Ele queria uma noiva...


- Bem, agora que estamos todos apresentados, Sir Isaac poderia certamente suprir a falta de cavalheiros e chamar uma de nossas adoráveis senhoritas para dançar. – Lady Mildred voltou a se fazer presente – Mina, porque você não...

Isaac imediatamente voltou-se para a – agora ele sabia – escocesa. Mina, entretanto, deu um ligeiro passo para trás, olhando para os lados como se avaliando suas chances de fugir.

- É, Mina, por que você não vai dançar? – Sam sorriu, colocando uma mão sobre o ombro da amiga, impedindo assim qualquer chance de fuga.

- Essa é uma decisão que cabe à Vossa Graça. – ela respondeu, voltando o olhar para ele, antes de dar um sorriso ligeiramente traquinas. - Vossa Graça há de me perdoar, mas sou uma desgraça a valsar. Se Vossa Graça eu fosse, nem de graça aceitaria esse perigoso encargo.

Ele sorriu, divertido, com o jogo de palavras dela.

- O que poderia haver de tão perigoso numa valsa, Lady Mina? Eu tirarei meus pés do caminho se esse for o caso.


Ela queria liberdade...


- Eu não disse que você não sabia se cuidar sozinha. – ele retorquiu, voltando o olhar para ela – O problema é que você lê demais essas histórias de detetive e se deixou levar. Você não quer ser realmente detetive.

Mina ficou em silêncio por alguns instantes, antes de pular do tronco para o chão, ficando de frente para ele.

- Se eu dissesse que você só quer ser arqueologista porque está na moda desde a abertura da tumba de Tutancâmon, você não ficaria muito feliz. – ela deu um sorriso triste – Não me trate como criança, Isaac. Eu posso soar empolgada e infantil em muitos momentos, mas eu sei exatamente o que eu quero.


Os caminhos de ambos acabam por se cruzar...


Ele assentiu, parando logo atrás dela. Ela levantou a cabeça devagar, encarando-o.

- O que houve?

- Eu tenho um presente para você.

- Presente?

Havia uma curiosidade inocente nos olhos dela, diferente da ansiedade calculada que ele já vira em outras damas. Isaac sorriu, observando cada detalhe da imagem dela, da curva elegante do pescoço ao decote do vestido, os ombros ligeiramente a descoberto, contrastando com o veludo cor de vinho.

Finalmente, ele levou a mão ao bolso da casaca, tirando de lá uma gargantilha, os aros dourados desdobrando-se à medida que ele os desenroscava, para revelar uma pequena rede de pontos vermelhos brilhantes.

Rubis.

- Lady Blair me revelou o que usaria hoje e eu pensei em providenciar alguma coisa que combinasse tanto com o vestido quanto com a ocasião.

Ela não respondeu, embora observasse a jóia, os olhos escuros impassíveis. Por um instante, a moça sentiu algo um tanto instintivo, alguma coisa que parecia não se encaixar na história que estavam vivendo.

Mina voltou o olhar para ele, séria.

- Você não precisava ter feito isso.

Não havia nada de coquete na maneira como ela o disse. Ainda assim, ele sorriu, condescendente, enquanto sentava-se ao lado dela no banquinho da penteadeira, de modo a ficarem no mesmo nível, em sentidos opostos, de frente um para o outro.

- Agora eu já fiz. – ele respondeu suavemente – Posso colocá-lo, Mina?

Ela assentiu quase imperceptivelmente e ele abriu o fecho da gargantilha, passando pelo pescoço dela, a ponta dos dedos roçando pela pele a descoberto da nuca, já que os cabelos estavam presos num complicado penteado, no alto da cabeça.

Virando a cabeça, ela encontrou os olhos dele sobre si, encarando-a com intensidade. Mina entreabriu os lábios, tentando encontrar alguma coisa para dizer, algo que quebrasse aquela estranha tensão entre eles, mas seu fôlego foi completamente roubado quando as mãos dele deslizaram por seus ombros, seguindo as linhas do decote.


E eles vão descobrir que não é tão difícil assim se importar com o outro...


- Eu deveria ter feito isso tempos atrás. – ele ofegou, inclinando o rosto.

Mina prendeu a respiração.

- Isaac, o quê...

- Você me acusou de não possuir uma fibra de sentimento, milady. De não possuir uma centelha de paixão por nada no mundo. É meu dever agora provar que está errada.

Quando subira pelo gradeado da janela dela, não era sua intenção seduzi-la. Tudo o que ele queria é que ela acreditasse nele. E ela acreditaria. Mais cedo ou mais tarde, ela teria de acreditar. Porque ele não daria chance para que Mina voltasse a escapar dele.

Uma vez na vida, ele permitiu que seus instintos controlassem seus atos. Uma vez que fosse, ele não iria calcular os riscos e benefícios daquela situação.


Nem se apaixonar...

Mina MacFusty

Isaac Cyan

E, ao final das contas...

Existem muitas maneiras de se chegar ao altar...

WALKING DOWN THE AISLE

2008