Essa fic tá prometida faz o quê? Uns seis meses?

Ela é para a Just. Porque ela merece uma fic que é pra ela. E só pra ela. E ela merece que seja a última da saga que começou por causa dela. Espero, mesmo, que vc goste, Jay. D


I was waiting for you, Remie

Capítulo 1 - Long Life for those who dare

E eu nem sei em que hora dizer

Me dá um medo (que medo)

É que eu preciso dizer que eu te amo

Te ganhar ou perder sem engano

É eu preciso dizer que eu te amo

Tanto

Cazuza - Preciso dizer que te amo

Andava pelos corredores quase vazios do castelo, sem um rumo definido. Apenas conseguia pensar que sentiria muita saudade dali: oúnico lugar do mundo em que encontrara felicidade e, acima de tudo, aceitação.

Um de seus melhores amigos costumava dizer que ele exagerava demais sobre seus problemas, mas o rapaz não sabia se devia concordar com ele. Devendo ou não, aquela seria a última chance que teria de ver o sol se pôr através das vidraças das janelas do terceiro andar. E também era a última chance de ir atrás dela.

Decidiu passear pela ala oeste do castelo, onde poderia ver o fim do pôr-do-sol, enquanto decidia o que iria fazer naquela noite.

Era a noite da Despedida do sétimo ano. Ao contrário de seus amigos, ele havia desembolsado a "módica" quantia de um galeão pelo convite, mas não sabia se ia ou não. Se fosse, correria o risco de não encontrá-la. Mas e se ela fosse e ele não? Teria que apostar todas as suas fichas em uma opção. Mas qual delas?

Virou numa esquina, para ir sentar-se perto de uma das grandes janelas da frente do castelo. Foi quando a viu, sentada de costas para o céu, lendo um livro. Ele era um lobo de sorte, tinha que admitir.

Enquanto se aproximava, receoso, notou que ela vestia o uniforme da escola, o que fazia a decisão de sentar-se no chão algo bastante ousado para aquela garota certinha que ele via ali. Ela usavaos longos cabelos castanhos presos num rabo-de-cavalo tão perfeito que fazia com que ele se lembrasse das menininhas que via passar diante da sua janela, quando morava ao lado de uma escola mugglebastante elitista.

- Posso sentar aqui, srta. Black?

Ela ergueu os olhos castanhos para ele, parecendo pronta para mandar quem quer que fosse sumir de seu caminho. Mas, ao vê-lo, pareceu mudar de idéia.

- Já mandei me chamar de Andromeda, Remus - seu tom de voz era mais amigável do que o normal, mas ela não sorria. Parecia meio incomodada por vê-lo. - Pode sentar.

Ele o fez e ficou contemplando-a, com contido interesse. Não sabia o que dizer, agora que conseguira ter a chance estar a sós com ela num lugar vazio.

- Por que você não está se arrumando? - foi preciso que ele reunisse toda a sua coragem para fazer essa simples pergunta. Sirius estava certo: ele era mesmo tímido demais.

- Porque eu não vou a essa festa boba.

- Mas é uma tradição!

- Encher a cara, participar de uma orgia e sair de lá grávida e com sei lá quais doenças? - arqueou uma sobrancelha ameaçadoramente. - Grande tradição - completou, com ar de desdém. - Mas não me apetece. Além do mais, vai ter mestiços e mudbloods demais lá.

- Têm na escola inteira.

Ela não disse nada. Fechou, finalmente, o livro e o fitou.

- Eu não me forço a conviver com eles sem um bom motivo.

- Bom, e o que você vai fazer?

- Não sei. Só sei que não vou. E os seus planos? Quais são?

Remus corou ligeiramente. Não podia dizer que ir à festa estava em seus planos. Não depois daquele discurso.

- Não sei. Eu até tenho um convite, mas acho que não vou.

- E pretende fazer o quê, então? Dormir?

- De jeito nenhum! - respondeu, rindo do ar irônico dela.

- Que bom - ela abriu um sorriso. - Eu não vou ser a única idiota fazendo nada no Castelo.

Remus não disse nada. Estava muito dividido entre ser tímido e correr atrás do que queria. Quando ela levantou do chão, ele acabou por se decidir e, levantando-se num pulo, sugeriu:

- A gente podiafazer nada juntos. O que você acha?

Ela o encarou. Seus olhos tinham um brilho cruel, ao mesmo tempo emque seus lábios exibiam um sorriso doce. Ela era paradoxal. E era exatamente por isso que o atraía tanto.

- Eu posso pensar em encontrar você na sala de Poções, às oito horas. Esperarei você até oito e cinco e irei embora. Acordo?

- Sim - ele respondeu, sem hesitar. - Prometo que não vamos encher a cara e que não vou acabar engravidando você.

Ela riu, dizendo a ele que tinha que ir se arrumar e decidir se iria ou não. Afastou-se lentamente, ciente de que ele a observava.

xxxx

Subiu, de dois em dois, os degraus que levavam ao dormitório masculino dos Gryffindor, ansiando por encontrar Sirius, para contar-lhe o que acabara de ocorrer. Abriu a porta do quarto. E a cena que viu o deixou, no mínimo, surpreso: Lily estava lá. Na cama de Sirius. Sendo beijada por Sirius.

- Você está maluco, Padfoot? - perguntou, pausadamente, recusando-se a acreditar no que via. - Solta ela! - ordenou, parecendo estar falando com um cachorrinho mal-comportado. - Já pensou o que aconteceria se fosse o Prongs quem entrasse aqui?

Os dois se afastaram. Sirius respirou fundo, os olhos fechados. Parecia genuinamente irritado com aquela interrupção fora de hora. Remus sabia que, se o amigo estivesse sob a forma canina, já teria sido dolorosamente mordido.

- Onde é que o Prongs está, afinal de contas? - o Black gritou. - Que moral ele tem pra reclamar que a namorada dele está beijando outro cara? Porque nós três sabemos o que ele está fazendo. E é bem mais que isso.

Remus sabia que Sirius estava certo, mas isso não fazia seus atos estarem certos.

- Só que ele não está com uma das melhores amigas da Lily.

- Quem garante? Ele pode estar com qualquer uma!

- Padfoot, por Merlin, eu não vou discutir isso com você agora.

- E por que não, Moony? - Lily perguntou, levantando-se da cama. - Por que você não vai discutir isso?

- Porque eu acho que você não tem que ser envolvida nisso.

- Lamento informar, Remus, mas eu estou envolvida nisso até a raiz dos cabelos - a frieza dela o incomodou. Remus às vezes sentia saudade de quando ela e James não namoravam, quando eles dois eram grandes amigos e ela não agiria dessa forma. Mas ela tinha entrado para os Marauders. E isso mudou tudo. - Com licença - ela saiu do quarto, batendo a porta com força atrás de si.

- Por que você tinha que aparecer, Moony?

- Se eu não aparecesse, você ia fazer uma grande burrice. E eu tenho certeza de que o Prongs não ia gostar nada de entrar aqui amanhã e ver a namorada dele dormindo com você.

- Ele tá com a Cissy, Moony!

- Como você tem tanta certeza disso?

- Ela já tinha deixado bem claro que queria ele, quando eu ainda morava lá. A Cissy estava só esperando ele desistir da Lil. Só que isso nunca aconteceu. A Despedida era a última chance dela.

- Mas onde?

- Hogsmeade. Ele sabe como chegar lá - Sirius socou um travesseiro, refletindo também a frustração de Remus. O Lupin sabia muito bem que "Hogsmeade" provavelmente significava o hotel aondeele gostaria de levar Andromeda. Mas, se havia alguma chance de encontrar com James e Narcissa, ele preferia não correr esse risco. - Eu tava quase conseguindo fazer a Lily esquecer isso... - desabafou. - Mas aí você chegou e interrompeu tudo!

- O que eu vi foi você beijando ela.

- Eu perdi a cabeça. E tenho certeza de que você perderia também. Moony, por favor, não fala nada disso pro Prongs. Tudo o que eu não quero agora é brigar com ele.

- Tudo bem, Padfoot. Mas você vai me jurar que isso não vai mais acontecer.

- Eu juro. Não vou deixar que nada disso aconteça de novo.

Sirius saiu do quarto, parecendo um pouco menos irritado. Remus se aproximou do espelho. Ainda faltava pouco mais de uma hora para as oito.

Abriu o armário, pegou uma muda de roupas e foi tomar um banho, para se arrumar. Com a água caindo em seus ombros, começou a refletir. O que ela poderia planejar para aquela noite?

Sirius provavelmente diria que, visto que ela era uma Black e tinha marcado o encontro nas masmorras, os planos dela provavelmente envolveriam "parafina quente, algemas, chicotes estalando esporadicamente e saltos altos". Remus decididamente esperava que esses não fossem os planos.

Fechou a água, sentindo a apreensão aumentar. Ela agora se mesclava à ansiedade, ao nervosismo e, claro, ao medo de Andromeda não aparecer.

Vestiu-se e, por via das dúvidas, guardou o convite no bolso da calça jeans. Passou o pente pelos cabelos e borrifou um pouco de seu perfume preferido. Sabia que podia se arrumar mais, ficar melhor. Mas não ia perder seu tempo. Era um cara bonito, isso todas lhe diziam. E não precisava de perfeição.

Saiu do dormitório, com destino ao Salão Principal. Ia tentar comer alguma coisa antes de descer para a sala de Poções.

Esperou dar dez para as oito e levantou da mesa, na qualvários alunos jantavam. Remus se sentia inexplicavelmente feliz por estar no sétimo ano. "A escola acabou", pensou, quando se dirigiu às escadas que levava às masmorras.

Entrou na sala, onde ela já o esperava, sentada displicentemente sobre a mesa.

- Boa noite, Remus - o cumprimentou, com um imenso sorriso, descendo da mesa num pulo. - Para onde vamos?

- Como assim, "para onde vamos"? Você não me fez vir até aqui só para irmos para outro lugar, não é mesmo?

- Claro que fiz! - ela sorriu, se dirigindo à porta. Olhou para os dois lados do corredor e a fechou. - Eu precisava confirmar que você não tinha planos de transformar nosso "fazer nada" num "let's make love" coletivo - outro sorriso oblíquo. - Se bem que eu não sei se recusaria os Marauders... - voltou a se sentar na mesa. - Pode chegar perto, Rem. Eu não mordo.

Ele se sentiu tentado a dizer que ele mordia, mas preferiu ficar quieto e se aproximar. Ou talvez ele simplesmente não soubesse o que dizer: ser chamado pelo apelido por alguém que ele não via fora das reuniões dos monitores era algo raro. Ainda mais se esse alguém fosse seu objeto de desejo. Ainda mais se esse objeto de desejo fosse uma das três belas e malditas irmãs Black.

- Alguma sugestão de destino, Andromeda?

- Não sei... Se você fosse um partido aceitável, eu te levava para a casa, como a Bella faz com o Sirius. Eu podia também ir com você para o hotel, mas sei que é lá que a Cissy está com o James.

- Ouvindo você falar assim, eu vou achar que você quer transformar nosso "fazer nada" em "let's make love" - ele articulou, com muito esforço. Ela sorriu.

- E você não quer? - ela perguntou, num tom de voz um pouco mais sensual, que fez os pêlos dele se arrepiarem.

- Se você quiser - ele deu de ombros, tentando fazer parecer que não ligava para algo tão bobo.

- Isso não me parece o tipo de coisa que um marauder diria diante de uma pergunta dessas - ela replicou, mordendo o lábio inferior. Remus suspirou, sabendo que faltava pouco para perder o controle.

Diante da falta de resposta, ela arqueou uma sobrancelha, com um certo ar de triunfo. Desceu da mesa e se dirigiu à porta.

- Se você não está interessado, eu não vou perder meu tempo.

Remus pulou da mesa e alcançou a garota antes que ela pudesse chegar à porta. Puxou-a pelo braço para si, com violência, fazendo-a sufocar um gemido de protesto quando os lábios se encontraram.

- Eu estou interessado - respondeu, afastando-se dela. Andromeda tinha em seus olhos um brilho irritado, mas sorria com satisfação. Era isso que esperava dele: uma atitude. - Mas isso não quer dizer que eu não tenho os meus caprichos.

- E tem? - ela envolveu o pescoço dele com os braços. - Quais, por exemplo?

- Não vamos a lugar nenhum - ele respondeu, imediatamente. Não que quisesse ficar ali, sabia que era um dos lugares mais arriscados da escola, mas não queria correr o risco de vê-la escapar por entre seus dedos.

- Você pretende ficar aqui? - ela olhou ao seu redor, pensando que aquele não era o melhor lugar do mundo para o que quer que fosse acontecer.

- Não foi você que marcou? - o tom irônico fez o próprio Remus se lembrar de Sirius. - Eu marcaria no lugar onde eu quisesse ficar até o fim - puxou o rosto dela para perto. Os narizes se roçaram e ela balançou lentamente a cabeça de um lado para o outro, num movimento quase infantil. Era estranho notar que o mesmo homem que, pouco antes, havia sido tão violento e voluptuoso, naquele momento se mostrava capaz de ser terno e quase ingênuo. E, então, com os olhos dourados ainda presos aos castanhos, ele a beijou.

Andromeda sentiu o chão desaparecer sob seus pés, demorandouma eternidade para entender que ele a carregava no colo até a mesa.

Ele a sentou no tampo de madeira, envolvendo a própria cintura com as pernas da morena, enquanto beijava seus ombros. Subiu as mãos sob o tecido fino da camisa que ela vestia, acariciando a barriga delade um jeito um tanto quanto indeciso, sem saber se as subia ou descia. Por fim, escolheu subi-las, por fora da roupa, até o ponto mais baixo do decote em V e, sem a menor piedade, rasgar o tecido, revelando-lhe o sutiã branco.

Riu da cara de indignação dela. Sabia que, com qualquer outra mulher, ganharia um belo tapa como recompensa. Mas ela era superior àquilo, e nada fez. Por alguma razão, queria que tais coisas acontecessem, que ele mostrasse algum desespero. Queria que ele a fizesse se sentir desejadacomo, naquele momento, ela o desejava.

Os lábios se uniram por um breve instante, antes de ele começar a beijar o pescoço e o colo dela. Enquanto isso, suas mãos subiam pelas coxas magras, com um objetivo muito claro.

Eles teriam ido até o fim com aquilo, se não tivessem ouvido uma voz zombeteira que serviu a Remus como um balde de água fria.

- Ora, ora... Senhor Remus e senhorita Black confraternizando escondidos... A escola amaria saber disso...

- Pevees! - ela gritou, alto demais. - Suma já daqui, maldito! Quer que eu chame o Bloody Baron?

- Duvido que ele vá acreditar que você não estava fazendo nada, srta. Black... Mas eu estou de saída... Estou indo contar pra todo mundo sobre essa cena linda - e, dizendo isso, saiu novamente da sala.

Os dois se entreolharam, desesperados.

- E agora, Remus? - ela perguntou, pulando da mesa e pegando sua camisa no chão. Por que havia deixado a varinha no dormitório? Burra. Muito burra.

- Agora você vai para o seu dormitório e, sei lá, finge que estava fazendo as malas. Eu vou ser visto na festa.

Os olhos castanho-escuros dela varreram a sala, procurando uma solução alternativa. Mas cada segundo era uma perda inestimável de tempo, e ela acabou por ceder.

- Nos vemos amanhã na festa?

Ela assentiu, sorrindo. Deixaram a sala em silêncio.

Ele seguiu pelos corredores que levavam à sala onde acontecia a festa, procurando o convite no bolso. Depositou-o na pequena urna de vidro, fazendo uma porta de madeira se materializar na parede de pedra. Podia ouvir a música que tocava alto lá dentro.

Respirou fundo, com a mão na maçaneta, e abriu a porta. Alguns rostos se voltaram para ele e, para a sua sorte, um deles era um velho conhecido seu.

- Marie! - aproximou-se da garota. - Tá sozinha?

- Tô sempre sozinha pra você, Remie - sorriu, abraçando-o e roçando seus lábios nos dele. - Precisa de mim?

- Se alguém perguntar, eu estava aqui com você.

- Claro que estava! Vem, vem dançar comigo - puxou-o para a pista de dança.

Ele ainda se lembrava muito bem de tudo por que tinha passado junto com ela. Eram vizinhos desde pequenos e não demoraram muito para descobrir um ao outro, especialmente depois de entrarem em Hogwarts. No ano anterior, poderiam até ter chegado a namorar, mas ela não quis: sua paixão por ele não era suficiente para justificar o sacrifício de sua liberdade.

- Obrigado, querida – sussurrou ao abraçá-la, mesmo sabendo que ela não ouviria, colando os lábios aos dela. Remus podia até ter alguma decência. Mas não era de desperdiçar chances como aquela. Especialmente quando a outra opção era se condenar a um banho frio e um bom tempo dedicado a fingir que seus planos tinham se concretizado.

xxxx

Desceram da carruagem guiada por testrálios e seguiram o professor até o hotel. Aquela era uma das noites mais importante de suas vidas. E seria a primeira que os Marauders compartilhariam.

- Um nome pomposo para definir orgia - Sirius brincou, apontando a faixa que dizia ser aquela a "Formatura da Turma de 1977 da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts". - Porque é o que vai sair daqui.

- Acho melhor eu garantir a minha própria garota.

- Prongs, a Cissy veio com o Malfoy.

- Tudo bem. A Andy tá aí.

Essa simples insinuação fez o mundo de Remus girar um pouco mais rápido do que devia. Não porque ele achava provável que James algum dia demonstrasse algum interesse por Andromeda, mas porque era perfeitamente possível que ela estivesse acompanhada.

- Prongs! - Sirius interveio, com um ligeiro ar de zombaria. - Você não vai pegar a Andy!

- Ah não? - James assumia uma postura desafiadora.

- Não. Minhas primas são propriedade minha. Só te deixo ficar com a Cissy porque ela é loura e mais nova, e eu prefiro as morenas mais velhas.

- Ou será que o que você prefere é uma morena mais velha específica, Padfoot?

- Moony... A Bella é só um parâmetro. Mas eu aceito qualquer uma que seja metade do que ela é.

- Então você podia aceitar a Cissy. Porque ela é boa por natureza, e melhorada por mim.

- Que ela é boa por natureza eu sei. Todos os Black são.

- Modéstia, Pad! Você não é a Bella!

- Existem coisas que são de família. Ser convencido e bom de cama são dois exemplos - por um instante, Remus desejou que Sirius não estivesse exagerando. Porque, se aquilo fosse verdade, a noite seria bem melhor do que ele imaginara a princípio. - Vou falar com a Andy. Vejo vocês na cerimônia.

Sirius se afastou dos amigos e foi se misturar ao grupo de sonserinos, entre os quais estava Andromeda. Remus sabia que Sirius ia só conversar com sua prima preferida, abusar um pouco da paciência que ela ainda tinha, talvez jogar um pouco de charme para cima de suas amigas. E essa foi a única razão para ele não se preocupar com isso.

- Todos os formandos aqui, por favor - a Prof. McGonnagall os chamou e, lentamente, todos se reuniram em volta dela. - Dentro de alguns minutos, os senhores vão entrar naquele salão para o penúltimo evento relacionado à sua vida acadêmica. Eu gostaria de lembrar-lhes de que, do outro lado daquela porta, estão os pais dos senhores, para não falar no próprio Ministro da Magia. Assim sendo, nas palavras do Prof. Dumbledore, "controlem seus hormônios por apenas uma hora" - ela pareceu incomodada em dizer isso - e não nos envergonhem. Dividam-se pelas Casas, na ordem das mesas do Salão Principal. Homens à esquerda, mulheres à direita, filas em ordem de altura. Agora!

A professora abriu a porta e os alunos foram conduzidos para dentro do Salão de Festas. Subiram num palco e, após um longo discurso do Prof. Dumbledore, e outro maior ainda do Ministro da Magia, receberam seus diplomas.

- Não vou lhes prender aqui nem mais um segundo, para não privá-los de nada da festa divina que está preparada no andar de baixo. Divirtam-se com juízo e boa noite para todos!

Todas as luzes se apagaram e os alunos e convidados se dirigiram à porta. Quem fazia parte do seleto grupo de menores de 25 anos que poderia participar da festa desceu as escadas, para o salão inferior, enquanto os demais desaparataram dali.

- Quem são os objetivos da noite, Prongs?

- Não sei pra vocês, caras, mas eu quero a Evans. Não perdi um ano namorando pra não dormir com ela na formatura. E os de vocês?

- Não tenho nomes - Sirius disse, já secando uma garota que passou por eles. - Mas eu quero o maior número de sonserinas possível. Moony?

- Quero uma sonserina específica.

- A Andy, claro - Sirius zombou, fazendo Remus corar violentamente. - Divirta-se com ela. Asseguro que, se você conseguir alguma coisa, ela vai fazer muito bem. Eu que ensinei.

- Ah, Padfoot, cala a boca! - replicou, parecendo irritado, mesmo sabendo que Sirius possivelmente estava certo. Especialmente na parte em que disse ser difícil conseguir alguma coisa. Ele bem sabia que a noite anterior tinha sido uma chance em um milhão.

Eles riram e se separaram. Os Marauders iam à caça.

Remus viu Sirius passar por perto do grupo de suas "familiares". Cumprimentou Narcissa e Andromeda pela segunda vez naquela noite, antes de sair andando, fingindo não ter visto Bellatrix. A atitude do moreno pareceu irritá-la profundamente.

O Lupin foi até o bar, onde pediu uma dose de vodka. O barman franziu o cenho, desconfiado, mas acabou por lhe servir a bebida.

Andromeda se aproximou dele, sorrindo.

- Se divertindo, sr. Lupin? - ele riu, enquanto ela pegava um vinho branco. O rapaz notou que o barman a obedeceu prontamente. O que o dinheiro não é capaz de fazer?

- Não o suficiente, srta. Black. E você?

- Podia ser melhor.

- Alguma sugestão?

- Na verdade, eu tenho - tomou um gole do vinho. - A gente podia fazer nada de novo. Sem o Peevesdessa vez. O que você me diz?

- Acho que fazer nada é uma idéia melhor do que ficar aqui.

- Então, me encontre na recepção mais tarde. Tipo lá pelas onze e meia, meia noite... Tudo bem pra você?

- Tudo ótimo.

- Estarei esperando - sorriu e se afastou, deixando para trás um Remus esperançoso.


NA: "Existem coisas que são de família. Ser convencido e bom de cama são dois exemplos." - Desde a primeira fic de série, eu estava desesperada por uma chance de poder escrever essa frase de novo. Não dá mesmo pra resistir!