Espólios do livro 6, HP e o Enígma do Príncipe.


FUTURIBLE

(Francês. Em português, 'futurível' - Diz-se de cada um dos vários modelos possíveis do futuro da humanidade, competindo à teologia investigar se a onisciência divina conhece ou não qual deles emergirá, e aos homens, no seu livre-arbítrio, tomarem ou não o caminho que os levará a esse futurível. Na teologia escolástica, futuro condicionado pelos desígnios divinos, mas cuja condição não chegou a cumprir-se.)


Parte 1 - Atemporal


Nos primeiros minutos do dia que marcava o Solstício de Inverno, dia 25 de dezembro, em que a Terra atingia seu auge de distância do Sol, e que os Trouxas usavam tal data (dita por eles de Festival Pagão) para representar o nascimento do seu Salvador e Redentor que, em dois mil anos ainda não haviam aprendido suas lições de Verdade e Vida, um jovem pálido, de 17 anos, retira-se entediado e aborrecido do quase vazio salão principal de Hogwarts, onde se comemora o Natal. Aquela alegria fingida lhe era repugnante, igualmente era a presença dos intragáveis grifinórios Sirius Black e James Potter, que faziam a vez (mais uma vez...) de bobos da corte a animar a patética festinha.

O garoto Severus Snape ia em passos largos, flamulando sua veste e seus cabelos negros, sendo acompanhado por olhares de curiosidade dos poucos ali presentes que não estavam interessados nas brincadeiras idiotas dos dois grifinórios. Quando alcançava o corredor principal, Severus foi interrompido por seus dois únicos amigos naquele lugar torturante, Lucius Malfoy e Igor Karkaroff.

—Que maldito sonserino é você, afinal, Severus?! - Repreendeu Malfoy, sarcasticamente. —Sei que aqueles imbecis são repugnantes, mas não é motivo para fugir e se esconder!

O jovem Snape virou-se abruptamente, por pouco não acertando uma cotovelada em Malfoy, que se esquivou, esbarrando em Karkaroff, que vinha em seu encalço.

—Vá pro inferno se acha mesmo que estou fugindo para me esconder, Lucius! Maldito seja você que sempre se mete no que não lhe diz respeito!

—Amigo, amigo... - o jovem Malfoy falava como se falasse a um cão bravo. —Acalme-se, Sevvie! Só que não acho o suficiente a presença daqueles vermes para fazer abandonar uma festa legal dessas! Se estamos confinados a este castelo miserável neste Natal, então que aproveitemos o melhor que ele tem a nos oferecer!

—Oh, fico mesmo comovido com isso, Lucius! - Snape zombou. —Mas para mim já se excedeu a cota anual de aturar qualquer coisa do tipo, seja uma festinha estúpida, a presença daqueles imbecis ou MESMO A INCONVENIÊNCIA DE VOCÊS! ME DEIXEM EM PAAAZ!!!

Os jovens Lucius Malfoy e Igor Karkaroff estremeceram ante a fúria do garoto, parando quietos e apenas vendo Severus desaparecer dentro da penumbra do corredor, quando os dois se entreolharam com pensamentos concordativos.

—Acho que, pelo estado de saturação de Severus, ele vai tentar algo para quebrar de vez essa rotina dele...

—Se ele fizer o que ele falou daquela vez sobre viagem no tempo, é bom estarmos juntos, meu amigo! Se ele for capaz de conseguir tal façanha, podemos tirar proveito da situação...

Os dois rapazes deram as costas ao corredor e dirigiram-se de volta ao Salão Principal, ainda conversando.

—Mas acho mais provável que o Seboso se esconda debaixo das suas cobertas, HAHAHAH!

Igor e Lucius entraram no Salão, rindo aos deboches.


Severus Snape refugiou-se na Torre de Astronomia, onde sempre costumava passar horas em fuga à sua realidade ingrata, a qual não suportava mais. O ar álgido e o vento seco faziam o garoto estremecer, que abraçava a si mesmo na tentativa de se aquecer e não permitir que o vento entrasse por suas vestes. Pequenas nuvens se formavam de sua respiração, enquanto, com olhos negros e brilhantes, apreciava o céu noturno e profundo daquela que era a noite mais fria do ano. Rios de estrelas fervilhavam e brilhavam como pedras preciosas ao sol. Apesar de frio, o céu estava completamente limpo, sem uma mancha sequer de nuvem. Ao longe, alguns fogos explodiam sobre a pequena Hogsmeade. A Floresta Negra a frente do castelo formava como fosse uma continuação do manto negro do céu noturno, dando a impressão de que ali terminava o mundo. O garoto abaixou sua cabeça, mergulhando em pensamentos dentro de si mesmo e a única conclusão a que chegava era a mesma de sempre dos últimos tempos: estava FARTO de tudo!

O que ele tinha a ganhar e perder? NADA! Absolutamente NA-DA! Nada tinha a ganhar e nada tinha e perder. Sua vida era um lixo, sem reais perspectivas de futuro, independente se ele era o aluno brilhante de mente perspicaz que era, que sem apoio e sem dinheiro, nada disso tinha qualquer valor. Ao resumo de si mesmo, tudo que ele sabia é que era apenas um bastardo mestiço sem eira nem beira, que pertencia a dois mundos -Bruxo e Trouxa- e nenhum ao mesmo tempo.

—Ah esse maluco.. que se denomina Lorde das Trevas... - pensou alto consigo mesmo, com sarcasmo. —...com suas idéias estapafúrdias de poder e eternidade... esse Hitler de varinha de condão... - Severus riu amargamente, pondo-se a caminhar lentamente pelas beiradas da torre, continuando seu devaneio. - Se a minha chance de ser alguém no futuro é juntar-me a tal demente com uma doutrina ridícula como a dele, realmente não há nada que me valha a pena ou que eu tenha a ganhar...

O garoto colocou a mão sobre o coração, ainda em meditação, apalpando algo que devia estar dentro do bolso de sua camisa sob o balandrau de inverno. Lentamente ele levou a mão até o bolso, retirando de lá um pergaminho dobrado, velho e encardido. O jovem Snape permaneceu ainda por alguns instantes olhando profundamente o pergaminho, enquanto o vento que soprava forte na torre brincava com seus cabelos de fios médios, fazendo-os ir e vir sobre o rosto do rapaz. - ...se tudo que aqui tenho é o nada, por que não poderia me arriscar a ver como será meu futuro? - O garoto desdobrou cuidadosamente o pergaminho. Em sua mente fervilhavam pensamentos em estado acelerado. Era o tudo e o nada que preenchiam cada vazio de seu presente e seu futuro, até que chegou a conclusão: - Só pode arrepender-se daquilo que não foi feito!


Uma mão macilenta empunhando uma caneta vermelha de ponta porosa risca energeticamente o número 24, circulando diversas vezes o número 25 de um calendário de papel já gasto e puído, que indicava se tratar do mês de dezembro do ano de 1998.

O homem trajado de preto cruza os braços sobre o peito, afastando-se da parede sem desviar seu olhar daquele calendário ali dependurado num prego enferrujado, até parar e se apoiar a uma velha mesa de madeira que ficava ao canto do pequeno cômodo onde se encontrava. Como se meditasse profundamente a respeito daquelas duas datas que marcou no calendário, o homem abaixa sua cabeça aspirando pena, e seus cabelos longos e negros escorrem por seus ombros e seu rosto magro e pálido, formando uma cortina que ocultava parcialmente seu semblante angustiado e cansado.

—O futuro somente a Deus pertence... se eu não tivesse sido tão arrogante e estúpido ao ponto de querer o proibido, o futuro que tanto queria para mim certamente não seria este presente que hoje tenho... realmente jovem-tolo-Snape, só pode arrepender-se daquilo que foi feito!


O jovem Snape relia atentamente as instruções contidas no velho pergaminho. Estava resoluto no que iria fazer. Acreditava veemente que sabia o que estava fazendo. O pergaminho trazia em si um ensinamento proibido e muito antigo. Era uma antiga tradução em latim de um feitiço negro de Tempo (1), um Inquice (2) poderoso que viveu há milênios no berço da humanidade, na região onde agora é a Angola, África.

Tempo seria o equivalente a um poderoso bruxo das trevas e muitas das magias que desenvolveu hoje são consideradas altamente proibidas. Os livros que abordavam sua vida e sua "obra", todos antigas traduções para o latim da língua banta, foram confiscados e guardados como se fossem apenas relíquias que continham superstições e tolices de magias de contos de fadas. Mas se eram apenas tolices e superstições, por que os livros foram confiscados? Por que seus ensinamentos eram proibidos?

Era isso que o jovem Severus Snape iria comprovar, mesmo correndo o grave risco de ir pra Azkaban, em prisão perpétua. E ir para Azkaban era apenas o risco certo e concreto que poderia vir a acontecer, mesmo que tudo não passasse de tolices supersticiosas, caso fosse descoberto que ele havia roubado, rasgado e utilizado o conhecimento de um livro do arquivo proibido de Hogwarts...

—É claro que dará certo! Prisão perpétua em Azkaban apenas por ter sido ingênuo por acreditar numa superstição, é um pouco demais até para um Lufano acreditar!

O vento gélido no alto da Torre de Astronomia começava a se intensificar; até seu pesado balandrau de inverno era movimentado de um lado para outro. Snape levou a mão ao bolso da calça, retirando de lá um pequeno saquinho de camurça amarrado por um cordão. O garoto mirou por alguns instantes o saquinho em sua mão, pensando se aquilo poderia dar mesmo certo - isto é, levá-lo ao futuro - ou se tudo não estaria sendo uma bobagem infantil da parte dele, já que o feitiço parecia alegórico demais para ser algo mesmo sério...

—Bem... se não funcionar, o máximo que irá acontecer é eu me sentir um grande otário!

Desamarrou o saquinho, derramando o conteúdo em sua palma direita. Havia ali terra e pedrinhas polidas que coletou do interior da Floresta Proibida; penas da Fênix de Dumbledore que havia conseguido há muito tempo atrás, quando deu a sorte de ser enviado à sala do Diretor quando a ave estava em sua época de muda; conchas que conseguiu com Sereianos do Lago da Lula Gigante e folhas de arruda, a erva mencionada no feitiço.

Fechou seus olhos, concentrando-se em limpar qualquer vestígio de pensamentos de sua mente, apenas para focar exclusivamente no feitiço, até que sentiu-se preparado ao notar a mudança sutil do ambiente, uma energia diferente circulando em volta de si. Já havia decorado as palavras cabalísticas que deveria utilizar no feitiço e no mesmo instante tudo a sua volta se alterou.

Ao iniciar a evocação, Snape jogou ao alto os elementos que estavam em sua mão, que flutuaram no ar por instantes. Proferiu o feitiço, falado em língua banta, energeticamente, sem pestanejar:


"O tempo voa,

se escoa,

numa fração desigual..."

Parecia haver em torno do rapaz uma pressão de ar contrária que impedia que o vento natural interferisse no feitiço. Os elementos separaram-se e dispersaram-se, formando sobre Snape um círculo que dasabou até o chão, mantendo a mesma forma, perfeitamente.

"Passo, repasso,

Digo e não faço,

O que deveria fazer..."

Conforme o feitiço era conjurado, a pressão de ar que envolvia o jovem Snape se tornava cada vez mais forte, movimentando em velocidade gradativa suas vestes e cabelos.

"Ouço,

Digo ao seu ouvido

Que o tempo é veloz"

O círculo relampejou e dentro, na mesma velocidade de um relâmpago, um pentagrama se formou, e de cada uma de suas pontas um fio de luz acendeu e subiu aos céus, fechando o rapaz dentro de um cone luminoso.

"Morto,

Sem estar revolto!

Asas de anjo..."

Com a mesma velocidade que a mandala se formou, desapareceu, e a pressão de ar se dissolveu, formando um vapor em volta do rapaz.

"Vôo sem espanto

Uma altitude

Voraz""


Voltou a sentir novamente o vento gelado daquela noite de Natal e ao abrir os olhos deparou-se com um cenário semelhante ao que antes estava. Olhou a sua volta e para o céu, não encontrando nenhuma diferença evidente, parecia ser tudo a mesma coisa de quando ele chegou ali há alguns minutos.

Decepcionado, começou a rir amargamente de si mesmo, levando o punho a socar a própria testa, deslizando em seguida seus dedos por seus fios médios de seu cabelo que o vento bagunçava.

—É isso aí! Sou mesmo um grande otário!

Suas penas de Fênix, pedrinhas, terra e folhas devem ter sido varridas pela ventania, igualmente o pergaminho velho que deve ter escapado de sua mão. Procurou rapidamente pelo chão da Torre, sem muito interesse. Certamente o vento havia levado também o pergaminho pra longe e agora ele sabia que aquilo ali não era absolutamente nada sério, no máximo servia para brincar de fazer mágica num acampamento de verão.

Sentiu-se gelado, pois a temperatura naquele lugar parecia ter despencado e bem devia estar em seus cinco graus negativos. Enfiou suas mãos nos bolsos do seu balandrau e rumou para as escadarias da Torre, para fazer o que deveria ter feito há muito tempo: enfiado-se debaixo de suas cobertas, em seu dormitório nas Masmorras.


—Ah, não, Mione! Não acredito que você vá fazer isso, justamente agora! É 25 de Dezembro, Natal! Você se lembra? - Reclamava um impaciente Rony Weasley, que segurava Hermione pela mão, não deixando que a garota partisse.

—Eu não esqueci, Rony, que hoje é Natal... mas a ronda precisa ser feita mesmo assim! - Hermione respondia como se falasse a uma criança que ela mesma fazia questão de mimar.

—Relaxa um pouco, deixa disso! Vamos continuar a nossa comemoração lá no meu dormitório, Harry prometeu que não iria dormir lá hoje! - Rony puxou Hermione para junto de si, abraçando-a sensualmente e terminando sua frase com um beijo apaixonado, que a garota permitiu não muito à vontade.

Hermione terminou o beijo e encarou Rony que, em seus 17 anos, já estava duas cabeças mais alto do que ela. Com um ar levemente aborrecido, a garota protestou:

—Quer dizer que você anda planejando a nossa primeira noite e ainda por cima combinado isso com o Harry?!

—Claro, por que não? -

"—Porque todo cafajeste tem olhar inocente?" - Pensou Hermione.

Hermione se desvencilhou dos braços fortes do ruivo, afastando-se dele de ré. Passar a namorar Rony em meio a todo esse tumulto da guerra foi mais como uma forma de encontrar consolo e conforto nas horas amargas, mas incomodava muito o fato do rapaz parecer ter se tornado alienado em relação às crises e perigos a sua volta.

—Não vou expor novamente as minhas razões a você, Ronald Weasley... - Falou calmamente. —E não é porque hoje é Natal que devo negligenciar minhas obrigações. A segurança de Hogwarts também depende disso, sabia?

—Ah, claro que sim! - Aborrecido, Rony cruza os braços sobre o peito e fecha a cara. —E você, obviamente, impedirá sozinha que algo terrível aconteça, não é mesmo?

—Pode ser que sim... já que acha que não sou capaz de defender a mim e a escola, sozinha, por que não vem comigo, me acompanhar na ronda de hoje? - Hermione perguntou com um sorriso convidativo que somente o tonto Rony poderia recusar o convite!

—Ficar andando por aí, a essa hora, com todo esse frio?! Não mesmo! Já que não quer ficar comigo em minha cama, eu é que não irei rodar por esse castelo gelado! Não existe mais por aqui Dumbledore, nem Snape, nem Malfoy, logo não há mais qualquer motivo para esse lugar ser invadido e atacado! Você está bem segura, minha querida! Boa ronda!

Rony saiu pisando forte, deixando para trás uma Hermione aborrecida e quase incrédula com a atitude do namorado. Quase incrédula porque já não era mais uma novidade que Rony a tratava com esse desdenho desde que ela começou a recusar carícias mais intensas e a aprofundar o relacionamento de ambos, que havia começado apenas há poucos meses.

Hermione bufou, empunhou sua varinha e seguiu seu rumo para a ronda noturna que fazia todos os dias.


Após instantes desagradáveis no Salão Principal, vendo aquela alegria enauseante e brincadeiras sem graças, Karkaroff e Malfoy se entediaram rapidamente e resolveram tomar o mesmo rumo do jovem Severus. Conhecendo bem o amigo como ambos conhecia, os dois rapazes rumaram para a Torre de Astronomia, mas antes haviam contrabandeado garrafas de fire-whisky para a comemoração particular dos três sonserinos.

Pegando atalhos e passagens secretas, os dois rapazes logo chegam ao alto da Torre, surpreendendo-se com uma luz já opaca que vinha de lá. Os dois garotos correram ao encontro do centro de luz, estacando próximo, quando um pedaço de papel voou e bateu contra o peito de Lucius Malfoy.

—O que é? - Karkaroff perguntou apreensivo.

Malfoy segurou rapidamente o pergaminho antes que ele voasse para outro canto. Olhou rápido para o que estava escrito e, mesmo que seu latim não fosse tão acadêmico quanto o de Severus, conseguiu ler o suficiente para saber de que se tratava de um feitiço, o mesmo feitiço de viagem no tempo de que Snape comentou uma vez.

Igor Karkaroff também conhecia latim o suficiente para entender de que aquilo era uma instrução para a prática de um feitiço negro. Ele e Malfoy tiveram pensamentos concordativos no mesmo instante e ambos miraram admirados para o círculo de luz que já se desvanecia logo a frente deles.

—Então... - Começou Karkaroff.

—...Sevvie conseguiu! ... ele.. ele conseguiu! - Lucius terminou, visivelmente maravilhado.

Lucius agarrou a veste de Igor, arrastando-o junto de si de encontro ao círculo de luz. Mas Igor estacou, receoso.

—O que você pensa que vai fazer, Lucius?! Não está pensando em...

—Estou pensando, sim, Igor! E nós vamos!

—Você tá louco?! Não sabemos que diabos é isso! E se essa droga desintegrou o Severus?!

—Não seja ridículo, seu cagão! Sevvie conseguiu! Aquilo ali é um portal do tempo!

Mesmo sendo mais baixo e franzino em relação a Karkaroff, Malfoy usou toda a sua força para empurrar o amigo para dentro do círculo de luz, pulando em seguida a ele.

Ambos desapareceram dentro de um cone de luz que usou toda a sua força em seus momentos finais e desaparecendo completamente logo em seguida. Com a finalização do feitiço, os elementos que formavam o círculo se dispersaram com o vento forte que ainda soprava no alto da Torre, desfazendo qualquer indicativo de que algo havia sido feito ali; apenas o velho pergaminho ficou solto, rodopiando no chão de pedras planas, até se enroscar nos suportes de ferro que eram usados para acomodar os telescópios durante as aulas de Astronomia.


Hermione andava atenta pelo longo corredor principal, que dava acesso a todos os outros setores do castelo. A escola estava muito mais vazia desde a morte de Dumbledore, não havia mais sequer um terço dos alunos que antes ali tinha e, no dia de hoje, pleno Natal, não restavam mais que trinta alunos de todas as casas e de todas as séries. Como os ânimos andavam aniquilados, quase todos já deviam ter se recolhido aos seus dormitórios, ainda mais sendo a noite mais fria do ano.

Ouviu passos leves e, ao longe, na leve penumbra do corredor, notou um vulto que caminhava calmamente, que parecia vir do acesso à Torre de Astronomia. De imediato não reconheceu o vulto e com tão poucos alunos naquele castelo nesse final de ano, ela deveria saber todos que ali estavam presentes. Intrigada e curiosa, parou e ficou encarando o vulto, que caminhava encolhido dentro de seu balandrau e cabisbaixo.

Snape olhou de soslaio a garota impertinente que o encarava feito boba. A iluminação dos archotes era fraca, mas suficiente para poder notar que a garota se tratava de uma grifinória, por conta do longo cachecol vermelho e dourado. E pela forma dos cabelos encacheados, provavelmente se tratava daquela metida namoradinha do Potter, a Evans.

Fez-se de indiferente e passou pela garota sem dignificar sequer um rápido olhar à ela. Os cabelos revoltosos, caídos sobre o rosto, e a gola do balandrau levantada, não permitiram que Hermione identificasse aquela figura sorumbática, que tinha certeza de não se lembrar de quem poderia tratar, devido ao porte e a altura, um pouco mais alto que ela própria.

—Ei! Quem é você?! - Não devia ter dito isso, sendo Chefe dos Monitores, deveria saber sobre tudo e todos, mas sua curiosidade era sempre mais gritante e impertinente.

O rapaz virou-se por sobre o ombro, olhando-a sarcasticamente.

—O que há, Evans? Fire-whisky demais, por acaso?

—Evans?? - Hermione estava atônita e havia se aproximado em dois passos, ficando sob a iluminação direta de um archote, mostrando claramente suas feições.

Snape apenas arqueou uma de suas sobrancelhas e meneou em negativo sua cabeça, dando de ombros ao ocorrido e voltando a sua caminha rumo às Masmorras.

—Ah, esquece! Achei que fosse aquela metida da Grifinória!

O rapaz já havia caminhado um bom pedaço quando Hermione caiu na real, dando voz de autoridade e fazendo Snape estacar no caminho.

—Espere aí, alto lá! Eu não o reconheço! Quem é você?

Não era uma simples pergunta intrometida e inconveniente. A garota se impôs com autoridade. Cético, Snape virou-se e se deparou com um grifinória de porte altivo e que empunhava sua varinha a altura da cintura. Virou-se completamente para a garota, segurando com firmeza sua varinha que estava dentro do bolso direito de seu balandrau, para usá-la, caso fosse mesmo necessário. Hermione deteu-se em pouco mais de um metro, observando criteriosamente o rapaz estranho a sua frente e tendo a certeza de que ele não era um aluno de Hogwarts, embora ostentasse o uniforme da Sonserina por sob o balandrau.

—Eu perguntei quem é você! Eu não o reconheço, você não é um aluno de Hogwarts!

Snape observou atentamente a grifinória a sua frente e notou o distintivo de Chefe dos Monitores pregado sobre o bolso do casaco longo que ela trajava... será que...??

—É certo que eu não a conheça, mas uma grifinória não saber quem sou, sendo por muito tempo alvo de seus heroizinhos, Black e Potter!?

Com desdenho e aborrecimento, Snape deu rapidamente as costas à Hermione, continuando seu caminho a pouco interrompido. Já estava suficiente frustrado para parar e se preocupar com uma grifinória metida que ostentava um distintivo de Monitor.

Hermione ficou temerosa, principalmente depois de ter ouvido os nomes Black e Potter. O que ela poderia fazer, estando ali sozinha e incomunicável? Levantou a varinha a altura dos olhos e disparou um feitiço, acertando em cheio nas costas do rapaz:

—Estupefaça!

Fim da 1ª parte. Continua...

By Snake Eye's - 2006.

N/A:

(1) TEMPO - pesquisando algo sobre o tempo para poder desenvolver esta fic, me deparei com a palavra Tempo, originária da língua Banta. O 'Tempo' aqui não tem qualquer significação e nem sentido com(o) a palavra em português que muito bem conhecemos, mas usei como forma de jogar com as palavras. Para não deixar ninguém boiando, Tempo (em letra maiúscula mesmo) é um Inquice que corresponde ao orixá Iroco dos nagôs.

(2)'Inquice' também pode ser o mesmo que Orixá no Candomblé de Angola e Congo. Também é um receptáculo das forças sobrenaturais; pode ser um monte de terra, um saquinho de pedras, penas, conchas e ervas, ou uma estatueta de madeira. Daí o jovem Snape ter usado tais coisas para executar o tal feitiço de viagem no tempo, heheh! É só pá parecê qui sô intelectual :P

(Notas do Tradutor: O Soneto utilizado como palavras cabalísticas foi traduzido para os leitores da língua banta, pois o feitiço foi pronunciado em banto XDDD)

Betado Por Regine Manzato.


N/A Extra: Mudei de idéia e resolvi postar essa fic assim msm, esperando acabamento, como as outras 3 ainda pendentes. Aviso desde já que não há previsão de novas postagens além da próxima, do capítulo 2. Como esta fic aqui não é nenhuma prioridade, ela ficará em 4° lugar da fila de espera - que, eu sei, tá difícil de andar. No entanto, gostaria ainda assim de receber seus comentário e sugestões, afinal, como a história ainda está se iniciando e não há mtas previsões para ela, isso ajudará mto em seu futuro desenvolvimento.

Originalmente esta fic foi criada para o último desafio proposto por Sarah Snape, quando ainda à frente do site SnapeMione Fics. Portanto, será um SS/HG, mas, provavelmente, não convencional, pois já me decidi a não escrever mais sobre esse ship.

Sabem a Quem o futuro pertence, não sabem? Esperemos então para vermos o que isso aqui nos dará.

Abraçus!