas. Sua mente foi tomada pelo feitiço que conjurava, e agora o Navio parecia estar chegando à base de gelo. Após algum tempo Milen a encontrou e perguntou: "O que está fazendo?!".

Rina se assustou e por um momento sua parte do feitiço se desfez, a água novamente pronta para entrar. Ignorando Milen, Rina voltou ao feitiço o mais rápido que pode. E em meio a novos estrondos o navio parecia finalmente atracar. Momentos de grande alivio se seguiram à parada do navio em ruínas, que agora estava interiormente totalmente desorganizado.

Rina não resistiu ao esforço e desmaiou, sendo amparada por Milen que estava em choque. Havia visto a matriarca usar magia da luz, e suas suspeitas se confirmaram vendo no cabo da espada de Metal Mândrus uma pedra do sol. No mesmo momento Milen lembrou-se dos estranhos encontros de Rina e Frenc, e em instantes entendeu. Rina praticava magia da luz. E se fazia isso, então provavelmente também treinava a arte da espada as escondidas.

"Rina!" choramingou Milen confusa. Uma mistura de raiva, alívio e medo. Milen olhava para a face da garota, que desde cedo havia sido sua aprendiz. Milen se perguntava onde havia errado no ensinamento de Rina, e começava a pensar que a garota nunca desejou ser uma matriarca. No fundo, sabia que estava certa.

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A biblioteca dos Escolhidos não era um local muito conhecido. Os Cristais do Conhecimento sempre pareciam imundos e cobertos de poeira. Enquanto Sean encarava os problemas acarretados nesse tempo pós-guerra, e Lena buscava informações sobre a causa disso tudo, ambos chegaram à mesma incógnita. O que não imaginavam é que encontra-la seria um problema ainda maior. Capítulo 12: Descoberta.