N/A: Depois de um tempinho, e muita pressão por parte dos amigos que lêem a fic, aqui está o último capítulo

N/A: Antes de tudo, obrigada á todos os leitores.

Depois de um tempinho, muita pressão, horas á fio procurando inspiração que me renderam explosões de inspiração resultantes em um último capítulo com dezessete páginas. Chegamos ao fim. Realmente dá meio que uma dor por terminar. Mas finalmente vocês vão saber quem é o admirador de nossa Primeira Tenente, não só vocês, Roy também descobrirá ;P

Por detrás das máscaras.

A manhã chegou sorrateiramente. O tempo estava estável, parecia o começo de um dia perfeito.

Roy acordou com dor nos pés, fazia tempo que não dançava e a ousadia da noite anterior tinha acabado com ele. Riza também acordou um caco, a vontade de ir para o QG era zero, mas era o dia do baile e todos queriam resolver qualquer pendência no quartel que pudesse atrapalhá-los em relação á festa.

Já eram dez horas, Riza estava preenchendo uma parte dos relatórios enquanto Havoc ia fazendo telefonemas e coisas do tipo. Roy não havia chegado.

- Olá Amigos! – Hughes entrou animadamente na sala, quebrando o clima "concentrado" da sala.

- Oi.

- Oi? Como estão desanimadooos! Se animem! O grande dia é hoje!!

Todos os subordinados de Roy o olharam com uma cara tipo "Dá licença! Estamos tentando trabalhar!". Hughes pareceu não se tocar do clima contra ele e foi adentrando a sala, então viu a mesa de Roy vazia, olhou para os lados, ali estava a Primeira Tenente, seria o momento perfeito para conversar com ela.

- Primeira Tenente.

- Sim?

- Preciso falar urgentemente com você.

Riza se levantou e foi até Hughes, este pegou o braço dela e a levou para fora do quartel, enquanto andavam pelo corredor ele disse:

- Sabe Primeira Tenente, existem ótimas pessoas aqui no Quartel.

- Eu sei.

- Hum, o Roy me contou o que houve ontem.

Riza gelou, ele a tinha beijado na noite anterior e hoje isso já tinha virado fofoca? De repente ela ficou com uma raiva intensa de Roy.

- Calma, ele só contou para mim se é o que está pensando. E eu não sou um fofoqueiro muito bom. Só queria te dizer que... Preste mais atenção nos detalhes.

Ela o olhou meio sem saber o que dizer, não sabia que expressão fazia, então se limitou a encará-lo, Hughes percebendo que ela não havia entendido completou:

- Você vai entender melhor hoje á noite. Vocês dois.

E assim Hughes a deixou no corredor pensando no que ele havia dito, porque ele não dizia as coisas claramente? Riza não era muito boa em decifrar mensagens nas entrelinhas, principalmente quando elas vinham de alguém tão imprevisível como Maes Hughes.

Roy chegou ao quartel ás nove e meia, todos estavam na sala, menos Riza. Ele pensou em perguntar por ela, mas achou que isso não pegaria muito bem para os dois, se limitou a esperá-la sentado em sua mesa, assinando os relatórios... Sabia que ela tinha ido ao quartel naquele dia, afinal os relatórios diários estavam com a letra dela, talvez tivesse saído para ir ao banheiro ou qualquer coisa do tipo.

- Coronel?

- Sim Fuery.

- O Coronel de Brigada Hughes veio lhe procurando.

- Ele informou onde iria?

- Não, ele apenas saiu com a Primeira Tenente, disse que era um assunto importante.

- Saiu com a Ri... Digo, com a Primeira Tenente?

- Sim senhor.

- Hum, o que será que aquele louco está planejando?

- Senhor?

- Ah? Ah, nada não Fuery, estava pensando alto.

- Certo.

Roy continuou assinando os relatórios, dessa vez muito nervoso. O que será que Hughes queria com Riza? Será que ele iria contar tudo sobre o Admirador Secreto? Será que ele iria contar que eles na verdade não sabiam nada sobre o tal homem e que conseguiram bolar um plano depois de confiscarem a correspondência dela? A cabeça de Roy estava á mil quando ele viu Riza entrando na sala, ela parecia normal e não lhe deu nenhum tiro, é, parecia que Hughes não era tão louco assim.

Ela deu um olhar rápido pra ele, as memórias da noite anterior, da dança e do beijo vieram a sua cabeça, isso era muito mal. Teria mesmo que conviver com aquelas lembranças para o resto da vida? E porque ele havia feito aquilo? Era impossível que ele gostasse dela, só devia estar "aproveitando o momento", assim como ele devia fazer com todas as mulheres com quem saía. Riza desejava no fundo de seu coração que isso não fosse verdade, mas a razão e a lógica conspiravam juntas á seu favor, Roy era conhecido como o maior "pegador" da Central, era de se esperar que quisesse sua colega de trabalho para sua coleção.

O que ela não sabia é que Roy fazia isso para tentar preencher o vazio que sentia, ele procurava desesperadamente achar alguém que pudesse dizer: Essa é a minha garota. Mas por mais perfeita que a mulher fosse, ele não estava feliz, pois todas as garotas com quem ele ficava o lembravam Riza de alguma forma. No começo ele não sabia explicar o porquê, achava que fosse apenas resultado da árdua convivência rotineira do trabalho, mas agora ele sabia, desde o começo ele amava Riza, só não havia percebido antes. E agora estava disposto á correr atrás do tempo perdido.

Roy continuou sentado assinando os relatórios, ela também se sentou e começou a preenchê-los... Quem via a cena por fora nem imaginavam o conflito que se passava na cabeça dos dois, que mesmo parecendo extremamente calmos, em seus interiores não passavam de uma pilha de ansiedade.

Havoc entrou sorrindo na sala e disse aos berros:

- EU FINALMENTE CONSEGUI BEIJAR MINHA NAMORADA!

A reação dos outros não foi muito receptiva, e daí que ele tinha beijado a namorada? Era normal acontecer esse tipo de coisa entre namorados não era?

- E o que tem isso?

- Ah Breda, ela é muito conservadora sabe? Eu ralhei muito para convencê-la, mas foi lindo! Quando nossos lábios se tocaram eu senti que ela é a garota sabe? Deu até aquele frio na espinha e...

- Chega Havoc! – Roy levantou e disse isso em alto e bom som. – Ele estava se segurando para não beijar Riza naquele momento, além de se sentir extremamente injustiçado, porque Havoc podia beijar a mulher que amava quando quisesse e ele não? Isso era muita injustiça.

- Isso mesmo Segundo Tenente Havoc, o quartel não é lugar para esse tipo de assunto. – Dessa vez quem disse algo foi Riza, ela também estava bem atordoada pensando em mil e tantas maneiras do porque Roy a havia beijado e se segurando para não ir até ele e lhe tascar outro beijo, então ela pegou os documentos já preenchidos e assinados e saiu nervosamente da sala. Já Roy fechou a gaveta com tal força que a mesa balançou.

Todos meio que se espantaram com a reação dos dois, geralmente Roy e Riza nem prestavam atenção nas conversas entre os outros subordinados, e quando prestavam não se importavam com as coisas ditas. Porque tanta coisa por um assunto tão besta como um beijo? Tinha dias que Havoc falava coisa bem pior e eles nem ligavam.

Minutos depois Riza voltou à sala e esbarrou com Roy, que estava ajudando Fallman á levar uma caixa pesada para a secretaria. Ele simplesmente soltou a caixa e ficou olhando Riza como um garoto de treze anos olha uma playboy, já Riza ficou extremamente envergonhada (de tal maneira que todos puderam perceber). Mas no fim das contas quem levou o pato foi Fallman, a caixa caiu em seu pé, e bem, não foi uma cena muito bonita de se ver.

Na hora do almoço todos se sentaram na mesma mesa. Havoc, Fuery, Breda e Fallman (com o pé enfaixado) perceberam que Roy e Riza não se falaram muito, e constantemente davam umas olhadas um no outro. Quando estavam voltando á sala Riza foi ao banheiro, Roy ficou a observando até ela virar o corredor.

- Uau Coronel, o que houve entre vocês?

- O que? Sobre o que está falando Havoc?

- Ah, vocês não sabem disfarçar. Todos nós percebemos.

- Como assim?

- Você fica olhando ela, sei lá... Como se ela fosse uma Playboy... E ela nunca foi de olhar o senhor...

- Playboy? Havoc! Não compare a Primeira Tenente com algo tão... Diferente dela.

- Hum, por acaso o senhor a viu tão bem a ponto de dizer que ela é diferente de uma Playboy?

- Havoc! Pare de dizer coisas tão baixas! Eu exijo respeito!

- Ok, desculpe, eu vou maneirar. Mas fala sério senhor, o que houve?

- Nada. – Roy estava ficando irritado.

- Nada mesmo? Vocês mudaram muito depois daquele jantar na casa do Hughes.

- Bom, não houve nada entre nós, e mesmo se houvesse não é da sua conta. Nunca parou para raciocinar que hoje é o dia do baile? Nós vamos juntos, é por isso.

- Hum, tudo bem então. Não está mais aqui quem falou.

Um silêncio se estendeu, até que uma voz conhecida cortou o clima pesado.

- E aí esquentadinho?

- Do aço? O que faz aqui?

- Só entregando uns relatórios, soube que amanhã todo mundo vai estar de ressaca.

- E aí chefinho, vai ao baile hoje à noite?

- Claro que sim Breda... A Winry me mataria se eu não a levasse...

- Uau, o chefinho já engatou com a mocinha?

- Não é nada disso. – Ed ficou extremamente nervoso e gaguejando tentava contornar a situação.

- Bo-Bom, é... É que eu e a Winry, é que, nós, nós... Somos só amigos falou? NADA ALÉM DISSO! Tenho que achar o padre... Quer dizer, o cara que pega esse relatório.

- Sou eu Do Aço.

- Ah, então toma.

Ed entregou os papéis para Roy e sumiu de vista, Roy achou graça no desconforto do baixinho e disse:

- Haha, esses garotos são tão previsíveis... Ficam nervosos por qualquer pressão... Não é mesmo pessoal?

Os outros preferiram não comentar.

O resto do expediente foi bem tranqüilo, é claro que os outros subordinados perceberam que tinha algo mais entre Roy e Riza naquela manhã, quando não era ele que olhava, era ela e vice-versa, mas ninguém resolveu comentar, afinal ambos tinham as maiores patentes da sala e mesmo que realmente tivesse algo entre eles, eles eram pessoas livres para fazer o que quisessem não é?

O resto do expediente foi tranqüilo, exceto por um breve momento no qual Hughes adentrou a sala, e dessa vez ele carregava consigo um embrulho vermelho que segundo ele, era um presente para Gracia.

- Mas é aniversário dela?

- Claro que não Roy, mas é tradição darmos presentes á nossos pares do baile, vai me dizer que não sabia?

- Bem, não exatamente, é que eu não to muito acostumado a ter um par, que eu sei que vou continuar a ver depois do baile.

- Você me surpreende cada dia mais.

- Por quê? – Roy parecia confuso.

- Não consigo entender como alguém pode ser tão lento como você!

- Cala a...

- Não Calo! Um presente é um passo á mais, além do mais depois do deslize de ontem você tem que se esforçar.

- Hunf.

- Bom, estou indo, acho que meus subordinados já acabaram os papéis, é só assinar e ir para a casa...

- Boa sorte.

- Não, fique com ela. Vai precisar mais do que eu para escolher o presente certo... – Hughes saiu rindo loucamente da sala parecendo não se importar com as pessoas que o olhavam torto. Enquanto isso Roy estava totalmente desamparado, o que podia dar de presente para Riza? Começou a raciocinar, ela era uma mulher, uma linda mulher. Ela não ia em muitas festas, na verdade ela praticamente vivia no quartel. Ela tinha um cachorro... Ela tinha as orelhas furadas! Isso, Roy iria dar um conjunto de jóias! Ele sabia que ela não poderia usar o colar sempre, mas pelo menos os brincos ela usaria!

- Pessoal, eu vou dar uma saída.

- Coronel, espere, eu vou com o senhor...

- Não Riza, desculpe, mas é assunto meu, por falar nisso, de que cor você gosta?

- De que cor eu gosto?

- Bom, não precisa responder... Cuide das coisas, volto daqui meia hora se o trânsito estiver bom.

Roy saiu correndo da sala deixando Riza e os outros totalmente confusos... Não era muito normal Roy interromper o trabalho quando ele estava no fim para... sair.

- Mais um encontro ás escuras?

- Acho que não Fallman, tenho uns palpites...

- Hum, o que? – Perguntaram todos (menos Riza que não estava gostando nada dessa conversa).

- Ele perguntou para a primeira tenente de que cor ela gostava, aposto que ele vai comprar alguma coisa... Quem sabe uma linge...

- SEGUNDO TENENTE HAVOC! Acho melhor voltar ao trabalho se não quiser uma punição... – Todos olharam para Riza, não sabiam deduzir se ela estava vermelha de nervoso ou de vergonha, mas quando o assunto era obedecê-la eles preferiam não pensar duas vezes.

Roy voltou meia hora depois como havia dito, não segurava nenhum embrulho ou coisa do tipo, isso só deixou todos, incluindo Riza, ainda mais curiosos, mesmo assim ninguém o indagou sobre o que tinha ido fazer, pois o que o Coronel fazia ou não fora do quartel não era assunto deles, mesmo que ele interrompesse o expediente para fazer isso.

Já eram 17 horas e as pessoas já tinham começado a sair do QG. Algumas mulheres diziam ter marcado cabelereiro, outras já iam se arrumar na casa de amigas, já os homens eram mais reservados, apenas diziam que precisavam ir para casa, mesmo que não fosse isso.

A conversa na sala de Roy era animada, todos menos Riza participavam. Detalhe: O assunto era: Mulheres. Mesmo assim os que mais falavam eram Breda e Havoc, os outros apenas se limitavam a concordar e raramente dar uma opinada.

- Elas demoram horas se arrumando... – Disse Breda.

- Bom, pior se não demorassem, eu gosto de sair com mulheres arrumadas, mesmo que isso me faça abrir mão do meu tempo. – Opinou Havoc.

- Melhor uma nota de cem reais do que cem notas de um real. – Disse Roy olhando sorrateiramente para Riza. A olhadela não foi percebida pelos outros, exceto por Havoc que já tinha sacado que algo realmente embaraçoso tinha acontecido entre os dois.

Meia hora depois já tinham acabado os papéis e se preparavam para ir para a casa.

- Não vai a nenhum salão de beleza Tenente?

- Não Fuery, o que eles fazem lá eu posso fazer em casa... Além disso meu cabelo não é muito apropriado para longos penteados, eu sei fazer o que tem que ser feito nele.

- Ah, entendo. Bom, até lá. – Disse Fuery.

- Até Fuery. No fim do baile poderemos nos cumprimentar.

- Sim. Até lá pessoal. – Fuery saiu da sala, junto com Breda e Fallman que sempre pegavam carona com ele. Só restaram na sala Havoc, Riza e Roy.

Havoc percebendo que havia meio que um clima rolando no ar decidiu ir logo, mas antes tinha que dar uma provocada.

- Bom, estou indo. Até mais... – Ele foi saindo da sala, mas antes de ir, aproveitou que Riza estava em seu caminho e a puxou pela cintura para perto dele, então sussurrou em seu ouvido "Cuidado no baile, Riza". Dizendo isso ele saiu calmamente deixando uma Riza confusa e um Roy nervoso e surpreso.

Roy imediatamente entendeu tudo, pela linha de raciocínio apenas uma pessoa poderia ser o admirador secreto. Quem trabalhava com Riza? Quem sabia onde ela sempre estava? Quem era o cara louco por uma boa esposa? Só podia ser...

- Havoc!! Seu maldito! – Roy foi correndo furioso até Havoc e lhe atacou, ambos começaram a se bater, Roy tentava dar vários socos e chutes, mas Havoc não era um mal lutador e conseguia bloquear a maioria e até dar suas investidas.

- Parem com isso! Estamos no Quartel! O que vão pensar se verem chefe e subordinado brigando desse jeito? – Riza tentou separa-los antes de um tumulto se formar em volta, mas já era tarde demais, muitos soldados se reuniram em volta para ver a briga entre Roy Mustang e Jean Havoc.

Riza sabia que não podia sacar uma arma dentro do quartel, apenas na estação de treinamento, então pediu para que algumas pessoas ali a ajudassem á separa-los, e foi o que fizeram. Os dois estavam separados, Roy encarava Havoc com um profundo olhar de ódio, já este parecia estar surpreso.

- Havoc, eu vou te matar!

- Cala a boca, você nem sabe...

- Parem os dois! Vamos lá dentro e vocês conversam como humanos civilizados.

Riza pediu obrigada aos que a ajudaram a separá-los e pediu para que não espalhassem o que havia acontecido, então ela entrou na sala e se deparou com os dois. Havoc sentado em um lado da sala, Roy sentado do outro.

- Agora me digam, o que foi que aconteceu? Coronel, porque atacou o Segundo Tenente dessa forma? Eu entendo que a reação dele foi inesperada, mas... Não precisava de tanta violência.

Roy olhou profundamente para Riza e disse:

- Ele é o seu admirador secreto.

- O que? – Riza congelou.

- O QUE? – Havoc parecia mais surpreso ainda. – Eu? Admirador da Primeira Tenente?

- Não vai negar! Você a abraçou em pleno quartel há minutos atrás! Você veio pedir que ela desse aulas aos meninos com a sua supervisão e...

- Não me julgue tão... – Ambos se levantaram e estavam prontos para se atacar de novo, mas Riza se colocou no meio deles.

- Violência não vai adiantar nada. Vamos conversar.

- Como conversar? O Havoc é o admirador! Isso é inaceitável! Eu nunca esperaria isso dele!

- Eu não sou o admirador dela! Eu a abracei na sua frente para te deixar com ciúmes! Eu sei que vocês tiveram algo! Eu sei! E eu... Eu queria te mostrar como é quando cantam a mulher que você ama bem na sua frente! Você sempre faz isso comigo! Eu queria só te mostrar... E quanto ás aulas, ela é a melhor atiradora e já conhecia os irmãos Elric há tempos!

- Pensando por esse lado...

Riza estava meio chocada, ela sentia que não era Havoc, e ele não havia confessado, portanto não devia mesmo ser o admirador, mas porque Roy deduziu isso se ele e o tal admirador eram grandes amigos? Ele tinha á enganado? Ela começou a viajar, até que sentiu alguém pegando em seu braço, era Roy.

- Riza, desculpe ter te assustado assim...

- Você mentiu pra mim.

- Que? Não! Eu me enganei quanto ao Havoc, calma... Eu só tirei uma conclusão precipitada.

- Não é isso. Você me disse que conhecia o tal admirador, que ele é seu amigo e que você é o porta voz dele... Se você o conhece tão bem, porque se assustou tanto quando achou que o Havoc era o admirador? Se você é tão amigo do tal cara, não devia se assustar tanto, afinal você deveria saber quem é.

- Er, Riza, não é isso... É que...

- Você mentiu, só pra se aproveitar... Quer dizer que tudo, até o baile era uma farsa?

- Não! O Baile não é uma farsa! Ele te mandou essa mensagem mesmo!

- E como você sabe? Por acaso apreenderam meu correio?

- Riza, tente entender...

- Você me enganou! Agiu como se fosse amigo "dele" para se aproveitar! Você não presta mesmo!

- Mas Riza, não é isso o que você ta pensando, eu nunca iria te enganar pra me aproveitar de você!

- Bom, agora você está mentindo pra si mesmo.

- Riza, por favor, eu não fiz por mal, é que, é que... Me perdoa, por favor, eu não fiz por mal, eu fiquei louco, eu não queria que te roubassem de mim!

- Me roubassem de você? Eu nunca fui sua, eu não sou propriedade de ninguém!

- Eu sei, mas Riza, por favor, me perdoa, me perdoa. – Roy começou a chorar aos pés de Riza, ele não queria que ela ficasse achando coisas que não eram verdade, ele nunca quis se aproveitar dela.

- Roy, eu... Eu não te entendo! – E dizendo isso ela saiu da sala e foi andando rapidamente até a saída, então Roy começou a segui-la. Na saída do quartel, poucos metros antes dos carros ele conseguiu alcança-la, a pegou pelo braço e disse:

- Você tem que me ouvir!

- Eu já te ouvi, e você me enganou! – Dessa vez quem chorava era ela.

- Não, por favor, eu não quis te enganar, eu não te enganei!

- Você se aproveitou de mim, me beijou e depois disse que era um teste, tentou me agarrar e disse que era outra tarefa para o seu amiguinho que você na verdade nem sabe quem é!

- Mas eu não fiz isso por mal, foi, foi impulso!
- Impulso? Faça-me rir! Você faz a mesma coisa com as outras mulheres? Age por impulso e inventa uma desculpa qualquer sem pensar nos sentimentos, ou isso é apenas com a idiota aqui?

- Não, não é isso, ta tudo errado! Por favor, Você não vai me perdoar? – Ele olhava pra ela de uma forma intensa, triste. Riza queria muito dizer que iria perdoá-lo, que nada neste mundo a faria viver sem ele, mas ela estava magoada, se sentindo humilhada, não queria simplesmente fingir que tinha esquecido do que ele tinha feito.

- Eu não sei, isso é complicado, eu tenho que pensar... Colocar as idéias no lugar.

- Então, você não vai mais ao baile comigo?

- O que você acha? – Dizendo isso Riza se soltou de Roy, entrou no carro, e mesmo com os protestos dele, ela não parou.

Roy estava sentindo como se algo tivesse explodido dentro dele, era uma dor pior do que qualquer ferimento, era uma dor no coração (não era infarto), uma dor profunda que parecia rasgá-lo por dentro. Ele ajoelhou na calçada, as lágrimas saindo automaticamente, então sentiu uma mão em seu ombro, era Havoc.

- Ei, não vai adiantar nada ficar assim.

- Havoc, ela me odeia! Ela me odeia!

- Não odeia não, ela ta magoada.

- Mas eu não fiz nada, eu... Eu gosto dela. Eu nunca faria nada disso pra ela.

- Cara, não precisa ter vergonha de mim não, eu sei que você na verdade ama ela, uma hora ou outra isso ia acontecer.

- Isso o que?

- De vocês realmente se aproximarem... Vocês sempre são tão unidos, tão leais um ao outro, cedo ou tarde ia rolar.

- Mas, eu até posso amá-la, mas ela não me ama, ela não gosta de mim.

- Para! Pense como um Coronel! Você acha que se ela não gostasse de você ia se magoar tanto por pensar que você a enganou? Se ela já não tivesse expectativas apenas ignoraria e seguiria em frente.

Roy pensou no que Havoc disse e realmente ele tinha razão. Se Riza não guardasse alguma expectativa quanto á ele, jamais diria que estava magoada ou triste, ela simplesmente continuaria a rotina.

- Mas...

- Mas o que Mustang?

- E o baile? Eu ia com ela justamente para dizer tudo isso.

- Bom, você disse que o admirador estaria lá não disse?

- Sim, mas isso é verdade.

- Hum, então ela irá sozinha ao baile encontrar esse cara.

- Como você tem tanta certeza?

- Não tenho. Mas acho que ela ta magoada o suficiente pra tentar te esquecer e partir pra outra pessoa, no caso, o tal admirador.

- Mas Havoc, ela não pode fazer isso!

- Quem disse que não?

- Ahh, ela não pode! Eu sempre á amei! Eu só fui muito lerdo para perceber antes...

- Então vá ao baile.

- O que?

- É! Vai ao baile! Ir á casa dela ta fora de questão, ela tem umas cem armas por lá... E tem chances dela ir ao baile, mesmo que sejam pequenas, então arrisque!

- Você ta certo, já parei de me arriscar á tempos, com medo de falhar, mas agora eu vou tentar aproveitar cada chance.

- Esse é o Roy Mustang que eu conheço!

Roy foi andando até os carros. Iria para a casa e se arrumaria para o baile. Ele ia ver Riza e ia resolver tudo isso. Mas antes de entrar no carro gritou:

- HAVOC! – Este se virou em direção de Roy e acenou, então Roy continuou:

- Obrigado mesmo! E me desculpe por tudo e por todas as frustrações que eu... Cometi pra você.

- Há, não tem nada não. Agora que alguém te fisgou, eu to muito feliz! Assim você não fisga mais ninguém de mim! Huahuahuahuahua.

Havoc deu as costas e entrou no QG, ele tinha esquecido de pegar algumas coisas lá dentro; enquanto isso Roy entrou no carro e foi para casa.

XxX

Enquanto isso Riza pensava no que fazer e no que tinha feito. Provavelmente Roy agora achava que ela o odiava, mas ela não o odiava, nunca o odiaria. O fato de ele tê-la enganado era simplesmente doloroso, só isso. Mas então ela lembrou que o Admirador existia realmente. E ele ia ao baile! Isso era real.

Agora ela tinha duas opções: (A-) Ficar em casa o resto do final de semana chorando, comendo e lendo romances. (B-) Ir ao baile, encontrar o tal admirador e ter a chance de esquecer Roy e acabar com todo aquele sofrimento.

- Bom, então eu vou ao baile. Concorda comigo Hayate?

O cachorrinho colocou a língua para fora e começou a fazer aquele Arf Arf.

XxX

Roy estava em casa procurando o terno, ele odiava usar terno, porque isso o lembrava um pingüim, e ele não gostava de pingüins (Tinha a marca da bicada do bicho até hoje).

O telefone tocou, quando ele atendeu uma voz conhecida disse:

- E aí Mustang? Se arrumando pro baile?

- Ah. Hughes... Sim, to procurando meu terno.

- E você vai buscar a Hawkeye que horas?

Um silêncio tomou conta da linha. Hughes percebendo que algo estava errado disse:

- O que você fez?

- Estraguei tudo, nem sei se ela vai ao baile.

- O QUE? Ah Mustang! Começa a falar...

- Pelo telefone mesmo?

- Não! Pega seu terno e vem pra cá agora! – Hughes parecia irritado.

Roy chegou á casa de Hughes e o amigo já lhe esperava no portão. Ambos entraram na casa, Gracia estava tomando banho e Elisia estava na casa dos avós, por isso estava tudo silencioso, então Roy começou a contar a história, quando acabou Maes estava com a mão no rosto, parecia bem decepcionado.

- Você pisou na bola... Podia ter prestado mais atenção na sua condição!

- Eu sei! Mas foi automático... Eu vi o Havoc perto dela e já me deu aquele impulso, não deu pra pensar em nada. De repente eu me achei tão certo, tão convicto que ele era o cara.

- E se fosse? Não ia adiantar do mesmo jeito.

- Eu sei, mas... Ah, você entende! E se um cara chega perto da Gracia na sua frente e fala algo no ouvido dela parecendo que ele vai beija-la a qualquer momento? O que você faria?

- A mesma coisa que você, por isso que eu já me assegurei.

- Como assim?

- Á partir do momento que eu vi que a Gracia era a mulher da minha vida, eu já a pedi em namoro, assim eu sempre teria uma desculpa pros meus ciúmes.

- E o que eu faço agora?

- Bom, como você me disse, ainda tem chance dela ir ao baile não é?

- È, eu disse que o cara ia mesmo aparecer no baile.

- Então há chance de vocês se encontrarem lá, ai você pode tentar consertar.

- Certo. Mas, porque você me ligou àquela hora?

- Era pra te contar uma coisa, mas o seu problema é bem mais importante.

- Ah sim... – Roy resolveu não perguntar o que era, afinal podia ser algo sobre fotos da querida-maravihosa-xuxuxa-miss-filhinha-do-Hughes: Elisia-chan e ele não estava muito disposto á ouvir algo sobre isso.

- Quer ir jantar conosco? Vamos sair afinal hoje a minha princesinha está na casa dos avós.

- Sua princesinha?

- Elisia.

- E a Gracia?

- Ela é minha rainha. Mas então, vai querer jantar conosco ou não?

- Ah ta... Não, obrigado. Só vai dar eu ali... Interrompendo um jantar que poderia estar sendo romântico e só não vai ser porque o amigo mala, no caso eu, está prestes a entrar em depressão e está numa carência excessiva.

- Amigo mala não...

- Não?

- Não Mustang, você é a mudança inteira! – Hughes começou a rir loucamente.

- Idiota.

Entre risos Hughes disse:

- Desculpa. É que num deu pra segurar essa.

- Ok, então eu vou indo.

- Certo, te vejo no baile.

- Aham, que horas você vai?

- Eu e Gracia vamos ás 22, temos mesa reservada.

- Hum, tem lugar pra mim nessa mesa?

- Provavelmente... E só para avisar, vou estar com um lenço verde-musgo com um MH bordado, quando me ver venha até a mim e fale.

- Hum, vou me lembrar disso.

Roy se despediu e foi para a casa, eram sete horas e ele queria começar a se preparar, tanto mentalmente quanto fisicamente.

xXx

Riza tinha acabado de sair do banho, como não tinha marcado horário em salão de beleza ia procurar algo para fazer no próprio cabelo.

Ela abriu o guarda roupa, subiu na quina da cama e procurou as caixas que estava escrito "Revistas". Desde a mudança para a Central, ela não tinha organizado muita coisa. Revistas, livros entre outros objetos pequenos que não eram usados diariamente tinham sido deixados nas caixas para serem arrumados "outro dia".

Depois de procurar por uns vinte minutos ela achou um penteado que gostava, era algo como um coque embutido, era bem de acordo com a ocasião, além de ser simples de se fazer.

Ela pretendia chegar ao baile ás dez horas, assim conseguia lugar para estacionar, além de não pegar muito tumulto (Lembrando que era um dos eventos mais importantes do ano na Central).

xXx

Dez horas. Centro. Estação de Eventos Militar. Baile Militar de Máscaras, comemorado anualmente e sempre no dia do Halloween. Esse era o endereço da maioria dos militares e seus acompanhantes naquela noite, o mesmo valia para jornalistas de plantão e fotógrafos em busca da melhor foto, que, dependendo do tema, poderia valer milhões, afinal, quanto o assunto era fofoca sobre militares, todo mundo gostava, até os próprios militares.

A noite de glamour parecia não ser muito atrativa para Roy Mustang, ele tinha acabado de chegar e por sorte tinha encontrado um local para estacionar. No caminho até a entrada do evento ele recebeu muitos flashes, afinal, o Flame Alchemist era Pop e muitas mulheres queriam saber se ele estava solteiro, e como estava desacompanhado (o que era muito raro) isso poderia virar uma ótima especulação na coluna de fofocas.

Riza também tinha acabado de chegar, aproveitou que os fotógrafos estavam encorujados do outro lado da rua e rapidamente entrou no salão.

O salão da estação de eventos era enorme, estava amplamente iluminado e uma parte das paredes eram de vidro, o piso era de porcelanato. Haviam portas no fundo que davam para um magnífico jardim que tinha uma fonte gigantesca, feita de mármore.

A princípio Riza ficou meio impressionada com todo aquele luxo, mas aos poucos foi acostumando. Ela já estava com a máscara e ficou observando todos que entravam no saguão, tentando adivinhar qual deles poderia ser o seu admirador.

Roy tinha acabado de entrar, o salão já estava cheio, todos com suas máscaras, incluindo ele. Até que era bom, ele cumprimentava todos mas não sabia quem eram, um deles podia muito bem ser um general e até o admirador de Riza...

Roy começou a procurar pela mesa de Hughes, ele não tinha falado o número da mesa, e haviam muitas mesas, então era melhor começar a busca logo. Depois de rondar por uns minutos ele viu um homem com máscara prata e com um lenço verde musgo bordado com as iniciais MH. Era Hughes! Roy se aproximou.

- Olá Senhor MH. Onde está sua esposa?

- Ah, oi RM, achei que nunca ia me ver aqui.

- Estou mais prático nas buscas...

- Entendo. A Gracia foi cumprimentar as amigas, elas marcaram um ponto de encontro lá fora...

- Ah sim... Ótima máscara...

- Hum, a sua ta legal também. Alguma notícia dela?

- Não... Como eu vou saber quem é ela? Ta cheio de mulheres aqui.

- Procure uma loira com vestido lilás, aposto que não têm muitas por aqui...

- Você lembra da cor do vestido?

- Perguntei pra Gracia antes dela sair... Mas você deveria lembrar, afinal foi você que comprou...

- É sim... – As cenas daquele dia vieram à cabeça de Roy, ele comprando as flores, os dois correndo pelo apartamento dela, o quepe dele no armário dela...

- Hughes, porque alguém guardaria um quepe de outra pessoa?

- Porque? Ah, o quepe sempre fica com o cheiro do cabelo da pessoa, é a mesma coisa que as roupas, ficam com o cheiro do seu corpo.

Roy lembrou do seu sobretudo, desde o dia que Riza o tinha colocado o cheiro dela tinha ficado nele, e por causa disso ele não usou mais o sobretudo, não queria que o cheiro dela se perdesse. Será que era a mesma coisa com o quepe? Ta certo que o quepe era dele, mas talvez fosse por isso. Será que ela gostava dele? Uma chama de esperança se acendeu no coração do Alquimista das Chamas, este se sentiu motivado para ir á procura de Riza.

- Onde você vai?

- Vou procurá-la, e se o cara a achar primeiro? Não posso permitir.

- Ele não vai encontrá-la primeiro.

- Como tem tanta certeza?

- Porque eu sei quem é o Admirador Secreto.

- Hughes, como assim? Você me disse que as investigações não tinham dado em nada!
- E não deram, pra falar a verdade, nem foi uma investigação verdadeira, eu já sabia quem era o tempo todo.

- Como assim? E porque você não me contou?

- Porque eu sou o admirador da Primeira Tenente.

.silêncio

- O que? Como assim? – Roy estava chocado.

- Você ouviu muito bem, eu sou o admirador dela.

- Mas Hughes, e a sua família? E a Gracia? Ela não é a sua rainha?

- Ela é.

- Seu desgraçado, como você... Você...

Roy não tinha coragem de bater em Hughes, simplesmente caiu de joelhos no chão, estava em meio á um dilema enorme. Seu melhor amigo tinha virado seu pior inimigo.

- Seu mentiroso desgraçado!

- Calma, concordo que eu sou um mentiroso, enganei uma ótima mulher.

- Como você... Você sempre disse que amava a Gracia, como pôde enganá-la?

- Quem disse que a mulher que eu enganei foi a Gracia?

- E como não? Você mandou todas aquelas cartas para a Riza, você traiu a Gracia!

- E quem disse que as cartas estavam dizendo a verdade?

- O que?

- Roy, além de um ótimo pai e um ótimo marido, eu também posso ser um ótimo mentiroso, você sabe disso.

- Quer dizer que, você mentiu nas cartas?

- Isso mesmo.

- Mas... Por quê? Se você não tava interessado na Riza, porque você escreveu as cartas pra ela?

- Porque eu sabia que você estava.

- Hughes, pode começar me explicando tudo.

- Vamos lá fora.

Os dois se levantaram da mesa e foram até o jardim, lá haviam vários bancos, eles se sentaram e Hughes começou a sua explicação.

- Bom, desde o princípio eu sabia que você amava ela, mas era muito idiota pra perceber que não era a convivência que o fazia lembrar dela, mas sim o seu interior que gritava e tentava dar todas as pistas possíveis pra você se tocar. E a melhor forma de fazer um homem se tocar que gosta de uma mulher é...

- É?

- CAUSANDO CIÚMES SEU GRANDE IDIOTA! Por isso eu criei o Admirador! Por isso eu mandei as cartas! Por isso eu fingi que tinha ficado horas á fio vendo a correspondência dela, mas na verdade o que eu fiz foi mandar a carta e no dia seguinte ir até lá para pegá-la, tudo pra você ficar com ciúmes, tudo pra você se tocar que sempre amou a Riza!

- Espera, é muita informação... – Roy estava com as mãos na cabeça, todas as palavras que tinham saído da boca de Hughes nos últimos minutos eram difícil de ser digeridas.

- Desde quando você estava planejando isso?

- Já faz seis meses, fiz de uma forma que o "Gran Finale" batesse exatamente com o dia do baile, e teria batido, se você não tivesse estragado tudo.

- Como assim?

- Se você não tivesse se descontrolado e revelado que o seu papel como amigo do Admirador era falso, a Riza teria vindo ao baile com você, e eu poderia finalizar com uma última carta do admirador, que eu ia colocar discretamente no seu bolso antes de você encontra-la, ai você ia achar a carta, ia vir falar comigo e eu ia aconselhar você a mostrar aquela carta á Riza, e aí vocês ficariam juntos.

- E o que o "Admirador" ia dizer na carta?

- Que ele viu que ele não é o homem certo pra ela, que a partir do momento que ele viu vocês dois entrando juntos no salão, ele percebeu que o homem certo pra ela na verdade é você. Ai ele ia sumir, e vocês iam ficar juntos.

- O plano realmente era muito bom, mas eu consegui estragar não é?

- É sim, foram meses de pensamento por água abaixo.

- E agora?

- E agora eu entrego tudo nas suas mãos, você estragou, você conserta garotão.

- Ah Hughes, mas se você demorou meses pra fazer, como eu vou fazer isso em alguns minutos?

- Ué, você estragou em alguns minutos, com certeza tem capacidade pra consertar em minutos também. Ou será que você não é mais o Senhor Superação que eu conheci um dia desses?

- Certo, certo... Eu estraguei, então eu vou consertar, mas você vai ter que me ajudar.

- Tudo bem, contanto que você pense em como consertar.

- Acho que eu já sei o que fazer, mas vamos ter que achá-la.

- Você procura, tenho que voltar para a mesa senão a Gracia vai estranhar.

- Ela também sabia do seu plano?

- Só de algumas partes, ela diz que eu penso demais.

- Hum, então eu vou procurá-la, pergunte pra Gracia se ela a viu. Vou aparecer lá na mesa de vocês de meia em meia hora.

Dizendo isso os dois se separaram, Roy foi procurar Riza, enquanto Hughes foi se sentar e esperar por notícias do "garotão do fogo".

Riza estava pegando algo para beber, não tinha mesa e não queria ficar andando por aí como se estivesse perdida, ia pegar uma bebia para dar aquele ar "eu to passeando".

- Riza!

Ela se virou, era Gracia.

- Olá Gracia!
- Ah, você está procurando o Roy?

- Não. Eu... Estou conhecendo o lugar.

- Quer se sentar conosco? Ainda tem lugar ali na nossa mesa.

- Adoraria.

As duas foram juntas até a mesa, Riza supôs que o homem com o lencinho verde musgo bordado fosse Hughes. Ele conversava animadamente com outras pessoas que estavam sentadas ali.

- Oi amor.

- Oi Gracia, quem é a moça? (Hughes perguntou embora já soubesse quem era)

- É a Riza! Não acredito que uma máscara te enganou.

- Pois é... Noite cheia de surpresas, sente-se Riza, aposto que já sabe quem são os caras aqui...

- Sim, oi gente...

As pessoas ali do lado eram Havoc, Fallman, Breda e Fury. Todos acenaram para Riza.

- E o Coronel? – Perguntou Breda.

- Não sei...

- Ué, mas vocês não vinham juntos? – disse Fallman.

- Bem, não mais.

Silêncio. Ninguém queria saber o porquê, pelo clima tinha acontecido algo bem grave.

- Oi Pessoal...

- Coronel, estávamos falando do senhor agora pouco. – Disse Fury.

- Com licença. – Riza se levantou e foi caminhando até o jardim.

Silêncio novamente. Realmente era algo bem grave.

- Roy... Hey Roy! – Chamou Hughes

- Que?

- Vai atrás dela…

- É coronel, vai atrás dela! – Disse Havoc.

Roy olhou para a direção em que Riza tinha ido, realmente, era agora ou nunca. Ele disparou atrás dela.

Riza acelerou o passo quando percebeu que estava sendo seguida, ela já estava lá fora, então sentiu alguém lhe pegando pelo braço.

- Riza, espera.

- Não fala comigo, vai atrás de outra pra você enganar.

- Para! Será que você não entende? – Dessa vez ele tinha a segurado pelo dois braços, impossibilitando que ela se mexesse.

- Não levante a voz pra mim, você não tem direito nenhum de...

- Tenho sim. Tenho todo o direito.

Começou a chover.

- Me solta, ta chovendo, não podemos ficar aqui fora, você principalmente.

- Eu não me importo, agora é a hora.

- Vou repetir: me solta.

- Não, agora que você ta aqui eu vou te falar tudo que eu tenho pra te falar.

O coração de Riza estava a mil, ela não gostava de ser fria daquele jeito com ele, ela odiava ser fria com ele, ela ainda estava magoada, mas a figura dele não tinha mudado, ela ainda o amava mais que tudo.

- Roy, me solta. – Ela tinha virado o rosto, lágrimas caíam.

- Não! Eu não vou te soltar, eu nunca vou me separar de você, eu nunca vou deixar você ir embora!

- Por quê? – Dessa vez ela o encarava.

- Porque eu te amo! Porque eu não vivo sem você, porque a minha vida sem você não tem sentido nenhum!

- Mas...

- Sem mais! Eu te amo acima de tudo, não me importa se você tiver um admirador, não me importa se você me desprezar, eu te amo e sempre vou te amar!

- Mas e o admirador...

- O que tem ele? Esquece dele, eu tenho certeza que eu te amo muito mais!

- Roy... Eu, eu... – Roy colocou os dedos nos lábios de Riza e sussurrou:

- Shh, não precisa falar mais nada.

Dizendo isso ele a puxou para perto, ela entrelaçou os braços sobre os ombros dele, ele a segurou pela cintura e com a outra mão puxou o rosto dela e assim os lábios se tocaram e aquela sensação boa, melhor que qualquer coisa veio á tona. Dessa vez não tinha nada que pudesse impedi-los. Então ela pausou o beijo e tirou a máscara dele, ele tirou a dela. Ambas as máscaras foram jogadas no chão. Eles se abraçaram, então ele disse:

- Me perdoa agora?

- Eu iria te perdoar até se você tivesse feito a pior burrada do mundo.

- Ainda bem, porque eu fiz. (pausa) Quase deixei a mulher da minha vida ir embora.

Continuaram abraçados na chuva, ás vezes trocando algum beijo mais caliente. Mas a chuva começou a ficar mais forte.

- Vamos entrar Roy, ta ficando forte.

- Já estamos molhados! – Ele estava com um sorriso maroto no rosto, ela olhou para dentro do salão, os discursos tinham começado, então ele continuou: Mas tudo bem, vamos!

De mãos dadas entraram no salão, estavam ensopados, o cabelo dela estava desfeito e ele tinha tirado o smoking e colocado nela. Ele estava apenas com a blusa social branca na parte de cima agora. Já tinham recolocado as máscaras.

Hughes e Gracia vendo a cena caminharam até ambos, Hughes pediu que Gracia ficasse com Riza enquanto ia até Roy. Quando chegou ao lado dele disse:

- Como foi?

- Bom, vamos dizer que deu tudo certo.

- Isso garotão!

- Para de me chamar de garotão, é ridículo.

- Também acho. Mas então, você já contou á ela?

- Er, não. Porque você não conta assim como você contou pra mim?

- Conta você, eu fico do lado concordando.

- Ah Hughes.

- Ela confia mais em você do que em mim.

- Ah, então vamos lá.

Eles caminharam até Riza, ela estava torcendo o cabelo e algumas partes do vestido, Gracia estava a ajudando.

- Hawkeye, pode nos dar um momento.

- Claro Hughes...

Os três foram até um local com vários sofás e poltronas, Roy e Riza sentaram um ao lado do outro no sofá enquanto Hughes se sentou numa poltrona em frente ao casal.

- Bom, porque me chamaram aqui?

- É que, o Roy tem uma coisa muito importante pra te falar.

Ela não disse nada, apenas olhou para Roy. Ele olhou para Hughes e este arqueou as sobrancelhas. Ninguém falou nada por uns minutos.

- Roy? O que é? – Ela disse meio aos sussuros.

- É que, é que eu e o Hughes precisamos te contar uma coisa sobre o admirador.

- O que? Mas, você mesmo não disse que era pra eu esquece-lo?

- Sim. Você realmente deve esquecê-lo.

- Então por que...

- Porque ele nunca existiu.

Riza arregalou os olhos, como assim ele nunca existiu? Quem lhe mandava as cartas então? Um ser do além?

- Eu sei, é chocante, também fiquei assim quando o Hughes me contou.

- Co-como... Assim? O que o Hughes tem a ver com a história?

- Bom Riza, eu escrevi as cartas.

- O QUE? – Riza se levantou, mas Roy a segurou e a puxou de volta ao sofá.

- Calma, eu escrevi, mas não foi uma mensagem minha, vamos dizer que tudo fazia parte de um plano.

- Um plano?

- Sim, um plano para fazer o idiota do seu lado perceber que sempre te amou.

- Espera, eu... É difícil de acreditar.

- Eu sei... O Roy quase me incinerou, e bem, se ele tivesse feito isto nunca ia ouvir a brilhante filosofia Hughes.

- Então acho que pode explicá-la pra mim. – Disse Riza agora encarando Hughes.

- Com certeza Srta. Hawkeye. – Ele deu um sorriso enigmático.

Roy e Hughes demoraram mais ou menos uns quarenta minutos para convencer Riza. Ela era bem cabeça dura e toda hora perguntava se eles não estavam tentando lhe pregar uma peça, afinal a história era bem... Surreal.

Após terem esclarecido tudo, os dois deram uma pausa, deixando que ela falasse:

- Então, o admirador nunca existiu.

- Não.

- E tudo isso era pro Roy... Perceber que gostava de mim.

- Isso.

Silêncio. Riza olhava para o chão, de repente ela virou para Roy e lhe deu um abraço.

- Essa era uma das melhores notícias que eu podia receber!

Roy no começo ficou meio surpreso, jamais esperaria aquele tipo de reação por parte de Riza, mas ele tinha que confessar, esse tipo de surpresa vindo dela era algo muito bom!

Os dois começaram a se beijar novamente, e Hughes se sentindo o Senhor Vela disse:

- Bom, eu to indo ali... Tudo bem pra vocês?

Roy e Riza nem olharam ou disseram algo para ele, simplesmente continuaram se beijando. (OBS: Eles ainda estavam sentados no sofá). Hughes não esperou resposta, deu um risinho malicioso e saiu dali deixando o casal sozinho.

O Fuhrer tinha acabado seu discurso e a música começou a tocar. Todos foram para a pista mostrar suas habilidades na dança. No fim das contas esse era o objetivo do baile de máscaras: Que todos se divertissem, sem pensar em alguém os vigiando ou coisa do tipo, apenas diversão! Mas para um certo casal de militares, num certo sofá preto de couro, a festa estava muito mais interessante do que "simples" passos de dança.

Hughes observava de longe enquanto pegava um pouco de bebida, Havoc e os outros subordinados de Mustang estavam junto com ele, todos observando.

- Aqueles não são... – Fury apontava desajeitadamente.

- Sim, Roy e Riza. Eu consegui! Foram anos e anos de pesquisa, mas ali estão eles, juntos! – Hughes parecia um maníaco.

- Quem diria que a Primeira Tenente tinha tanto fogo! (Roy/Fogo)

Todos olharam para Fallman tipo "vai faze trocadilho lá na...".

- Ah, mas é sério, os dois tão ali faz quanto tempo? – Disse Havoc.

- Hey, isso é inveja? Deixa eles ali, deixa serem felizes! – Disse Breda.

- Espera, eles estão vindo para cá.

Roy e Riza iam em direção á eles, ele a levando pela cintura, como qualquer casal bonitinho de filme. (OBS: Os subordinados de Mustang estavam todos com o mesmo terno, com um lencinho azul com o leão de Amestris bordado).

- Er, nós estamos indo...

- Já? Mas a festa nem começou direito! AI! – Breda deu um "Pedala Robinho" na cabeça de Fallman e sussurrou:

- Você não entende? Eles vão para a própria... Festinha particular.

- Ahh, entendo.

- Breda.

- Sim Coronel?

- Pra sua informação, não vamos fazer a nossa "festinha particular". – Roy pausou e corou, vários pensamentos "inapropriados" brotaram em sua mente, ele olhou para o lado e percebeu que Riza estava tão vermelha quanto ele.

- Então vocês vão fazer o que? – Perguntou Fury naquela inocência.

- Só vamos... Ir para um local mais reservado. Onde a gente não precise usar máscaras.

(OBS: As máscaras não eram de rosto inteiro, elas cobriam a testa e iam até o nariz mais ou menos, boca e queixo ficam livres).

Todos se entreolharam, Roy e Riza continuaram vermelhos, era difícil falar sobre esse tipo de coisa com os outros... Além do mais sendo algo tão... Recente.

Hughes parou ao lado de Roy e disse:

- Tirar só as máscaras? Será que você tem capacidade pra tirar só isso?

- Hughes, fica quieto seu idiota.

- Haha, obrigado. Vou acompanhá-los até a saída.

Todos se despediram. Depois Hughes, Roy e Riza foram juntos até a saída. Antes de entrar no carro Roy gritou:

- HUGHES!

- O que?

- OBRIGADO!

Hughes fez aquele gesto "Asta la vista Baby" e deu um de seus sorrisos "charme".

Enquanto dirigia Roy não disse nada, até pensou em dizer algo, mas por incrível que pareça, estava com vergonha. A mesma coisa acontecia com Riza.

Ele parou o carro, estavam na casa dela. Subiram juntos, ela abriu a porta, Hayate veio correndo latindo para a dona, como de costume, mas ela não lhe deu muita atenção, estava dando atenção para outra coisa.

Os dois entraram na casa se beijando, tiraram as máscaras e as jogaram no chão. Ele foi a guiando até o quarto, lá se deitaram e ficaram horas conversando, um olhando para o outro, ele fazendo carinho nos cabelos dela. Ficaram contando coisas engraçadas sobre suas particularidades (Roy contou o motivo do porque odiava pingüins, ela contou que comia pasta de dente, etc) mas sempre dando um espaço para uns beijos, uns abraços.

Só perceberam que tinham passado a noite em claro quando os primeiros raios de sol adentraram o quarto, então ele a abraçou e minutos depois, ambos estavam dormindo.

Quando Riza acordou Roy já tinha se levantado e estava na cozinha fazendo panquecas (OBS: Ele de roupa social, ela de vestido) e cantarolando alguma música desconhecida. Quando a viu ele deixou as panquecas e lhe deu um abraço acompanhado de alguns beijos no pescoço.

- Até com essa cara de sono você fica linda.

- Hey! Sua cara também não está das melhores...

- Eu sei... – Ele deu um sorriso matador e voltou ás panquecas. Então de costas para ela, ele disse:

- Acho melhor você ir ver o Hayate. Ele ta estranho.

Riza se levantou imediatamente para conferir o que o bichinho tinha, mas ele estava bem, então ela viu que tinha uma mensagem na coleira dele. Ela pegou o papel e começou a ler:

Todos os dias usamos máscaras, elas definem o nosso humor, elas escondem o nosso verdadeiro eu, o eu que não temos coragem de mostrar aos outros, por medo de sermos julgados. Mas para mim não importa a sua máscara, não importa o quão obscuro possa ser o seu "eu interior", eu pretendo conhecê-lo, nem que isso me leve a passar a vida toda ao seu lado, o que para mim, é a tradução do céu. Você também gostaria de passar o resto dos seus dias comigo para descobrir o meu "eu interior"?

Roy.

Riza leu e releu aquele bilhete, ele... Ele a estava pedindo em casamento? Ela foi correndo até a cozinha, Roy estava ali em pé, quando a viu foi até ela, a abraçou por trás e perguntou:

- O que achou do Hayate?

- Ele está bem.

- E o que achou da mensagem?

- Bem, o seu "Eu interior" parece ser ótimo com as palavras.

- Pretende conhecê-lo?

- E porque não?

- Isso foi um sim?

Riza não respondeu, se virou de frente para Roy e lhe deu um beijo, um dos beijos mais intensos que ele já havia recebido.

- Uau, eu acho que foi um sim.

Passaram o resto da manhã juntos, planejando coisas, até que Roy tocou no assunto padrinhos de casamento.

- E você tem alguma dúvida de quem vai escolher como padrinho?

- Bom, podemos fazer um suspense para o Hughes...

- Seria divertido.

- Muito divertido! Já pensou? Ele movendo o quartel inteiro para investigações... Mas eu tenho certeza de uma coisa...

- O que?

- Que você sempre vai ser a mulher da minha vida.

The end.

N/A: Infelizmente acabou. Sim, foram meses de dedicação, mais de trinta páginas no Word (Só esse último capítulo tem 17) e três short fics. Mas esses meses não passariam de horas, essas trinta páginas não passariam de 3 e essas short fics nunca existiriam se vocês não tivessem lido, dado opiniões e me apoiado. Muito Obrigada!