Capítulo 4: No amor e na guerra.

Cada palavra que Wolverine soltava de sua boca atingia Carlos como uma facada. O seu herói estava se transformando num belo de um vilão e as coisas iam piorar ainda mais. Logan apontou para Carlos e isso o fez ficar temeroso por sua vida. Será que Wolverine se tornou tão parecido com Magneto a ponto de lhe fazer algum mal?

-Quero agradecer a Esme por trazer um humano a nossa reunião.

A loirinha que levou Carlos até o covil da Irmandade acenou freneticamente para Logan. Isso fez Carlos chegar a terrível conclusão de que ele havia caído em uma arapuca. Carlos não teve a mínima chance de fugir dali, havia cerca de trinta mutantes naquele local e todos eles haviam voltado sua atenção para o garoto. Carlos foi agarrado por dois grandalhões e levado contra a sua vontade até uma sala que ficava mais adiante. Tinha um objeto estranho no meio daquela sala, parecia um caixão metálico futurista. Carlos raciocinou um pouco e descobriu o que iriam fazer com ele, jogaram-no dentro do caixão e fecharam a porta deixando-o preso ali dentro. Por sorte havia uma janelinha de vidro no lugar da cabeça que o permitia ver mais ou menos o que acontecia ao seu redor. Carlos gritava e esmurrava o vidro, mas nada aconteceu, pois o caixão era a prova de som.

-Essa máquina maravilhosa foi feita a partir das câmaras que Apocalipse usava para criar seus cavaleiros. Os gênios disseram que era possível transformar humanos em mutantes com ela. Vamos descobrir se isso é verdade.

Wolverine ligou o maquinário fazendo-o começar a emitir um rugido estranho. Carlos não podia ouvir o que acontecia do lado de fora, mas o ruído do aparelho também era emitido do lado de dentro do caixão, isso fez com que seu pavor aumentasse. A energia consumida pela máquina era enorme, pelo menos duas cidades que ficavam na redondeza ficaram sem energia por pelo menos dois minutos.

Do lado de fora do armazém, um exército de 100 soldados descia de vários helicópteros. Eles estavam com uma roupa preta que lhe cobriam o corpo todo os fazendo parecer uns stormtrooper ou uns power ranger. Estavam bem armados também, tinham metralhadoras em suas mãos, no entanto elas não disparavam balas comuns, mas sim pequenas seringas especiais com uma substância que anula os poderes dos mutantes por um curto espaço de tempo. Tempo mais do que suficiente para serem presos ou abatidos. Distante do exercito, um homem observava a ação em andamento, o nome dele é Oscar Trask, ao lado dele esta a sua maior arma, a mutante Yuriko Yoshida. Ela quase nunca fala, mas naquele momento uma forte curiosidade a abateu e ela se sentiu forçada a fazer uma pergunta.

-Por que mandar todos esses soldados? Eu sozinha sou mais do que suficiente para lidar com mutantes de nível tão baixo.

-Minha querida, aprenda uma coisa. No xadrez os piões vão na frente.

Carlos já começava a ter uma sensação de asfixia. Será que aquele maldito caixão não tinha passagem de ar? Para economizar suas forças, Carlos resolveu parar de lutar, estava se entregando ao inevitável. Ele começou a chorar, pois em seu intimo sábia que provavelmente esta seria a última aventura de sua vida. No curto tempo que lhe resta, Carlos começa a se culpar por tudo de ruim que aconteceu a sua vida. Como alguém poderia ser tão burro? Seguir uma mulher que mal falava com ele só porque achou que sentia algo de especial por ela. Repensando melhor o que o levou a esse momento, Carlos chega à conclusão que foi muito burro e ingênuo. No mundo contemporâneo não há espaço para pessoas tão românticas como ele. Ele sentia que ia morrer hoje, mas acreditava que merecia passar por isso. Com sorte, se existisse outra vida ele poderia voltar e não cometeria mais estes erros, pensava ele. Só que no meio do raciocínio Carlos se lembra que não é espírita e começa a ficar realmente irritado. Será que da pra mudar de religião em alguns minutos?

Os soldados seguem o avançadíssimo rastreador de mutantes que lhes foi confiado e vão de encontro ao sinal indicado por ele. Eles invadem o armazém e procuram em todos os cantos por algum mutante, um dos soldados se pergunta se seria possível que o rastreador estivesse com defeito, mas ele guarda essa duvida pra si, pois ele estava muito abaixo na hierarquia do U.C.M., logo reclamações num momento desses não seriam bem recebidos. Poucos minutos depois todo centímetro do armazém foi vistoriado, os soldados não sabiam o que estava acontecendo. Onde diabos estavam os mutantes?

No subsolo, Logan planejava assistir a transformação que Carlos estava prestes a passar, no entanto os seus sentidos aguçados detectam a presença de pessoas não desejadas.

-Escutem, irmãos. Essa é hora de lutarmos por nossas vidas! Tirem tudo deles e não dêem nada! Hoje vamos fazer com que esses homo sapiens jantem no inferno!

Os trinta mutantes ali presentes berraram em euforia. Carlos não sabia o que estava acontecendo, só podia perceber que alguma coisa inflamou os ânimos das aberrações, eles iriam aprontar alguma coisa e Carlos só rezava para que isso não tivesse ligação com ele.

O primeiro sinal de vida mutante naquele armazém foi percebido quando um raio verde saiu de dentro do chão nocauteando dois soldados distraídos. Os mutantes saíram do seu esconderijo no subsolo e avançaram com fúria nos invasores. Começou uma verdadeira guerra, os mutantes atacavam com seus poderes e os humanos se valiam de suas potentes armas, começou a ter baixas de ambos os lados. Era uma luta sangrenta que já começava a fazer suas vítimas.

-Acabem com todos eles!

Wolverine se juntou aos seus colegas, era o mutante que mais matava naquele bando. Sua selvageria característica estava mais aflorada do que nunca, ele tinha se transformado em um verdadeiro animal. Desmembrava, cortava, mutilava, degolava e perfurava. Logan tinha dado inicio a um espetáculo sangrento que ele já era mestre. Os soldados não eram páreos para ele, pois era um mutante muito experiente, já havia lutado anos nos X-men e, muito tempo antes, no exército canadense. Um soldado tentou alvejar Logan com as balas seringas que anulavam habilidades mutantes, mas não deu certo. Wolverine conseguia desviar o trajeto de todas as balas com suas garras, por mais que o soldado atirasse, ele não acertava nada além do metal indestrutível presentes nas garras do mutante. Wolverine correu em sua direção e dando um pulo descomunal conseguiu enfiar suas presas no peito de seu adversário. Mais um humano na lista de mortes daquele dia.

Jeremy é um telecinético e telepata de baixo nível. Suas características mutantes afloraram quando ele possuía 13 anos. Ele achava que aquilo era uma maldição, pois junto de seus poderes veio a deformidade em seu corpo. Ele se tornou verde e seus olhos ficaram totalmente negros e enormes para o tamanho da cabeça. Para aumentar sua frustração seu cabelo caiu e no lugar dele deu surgimento a pequenos tentáculos que ficavam por enfeitar sua cabeça. Sua juventude não foi nada fácil, quase ninguém via a alma nobre do garoto, afinal é a aparência que conta. Ninguém esta preocupado em se relacionar com um mau caráter, desde que ele aparente ser uma boa pessoa. Os anos de desprezo fez com que Jeremy não desse valor a sua vida e quando uma pessoa chega a esse ponto passa a pensar que a vida dos outros também não tem tanto valor assim. Jeremy só conseguiu um pouco de apoio quando se juntou a Irmandade sob o convite de um ícone para os mutantes conhecido como Magneto, ele o ensinou a ter ódio da humanidade e os tratar como seres inferiores. Hoje, Jeremy dará vazão a toda sua fúria matando quantos anti-mutantes forem possível. Empurrar soldados com a mente para fazê-los cair era muito fácil, fazer com que um acertasse o outro era um pouco mais complicado. Jeremy pretendia aniquilar quantos fossem possíveis, mas acabou atingindo por uma das armas que neutralizava dons mutantes. A telepatia e a telecinesia foram embora, no entanto a aparência desumana também sumiu. Jeremy chorou de emoção ao descobrir que depois de muito tempo ele voltou a ter uma aparência que poderia se dizer pertencer a um ser humano. Ficou muito alegre, mas sua alegria durou pouco. Uma bala atingiu seu peito e essa foi pra matar.

Carlos não conseguia mais respirar direito, em poucos minutos ficaria sem ar e morreria asfixiado. Gostaria de ter uma morte mais branda, mas aceitou bem a idéia de morrer daquela forma e se acalmou. Não rezava há muito tempo e por isso não se lembrava como fazia isso direito. Mesmo assim achou que dar uma orada numa situação dessas não iria fazer mal. Rezou o pai nosso da forma que se lembrava, trocando as palavras e as ordens das falas. Quando um ateu chega a esse ponto pode ter certeza o fim chegou.

De onde Oscar e Yuriko assistiam a briga não dava pra ver muita coisa, pois todos os envolvidos estavam dentro de um lugar fechado (o armazém). Podiam ouvir claramente os gritos e ver alguns flashes de luz, provavelmente disparado por algum mutante que ali lutava.

-Não acha que é hora de eu me envolver?

-Ainda não, quero ver até onde meus homens são capazes de ir. Será que da pra gente ir mais perto?

-Não posso garantir sua segurança.

Oscar ignorou o conselho da subordinada e andou em direção ao armazém. Ele ficou atrás da porta assistindo o espetáculo ali proporcionado. A porta não dava segurança nenhuma, se algum mutante atirasse em sua direção ele morreria na hora. Mesmo assim se sentia mais seguro com a proteção da porta, deixando somente a cabeça do lado de fora. Yuriko não se importava em procurar proteção, afinal era uma mutante nível 5. Existiria força ali presente capaz de tirar sua vida? Ela acreditava que não. Mais tarde ela descobrira o quanto esta enganada e pagará caro por sua arrogância.

-Seus soldados estão perdendo.

-Tudo bem, tem muito mais de onde estes vieram.

-Tem certeza que não quer que eu...?

-Olhe, vão usar as bazucas!

Três soldados se afastaram da briga, caminharam até uma das saídas laterais do armazém. Foram seguidos por dois mutantes, um tinha olhos vermelhos fazendo-o parecer um demônio e o outro era bem musculoso, um negro com olhos azuis, se fosse humano isso só seria possível com lente, o que não era o caso. O trio conseguiu dar cabo dos dois mutantes e prosseguiram em seu caminho. Entraram em um dos vários helicópteros militares que enfeitavam o lugar e pegaram dois caixotes grandes. Apesar do tamanho não eram muito pesados, pois as armas ali contidas eram de plástico e não de metal, uma tentativa de surpreender mutantes com poderes magnéticos como Magneto e Magnus. Abriram os caixotes e deixaram as armas às mostras, eram uma espécie de bazucas com três canos de disparo cada. Eram muito grandes para serem carregadas nos ombros e por isso tinham rodas na base. A idéia era levá-las para o campo de batalha e aponta-las para cima, a carga iria ser disparada no formato de discos giratórias que espalhavam seringas por todos os lados. Era o mesmo que botar merda no ventilador. De volta ao campo de batalha, o trio parada dura deu prosseguimento ao plano, apontaram as bazucas para cima e a dispararam. Seis discos ganharam os céus e lançaram seringas por todos os cantos, alguns humanos foram atingidos e nada sofreram, mas os mutantes alvejados perderam suas habilidades na mesma hora. Daqui que o efeito da arma passasse já era tarde demais, viraram alvo fácil e foram logo abatidos.

-Essa arma equilibrou um pouco mais as coisas. Viu que não precisa interferir ainda.

-Tudo bem, mas ainda acho que isso é um desperdício de vidas.

-A maioria deles são clones facilmente substituíveis. Não precisa sentir pena deles.

Yuriko não entendeu o comentário do seu patrão, mas não deu muita importância para isso, ela era meio ignorante e não sabia o que significava a palavra clone. Será que é de comer? Pensou ela por um instante. A batalha estava bem interessante e Yuriko não via a hora de entrar nela. Ela nasceu para lutar e não gostava de fazer mais nada na vida.

O ar acabou, chegou o momento de se despedir do mundo, pensava Carlos. Nos poucos minutos que lhe restavam Carlos sofreu de algo comum entre aqueles que estavam à beira da morte. Um filminho passou em sua cabeça e o fez rever toda a sua trajetória na Terra. Lembrou-se de sua infância na Bahia e de como gostava de passar os carnavais no interior, nunca gostou muito da muvuca dessa festa na cidade grande, no interior era melhor, menos violento e mais tranqüilo. Lembrou-se do seu primeiro romance que aconteceu bem tarde, quando tinha 16 anos. Lembrou também do primeiro robô que conseguiu montar na faculdade, ele só fazia andar e mexer os braços, era pouco para o padrão de robótica da época, mas ele já achava o máximo. Passou a ver os rostos de sua família e desejou poder vê-los mais uma vez, já fazia seis meses que ele tinha se mudado para os EUA e por todo esse tempo ele nunca mais viu seus parentes, só mantinha contato através de telefone e do msn. As lembranças pararam e seus movimentos também. A máquina maravilhosa que era seu corpo humano havia cessado suas funções principais. Não entrava mais ar nos seus pulmões, seu coração não bombeava mais sangue e seu cérebro não registrava mais nada. Acabou, é o fim. A morte chegou até ele.

Os poucos soldados que sobraram haviam perdido suas esperanças de vitória. Dos quase cem soldados da U.C.M. que entraram naquela batalha, só dezenove ainda continuavam respirando, oito deles não tinham mais condições de lutar. Os onze soldados capazes que sobraram largaram suas armas e colocaram suas mãos para cima, era um pedido de rendição. A Irmandade estava cansada de ser caçada como bicho, tinham muito ressentimento no coração por causa dos seus amigos mortos, tanto os de hoje como os de dias passados. Wolverine não conseguiu apaziguar os seus companheiros, ele era contra execução, mas não pôde fazer nada. Os soldados restantes haviam sido executados, mas pelo menos a guerra acabou. Pelo menos por ora, acreditava Logan.

-Tudo bem, é com você agora.

Yuriko voou feito uma esfomeada até os novos alvos. Utilizou de seu poder para evocar chamas tão intensas e poderosas que conseguiu carbonizar quatro mutantes logo em sua primeira investida. Wolverine gritou e fez sinal para que todos os mutantes que sobraram saíssem dali correndo, eles assim o fizeram. Logan era o único membro da Irmandade com fator de cura e por isso o único capaz de conter essa ameaça. À medida que ia se aproximando de Yuriko seu corpo ia ardendo, as chamas começaram a consumi-lo. O calor era insuportável, mas Logan estava acostumado a passar por dores insuportáveis. Yuriko começou a rir e elevar o calor ao máximo que podia, o armazém virou uma fornalha e começou a se desfazer, pois não foi projetado pra agüentar tanto calor. Deveria estar fazendo 1000 graus Celsius ali. A carne de Wolverine já começou a derreter, mas graças ao seu dom mais e mais carne apareciam para substituir a derretida. Mesmo assim ele tinha que ser rápido, só poderia continuar vivo se ainda sobrasse carne em seu corpo e pouco a pouco ela começava a deixá-lo.

-O que você acha que esta fazendo? Nenhum mutante pode comigo. Fui feita para erradicar todos de sua raça nojenta, completarei minha missão com sucesso. Dançarei sobre as cinzas de uma espécie que...

Wolverine não conseguia mais enxergar, pois seus olhos já haviam derretido, se guiou pelo olfato hiper-aguçado para identificar onde estava sua rival. A encontrou e tratou logo de enfiar suas garras em seu peito. Yuriko morreu e o calor que assolava o lugar findou imediatamente. Logan percebeu que havia ganhado a luta, pois não sentia mais o calor avassalador. Tratou de se jogar no chão e esperar. Daqui a poucos minutos estaria totalmente restabelecido, estaria morto se não fosse seu fator de cura. Agora era só esperar que o seu poder mutante terminasse seu trabalho.

O caixão que prendia Carlos se abriu sozinho, tinha terminado seu trabalho, que não era dar fim a vida do rapaz.. Pouco a pouco Carlos começou a sentir que sua vida foi lhe dada de volta, haveria isso sido uma segunda chance dada por Deus? O sangue voltou a ser bombeado, o ar entrava com vontade em seus pulmões, seu cérebro recebia mais informações do que nunca. Carlos estava vivo, mas alguma coisa em seu âmago mudou profundamente, o jovem rapaz romântico havia morrido naquela coisa esquisita, no lugar dele surgiu outra pessoa, um ser frio e cheio de ressentimento. O que movia esse homem não era mais o amor que sentia por uma garota, mas sim o ódio que sentia por alguém que ele sonhava em chamar de sogrão.

Os olhos de Wolverine já estavam de volta aos seus devidos lugares. Seu corpo não estava totalmente restabelecido, mas ele se sentia com força suficiente para se levantar e sair dali. Sua roupa havia virado cinzas, ele estava totalmente nu mostrando para quem quisesse ver as marcas da batalha que havia tido agora pouco. Logan seguiria seu caminho normalmente se não tivesse sentido uma picada incomoda em suas costas, de inicio ele achou que não era nada, mas um desconforto passou a acompanhá-lo. Wolverine olhou para trás e se impressionou ao ver Carlos empunhando uma arma da U.C.M., ele havia sido atingido por uma seringa inibidora de habilidades. Se ele tivesse sido atingido em outro momento não teria sofrido tantos danos, recuperaria seu dom em poucas horas, mas o seu corpo ainda estava todo queimado e a única coisa que o mantinha respirando era sua capacidade de se regenerar. Logan não tinha como se manter vivo sem seu fator de cura, ele era um humano normal agora e com aquelas feridas qualquer homo sapiens morreria. Assim sendo, Logan tombou, seus olhos ficaram abertos, mas não demonstravam mais vida, estavam imóveis. Ele todo ficou imóvel. Estava morto. Carlos conseguiu sua vingança.

Oscar Trask assistia tudo em uma distância segura, se aproximou de Carlos e fez um convite inusitado ao rapaz.

-A Unidade de Controle Mutante precisa de homens como você, rapaz. Você acaba de matar uma lenda viva.

-Não diga isso. Ele era um mutante, eles não são dignos de serem considerados lendas.

-Hehehe. Você tem razão. Se quiser dar um valor a sua vida me acompanhe. Posso dar um significado a sua existência. Vou te transformar no maior caçador de mutantes que o mundo já viu.

Carlos sorriu, tinha gostado da idéia de Oscar. Faria sofrer as criaturas que estraçalharam seu coração, não havia mais amor naquele homem, só ódio. Um ódio forte que ficou evidente em seus olhos. Seus olhos ficaram totalmente negros, sinal que algo anormal estava misturado à constituição daquele homem. Ele tinha ódio das coisas inumanas, mas não podia se considerar mais como sendo um humano. Carlos havia se tornado algo a parte dos homo sapiens. Agora ele era um mutante, um mutante que odiava seus irmãos, mas ainda sim era um deles.

Alguns dias depois, a notícia da batalha final entre a U.C.M. e a Irmandade estava presente em todos os telejornais. Num bar de beira de estrada, Laura assistia as noticias e deixa o ódio tomar o seu corpo. Maldito seja todos aqueles que mataram seus amigos e seu pai. Ela jurou a si mesmo dar cabo de todos os responsáveis, iria pegar o assassino do seu pai e fazer com que ele preferisse nunca ter nascido. Laura nunca havia quebrado as promessas que fez a si mesma e não pretendia começar agora.