Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa história não possui fins lucrativos.

Capítulo I: Quadribol às avessas

A respiração entediada de James embaçou o vidro da janela gelada. Chovia há dias, o céu estava escuro e havia vezes em que as pessoas sentiam-se extremamente infelizes. Tudo por causa da Guerra lá fora. Os dementadores podiam fazer isso com as pessoas. Com o tempo.

Todos sabiam que amanhã podia ser o seu dia. Mas em Hogwarts, muitos do ano de James já haviam se acostumado com isso, talvez porque desde o primeiro ano estavam em guerra declarada. Ou talvez por se sentirem mais seguros perto de Dumbledore.

Bom, mas não era isso que preocupava os marotos naquele momento:

- Sirius, será que você pode sair desse banheiro? Eu também tenho que me arrumar, ainda hoje. Eu sei que para você é praticamente impossível fazer isso, mas… DÁ PARA SAIR DESSE BANHEIRO?

- Eu estou só admirando o trabalho que a Mãe Natureza fez, mas se você se diz tão perfeito, porque você precisa tanto do banheiro? – gritou Sirius, a voz abafada pela porta do banheiro fechada.

- Nem tente me deixar de mau humor. Hoje nada vai fazer isso. O primeiro jogo da temporada contra os verdinhos, e nós vamos arrasar o placar sonserino de entrada… O dia está perfeito… É só você sair desse banheiro! VAI LOGO! – terminou sem paciência.

- Pois então aproveite o humor e o banheiro – disse Sirius já saindo - porque com esse tempo – ele apontou para a janela onde podia se ver a tempestade que já castigava o castelo e seus arredores há uma semana – seu humor vai virar o pior dos últimos anos rapidinho. O jogo hoje vai ser duro… - ele suspirou.

- Tenho que discordar de você, Padfoot. O pior que já aconteceu com James foi quando Snivellus colocou um vestido de babado nele… Sabe, Prongs, você tem talento, se um dia passar fome, já até sabe o que fazer – disse Remus, arrancando risos de Sirius.

- Mas não podemos deixar de comentar que depois eu coloquei Amortentia com essência de Argus Filch no suco de abóbora dele – respondeu James, mas não sem antes lançar um olhar fuzilante ao amigos.

- Bem, o momento que você pensou nisso, foi o seu momento mais Sirius Black, ou seja, perfeito. Depois de tomar o copo todo, Snivellus passou o dia se declarando pro Filch… – encerrou Sirius, o olhar perdido, como se relembrasse a visão feliz daquele dia.

- E também levou um soco que teria deixado ele de olho roxo mais umas duas semanas, mas logo que passou o efeito da poção ele foi para enfermaria – completou Moony. – Uma pena…

- Mas ele ainda ficou duas semanas de detenção… Por atrapalhar o trabalho do Filch… Como se ele fizesse algo de útil! – concluiu Sirius, e no momento seguinte houve uma explosão de risadas.

- Hey, será que ninguém mais pode dormir aqui? – reclamou Peter, sonolento.

- Poder, pode – disse James, entrando no banheiro. – Mas não se isso atrapalhar a alegria e a risada alheia.

Lily se jogou na cama, entediada. Não parava de chover, os passarinhos só cantavam nos seus sonhos e agora Becky a estava chateando com uma conversa sobre seu cabelo não estar bom hoje.

A ruiva simplesmente não via como o cabelo de Becky não poderia ser lindo todo dia. Ele tinha uma cor… Bem, não dava para explicar, era como uma mistura de loiro avermelhado que de alguns ângulos parecia ouro e, de outros, castanho claro. E também não era liso escorrido, ele era bem encorpado. E não era só o cabelo que era lindo. Mas a própria Becky parecia não saber disso.

Lily suspirou novamente e acrescentou:

- Bex, seu cabelo está ótimo como sempre. Continua na mesma cor entre o dourado e o castanho que ninguém consegue dizer bem de que cor é. Continua perfeitamente lindo. Nem um fio fora do lugar. Não há nada com que se preocupar – repetiu ela pelo que acreditava ser a… a vez em que perdia as contas.

- Você acha que se eu… – começou a Rebecca, mexendo nos longos cabelos.

- Sabe Lily, talvez o problema não esteja no cabelo, e sim em quem ela quer que veja o cabelo… - disse Samantha maliciosamente. – É impressão minha ou o Smeath vai estar lá?

- Acho que vou concordar com você, Sam. Então, Bex, você quer que o Smeath veja suas madeixas? Sinto lhe informar, mas com essa chuva não vai dar para ver muita coisa… a não ser que haja algo de mais interessante no vestiário, depois do jogo…

- Eu estava pensando, Lils, dizem que suor é o feromônio mais potente da raça humana… E eu acho que, apesar da chuva, o capitão de quadribol vai estar muito suado… - disse Alice, entrando no jogo.

Mas Rebecca não respondeu, apenas pegou três travesseiros e os atirou nas amigas.

- Uma pessoa não tem mais direito de querer ficar bonita? – mentiu ela.

- Tem uma diferença entre querer ficar bonita e querer mostrar essa beleza para alguém – falou Lily, se levantando. – Quanto mais você negar, mais nós vamos acreditar – disse levantando uma sobrancelha. – Regra básica.

- Bem Lily, então o que você me diz sobre você? – retrucou Becky, virando o jogo.

- O quê que tem?

- Pensa que ninguém ouviu seu dilema de "Suéter verde ou branco?"?

- Como você mesma disse "Uma pessoa não tem mais direito de querer ficar bonita?"?

- Então se vale para você tem de valer para mim. É óbvio.

- É diferente, Rebecca, eu…

- Lily, Lilyzinha, é tudo tão igual… - interrompeu Becky, sarcástica.

- Para o seu lado ou o meu?!

- Claro que…

- Hey, vocês duas! Já deu o que tinha que dar. Não sei por que tanta coisa sobre alguém querer se arrumar. As duas já são bonitas de suéter verde ou branco, cabelo solto ou amarrado. – disse Sam, calmamente. Lily e Becky coraram levemente. Sam sempre acabava com as discussões das duas com esses argumentos que não tinham resposta. – E vamos descer logo que o Sirius já deve estar nervoso por causa do… "Arquivo Chupeta" – as três começaram a rir tanto que demoraram alguns minutos para se recuperar.

Enquanto isso, Sirius, Remus e James desciam para a Sala Comunal, pois Wormtail fora tomar o café antes, alegando que, depois de ter sido acordado, estava com fome. Enquanto se sentavam perto da lareira, os marotos conversavam sobre o jogo que teriam contra Sonserina naquele dia:

- Ah, Sirius, relaxa. A gente já jogou em temporais – disse James levemente irritado com a preocupação de Sirius.

- Bem, só tem uma diferença: nos outros dias parecia que o céu ia cair e hoje o céu vai cair! – terminou ligeiramente desesperado.

- Um mais exagerado que o outro. James, se controla, você não é de açúcar ("Apesar de parecer" Prongs acrescentou) e, portanto não vai derreter. E você, Pontas, chuva é sim causa de preocupação. E nós estamos falando de sonserinos, portanto qualquer coisa é desculpa para faltas.

- Eu fiz uma aposta sobre esse jogo – disse Sirius como quem revela que matou a mãe.

- Que aposta? – perguntou James, levantando uma sobrancelha e sorrindo marotamente.- E com quem?

- A Chann¹ raptou uma foto minha de criança… de fralda e com o dedo no nariz – disse ele, num sussurro desesperado.

Tiago e Remo começaram a rir tão alto que alguns calouros que estavam ali olharam assustados para eles.

- Muito obrigado, Remus. Eu achava que o Prongs iria rir, mas… Até tu, Brutus?

- Bem, tem coisas que não dá para segurar…

- Sirius, Sirius… A mamãe não te deu educação, não? – zombou James apertando a bochecha do amigo. – Meter o dedo no nariz, e mesmo assim posar para uma foto? Que coisa mais feia… Você só de fralda e o hábito de fazer este tipo de coisa...

- Eu tinha dois anos! – disse Sirius, quase gritando. Depois baixou o tom de voz e disse – Mas não se preocupe, eu de fralda não chega a ser pior que você, só que vestido.

- Você não deveria me provocar assim. Eu sei de coisas da Becky que fariam ela me dar essa foto no ato, e aí sim, você estaria perdido – Prongs comentou, insinuando se levantar, no que Sirius o segura pelo braço.

- Eu também sei de coisas que fariam você me entregar a foto – disse entre dentes.

- Calma aí, a Becky nem está aqui! – disse ele, rindo.

- Ah… Bem… - disse Sirius desconcertado.

- Crianças, eu sei que cada um conhece um rosário de "sujeiras" do outro, mas afinal qual foi a aposta?

- Eu preciso mesmo dizer? – Sirius resmungou, irritado.

Os dois não responderam, apenas olharam para Sirius, como quem "conte ou… Conte!".

- O.k.… Se Grifinória vencer ela vai colocar uma ampliação da foto no Salão Principal, todos os dias, até as férias de Natal. – ele respirou fundo - Se Sonserina ganhar, ela me dá a foto. – disse ele, enquanto ia murchando no sofá.

- VOCÊ FICOU MALUCO? PERDEU O JUÍZO ENQUANTO VOAVA? - gritou James, desta vez assustando tanto os calouros, que eles saíram pelo buraco do retrato correndo desesperados, e um até tropeçou. – Tirou tanta sujeira do nariz que acabou extraindo o próprio cérebro? Se passou por essa sua cabeça oca que eu vou fazer a Grifinória perder para você pegar essa sua foto, você realmente pirou! – disse ele entre dentes.

- Ganhar esse jogo para mim também é importante! Mas eu só tinha duas opções: ou aceitava a aposta, ou ela fazia isso e eu não teria nem tentado recuperar.

- Agora você também tem duas opções: ou morre pela humilhação da foto, ou morre pelas mãos do James se vocês perderem o jogo – disse Remo, se divertindo.

Sirius fechou a cara antes de dizer:

- O jogo também é muito importante para mim, porque não é um jogo qualquer, é contra os verdinhos, e abre a temporada. Mas se a gente perder por uma diferença de dez pontos, vais ser bem fácil recuperar no próximo jogo.

- Mas quadribol também é importante para a Becky, ela até jogou como batedora num jogo do terceiro ano. Até hoje não sei de onde ela tirou aquela força… - falou Tiago, querendo ganhar tempo. Ele não iria deixar que colocassem aquela foto para todos verem, mesmo porque era toda a honra marota em jogo, mas não queria perder. Ele precisava ganhar dos sonserinos; mas ele precisava manter a honra. Mas pelo jeito das coisas, ele teria que se fazer perder. "Merlim, que foi que eu fiz? Sempre fui um garoto tão bonzinho… bem, quase. Mas pelo menos nunca matei ninguém".

- Ela disse que eu preciso sofrer um pouco para ter aquela foto.

- Mas isso não… - começou Moony, mas Sirius o interrompeu.

- E quando eu argumentei que ela também iria perder, ela falou que decididamente eu iria sofrer mais que ela, e conhecendo eu e você, – disse apontando para James – sabia que nós daríamos um jeito de perder por uma diferença pequena e no final até ganhar a taça.

- Ok, supondo que eu aceite, o quê que você sugere que eu faça para perdermos por uma diferença de dez pontos, sem o time saber que eu sabotei o resultado. Mas não pense que você não vai participar do fracasso.

Sirius abriu um sorriso de orelha a orelha.

- Obrigado… - começou ele.

- Eu não disse que vou fazer. Só quero saber seu plano de fracasso.

O sorriso de Sirius desapareceu no ato.

- Sua parte é fácil. Eu quero que você marque o suficiente para chegarmos a uma diferença de 140 pontos – para nós, claro. – Assim quando Sonserina capturar o pomo, nós só perdemos por dez pontos. Enquanto isso, eu vou tentar manipular o resto do jogo. – concluiu Sirius, com um brilho de expectativa no olhar.

- Será vocês não pensam, não? – disse Remus, continuando sem esperar resposta – Prongs, você não acabou de falar que sabe como ela poderia te entregar a foto?

- Eu disse, mas foi só para pirraçar o Pads aqui… Eu sei sim de certas coisas, mas acontece que ela também tem informação contra mim. – terminou com um ligeiro tom de desculpas na voz.

- Mas vocês não se conhecem desde o berço? Você também não tem fotos dela criança?

- Eu tenho várias fotos, mas nenhuma está numa situação… constrangedora – ele reprimiu uma careta. – E mesmo assim ela também muitas fotos minhas, mas eu tenho certeza que nenhuma chega a ser… humilhante – ele reprimiu outra careta – Mas, Padfoot, eu achei seu plano cheio de falhas. E de qualquer jeito, não tem como eu me esforçar para marcar mais do que já marco.

- Acontece que o nosso apanhador precisa ser acertado. Mas eu não posso fazer isso sem que me queimem numa fogueira mais tarde. Então, quando você estiver com a goles, deve passar perto do apanhador, para que ele seja acertado.

- Você está sugerindo que eu me transforme num alvo humano?

- É nessas horas que a gente percebe a consideração do Sirius com a gente, Prongs. Normal – comentou Remus, num tom falsamente ofendido.

- Eu sei que é arriscado, mas você seria um idiota mentiroso se dissesse que não gosta da idéia – resmungou Sirius. James sorriu.

- Eu já sou um mentiroso. Mas um esperto mentiroso – acrescentou.

- Ele ainda se orgulha disso! Eu teria vergonha de ser um mentiroso, sua raposa velha.

- Ah, cala a boca, Moony. E, Pads, seu cachorro maldito, eu vou fazer isso, ok? Mas eu não vou esquecer desse grande favor que você vai ficar me devendo. E eu sei como cobrar grandes favores… - concluiu ele com um ligeiramente ameaçador.

- Muito obrigada Prongs… Valeu mesmo, mas só não me peça nada tão humilhante quanto a foto, ou pior, porque senão eu acho que prefiro…

- Detesto interromper a conversa das senhoras – os outros xingaram, mas Moony não se afetou – Mas as inimigas vêm descendo – disse, apontando para quatro garotas animadas, sorridentes e risonhas… Rindo da desgraça de Sirius.

- James vai lá falar com ela, quem sabe ela não desiste… - perguntou Moony, esperançoso.

- Duvido, e muito, mas… - James se levantou e caminhou até as garotas, que já estavam acabando de descer.

- Bom-dia Becky, Sam… Oi, Evans. – terminou ele num tom mais seco. Era fato sabido que Lily e James se odiavam desde o primeiro ano.

- Bom-dia, James – disse Sam, com seu habitual sorriso.

- Oi, Potter - disse ela secamente.

- Olá, Jay… Já vou lhe avisando que se veio interceder pelo seu amigo Black, está perdendo seu tempo. Eu não vou entregar o Arquivo Chupeta – o maroto riu fracamente – se vocês não cumprirem o que eu pedi. Senão… - terminou em tom malicioso.

- O quê foi que me denunciou? – perguntou o maroto, quando já se dirigiam ao local onde os outros marotos já estavam sentados.

Mas foi Sam que falou.

- Você nunca cumprimenta a Lily, então deu para perceber…

- É melhor eu anotar isso. Da próxima vez, me poupo o trabalho – disse, olhando de soslaio para a ruiva.

- Ótimo – disse ela, enquanto todos se sentavam.

- Então Black, preparado para perder? – perguntou Rebecca, levantando uma sobrancelha.

- Não pense que me afeta com isso, Chann.

- E o que te afeta, Sr. Muralha? – sorrindo, marota.

Para o imenso alívio de Sirius (que não tinha nenhuma resposta na posta da língua para aquela pergunta), Moony escolheu àquela hora para dizer:

- É melhor nós descermos, daqui a pouco vão tirar o café da manhã. E o jogo começa em menos de uma hora – depois, baixou o tom de voz e acrescentou para Sirius – Você fica me devendo essa, Sr. Muralha.

Apesar do tempo terrível, quando foi dando a hora do jogo, toda a escola começou e caminhar para o campo. Alguns debaixo de capas de chuva, outros debaixo de grandes guarda-chuvas. Em geral Lufa-lufa e Corvinal, vinham para torcer a favor da Grifinória, apesar de alguns alunos preferirem isentar-se ou torcer pela Sonserina.

Toda Grifinória trazia rosetas vermelhas, guarda-chuvas nas cores grifinórias, e alguns usavam chapéus enfeitiçados que gritavam: "A TAÇA É DOS LEÕES!", apesar do som ser abafado pela chuva. Como seria de se esperar, todos os Sonserinos vieram com as cores da Casa.

James entrou no vestiário de cabeça baixa, com cara de enterro, mas não era por causa da chuva nem das vaias da concentração Sonserina das arquibancadas. A perspectiva de forçar sua derrota, depois de ter treinado com tanto empenho, o fazia abaixar a cabeça.

Mas ainda sim ele não estava pior que Sirius, que parecia estar caminhando para a forca.

- Sirius, cara, fica calmo; a gente recupera – disse James, quando entraram no vestiário.

- Eu sei, mas perder não deixa de ser ruim, mesmo que se recuperem os pontos. Ainda mais contra os sonserinos. Eles vão caçoar da gente até o último dia de nossas vidas… Não se esqueça é a primeira vez que eles ganham desde que entramos.

O time vestiu as vestes de quadribol em silêncio, mesmo porque era impossível manter uma conversa com o barulho da chuva sobre a cobertura do vestiário.

Smeath levantou a voz, tentou dizer algo sobre o jogo, mas não conseguiu. Por fim, gritou:

- VAMOS ARRASAR OS SONSERINOS!

Quando os jogadores começaram a sair dos vestiários, toda a escola já estava reunida nas arquibancadas, portanto, entraram sob os gritos de incentivo da Grifinória, e da maioria da Corvinal e Lufa-Lufa. E sob as vaias dos Sonserinos. Ou pelo menos o que Sirius supunha ser, já que com a chuva não daria para escutar nada.

O maroto viu, com dificuldade, Hayley e Smeath apertarem as mãos um do outro com tanta força que pareciam querer reduzir a pó a mão um do outro. Depois viu a boca de Madame Hooch formar as palavras "Montem suas vassouras". Sirius levantou o pé direito, pingando lama, e passou por cima de sua vassoura. Depois Madame Hooch levou o apito à boca e soprou, e em algum lugar ao longe, Sirius ouviu um som agudo. Subiu depressa, o pesado bastão na mão direita, procurando um dos balaços. Como ele ia ser um batedor se não tinha um balaço?

Com um aperto no estômago, o garoto percebeu que não conseguia distinguir seus colegas de time dos adversários. Agora sim ele estava perdido.

Olhou a sua volta, mas só via borrões. E o vento estava tão forte que era difícil continuar em estável cima da vassoura. Sirius imprimiu força à vassoura, para chegar ao pódio da transmissão. Pelo menos assim ele tinha mais chance de saber o que estava acontecendo. Quando chegou perto, percebeu que o locutor desistira de irradiar qualquer coisa. Mas ao menos o placar continuava funcionando, indicando que nenhum gol havia sido marcado.

Sirius bufou, enraivecido. Voou para perto das balizas do campo Grifinório. Poderia impedir mais gols. Assim chegariam mais cedo aos cento e quarenta pontos a frente.

Mas no caminho um balaço finalmente apareceu. Sirius levantou o bastão bem a tempo e o rebateu. Para onde, ele não sabia. Mudou a vassoura de direção e voou o mais rápido que podia, perseguindo o balaço, que voava em direção ao gol da Sonserina, mas o perdeu de vista.

Já estando totalmente molhado e irritado com a falta de ação, além de totalmente alheio ao jogo, o maroto pensou em voltar para as balizas. No caminho bateu em vários jogadores, mas não conseguiu identificar quem era. Mudou de idéia e voou mais pelo campo, procurando um balaço ou um jogador do seu time. Viu alguns jogadores, rebateu alguns balaços sem saber para onde e depois resolveu realmente ir para as balizas.

Quando chegou, o goleiro fez um gesto para ele descer, também descendo. Sirius aterrissou perto dos vestiários, parecendo que tinha acabado de sair do Lago Negro: molhado e com frio suficiente para tanto. Quando entrou Smeath gritou, em tom de repreensão:

- Sirius! O quê pensa que está fazendo?

- Entrando no vestiário. – respondeu com sarcasmo.

- Você é um ótimo batedor – e você também Gary - mas vocês simplesmente não fazem nada!

- Eu não consigo nem ver os balaços! Como vou rebater? E eu não posso sair jogando balaços por aí, porque eu nem ao menos consigo distinguir um jogador do outro!

- Eu concordo com ele. Esse tempo está terrível – concordou Gary, olhando para o capitão como se ele fosse de outro planeta.

- O jogo está indo de mal a pior, então, por favor, Joe, acabe com esse jogo! – pediu o capitão, mudando de assunto.

- Se o Sirius não vê o balaço, você acha que eu veja o pomo? Eu acho que o jogo deveria ser interrompido e adiado – acrescentou o apanhador e imediatamente todos começaram a concordar.

- Mas e o placar? – perguntou Gary, sobrepondo sua voz a chuva e aos jogadores;

- Noventa a quarenta, para nós. Parece que o goleiro da Sonserina ficou doente de última hora e o substituto que conseguiram não é tão bom assim - disse, sem esconder o tom de inconfundível alegria na voz.

- Então do que estamos reclamando? Nós vamos ganhar e massacrar os Sonserinos! – disse Aaron, o goleiro.

- Isso aí! Então vamos voltar lá arrasar os Sonserinos! – animou-se Geoffrey, outro artilheiro.

Aos poucos, todos os jogadores, renovados de energia e motivação, caminharam para o campo, e se lançaram no ar.

Enquanto sobrevoava o campo, um sentimento de culpa ameaçava chegar a James. Todo o time, que treinara com tanto vigor, que já sentia que iria ganhar, tudo isso iria desabar, por causa de uma aposta.

É, talvez James tivesse pensado mais sobre o assunto, caso ele, na condição de artilheiro, tivesse tempo para pensar. Mas como ele não tinha, o plano continuou o mesmo.

Geoffrey lhe jogou a goles, o maroto a agarrou com um braço enquanto trançava pelo meio do campo, em direção as balizas sonserinas. Desviou de dois batedores sonserinos e atirou a bola para Josh, que, segundos depois, lhe devolveu a goles.

Então o garoto marcou mais um gol. Rapidamente um artilheiro verdinho se lançou para a goles e a pegou. Como uma bala, atravessou até metade do campo, mas foi interceptado por um balaço vindo de lugar nenhum e indo para lugar algum – algo que se tornara muito comum nesse jogo.

O sonserino não caiu da vassoura, mas a goles caiu e Geoffrey a captou rapidamente. O antigo dono da bola acertou o grifinório com a vassoura e a injustiça foi tanta e a indignação de James foi tanta que ele avançou para o sonserino, aplicou-lhe uma cotovelada e tomou a goles.

Ziguezagueando para desviar de jogadores sonserinos enraivecidos, o maroto avistou o apanhador perto das balizas; então ele desviou sua rota até lá, na certeza de que algum balaço viria a qualquer momento.

- CUIDADO! – Joe gritou para avisar James do balaço que vinha em direção a sua nuca.

Mas era tarde demais.


¹: O sobrenome da Rebecca é Channing, mas, como é um pouco longo, alguns a chamam de "Chann".

N/A:

Vocês devem estar se perguntando o quê essa autora maluca está fazendo. Ok, eu não tiro a razão de vocês. Mas acontece que eu estava relendo a fic e percebi que nos capítulos iniciais (escritos há MUITO tempo) eu contrario o quê digo logo depois e a fic, lá pelo 8º capítulo vira um grande paradoxo.

Então aproveitei que ainda só havia postado o 3º capítulo e comecei a reescrever a fic. Até o 3º está pronto e reescrito e re-revisado para postar. Então, eu posto o 1º hoje e se vocês forem legais, eu posto o 2º no meio da semana e o 3º no próximo fim de semana.

Mas se vocês não forem legais eu só posto o 2º no próximo fim de semana e o 3º vem no outro fim de semana. (6) E aí demora mais para chegar no 4º capítulo... e como eu sei que vocês estão morrendo de curiosidade... (isso foi uma grande ironia .-.)

Ah! Eu também aproveitei para trocar os nomes traduzidos para os originais. Para quem ainda está por fora dessa tradução, aí vai uma ajuda:

Tiago Potter - James Potter (Pontas - Prongs)

Sirius Black - Sirius Black (Almofadinhas - Padfoot)

Remo João Lupin - Remus John Lupin (Aluado - Moony)

Pedro Pettigrew - Peter Pettigrew (Rabicho - Wormtail)

Lílian Evans - Lily Evans

Severo Snape - Severus Snape (Ranhoso - Snivellus ou Snivelly)

Eu só troquei os nomes das personagens, mas os feitiços, cargos, nomes especiais do universo de Harry Potter permaneceram como na versão em português ;)

Enfim, acho que é só. Qualquer coisa é só falarem. E espero sinceramente que a fic se torne melhor desse modo.

Beijos,

Muffim.