Um Último Inverno

Legenda:

"...= lembranças da Angela

*"...= flash-bach

- Prólogo: Lembranças Dolorosas -

É inverno agora.

E como sempre ela estava na varanda do quarto dele, observando os flocos caírem, numa dança mórbida e sem sentido. O vento daquela noite acariciava seus cabelos cacheados, num movimento suave que mais parecia estar tentando aliviar a dor que aquele ser frágil sentia.

Ele estava na cama, dormindo, com seu corpo nu envolto dos lençóis de seda que escorregavam a cada mexida de seu corpo. Seu cabelo bicolor se destacava no branco que era a cama, os lençóis, o quarto e até mesmo seu corpo.

Angela se sentia sozinha e vazia. Quando o conhecera, tinha sonhos bobos e inocentes de um dia chegar a possuir um marido e filhos, mas agora, conhecendo a natureza fria e impassível do homem por quem se apaixonara, ela tem certeza de que seu relacionamento era sem futuro, e de que ela jamais passaria a ser algo a mais para aquele russo do que um simples brinquedo, ou do que um simples enfeite, um adorno em seu quarto tão impessoal e milimetricamente organizado.

- Angela... – dizia a voz masculina que vinha de dentro do cômodo.

- Estou aqui Sr. Hiwatari! – disse a inglesa de olhos castanhos que estava observando os flocos há pouco, mas que adentrara no cômodo para atender ao chamado do Hiwatari que acordara.

- Hum... – disse o russo que se sentara na borda da cama e que sem cerimônia alguma, puxara a garota para sentar-se em seu colo, para poder observar melhor aqueles orbes castanhos que nunca admitiria para ninguém, mas que sempre lhe acalmavam sob qualquer circunstância.

- Estava observando a neve cair lá fora, está tão linda. – disse a garota numa voz meiga e calma que era típico de sua personalidade.

Kai não gostava de sentimentos, mas jamais seria tão hipócrita a ponto de não admitir a si mesmo, que sentia algo por aquele ser frágil que se instalara em sua vida.

O queixo delicado da garota, sentiu uma mão fria como mármore puxar-lo levemente para frente e os lábios rosados da Christopher, sentiram lábios gelados encostarem-se.

Como sempre ocorria, nos dias posteriores as noites em que ele a chamava, Angela acordava sempre sozinha, na enorme cama de seu dono.

Kai como sempre acordava antes do nascer do sol para ir treinar, sua rotina diária nunca podia ser mudada.

Angela se levantou e foi para o banheiro anexo ao quarto, tomou um banho e foi tocar um pouco de piano, enquanto esperava pelo Hiwatari, como sempre fazia. Enquanto recitava em seu piano a sonata ao luar em C Sharp menor de seu grande compositor Ludwing Van Beethoven, lembranças lhe vieram à mente. E enquanto seus dedos tocavam suavemente as teclas do piano, lágrimas escorriam em sua face, e a dor de tempos atrás lhe viera da memória como uma faca afiada a fincar-se em seu peito.

"- Angela, esse será seu novo lar. – Disse a assistente social para uma garotinha de lindos cabelos loiros encaracolados e olhos castanhos marejados de lágrimas, que segurava uma fênix azul de pelúcia.

- ...Porque eu não posso ficar com a minha mamãe e meu papai? – disse a garotinha para a senhora que estava a sua frente.

- Porque eles se foram Angela, eles morreram. – disse a mulher enquanto acariciava os cabelos da garota e a abraçava. – eles estão no céu mas sempre continuaram ao seu lado olhando e protegendo você. Agora vá, a senhora Rakítina, está esperando você. Angela, você será muito feliz neste orfanato, eu garanto!"

Mais uma lágrima escorre dos orbes castanhos da pianista, pois ela sabe que lembranças sempre trazem dor junto com elas. Tinha quase sete anos quando um acidente de carro tirou seus pais de perto de si deixando-a completamente sozinha e desamparada num orfanato onde a diretora só fazia passar trabalhos forçados para os internos, e onde ela sabia, passou os piores e mais sofridos anos de sua vida.

"Os anos se passaram e ela sabia que, assim como ocorrera com muitas garotas antes dela, ela seria vendida pela senhora Rakítina para algum bordel ou para algum político influente para servir de escrava. Seus dezesseis anos se afloraram mas seu rosto angelical lhe dava a aparência de quatorze. Foi num domingo de sol que, o tradicional leilão de garotinhas do orfanato Piotr gratensk, funcionou. Angela era uma das seis garotas a venda, e foi exposta com roupas mínimas junto às amigas para ser leiloada.

Um senhor gordo, velho e rico, já conhecido da dona do orfanato foi quem a comprou.

Angela ouviu a conversa do seu novo "dono" com a senhora Rakítina:

- vou dar ela de presente para meu neto, Raki!

- ah, aquele garoto, o Kai?

- exato! Ela será um ótimo presente para ele, agora que ele está na adolescência!

- hum... Compreendo, mas não irá levar uma para você Voltaire?

- não, estou com pressa hoje Raki, mas obrigado!

Ela ainda se lembra de como foi recebida na mansão Hiwatari, e principalmente, pelo seu "dono". Os orbes estranhos e frios dele quando se encontraram com os dela foi algo que a Christopher jamais esquecerá.

"um garoto de cabelos bicolor, e de orbes frias descia a enorme escada central da mansão Hiwatari.

- Está pegando menores de idade agora Voltaire? - disse o garoto em tom cínico.

- hum...? – Voltaire que estava pondo o blazer no braço do mordomo para que este o guardasse, se virou para encarar o neto. – Ah, não! – um sorriso se instalara na boca do Hiwatari de mais idade. – essa garota é para você, kai!

- hum? – a sobrancelha esquerda do garoto se levantara. – para mim? – dizia enquanto recomeçara a descer as escadas.

- sim, esse é o teu presente de aniversário atrasado! – o sorriso de canto de boca que se instalara no velho parecia não querer sair deste. – então, gostas?

- O que eu vou fazer com ela? – dizia o garoto que olhava fixamente para o avô, suas palavras saíam com seriedade e talvez um pouco de desprezo."

Nunca havia ouvido gargalhada mais cínica e estrondosa do que aquela que saiu da boca do Voltaire quando este tinha ouvido a pergunta do neto.

" - faça o que quiser, ela agora é sua. Ela é o seu brinquedo, sua escrava. E não adianta conceder liberdade a ela, porque não tem para onde ir, no orfanato não a aceitarão mais! – disse enquanto subia as escadas.

- hum... – kai olhou do seu avô para a garota e concluiu, com um suspiro, que não podia fazer nada quanto aquilo. Ele apenas começou a subir as escadas, e Angela o acompanhou.

- para onde você vai? – perguntou o Hiwatari que se virara para encará-la.

- acompanhá-lo senhor. – foi o que disse a Christopher num tom meigo, mas olhando para o chão.

- Você não tem o que fazer ou pra onde ir não é? – disse o bicolor em tom de irritação.

A garota apenas balançou a cabeça em negativa mas sem encarar o seu "dono".

Ele apenas deu um suspiro e continuou seguindo em direção ao seu quarto."

Ela se lembrava da primeira conversa que tivera com ele.

"Um suspiro saiu da boca do Hiwatari antes deste se sentar numa das poltronas que existem em seu quarto e olhar para ela como se seu olhar pudesse congelá-la e assim um de seus problemas – lê-se ela – acabaria.

- sente-se. – disse o Hiwatari em tom sério.

Angela sentou na poltrona que se encontrava na frente do garoto.

- então, diga-me: seu nome, de onde você veio e porque está aqui.

- Meu nome é Angela Christopher do orfanato Piotr gratensk, e estou aqui por que seu avô me comprou.

- comprou?

- sim, comprou. No leilão anual de garotas do orfanato. Onde todas as garotas que chegam há dezesseis anos sem serem adotadas são vendidas e...

- dezesseis anos? E o que você está fazendo aqui?

- eu possuo dezesseis anos senhor!

- ... Você não parece ter mais do que quatorze. – disse o garoto em tom de desdém, mas que a analisava.

- Todos me dizem isso senhor. – disse a garota com um sorriso discreto.

- hum... – disse o garoto enquanto pensava o que fazer com ela – não quero brigar como Voltaire hoje, já tenho problemas demais por brigar com ele, vou colocar você no dormitório feminino dos empregados, você será uma empregada normal desta casa.

- sim, senhor.

Bom, esse prólogo foi mais pra explicar a origem desta personagem nesta fic e na vida do nosso bicolor predileto! ^_^ Bom, só irei postar o primeiro capítulo se receber reviews suficientes ok? Portanto, quem quiser que eu continue, por favor dê GO ali em baixo! Eu preciso de um mínimo de dez reviews pra postar o primeiro capítulo ok? Bai-bai crianças, que o grande Amon esteja com vocês!