Capítulo Quinze: Adiós, señorita

Era quase uma da tarde, percebeu Ino, voltando rapidamente os olhos para o relógio.

Ela deslizou o batom vermelho por sobre os lábios, juntando-os para que a cor se espalhasse melhor.

Faltava ainda meia-hora para que encontrassem o senhor Kobayashi e o seu novo contador no restaurante marcado por Gaara, mas ela considerava pouco o tempo que tivera para se preparar para aquele almoço.

O vestido de mangas compridas de cetim, na cor pérola, contrastava com a cor forte da boca e o resto da maquilagem suave. O colo, exposto por um pequeno decote, era adornado por um colar de ouro branco.

A floricultura estava aberta e ativa, apesar de não estar lá.

Fuu mostrara-se ótima com flores, o bastante para poder trabalhar no horário de almoço, substituindo-a.

Seus cabelos acaju e fisionomia lembravam-lhe vagamente as de Gaara, alguns traços característicos apenas dos nativos do país do Vento. Enquanto Ino lhe entregava a lista de arranjos a serem preparados, Fuu admitiu que seu pai, de fato, um civil já falecido, casara-se com uma dançarina da Suna, filha de um casal de ninjas.

Havia algo de peculiar nos moradores daquele país tão quente: todos eles demonstravam alta resistência ao calor e seus olhos tinham algo de misterioso, nuviosos como as tempestades de areia com que habitualmente se deparavam.

Ao saber que Fuu já havia ido à Suna, uma pequena centelha de aceitação brotou no peito da loira.

Quando avisara estar preste a ir para um almoço de negócios, a mulher gentilmente dissera "Divirta-se" e Ino, que não pensara em nenhum momento naquele encontro como algo divertido, pensou que talvez fosse bastante bom seguir aquele conselho. Ela tinha uma natureza comunicativa, o suficiente para flertar, sorrir e ser simpática.

Ino sabia que Gaara em breve iria embora e ela gostaria de diverti-lo e agradá-lo, como um meio de recompensá-lo por todo o medo e insatisfação que havia despejado sobre ele.

Ao encarar-se no espelho, depois de pronta, ela percebeu que seria fácil atingir o seu objetivo.

Ele já a esperava perto da janela, observando o movimento da rua, o semblante impassível que ela não poderia ver, quando Ino abandonou o quarto e pegou sobre o sofá um casaco preto de lã com grandes botões brancos, num estilo clássico condizente com a pose feminina.

Os orbes luziram, satisfeitos ao notá-la aproximar-se.

"Devo dizer que valeu a pena toda essa espera." Disse Gaara, a voz rouca e aveludada.

"É apenas para puni-lo." Ela cantarolou, junta o bastante para poder rodear-lhe a cintura com ambos os braços. Os lábios, tentadores com a pintura chamativa, curvados num sorriso cheio de malícia. "Puni-lo por ser estúpido de levar uma mulher como eu para almoçar, quando pode mantê-la na sua cama o dia inteiro."

Postando uma das mãos sobre o queixo da loira, ele acariciou-o gentilmente.

"Você não conseguiria." Murmurou, presenteando-a com um dos seus sorrisos de canto. "Não conseguiria ficar tanto tempo nela." Disse então.

"Quer apostar?"

Gaara moveu a cabeça, afastando-a de si.

"Nós vamos nos atrasar." Esclareceu, ao perceber-se preste a ceder.

"Você se importa?" Ela começou a desabotoar-lhe a camisa, um tom casual em sua voz.

Quando os olhos azuis ergueram-se para fitá-lo, num rápido gesto, as pestanas se chocaram suavemente umas contra as outras, a boca vermelha entreabrindo-se para provocá-lo.

Ino sugou o ar, lentamente, enfiando a mão para dentro da veste dele, espalmando-a sobre o tórax. Os dedos percorreram um caminho certo por sobre a pele levemente gelada, sentindo-a e acariciando-a. Ela já estava crente da sua vitória absoluta, sempre tão dominadora, quando Gaara interceptou o seu gesto.

Segurou-lhe o pulso, sério. "Você não me convencerá tão facilmente."

Ela ensaiou um protesto, mas não teve tempo de exteriorizá-lo. Gaara puxou-a para si, apertando-lhe a cintura, uma das mãos descendo pela coxa, subindo o tecido do vestido.

"Se você continuar," ameaçou, respirando contra os lábios femininos. "eu rasgarei o seu lindo vestido e a possuirei aqui mesmo, Ino." Ele baixou o rosto para beijar o ombro levemente desnudo.

Um suspiro, foi o que ele ouviu.

Seus dedos prepararam-se para livrá-la da linda veste quando ela soltou uma breve risada.

"Você destruirá todas as minhas vestes dessa maneira." Mas Ino não mostrou resistência.

Ao atingir a peça de roupa íntima, Gaara acariciou-a por cima do tecido. O corpo de Ino tremeu entre seus braços e ele lambeu a garganta alva, apertando-a mais contra si com o braço que lhe rodeava a cintura.

"Você é uma feiticeira." Silvou, levemente ofegante. "Fará com que cheguemos atrasados."

A face dela contorceu-se.

"Ohh, não." Gemeu, a voz ligeiramente falsa e estremecida. "É a última coisa que nós queremos, não é mesmo?" Sussurrou, semicerrando os olhos.

Ino abriu-lhe a braguilha da calça.

Os cabelos dourados caíam por sobre os ombros, alguns fios colando-se ao pescoço ainda úmido da saliva de Gaara, que postara a boca sobre o lóbulo da sua orelha, permitindo que ela ouvisse o sopro descompassado e excitante emitido por entre os seus lábios, que não gemiam ou gritavam, apenas ofegavam, cheios de calor.

Com os dedos que sabiam o que fazer e que deslizaram por sobre a pele dele, ela acariciou-o.

Havia um brilho maroto em seus olhos ao encarar o maxilar rígido de Gaara. Ele segurou o corpo dela com ambas as mãos, subindo para a curva dos seios, circundando-os com as palmas.

O ruivo já estava entregue quando Ino afastou-se subitamente. Ela sorria, maldosa.

"Nós vamos nos atrasar."

Gaara estreitou os olhos, resistindo à tentação de tomá-la para si novamente.

"Eu devia castigá-la." Disse, entregando a frustração que sentia pelo tom aborrecido da sua voz.

Ela gargalhava, cheia de humor, quando eles entraram no restaurante, cerca de vinte minutos depois, um pouco atrasados, é verdade.

Touma e Setsuna já estavam acomodados e bebiam seus drinques sem muito interesse quando vislumbraram a beleza loira que se aproximava, os lábios vermelhos rasgados num sorriso, seguida de um Kazekage excessivamente impaciente.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

Ino livrou-se do colar, em frente à cômoda, e colocou-o dentro de um porta-jóias.

A boca já não estava mais colorida pelo seu batom vivo, mas ainda mantinha um contorno levemente enrubescido como lembrança.

Ela estava começando a tirar o vestido de cetim, enquanto Gaara tomava banho para ir encontrar-se com Danzou, quando ouviu batidas insistentes na porta. Seus pés já estavam descalços, desprovidos dos sapatos de salto alto, e ela deslizou por sobre o tapete e carpete do corredor, afim de atingir o hall.

Havia um pequeno monte de roupas secas sobre o sofá, as quais ela se prontificaria de guardar ainda naquela noite.

Estava sorrindo, os cabelos loiros caindo por sobre os ombros, quando abriu a porta, deparando-se com uma figura fenimina, uma femme fatale, que esbanjava malícia em seus olhos, o corpo apertado dentro de um vestido vermelho.

"Gaara está?" Perguntou ela com uma perceptível nota íntima, levemente provocante.

Um ligeiro franzir de sobrancelhas foi com o que Ino presenteou-a, o semblante adquirindo uma expressão séria e levemente circunspecta.

"Depende." Disse, o olhar cheio de repulsa ao fitá-la, quase indecente no minúsculo e justo vestido. "O que é você?"

Diante daquela resposta brusca, o desdém sumiu dos orbes da mulher.

"Eu sou Aburame Megumi e estou a serviço de Gaara." Disse ela, friamente.

"Ohh," fez Ino, com uma surpresa comedida. "você diz do Kazekage Gaara, não é?" Corrigiu, dando-lhe um sorriso falso. "Bem, eu acho que ele não poderá atendê-la agora, senhorita Megumi. Quer deixar um recado?" Perguntou. "Quando ele tiver tempo, peço para procurá-la."

Megumi pareceu irritada com aquelas palavras. Rolou os olhos, impaciente.

"Aposto como ele quererá me atender." Falou. "Nós vamos para o mesmo lugar."

"Sei." Ino, ainda assim, não se mostrou receptiva. "Sinto muito, Megumi-san, mas a minha casa não é um ponto de encontro. Se você está tão ansiosa para ver o Kazekage," ela frisou. "que espere aí fora." E bateu a porta.

Obviamente, ela não demonstrou seu ciúme àquela visitante e intrusa. Enquanto caminhava de volta para o quarto, afim de livrar-se daquele vestido e trocá-lo por roupas mais confortáveis, porém, uma chama de fúria contida ardia no seu interior. Ela não poderia admitir o fato de que uma mulher vulgar como aquela havia sido contratada por Gaara.

Se lhe perguntassem, Ino jamais negaria ser naturalmente possessiva, característica com a qual ele também já estava habituado. E poderia suportar que o ruivo lidasse com garotas feias ou tímidas, mas não com aquele tipo fatal que era a Aburame.

Ino tinha tanto ou mais potencial para ser uma mulher fatal, mas ela não poderia.

Em alguns meses estaria tão gorda e feia que entrar em um vestido seria uma situação degradante. Nem imaginava o que usaria para ir ao mercado ou sair com os amigos, principalmente porque seria encarada com despudor pelo fato de ser uma mãe solteira.

Parando à porta, esfregou o rosto, respirando fundo.

Aquela gravidez e a situação em que vivia estavam mexendo com o seu controle psicológico.

"Relaxe, inspire, expire..." Murmurou para si mesma num tom levemente afoito, sentando-se à frente da penteadeira a fim de começar a remover a maquilagem.

Quando Gaara entrou no quarto, as faces de Ino estavam avermelhadas, já desprovidas da leve pitada de blush, e ela precisou admitir que seria inevitável, assim que entreabrisse os lábios, chamá-lo de canalha insensível e acusá-lo de traição. Seus dedos correram pelas madeixas, desembaraçando-as, enquanto o via secar os cabelos com a toalha.

Ele já vestia as calças, a camisa separada sobre a cama. Não havia dito a Ino sobre o seu encontro com Danzou, porque não era necessário. Ela não se mostrava interessada.

Enfiando os braços nas mangas, Gaara olhou-a.

Ino estava sentada de frente para o espelho, os olhos fixos, pelo reflexo, na face dele, como se tentando esmiuçá-lo. Havia uma tonalidade corada no rosto feminino que demonstrava afobação e certa raiva. E ele nem ao menos poderia imaginar o que havia feito de errado, pensou.

"O que foi?" Perguntou, o cenho franzido.

"Nada." Disse a loira, seca. Desviando os orbes dos dele, voltou a fixá-los sobre o algodão que segurava entre os dedos. Derrubou um pouco de loção removedora de maquilagem sobre ele, começando a esfregá-lo pela pálpebra.

Os cabelos dourados caíam sobre os ombros, desajeitados.

Gaara contemplou-a por alguns segundos, pensando que sentiria falta de vê-la e ouvi-la. Sua cama no país da Suna era gelada sem aquele corpo sob os lençóis.

Não haveria tempo para beijá-la muito mais, considerou, uma vez que pretendia partir no início da madrugada. Quando ele finalmente lhe desse a notícia da sua partida, saberia que deixaria uma Ino irada, frustrada e magoada para trás. Ela, orgulhosa, não pediria para que ele ficasse, mas seus olhos diriam tudo o que Gaara precisava saber.

"Então," ouviu a voz levemente desgostosa, tirando-o dos seus pensamentos. "vai encontrar-se com quem?"

"Resolver alguns negócios." Disse o ruivo, ajeitando o colarinho. "Danzou e eu iremos tomar um drinque e acertar as coisas para a minha partida."

Ao contrário do que ele esperou, Ino não demonstrou raiva pela insinuação de uma despedida próxima.

"Entendo." Ela disse apenas, algo mascarado em sua anuidade pacífica. "E por que você não me convidou?" Ergueu as sobrancelhas, ligeiramente casual. "Há algo que vá me desagradar nesse seu encontro de negócios?" Perguntou, ameaçadora.

"Bem," começou ele, levemente aborrecido. "é você quem não gosta de me acompanhar."

E Ino sorriu-lhe pelo reflexo do espelho, um suave e sensual curvar de lábios.

"Pois eu acho que eu gostaria de um drinque." Disse, abandonando o algodão usado há minutos atrás. "Você se incomoda se eu for?"

Gaara não mostrou oposição e, quinze minutos depois, ela estava novamente pronta para sair. Mas não mais usava o vestido de cetim que delicadamente valorizara suas curvas, dando-lhe um ar ingênuo e, em contraste com o rubro dos lábios, lascivo.

O vestido escolhido era preto de tafetá e de alças finas, que ia até as coxas, deixando-as expostas. No pescoço, o presente de Gaara, a safira reluzente e brilhante, que combinava perfeitamente com o sapato alto na cor azul.

Ela nunca fora uma mulher vulgar.

Como dissera Setsuna, o seu cortês contador, no almoço daquela tarde, Ino era como uma flor, a qual podia brilhar em diferentes cores, mas jamais ferir aos olhos do seu observador com o seu poder psicodélico. De modo que nada seria capaz de torná-la ordinária, com o jeito como sua cintura rebolava.

A boca, agora pintada de rosa fraco, abriu-se num sorriso para Gaara, quando atingiu a sala. "Eu estou pronta." Disse.

"Se eu não fosse um bom homem," falou ele, o cenho apertado. "eu a proibiria de sair com um vestido desse tamanho." Contemplou-a, erguendo-se e pegando o sobretudo preto para ajudá-la a vesti-lo.

Ino soltou uma risada.

"Você está generoso nos elogios hoje." Zombou, virando-se para beijá-lo, passando os braços em torno do pescoço dele. "Porque eu vou considerar o seu comentário como um elogio." Disse, pousando a boca contra a sua.

A contragosto, o ruivo afastou-a.

"Você é mesmo incansável, não?" Caçoou.

"Oh, não diga que você não gosta." Murmurou Ino, os orbes semicerrados, manha em sua voz. "Porque senão eu me sentiria uma tola, usando dos meus ardis métodos para conquistá-lo."

Gaara deu-lhe um pequeno sorriso.

"A sua sorte é que eu gosto." Disse. "Agora vamos."

Quando eles estavam prestes a sair, ela fitou-o, levemente distraída.

"A propósito," começou. "a vagabunda que você contratou veio procurá-lo. Megumi, não é?" Ino piscou, inocente, e então ele compreendeu o porquê da companhia repentina.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

Megumi e Danzou já estavam acomodados quando eles chegaram. O homem ria de alguma coisa qualquer, um cigarro no canto dos lábios, o copo de bebida em mãos. Da posição onde estavam, não era possível vislumbrar nada senão os cabelos escuros da Aburame e uma parte do vestido vermelho chamativo.

Não estava tão frio, embora fosse noite alta, geralmente provida de baixas temperaturas.

Ino não sentira frio nos pés, pois seu sobretudo tratara de aquecê-la e, o que havia sido esquecido, fora aquentado pelos braços de Gaara.

Ao reconhecê-la, Danzou sorriu e ergueu-se.

"Quer dizer que a senhorita, que detesta negócios, veio acompanhar-nos?" Galanteou, pegando-lhe a mão para depositar um beijo. "Sinto-me honrado." Brincou, fazendo com que uma pequena risada saísse dos lábios da loira, enquanto puxava-lhe uma cadeira.

"Eu não poderia perder a chance de vê-lo. Pode ser que não nos encontremos por um longo tempo, meu caro." Ela sorriu, acomodando-se, com a ajuda de Gaara, na cadeira. "Megumi-san." Disse, com um tom amistoso na voz. "É um prazer revê-la."

"Digo o mesmo." Reiterou a morena, ácida, o copo de bebida em mãos.

Danzou deu um trago no cigarro, parecendo surpreso.

"Ahh, você já conhecia a Megumi, loira?"

"Sim." Ela pareceu simpática àquela questão. "Megumi-san foi até a minha casa hoje." Comentou, antes de virar-se para Gaara. "Eu quero um gim-tônica." Pediu enquanto ele chamava o garçom. "Você acredita, Danzou," e houve maldade em sua voz. "que ela teve o despeito de querer acompanhar o Gaara até aqui?" Deu uma risada. "Como se ele saísse com mulheres do seu tipo, minha cara." Falou para a Aburame, os olhos azuis cintilando.

Se Megumi pensou por algum momento que Gaara a defenderia das ofensas mascaradas de Ino, errou. O ruivo apenas manteve-se silencioso, demonstrando não se importar nem um pouco com as palavras da Yamanaka, e se escorou melhor à sua cadeira.

Os olhos negros de Danzou correram de uma à outra, parecendo divertir-se.

"Um gim-tônica com gelo e um scotch." Pediu Gaara ao garçom, como se nada tivesse acontecido.

"É um pensamento curioso que me ocorre, senhorita Yamanaka," as palavras de Megumi claramente tinham uma conotação venenosa. "mas eu não vejo grandes diferenças entre você e eu." Disse, sorrindo. "Quero dizer, você não parece exatamente uma mulher de família dentro deste minúsculo vestido, embora ele seja bonito."

Ino não pareceu ofendida.

"Ohh," fez, num tom excitado e falso. "mas elas são bem óbvias." Cantarolou. "Eu tenho o Gaara e você?" Perguntou, lançando-lhe um olhar simpático.

Danzou gargalhou.

"Bem, boneca, eu acho que você o terá para sempre, se continuar com esse par de pernas e essa boquinha malévola." Falou, levando o copo de conhaque aos lábios antes de voltar-se para Megumi. "Parece que você, pela primeira vez, perdeu, Megumi."

Mas Megumi apenas sorriu. "Uma pena." E seus olhos diziam que não havia nem começado.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

"Eu o odeio." Balbuciou Ino, sentindo a boca de Gaara sobre o seu ombro. "Seu cachorro... como pôde? Como pôde contratá-la?" Sussurrou.

Ela abandonou a chave sobre o sofá, a porta de entrada recém fechada.

Os dedos do ruivo correram pelos seus cabelos, remexendo-os, antes de descerem pelo quadril, subindo o tecido justo do vestido o suficiente para acariciar-lhe as pernas, apertando-as.

A língua úmida guiou a alça do vestido para baixo enquanto uma das mãos subiu pelas costas femininas atrás do zíper. Ao encontrá-lo, puxou-o com violência, até que ele abriu-se por inteiro, e a pele macia de Ino ficou suscetível ao seu toque. Gaara acariciou-a, a boca fechada com sofreguidão sobre o pescoço.

Ino gemeu, começando a desabotoar-lhe a camisa. Um leve suspiro foi emitido pelos seus lábios quando ele alcançou o seu mamilo, desviando-se do sutiã, rodeando-o e mordiscando.

O vestido caiu aos seus pés, revelando a lingerie branca.

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

"Feh."

Kiba estreitou os olhos, aborrecido. "Então eu vou ter que cuidar daquela escandalosa?" Grunhiu.

Movendo a cabeça numa concordância, Tsunade empurrou-lhe uma pasta por sobre a mesa.

"Você começa amanhã." Disse, inflexível diante do desagrado do Inuzuka. "Vou deixar a seu encargo a escolha da vigilância. É muito importante que você faça bem o seu serviço, Kiba. Ela está grávida de um Kage e isso é muito sério."

O homem anuiu, ainda desgostoso.

"Pode deixar, Tsunade-sama, que essa loira não vai sair debaixo dos meus olhos." Garantiu, os orbes postos sobre a pasta, embora não acreditasse ser aquele um assunto que necessitasse atenção enquanto tivessem o alvo protegido pelos portões da Vila Oculta. "Eu preciso, sabe, me manter na espreita?"

"Você pode se aproximar." Disse a loira. "Aliás, quanto mais próximo, melhor. Assim ela correrá menos riscos."

Ele sorriu, mostrando os caninos levemente proeminentes.

"Ela me odiará no momento em que souber que isso é uma missão." Zombou. "Que eu bem me lembre, a Yamanaka era do tipo inflamável."

"Isso é problema seu. Mantenha-a segura, se não quiser perder o seu emprego, meu caro."

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

O barulho ritmado da respiração de Ino indicava que ela ressonava contra o seu peito. Os seios comprimidos contra o tórax de Gaara subiam e desciam a cada inspirar.

O ruivo mantivera os olhos abertos, sem sono. Encarava o teto, acariciando os cabelos dourados dela, massageando o seu couro cabeludo, sentindo a firmeza do corpo feminino contra o seu. Suas roupas estavam espalhadas pelo quarto e pelo corredor, despidas logo assim que entraram na casa, e ele gostava de sentir o frescor da pele nua de Ino.

Estreitou-a nos braços, cheirando-a.

Ino remexeu-se, sonolenta.

"Gaara?" Perguntou, a voz rouca, entreabrindo os olhos.

"Eu preciso ir." Ele murmurou, beijando-lhe a bochecha, até chegar aos lábios.

"Ir?" Ela repetiu, um pouco desorientada. "Você precisa ir?" Piscou, afastando-o. "Mas já?"

Gaara acenou em concordância, fitando-a. A mão levou uma mecha de cabelos loiros para trás da orelha, antes de tornar a pousar sob os cobertores.

"Agora."

"Não, Gaa." Balbuciu Ino, aconchegando-se a ele. Repousou a cabeça sobre o seu peito, ainda entorpecida pelas profundas horas de sono. "Fica mais um pouquinho." Pediu, a voz diminuindo pouco a pouco, perdendo-se no silêncio do quarto. "Só até de manhã, fica." E acariciou-lhe o abdome.

Ele não se moveu, permitindo-se afagar.

Pousou o queixo sobre o emaranhado de cabelos dela, encarando a lua pela janela de cortinas escancaradas, como fizera há minutos atrás. Se fosse possível, pensou, embora sem tencionar verbalizar, ele ficaria.

Dali a uma hora, Danzou e Megumi estariam esperando-o na saída da Vila. Após o jantar, onde o horário de partida fora marcado durante a visita de Ino ao toalete, Gaara a tomara nos braços e beijara todo aquele corpo com paixão e violência. Haviam na pele dela marcas levemente arroxeadas em torno dos seios e dos braços, fruto das suas carícias intensas.

Não sabia quando tornaria a vê-la e aquela dúvida o atormentava.

Com os problemas no seu país, não poderia deixá-lo, pelo menos não até que tudo houvesse se assentado.

"Quando eu vou ver você?" Ela perguntou.

"Logo." Respondeu Gaara, sério. "Agora durma."

"Não vou encontrá-lo aqui quando acordar, não é?"

"Não."

Um leve suspiro foi emitido pelos lábios dela, mas Ino não se moveu.

"Adeus, Gaara." Murmurou.

"Isso não é um adeus, loira." Disse ele, como se quisesse se convencer das suas palavras, acariciando-lhe o topo da cabeça, suavemente. "Isso não é um adeus."

OIMPÉRIO&OIMPÉRIO

Os passos de Gaara eram abafados pelo farfalhar das folhas secas no chão.

As ruas estavam vazias e escuras naquela noite. Já era passava da meia-noite e ele, apesar de ciente das horas, sentia que ainda era muito cedo.

Quando se aproximou da saída da Vila, Danzou e Megumi já o esperavam, com uma escassa bagagem.

"Achei que você não fosse aparecer, diabos." Reclamou a mulher, a fisionomia contorcida em aborrecimento. O corpo feminino trazia calças justas e uma blusa de mangas compridas que pareciam perfeitas para encantar a um homem, não para realizar uma viagem desgastante. "Estamos plantados aqui há horas."

Os orbes dele não se voltaram para fitá-la.

"Eu não a pago para ter uma personalidade, senhorita Aburame." Disse, seco e mal-humorado. "Portanto mantenha a sua boca fechada e finja-se um ser desprovido de mentalidade."

Danzou soltou um riso fraco, acendendo um cigarro.

"O que é que foi, bonzão?" Desdenhou Megumi, postando as mãos na cintura, um sorriso debochado nos lábios. "Está triste por que teve de dizer adeus à sua loirinha egocêntrica?"

"Bem, eu vou responder à sua curiosidade apresentada no jantar de hoje, senhorita Aburame." Gaara encarou-a, frieza em seu rosto e olhos. "A minha... Como você disse? Loirinha egocêntrica tem algo que você não tem, minha cara: classe. Além de belos lábios. Então, por que você não pega a escassa educação que a sua família te deu e aprende a fazer alguma coisa com ela?"

Megumi gargalhou àquela resposta gelada e tão mordaz.

"Quanta raiva, Gaara." Sibilou, a frase soando como um ronronado sensual. "Toda essa hostilidade simplesmente por que teve de se separar da sua queridinha?" Perguntou, a boca deliciosamente curvada num riso maldoso.

O ruivo lançou-lhe um olhar de advertência.

Percebendo o péssimo estado de espírito em que se encontrava o seu superior, Danzou resolveu tomar as rédeas da situação.

"Deixa de ser irritante, Megumi." Grunhiu, soltando a fumaça do cigarro pelas narinas. "Pára de aborrecer o Gaara e vamos embora. Está tarde."

Embora quisesse protestar, ela não o fez. Pegou a mochila em que levava com alguns mantimentos, jogando-a sobre os ombros, um tanto quanto displicente.

"Vou precisar comprar um guarda-roupa novo quando chegar à Suna." Reclamou, desgostosa. "Espero que aja uma loja decente de roupas naquele seu paísinho de merda, Gaara." Disse, revirando os olhos.

Em ritmo rápido, eles puseram-se a correr. Os portões transpassados de Konoha ficaram para trás cada vez com mais rapidez, até que a Vila inteira se perdeu no meio da floresta escura, iluminada apenas pelo brilho fraco da lua.

Gaara não olhou para trás, embora soubesse que, em algum lugar daquele lugar, deixara a coisa mais importante da sua vida. Muito provavelmente para sempre.

FIM

O Império terá continuação. Se chamará O Guarda-Costas, mas o casal será diferente.