O dia que marcou o período, talvez até o ano. Ela tinha que brigar com a diretora para conseguir uma sala maior! Agora, pessoas inocentes como eu, a Asahina-san e a Nagato-san e o Koizumi temos que fazer parte de uma peça de teatro. E qual não foi minha surpresa ao ver que era Cinderela . A peça mais infantil, boba e sem graça do mundo.

Por que diabos a Haruhi foi reclamar com a diretora que queria uma sala maior, vestida de bunny gal(se escreve assim?)!? Se ela somente fosse reclamar pedindo uma sala maior tudo bem, mas por que ela tinha que ir vestida logo de Bunny Gal?

Haruhi chegou na sala da diretora com um abaixo assinado com várias assinaturas. (que ela conseguiu com uma pequena ajuda da Asahina-san e um pouco de assédio sexual...) e pediu na cara de pau uma sala maior. A diretora falou que não tinha mais salas sobrando e Haruhi começou a xingar a diretora, ordenando ela a trocar a sala da Brigada pela sala do Clube de Informática. A diretora, claramente, não concordou com esse absurdo.

E foi por essa briga ridícula que estamos nós, da brigada SOS, sentados nas cadeiras da sala do clube de teatro, esperando Yuki nos passar o script para finalmente sabermos nossos papéis.
Olhei para meu lado esquerdo, e Asahina-san estava aparentemente temerosa, sabendo que seria explorada ao máximo pela Haruhi.
Olhei agora para o lado direito, e Koizumi me sorriu daquela forma falsa e superficial. Haruhi estava impaciente, batendo seus pés no chão.
Finalmente Yuki adentrou a sala, com um papel, e finalmente nos deu nossos papéis. Devo acrescentar que ninguém estava satisfeito.
- Os papéis de cada um. – disse com total inexpressividade, típica dela, e nos entregou panfletos.

Cinderela: Suzumiya Haruhi.
Irmã má: Asahina Mikuru.
Príncipe: Koizumi
Fada Madrinha: Kyon.
Madrasta: Asakura.

A primeira a falar foi, obviamente, Haruhi.
- O papel principal não será meu! A Mikuru-chan devia ser a atriz principal! – gritou irritada a Haruhi.

Koizumi nada disse, apenas sorriu. Yuki olhou para mim com indiferença e depois voltou seus olhos para Asahina-san, a convidando para uma conversa particular.
- E a Asakura nem está na brigada, por que ela tem que participar? Isso tudo é ridículo!
Tive que concordar, e eu realmente não queria a Asakura na peça. Sabe, o papel é perfeito para ela.
- E eu não serei fada madrinha! – disse.
Yuki olhou-nos indiferentemente e se sentou em uma cadeira.
- Os papéis serão esses e eu não posso mudá-los. – disse ela. Mas obviamente podia, ela não era a diretora da peça?
Mal sabia eu que tudo isso tinha a ver com Haruhi... Sempre ela!

Ainda confuso sobre meu papel na peça, mas já me rendendo, levantei-me de minha cadeira e fui falar com Yuki.

- O.K., eu faço o papel, mas não compre uma roupa muito... purpurinada. - disse com a voz mais desanimada de toda a minha vida.

Mais o que mais me deixou intrigado...é como a Haruhi vai fazer par romântico na peça com o Koizumi. Eu nem consigo imaginar essa cena...essa cena...qual é mesmo a palavra que eu deveria usar? Pertubadora, diferente, estranha, eu não sei a expressão que devo usar! Porque eu não pude ser o diretor dessa peça ao invés de Nagato-san? Acho que ela ficaria muito melhor de fada madrinha do que eu. E eu colocaria a Mikuru como Cinderela no lugar de Haruhi. Koizumi poderia ficar no papel em que está. Aí sim, a peça poderia seguir seu curso normalmente. Acredito eu.

Melhor guardar esses comentários para mim mesmo. Agora, além de comparecer a brigada SOS, terei que vir todos os dias para os ensaios, que duram cerca de três horas. Quem ficaria três horas treinando sua atuação?