CAPÍTULO 1:

O INICIO DO FIM.

Bolas de fogo cruzam os céus provocando grande destruição quando se chocam em prédios, casas ou no chão. Monstros provocam grande pânico e destruição por onde passam, no entanto não é só de criaturas malignas que se compõe Londres nesse momento. Seres alados com armaduras douradas, os anjos, aparecem para tentar impedir o avanço das hordas do inferno, é chegado o juízo final, esse parece ser o último dia do mundo. Entre essa confusão toda esta John Constantine em pé no meio de uma rua, um quarentão loiro com capote marrom, gravata e calça comprida, ele olha ao redor e constata que o fim esta próximo.

-Chas, meu amigo, o que diabos você fez?

Ao seu lado esta um rapaz negro de 26 anos, ele veio do Egito e se chama Raphah, esta usando uma blusa sem manga azul e um short vermelho de academia.

Sua aversão pela magia e bruxaria só não é maior do que seu ódio pelas coisas do inferno.

-Não podemos ficar aqui parados, temos que fazer alguma coisa!

-Agora você vem pedir ajuda a um mago?

-Não temos tempo pra isso, só você pode chegar perto de Chas Kramer e matá-lo, com o fim dele tudo isso acabará, nós poderemos adiar o armagedom por mais alguns séculos.

-Mas Chas é o meu amigo.

-Ele deixou de o ser quando foi possuído pela alma do próprio Lúcifer! Tome esse punhal, você já sabe o que fazer com ele.

Raphah entrega a Constantine um punhal dourado com inscrições angelicais, com certeza essa não é uma arma desse mundo.

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O fim do mundo não começou de uma hora para outra, os eventos que culminaram nele tiveram inicio alguns meses atrás, quando Chas Kramer, um homem branco de cabelos negros que tem por volta dos quarenta anos, tenta levar para cama uma garotinha gótica de 19 anos, eles estão dentro de um carro do modelo Ford Escort azul, a garota esta dirigindo e Chas começa a imaginar que se deu bem na noite.

-Aonde estamos indo, garota?

-Você vai gostar, o lugar é bem tranqüilo e poderemos fazer muitas coisas juntos.

Ela estacionou o carro na frente de uma casa abandonada caindo aos pedaços.

-O que quer me levando a um lugar desses? Saiba que eu tenho dinheiro para o motel.

-Fazer nesse lugar vai ser bem melhor, garanto.

Chas ficou um pouco desconfiado, mas o seu desejo por aquela garota era maior do que seu bom senso e ele então resolveu segui-la para dentro daquela casa imunda. Chas ficou de boca aberta quando viu a casa pelo lado de dentro, cinco homens com trajes de monge estavam ao redor de um grande pentagrama desenhado no chão, velas espalhadas pelo local deixavam a vista muito mais nefasta.

-Que diabos é isso?

Chas deu meia volta e saiu correndo em direção a porta, mas ela se fechou sozinha impedindo a sua fuga.

-SOCORRO, ALGUEM ME AJUDE!

Chas gritava e socava a porta em um esforço inútil de sair dali. Enquanto os monges oravam em uma língua estranha, a garota foi até Chas e conversou com ele.

-Precisamos de uma alma impura como a sua para fazer com que o nosso mestre retorne a esse mundo.

-Não, por favor!

Chas se encostou à porta enquanto chorava pedindo clemência, o cântico dos monges das trevas parou, uma forte luz foi emanada na sala e tudo a sua volta se tornou branco, Chas não estava mais consciente.

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Em Londres há um prédio que serve para hospedar imigrantes, a maioria deles é muito pobre e veio para a Inglaterra em busca de chances melhores de emprego, uma melhor qualidade de vida. No entanto não foi isso que Cho Chang encontrou quando chegou aqui, ela é uma senhora de 50 anos cuja filha de 12 esta falando em idiomas estranhos e começou a ficar muito agressiva, forçando os outros moradores do local a amarrarem na cama. "Ela esta possuída pelo demônio" diziam alguns vizinhos, isso é um trabalho para um exorcista e por isso mesmo um deles esta a caminho.

-Não se preocupem, já vi casos piores.

O exorcista é John Constantine, ele entra no apartamento de Cho tentando acalmar ela e aos seus vizinhos. Ele fuma feito uma chaminé e segura uma bíblia com sua mão direita, uma cena meio que antagônica. John chegou perto da cama onde a garota estava amarrada e olhou bem nos olhos dela, estavam vermelhos.

-Você tem uma energia negra a sua volta, você é uma pessoa má e irá para o inferno quando morrer! Se me tirar dessa menina farei com que seu tormento se torne muito maior quando chegar lá!

-Eu não me importo com isso, demônio.

John abriu a bíblia e começou a orar em latim, em resposta a menina ficou mais agitada e se debatia com força tentando inutilmente se desvencilhar das cordas que a prendiam.

-Espiritus Exumai!

Ouvindo a ordem proclamada por John o espírito maligno saiu pela boca da menina e ficou pairando no ar em cima da cama, era um demônio vermelho com cara de caveira.

-Diga o seu nome.

-Grave bem, me chamo Ryathamus, você irá gritar por clemência quando chegar a sua hora.

-Bah! Não tenho medo de ameaças vazias!

Constantine abriu a bíblia e apontou-a para o demônio, um raio dourado saiu de dentro dela e o pulverizou por completo, a casa estava livre dos enviados do satã. Os vizinhos desamarraram a menina em seguida e Cho foi até John agradecê-lo.

-Que Deus o abençoe!

-Acho que ele não esta muito interessado em mim, senhora.

John deu meia volta e saiu do prédio, do lado de fora um homem loiro aparentando ter 30 e poucos anos de terno e gravata esperava por ele, apesar das suas asas enormes ele era invisível para os transeuntes que passavam pelo local, só Constantine sabia do que se tratava.

-Gabriel, o que faz aqui?

-O dia do juízo final se aproxima, Lúcifer esta preparando o terreno para o confronto final com Deus.

-E eu com isso?

-Essa é a sua chance de se redimir perante o criador, um viajante vindo do Egito chamado Raphah virá para cá em breve, o ajude em sua jornada e talvez possa se livrar da ameaça do inferno.

-Exorcizei e atrapalhei vários demônios que chegaram aqui, isso não basta para ser agraciado com o paraíso?

-Todas as suas ações na Terra foram banais e egoístas, por isso o seu destino é ir ao inferno. Ajude esse rapaz e quem sabe eu possa interceder por você.

Gabriel bateu suas asas e saiu voando dali em direção ao paraíso, Constantine olhou para cima e apontou o dedo do meio para o céu.

-Que se dane o mundo e os assuntos celestes, já estou fudido mesmo.

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Um vôo vindo do Egito chega a Londres, entre os vários passageiros que desembarcam esta Raphah usando roupas de couro pretas, mais parece algum tipo de super herói o que chama um pouco de atenção. Na parte de desembarque, vários familiares e amigos se encontram com seus entes queridos que acabam de chegar do vôo. Passando despercebido por todos, esta um jovem de 17 anos branco armado com uma pistola que esconde embaixo da manga do seu capuz, quando Raphah se aproxima dele, ele mostra sua arma e aponta para a cabeça do egípcio.

-Chegou atrasado, ele já esta entre nós, não pode fazer nada para impedir.

-Que Deus tenha piedade de sua alma, seguidor do mal!

Raphah desarma o jovem com uma velocidade impressionante e o derruba no chão, as pessoas que estavam ao redor ficaram boquiabertas com a cena, nem tiveram chance de exprimir uma reação, foi tudo rápido demais. Algum tempo depois, os seguranças chegaram e cuidaram de prender o rapaz.

Do segundo andar do aeroporto (o atentado aconteceu no primeiro), dois homens com aparência gótica assistem a cena com cara de desdém.

-Mas que bosta, não fazem mais adoradores como antigamente.

-Não se preocupe, teremos novas chances de matar esse seguidor de Deus.

-Tenho até a pessoa certa para essa missão, bem... pessoa não é o adjetivo certo para ser atribuído a ele, mas...

-Esta se referindo ao Santo dos Assassinos?

-Exatamente.