Nota da Autora: One-shot pronta que cresceu e virou isso aí que vocês irão ler xD

Não compreendo exatamente o que me impeliu a escrever essa história, mas espero que consigam gostar dela tanto quanto eu gosto.

E antes que taquem pedras, deixo claro também que essa fanfic não segue por nenhum momento a linha de enredo a partir do livro cinco. Fiz um Draco diferente daquele que conhecemos - que deveria matar Dumbledore e falhou em sua tarefa. Talvez por isso eu deva denominar o desenvolvimento dessa história como algo 'fora da realidade', mas infelizmente acredito mais neste 'meu Draco' do que naquele que Rowling descreveu a partir do Cálice de Fogo.

Desde já peço desculpas para aqueles que se sentem incomodados com minha ousadia.


O Peso do Destino

Parte Um – Sempre


Draco, por muito tempo, já esgotara o próprio fôlego lutando contra si mesmo para encontrar a palavra exata que definisse o que sentia por Harry.

Durante anos ele determinara que a origem de sua atração estava no ar tão contrário ao seu que rodeava o rapaz. Tudo em Harry gritava anti-Draco, e aquilo o enfurecia e o encantava.

Toda vez que via Potter atravessar seu caminho, o queixo erguido, a fúria silenciosa se consumindo em meio às turbulentas íris verdes - tudo isso o fazia estremecer por dentro e ele não conseguia conter aquela sensação estranha de euforia, como se estivesse indo de encontro ao seu próprio destino.

E ao contrário de muitas pessoas, Draco nunca se sentiu tentado a lutar contra o próprio futuro. Pelo contrário, quando seu pai durante a sua infância lhe dissera que ele estava destinado a ser um comensal, ele não se rebelou, não se assustou e muito menos se enfureceu. Ele nascera para aquilo, qual o sentido de lutar contra isso?

Essa verdade de certa forma o fazia sentir-se reconfortado. Tudo o que precisava estava ali, diante de seus olhos, não era necessário que ele perdesse tempo tentando encontrar um motivo para existir, porque no fim das contas já estava tudo programado.

E foram assim, simples e fáceis todas as decisões que tivera que tomar durante sua vida. Ir para a Sonserina, ser o garoto perfeito de boas maneiras que encantava a todos, odiar Potter, seguir Voldemort... Eram acontecimentos que só surgiam para comprovar o quão disposto ele estava a andar de mãos dadas com o próprio destino.

Chegava a ser irônico pensar nisso, principalmente porque já ouvira palavras semelhantes saírem da boca do menino-de-ouro, e pensar que Potter também não lutava mais contra o que lhe havia sido predestinado dava-lhe uma estranha sensação de conquista.

Harry Potter sempre fora sua nemesi. Eram como preto e branco. Trevas e luz. Café e leite. Noite e dia.

E além do que muitos imaginavam, Draco era extremamente cuidadoso com essa estranha relação de ódio que existia entre eles.

Muitos podiam julgá-lo como o garoto metido e invejoso que sonhava roubar os olhares direcionados para Potter, mas a maioria daqueles que afirmavam isso eram grifinórios e tolos, pessoas que não tinham o mínimo de esclarecimento sobre o que se passava por de trás dos panos.

Quando criança ele poderia ter sido sim, invejoso e ciumento diante da atenção que todos pareciam debulhar sobre Harry, mas aquilo durara muito pouco, agora já estava maduro o suficiente para saber que seu papel na guerra era tão importante quanto o de Potter, e até mesmo o velho Dumbledore reconhecera isso no decorrer dos anos que dirigira Hogwarts.

Nos dezenove anos que vivera muitos tentaram convertê-lo, seduzi-lo, dominá-lo. Foi tachado de fraco, covarde, esperto e até mesmo corajoso.

A verdade era que Draco detinha consigo um orgulho profundo, algo que ia além da bandeira da sonserina ou até mesmo da importância de seu sobrenome.

Muitos poderiam achar ridículo, mas ele tinha orgulho de seguir seu próprio destino e apenas ser assim. Não era um caminho solitário, muito menos tenebroso.

A princípio temera que cada passo que tivesse que dar naquela travessia perigosa, ele não fosse capaz de se sustentar sobre as próprias pernas, mas o tempo lhe mostrara que ele era mais resistente que a prata, e que era impossível quebrar em pedaços sua determinação.

E além desse orgulho havia Harry... Harry e aquele precioso pensamento.

E era neste pequeno precioso pensamento que ele se apoiava, era nesta certeza que depositava toda sua força, e ninguém nunca conseguira adivinhar do que se tratava.

Sim, Draco Malfoy era um Comensal da Morte, um seguidor do Lord das Trevas, um assassino, um traidor, um apaixonado... e muitas outras coisas.

Mas não estava sozinho, porque sempre que erguia os olhos, do outro lado nebuloso da ponte estava Harry Potter, seu oposto e semelhante.


Potter uma vez questionara seus destinos como rivais. Não fora uma conversa agradável. O céu estava nebuloso, o vento percorria cortante os gramados do castelo e ele simplesmente desejava aproveitar o início do inverno, de preferência sozinho.

Mas Harry Potter não sabia respeitar a solitude alheia, e Draco nem sonhava em exigir isso, principalmente de alguém que andava tão estritamente furioso, escorregadio e insuportável.

- Comensal – foi a primeira palavra que Harry lhe dirigira cortesmente, sem ódio, raiva, desprezo, apenas uma palavra. Um mero cumprimento.

E Draco na época compreendera o quanto o menino-que-sobreviveu estava cansado.

Até mesmo nos dias de hoje não conseguia explicar aquele estranho encontro. Era seu último dia em Hogwarts, o fim de uma etapa confortável de sua vida que daria espaço para tempos de guerra e sangue derramado.

Durante os últimos meses ele simplesmente acompanhara de longe as missões do pai, lendo pelo Profeta os resultados positivos de cada assassinato, de cada morte, mas no fundo de seu coração ele sinceramente não ligava. Sabia desde cedo que se lhe ordenassem erguer a varinha para matar, ele o faria, e sabia que faria isso porque era seu destino, e que se ele pestanejasse, estaria morto.

Na época ele se questionara se o fato de ter esbarrado em Harry naquele dia não se tratava das tortuosas linhas de uma história já escrita. Não era como se os dois estivessem ansiosos para se encontrar, eles simplesmente se acharam.

E Draco lembrava muito bem da estranha sensação que sentira ao ouvir Harry chamá-lo de comensal.

- Não é adequado sair acusando gratuitamente as pessoas, Potter. – ele respondera na época, a voz perfeitamente controlada, o rosto impassível.

Harry parara ao seu lado, ambos encarando a superfície límpida do lago, sentindo os últimos anos de suas juventudes escorrendo por entre seus dedos como areia.

- Durante todos esses anos, Malfoy, nós realmente fomos inimigos?

Aquela pergunta na época intrigara Draco, sua resposta parecera estar mais do que preparada, na ponta da língua, mas ele exitara. Porque internamente ele acabara - também - se perguntando: Somos inimigos?

E sem saber o que dizer ele simplesmente se contentara em jogar com as palavras.

- Que espécie de pergunta evasiva é essa, Potter?

Harry escutara sua réplica ácida e sorrira. Aquilo fez as entranhas de Draco se revirarem e ele não soubera o porquê, não se dera conta que sua tese perfeita de seguir o destino estava sendo ameaçada por inocentes perguntas.

- Eu só estava pensando, Malfoy, agora que terminamos Hogwarts, nós realmente iremos lutar um contra o outro. – e a voz do menino-que-sobreviveu parecera estar carregada de tristeza ao dizer isso.

- Então você pensa, fantástico. – foi tudo o que ele conseguiu responder, recebendo em troca outro sorriso enigmático.

Draco suspirou diante disso, impedindo um tique nervoso que o tentou a retorcer os lábios em irritação.

- Não seja tão trágico, Potter. Nada indica que iremos esbarrar um no outro no campo de batalha. – e ele sentiu vontade de morder a própria língua ao se dar conta do que dissera.

Harry o escutou com uma atenção recatada, respirando fundo enquanto interpretava suas últimas palavras.

- Será uma pena erguer minha varinha contra você. É reconfortante a idéia de ter alguém do outro lado do mundo que contrapõe tudo o que eu sou e penso. Ter que por um fim nisso... – Harry parou de falar por uns instantes, parecendo avaliar os próprios pensamentos. – Apenas seria triste.

Draco não se conteve e revirou os olhos. Só mesmo Potter para reclamar de coisas tão simples.

- Isso, Potter, se chama destino.

Draco nunca se esqueceria da expressão de Harry quando este se virou e o encarou diretamente, parecendo entender como ninguém o significado solene daquela palavra

- Não se preocupe, Draco, eu não irei fugir do nosso destino.

E até hoje aquela última frase lhe provocava arrepios.



Draco ergueu os dedos esguios enquanto se observava através do espelho.

Ele vislumbrara Potter hoje, durante um ataque. E relembrar aquele encontro o deixava tão furioso que ele sentia ganas de arremessar tudo contra a parede, ouvir o barulho de vidro se quebrando e madeira se partindo. Ele estava simplesmente destrutivo.

Mas na superfície não demonstrava nada, sua expressão se mantinha imutável. Os outros comensais o observavam da mesma forma que ele os observava. Era uma troca. Qualquer lugar que fosse, que estivesse, fosse em casa ou na rua, haveriam olhos e ouvidos seguindo os seus passos. Não deveria se dar ao luxo de extravasar algum sentimento, seja ele de ódio ou raiva.

Mas reencontrar Potter, aquilo o partira e o esmagara. E agora, olhando sua imagem pálida na frente do espelho se recordava de cada detalhe da pele morena do menino-que-sobreviveu. Até mesmo naquele aspecto eles eram diferentes.

Nos últimos anos Potter perdera a brancura de quem nunca via o sol e adquirira uma cor levemente dourada, como se estivesse trabalhando dia e noite ao ar livre.

Aquele simples fato irritara Draco. Não conseguia engolir que cada mínimo detalhe de sua memória não se cansava de berrar em sua cabeça, fazendo-o recordar que horas atrás ele se deparara com sua nemesi.

Nos últimos anos ele não temera nada, não refutara nada e participara de todas as missões que lhe foram designadas.

E agora olhando os sulcos rasos da palma de sua mão direita, ele se perdia em pensamentos tolos e começava a imaginar coisas absurdas, entre elas se Harry, assim como ele, já sentira a estranha sensação de derramar sangue alheio.

Seu primeiro assassinato fora algo completamente diferente do que imaginara.

A princípio, enquanto planejava cada detalhe e ouvia os conselhos do pai, sentira sua própria excitação crescer, mais por ver Lucius divagar sobre os diversos pontos com relação ao futuro da missão, do que por vontade própria.

Mas, mais tarde, quando se encontrara diante do alvo, seus olhos acinzentados arregalados diante da futura realidade, ele mal se dera conta quando as palavras exatas do feitiço mortífero escaparam de seus lábios. E o que se seguiu foi apenas o barulho seco do corpo caindo no chão, acompanhado de uma batida fraca de seu próprio coração.

Ele já vira Voldemort matar, já vira Lucius tortura, mutilar, destroçar e quebrar pessoas. Vira como ambos riram, gargalharam e se debulharam com a dor alheia, mas ele, ele não sentira nada.

Era como uma chuva de verão. Antes havia o calor escaldante da expectativa, da sensação de algo novo, e depois havia o frio, o fim da espera.

Pensava se era para ser realmente daquela forma, durante dias se perguntara se era realmente normal, mas não havia ninguém realmente capaz de compreender suas dúvidas. Então ele se calara e agora apenas se contentava.

Matar se tornara nada.

E ver Harry naquela noite fizera com que sua mente retomasse todos os acontecimentos passados e ele imaginava, questionava se matar alguém deixava Potter tão vazio quanto deixava ele. Um vazio capaz de fazê-lo esfriar e escurecer, insensível.

Piscando um pouco os olhos ele olhou além da própria imagem e sentiu a presença de alguém logo atrás de si, o observando.

Voldemort.

- Estava imaginando, Jovem Malfoy, o que você estaria pensando ao ter reencontrado Potter depois de tantos anos. – a voz sibilante chegava como um afago até os seus ouvidos, mas Draco sabia que era apenas uma ilusão sedutora para fazê-lo se sentir confortável.

Seguro de que sua mente estava fechada às investidas de Voldemort, ele encarou o bruxo por meio do reflexo e respondeu num dar de ombros.

- Nada.

E soube que aquilo não satisfizera nenhum pouco a curiosidade do Lord.

Um suspiro se seguiu e ele observou a figura encapuzada caminhar pelo salão. Mantendo-se de costa e usando o espelho como se fosse seu terceiro olho continuou parado.

- Tenho uma missão para você. – Draco não pestanejou, não demonstrando a própria surpresa, mas ambos sabiam que ele não esperara por aquilo.

Mas ele não tinha o que dizer ou reclamar. E apenas abaixando os olhos ele retrucou:

- O que desejar mestre.

E esta resposta sim, deixara o Lord satisfeito.



Draco soube no instante em que pisara no bar designado, que Voldemort o enviara ali para testá-lo.

Aquilo fez uma raiva silenciosa calar em seu peito, mas ele se conteve, os cabelos loiros impecáveis emoldurando seu rosto inexpressivo enquanto os dedos apertavam com delicadeza a varinha no bolso de sua capa.

Seus olhos percorreram rapidamente o local, calculando exatamente quantas pessoas estavam presentes e quais as possíveis rotas de fuga.

Viera ali para "recolher informações", havia sido uma ordem muito vaga, mas ele não questionara, todas as ordens de Voldemort seguiam aquela linha pitoresca, era um capricho do Lord e ele já se acostumara, se não tivesse não teria sobrevivido ao longo de todos aqueles anos.

Caminhando altivo até o balcão, ele observou com o canto dos olhos que várias cabeças se viraram para observá-lo. Achou que reconhecia alguns rostos, mas não dedicou pensamentos profundos a isso.

Voldemort queria novidades sobre as decisões que os aurores haviam tomado após a batalha da noite passada, mas ele não compreendera direito da onde é que ele tiraria uma fonte segura naquele bar imundo.

Pediu para o atende uma dose de gim tônica e sentou-se encarando algumas mesas, sentindo-se repentinamente como um rato em uma ratoeira.

Algo no ar parecia cheirar mal, ele não sabia definir muito bem o quê. Era algo relacionado às expressões e faces que discernira quando avaliara o local. Errado. Simplesmente errado.

Virou-se para receber o drinque pedido e tomou o conteúdo do copo em um só gole, os olhos percorrendo o ambiente novamente, como uma ave de rapina.

Um movimento na mesa mais ao fundo chamou sua atenção. O bruxo tinha algo escondido sob a manga da capa e ele vislumbrou um brilho metálico, um pensamento rápido passou por sua cabeça como um flash. Um espelho comunicador!

Algo pareceu se encaixar em sua mente fazendo suas suspeitas se tornarem verdades irrefutáveis.

Deixando alguns sicles sobre o balcão ele se levantou de forma ainda altiva, não perdendo a compostura mesmo sabendo que estava em perigo, não deveria em hipótese alguma levantar mais suspeitas.

Abrindo caminho por um grupo estranho que acabara de chegar ele encaminhou-se para a saída, não se dando ao luxo de olhar para trás enquanto estava preso ali dentro.

Fora do bar ele ouviu o barulho da porta se fechar atrás de si e quase praguejou alto ao se dar conta de que o maldito estabelecimento se localizava num dos fétidos becos escuros de Londres.

Enfiando ambas as mãos no bolso da capa, os dedos deslizando sobre a superfície lisa da varinha, ele se pôs a caminhar rápido numa direção qualquer, os ouvidos bem atentos para qualquer ruído.

Virou uma esquina e seguiu reto, escutando o som nojento dos ratos andando por sobre a sarjeta, tudo isso sem nunca interromper o próprio ritmo. Não poderia simplesmente aparatar para casa sem ter conseguido nada. Recebera ordens, voltar de mãos abanando seria vergonhoso.

Ouviu um estranho raspar de rocha vindo logo atrás de si e virou-se meio sobressaltado para tentar definir a direção do som. Ficou algum tempo respirando pesadamente, o ar que escapava de sua boca formando nuvens de fumaça diante de seu rosto.

Naquele breve instante sua mão se agarrara a sua varinha como se sua vida estivesse preste a ser arrancada fora de si.

Quando finalmente se deu por satisfeito permitiu-se relaxar, passando a segurar com mais controle o artefato mágico.

Girando de leve nos calcanhares ele preparou-se para retomar a caminhada enquanto pensava no que fazer, e foi com um espanto que se deparou com uns já conhecidos olhos verdes.

O tempo pareceu correr mais lentamente enquanto sua mente deglutia a idéia de que estava de novo frente a frente com Harry. Sua mão novamente buscou a própria varinha com força, preparando-se para a batalha, mas Potter apenas o olhou de volta e por um breve instante sorriu de leve com o canto dos lábios, fazendo-o franzir o cenho, confuso.

E o que se seguiu foi uma pancada abafada em sua nuca, fazendo-o cair em uma profunda escuridão.


Draco acordou sentindo a base da nuca arder a cada pequeno movimento de cabeça que fazia.

As últimas lembranças que tinha era dos olhos muito verdes de Harry o encarando, assim como aqueles lábios estranhos abrindo-se em um pequeno sorriso para ele. Aquela imagem até mesmo agora o desconcertava, era como se Potter estivesse lhe dizendo: seja bem-vindo.

Mas definitivamente ele não se sentia nada bem vindo, ele mal sabia a onde estava.

Revirando-se com cuidado, rapidamente se deu conta de que se encontrava deitado sobre um sofá imundo e empoeirado. Aguçando a própria atenção pode ouvir o crepitar de chamas e o som indiscutível de asas.

Se não tivesse certeza de que estava perfeitamente são, juraria que estava delirando.

Revirando-se ainda dolorido sobre o estofado imundo ele deparou-se com uma cena intrigante. Potter estava sentado em uma poltrona parecendo bastante compenetrado, lançando para cima e pegando logo em seguida um pequeno pomo de ouro.

O efeito das sombras sobre seu rosto davam-lhe uma aparência melancólica, e Draco sentiu a cabeça doer ainda mais quando um sentimento de conforto cruzou sua mente ao se deparar com aquela imagem.

Levando uma das mãos a testa ele não pode evitar deixar escapar um ruído de dor e imediatamente Harry ergueu os olhos, a mão direita ainda ocupada com o pomo, como se tivesse vida própria.

Aquela visão fez com que Draco se recordasse das histórias sobre James Potter que Severus uma vez lhe contara quando o visitara nas masmorras. Se o antigo Mestre de Poções tivesse visto Harry naquele estado com toda certeza ficaria estupefato com a semelhança berrante entre pai e filho.

- Malfoy – Harry murmurou delicado, tomando o cuidado de capturar o pomo por uma última vez, guardando-o logo em seguida no bolso da capa.

Draco simplesmente impulsionou o corpo para cima sentando-se no sofá, recusando-se a manter um diálogo cordial com o menino-que-sobreviveu.

Harry captou rapidamente a teimosia do loiro e não insistiu, já estava acostumado com o temperamento frio do sonserino e uma falta de cortesia vinda de Draco não iria lhe perturbar.

Levantando e se virando para observar o fogo da lareira, Harry começou a divagar enquanto Malfoy o observava por alguns segundos, avaliando as mudanças que ocorrera no corpo do grifinório no decorrer dos anos.

- Quando nos contactaram para informar que você se encontrava nas imediações de Londres, eu não pude deixar de ficar surpreso. – Harry começou a comentar, como se estivesse falando sozinho.

E Draco fazia um esforço tremendo para que o rapaz tivesse essa sensação, mas ambos sabiam o quão ávidos se encontravam para falar um com o outro.

- Não sabia que era proibido caminhar pelas ruas à noite. – Malfoy se viu retrucar, tentando parecer desinteressado, e Harry se virou para encará-lo, sorrindo satisfeito ao conseguir uma resposta.

Aquilo fez o sangue de Draco ferver de raiva, era como se eles estivessem travando uma batalha muda e ele acabasse de perder o primeiro round.

- Nos últimos anos você se tornou uma figura rara para o público, Malfoy, vê-lo por aí, despreocupado, é no mínimo desconcertante. – Harry esclareceu, inclinando um pouco a cabeça para o lado enquanto observava o jovem loiro esfregar irritado a própria testa. – Foi por isso que um dos nossos espiões nos enviou uma mensagem, não muito discretamente devo dizer, já que você percebeu e tentou escapar.

Draco quase bufou ao ouvir aquilo. Tentar escapar não era uma expressão cotidiana dos Malfoy. Eles não tentavam, eles escapavam, eram tempos verbais bem distintos.

- Aplausos, Potter, sua explicação foi realmente emocionante, mas infelizmente sou capaz de deduzir isso tudo sozinho. – ele replicou com escárnio, evitando olhar novamente para o grifinório. – Agora se puder me fazer à gentileza de dizer aonde estou eu ficaria encantado.

Harry avançou alguns passos para frente tornando a se sentar, dessa vez virado de frente para Draco.

- Na sede da Ordem da Fênix.

Draco não demonstrou nenhum sinal sequer de surpresa e simplesmente olhou diretamente para Potter.

- Grimmauld Place. – disse mais para si mesmo, mas Harry ainda assim concordou com um gesto de cabeça.

- Vejo que Voldemort sabe o suficiente sobre os nossos esconderijos, não que tenhamos realmente nos empenhado em esconder essas informações.

Draco ergueu uma das sobrancelhas achando aquilo levemente divertido.

- O que lhe garante que o que sei, Voldemort sabe?

A pergunta fez com que Potter se inclinasse para frente, comprimindo os olhos com suavidade enquanto não desviava a atenção de Draco.

- Por mais que não tenhamos provas suficientes para prendê-lo, Malfoy, não somos tolos para ignorar o fato de que você está envolvido com Comensais da Morte. – o sonserino retribuiu o olhar na mesma intensidade, desafiando-o a prosseguir. – Sua sorte é seu nítido dom para realizar as missões que lhe são designadas sem deixar nenhuma pista.

E Harry disse aquela última constatação com um sorriso cansado, que no fundo da mente de Draco pareceu ter uma pontada de satisfação. O loiro se retorceu por dentro ao cogitar a idéia de Potter estar orgulhoso por ele ainda não ter sido preso e muito menos acusado de algum crime. Aquilo seria simplesmente irônico.

- Mais um motivo para eu me sentir ultrajado. – Draco retomou a própria compostura, sentindo sua confiança crescer à medida que falava. – Quem vocês pensam que são para simplesmente me interceptarem em um beco e acertar um golpe na minha nuca?

Harry riu.

- Nunca lhe disseram que é perigoso andar sozinho à noite?

Draco quase rosnou diante da provocação, ele não era nenhuma criança descuidada, aquelas regras não valiam para ele.

- De todas as formas, Potter, você acaba de deixar mais do que claro que posso simplesmente me levantar e sair andando daqui livremente a hora que eu bem quiser. – Harry fechou de leve os olhos e concordou com um aceno de cabeça. – Então, se me permite, não desejo passar o resto da minha noite sentado neste sofá imundo olhando para a sua cara.

E com isso Draco rapidamente se pôs de pé, esforçando-se para não deixar transparecer a leve tontura que o acometeu com o movimento brusco.

Harry o observou impassível, ainda sentado confortavelmente na poltrona próxima a lareira.

- E voltar para Voldemort sem as informações que ele quer? – o menino-que-sobreviveu sussurrou baixinho e ninguém teria dado atenção as suas palavras a não ser Draco, que conhecia muito bem o significado daquela constatação.

- Como... – Malfoy questionou numa expressão que dizia o suficiente sobre o que ele estava pensando.

Harry o encarou dando de ombros e aquilo enfureceu Draco de uma forma sem precedentes.

- Você usou Legimância em mim enquanto eu estava desmaiado? – questionou numa voz claramente ultrajada.

Harry novamente deu de ombros como se aquilo não fosse nada.

- Como ousa, Potter? Isso é simplesmente vil, até mesmo para um sonserino.

Harry sorriu de lado com o comentário sem deixar de olhar para a expressão impagável de Draco.

- Não seja hipócrita, Malfoy, você teria feito o mesmo. – e aquilo pegou o sonserino desprevenido, que deixou os lábios se contorcerem em desgosto.

- Muito bem, Potter, sejamos justos, você tem a minha atenção agora.

E aquilo pareceu divertir profundamente Harry, que se levantou e com um gesto de mãos fez com que a poltrona o acompanhasse para mais perto de Draco.

- Isso também não quer dizer que eu esteja te convidando para uma conversa íntima e agradável. – Malfoy completou, tornando a se sentar no sofá empoeirado e observando com desconforto a nova proximidade de Potter.

- Não me trate como um completo estranho, Draco, já passamos dessa fase. – um arrepio discreto percorreu a espinha do loiro, o tom que Harry usara fora o que um amante usaria ao conversar com o companheiro, e o pior de tudo era a idéia de que aquilo não o desagradara.

- Antes de mais nada, Potter, não se sinta tão a vontade para me chamar pelo primeiro nome, não me lembro de ter lhe dado tal liberdade.

Harry recostou-se na poltrona, parecendo pensar por algum tempo.

- Pensei que seria justo chamar você de Draco agora que já tive a oportunidade de dar uma vasculhada na sua mente.

Novamente aquela fagulha incandescente de raiva acendeu em Draco, e ele mal viu a hora em que se lançou para frente, agarrando a gola das vestes de Harry, prenssionando-o de forma brusca contra a poltrona.

O menino-que-sobreviveu piscou meramente surpreso diante do gesto, e a certeza de que não conseguira assustá-lo só alimentou a chama de ódio que o loiro sentia naquele exato instante.

- Você acha, Potter, que só você foi condecorado com aulas extras sobre magias antigas, não é mesmo? – Malfoy sussurrou, o rosto muito próximo do grifinório.

Harry sentiu a respiração de ambos se chocarem e tentou controlar o ritmo das próprias inspirações, não deveria demonstrar mais do que já permitira, ambos sabiam que estavam numa batalha pessoal e que qualquer deslize contava pontos para o adversário.

Mas o grifinório não previra o que viria asseguir, e foi com satisfação que Draco o ouviu soltar um gemido de dor quando impeliu a força da própria mente para invadir suas lembranças e pensamentos.

Harry apertou por alguns instantes os braços da poltrona, as unhas cravando no estofado enquanto sentia a magia de Draco fluir para dentro de si, como uma faca afiada cortando-o ao meio e fazendo com que seus pensamentos fluíssem para fora e para todos os lados.

Potter não se preocupou em fechar a mente através da Oclumência, porque mesmo que houvesse se tornado um mestre tão bom nesta arte quanto Severus ele não sentia-se invadido ou violado pela repentina atitude de Draco.

E tomar consciência disso só deixou Malfoy ainda mais furioso, fazendo-o alimentar mais a vontade de destroçar a mente do menino-que-sobreviveu, a ponto de fazer Harry perder as forças e ficar num estado frágil debaixo de si.

As imagens rapidamente invadiram o cérebro de Draco, como cenas de um filme passando muito rápido. Ele sabia que ali estava tudo o que Harry presenciara, tudo o que o menino-de-ouro sentira e sentia, e embora a idéia de ter em mãos a liberdade de bisbilhotar o que quisesse, a lembrança de que o grifinório não estava resistindo e que lhe permitia ver tudo aquilo o estava deixando confuso.

Vasculhando as memórias bagunçadas de Potter da época em que estavam em Hogwarts, ele imaginava se o grifinório não estava agindo daquela forma por um senso estúpido de nobreza por ter invadido sua mente enquanto estivera desmaiado. Mas quem se importava? Nobreza não era para sonserinos, se Harry esperava dele algo assim ficaria profundamente desapontado.

Passeando por lembranças obscuras, desde brigas e conversas com a sangue-ruim e o fuinha do Weasley, Draco observou breves momentos que fizeram Potter rir e chorar, nada disso atraiu sua atenção e ele simplesmente empurrou as imagens para o fundo da mente.

Entretido no que fazia, ele revia tudo o que Harry passara nos últimos anos, achando estúpido os conflitos amorosos do rapaz no quarto ano com relação a Cho Chang e tendo que se conter para não gargalhar ao descobrir que Potter tivera uma queda por Luna Lovegood.

Distraindo-se daquelas curiosidades bobas, ele tornou avançar na linha do tempo das lembranças de Harry, aumentando a velocidade das memórias, só parando bruscamente quando vislumbrou a própria imagem numa delas.

Meio chocado ele se viu sentado numa das janelas do corujal, mordiscando desinteressado uma maçã verde. Dentro da memória de Potter ele soube que naquele momento o menino-que-sobreviveu o observara escondido debaixo de sua capa de invisibilidade e que sentira por ele um estranho misto de compaixão ao ver a transparência de sua aura solitária. Aquilo o fez se contorcer irritado, ele não estava solitário só porque estava no corujal sem ninguém para lhe fazer companhia. Potter às vezes era tão ridículo.

E ignorando também esta memória que taxou como estúpida, avançou em sua viagem dentro da 'mente de Potter'. Imagens de conversas com Dumbledore, trechos de tensão ao lado de Remus Lupin e Sirius Black se seguiram e Draco a cada instante notava o quanto a vida de Harry Potter não fora tão simples e mimada como ele achara. Tinha mais tristeza naquelas lembranças do que momentos de bajulação e outras coisas bestas que ele considerara fazer parte do dia-a-dia do garoto de ouro.

Ele ficou particularmente interessado numa lembrança perturbadora de Harry encarando de forma estranha Blaise Zabine, tentou se concentrar na imagem, buscando escutar o que Potter pensara naquele momento, mas uma força forte o arrancou de dentro daquela memória, impedindo que ele satisfizesse a própria curiosidade.

Contrariado, aquilo só serviu para constatar que tinha aquele acesso porque Potter permitira e para seu desgosto, a força da oclumência de Harry era gigantesca e a qualquer momento o grifinório poderia simplesmente expulsá-lo de dentro de sua mente.

Ignorando estes detalhes, continuou a revirar a cabeça do menino-que-sobreviveu, passando por jogos de quadribol e entrando numa parte mais obscura que tratava das longas batalhas que o jovem já tivera contra comensais e o próprio Voldemort em pessoa.

Draco já estava ficando entediado. O que quisera ver Harry não lhe permitira e toda aquela angustia com relação ao Lord e suas ações maléficas não lhe atraia nenhum pouco. Nunca em toda sua vida pensara que a vida de Potter fosse um tamanho porre.

E foi pensando nisso que ele de repente despencou em uma lembrança, como se tivesse caído sem querer em um poço.

Rapidamente ele percebeu que a imagem estava mais desfocada do que as outras. Esforçando a própria percepção notou com alguma dificuldade a presença do próprio cabelo platinado ao fundo da imagem, e continuando a inspeção observou ainda mais horrorizado os dedos de um Harry Potter desesperado presos aos seus fios claros, parecendo segurá-los como se a vida de ambos dependessem daquilo.

Um frio rapidamente percorreu o estômago de Draco e ele notou que na imagem Harry chorava e mantinha-se imóvel, o rosto contorcido em uma tristeza que ele não conseguia compreender.

Malfoy caminhou dentro da lembrança, tentando ter uma visão melhor do que acontecia. Já tinha noção que ambos estavam em um quarto escuro ao qual ele não se recordava de forma alguma, o que só podia significar duas coisas, ou aquilo era um sonho, ou uma premonição.

Curioso, aproximou-se, e o que viu o chocou. Harry estava praticamente sentando sobre seu corpo, os joelhos de cada lado. Um filete de sangue escorrendo do canto da boca, e sua mão esquerda estava suja com a mesma substância rubra, mas era sangue demais para vir somente daquele corte. Tomando fôlego ele olhou para si mesmo, e o que viu o fez dar um passo para trás, quase tropeçando.

Seus olhos estavam fixos no teto, sem vida. Sua pele mais pálida que o normal, adquirindo suavemente uma coloração azulada. Uma poça de sangue se formava abaixo de sua cabeça, começando a mesclar a cor carmim com seus fios loiros.

Draco estava mesmerizado com aquilo tudo, sua mente rodava e sua atenção ia de sua imagem morta para o Harry desesperado da memória, que chorava como se tivesse acabado de destruir a coisa que lhe era mais preciosa.

Malfoy não soube quanto tempo teria permanecido ali se algo não o tivesse sugado para fora.

Harry permitira que ele visse aquilo, o que poderia significar? Era algo que aconteceria no futuro, era aquele o destino de ambos?

E em meio a essa confusão ele pode ouvir a distância a voz de Potter ecoar dentro de sua mente.

Foi apenas um sonho que tive, Malfoy.

Mas mesmo assim isso não o reconfortava, e a imagem de Potter chorando sobre seu corpo, desesperado, não saía de sua mente.

Ainda em volto nesse estupor ele sentiu-se sugado, Harry agora o estava guiando dentro das próprias lembranças, mas de repente Draco não sentia mais vontade nenhuma de observar o que se passava na cabeça do menino-que-sobreviveu.

Encontrava-se definitivamente enjoado.

Só que ele não lutou contra o fluxo e deixou Potter arrastá-lo, e imediatamente ele se viu em uma imagem sombria.

Piscando os olhos como se aquilo fosse capaz de ajudá-lo a ver melhor dentro da escuridão da lembrança, ele observou o ambiente. Era noite, estava chovendo e definitivamente àquele era um campo de batalha.

Olhando para o céu ele viu nuvens negras serem cortadas por trovões. Gritos de dor, feitiços, choro... era um ruído monstruoso misturado a uma confusão de cores, sons e cheiros. Aquilo era guerra, ele se lembrava muito bem de ter presenciado cenas semelhantes a sua própria maneira.

Mas desligando-se das considerações finais, ele finalmente olhou para baixo, vendo o corpo de um comensal estendido no chão, sem vida.

Um nome rapidamente lhe veio à mente.

Pettigrew.

E aquilo invocou suas próprias memórias, fazendo-o se recordar que ninguém nunca soubera o fim incerto daquele traidor, nem mesmo Voldemort conseguira determinar se o homenzinho nojento estava realmente morto e se sim, quem o matara.

Mas agora ali estava a verdade, diante de si.

O corpo de Peter Pettigrew jazia estendido de forma fria no chão, completamente rígido, os braços torcidos e na face uma expressão de horror que somente as vítimas da pior das maldições imperdoáveis mantinham.

Draco da onde estava ergueu o rosto, agora olhando para o lado, e deparou-se com um Harry Potter de olhos arregalados. O rosto moreno que vira momentos atrás frente a frente estava branco como papel, e os lábios tremiam incontrolavelmente.

Malfoy observou o grifinório olhar para as próprias mãos, chocado, e num estalo soube que aquela fora a primeira vez que Harry matara.

Subitamente fascinado ele observou a expressão de espanto de Potter se modificar rapidamente para uma de realização, para logo em seguida se contorcer em algo inexplicável que deu vazão a raiva, ódio, nojo e finalmente tristeza.

Em poucos instantes Harry começara a gritar descontroladamente, como se o mundo estivesse desmoronando, e Draco percebeu que na cabeça do menino-que-sobreviveu somente algumas palavras coerentes podiam ser compreendidas.

Sangue... Imperdoável... Assassino… Imperdoável… Traidor… Assassino…

E a voz ficava cada vez mais alta, até que tudo o que Draco conseguia ouvir era um grito tenebroso.

Assassino!

E foi neste estado que ele sentiu que o puxavam e o arremessavam para trás. Por um instante ele ouviu a própria voz gritando, a expressão de Harry ainda dançando em sua mente, fazendo-o ter uma súbita ânsia de vômito.

Ele se contorceu no chão aonde pousara ao ser jogado para longe do corpo de Potter.

- Harry, você está bem? – ele conseguiu ouvir uma voz feminina e aquilo o deixou ainda mais enjoado.

- Sim, Mione, eu estou bem. – Potter respondeu em um tom cansado, mas mesmo assim controlado, parecendo que nada acontecera. Draco simplesmente não conseguia compreender como o maldito podia estar tão bem depois daquilo tudo que haviam presenciado.

Ele sabia exatamente o que acontecera. Ele se envolvera tanto nas memórias de Harry que era como se estivesse sentindo tudo o que o idiota sentira ao matar pela primeira vez e aquilo o estava sufocando-o, deixando-o sem ar.

Ele sentiu uma movimentação, mas não soube dizer exatamente o que estava acontecendo. Sua mente estava perdida nas palavras que haviam ecoado pela mente de Harry.

Morte... Sangue... Assassino, assassino!

- Nem acredito que chegamos a tempo! Estávamos lá embaixo como você pediu, mesmo que não quiséssemos, e começamos a ouvir gritos, pensamos que vocês dois estavam se matando. – novamente a voz da tal Mione, da sangue-ruim, ecoou pelo quarto.

- Já disse, Mione, estou bem.

- Bem? Harry! – um tom esganiçado invadiu os ouvidos de Draco, fazendo-o trincar os dentes. – Essa doninha idiota estava em cima de você, ele estava te enforcando!

Draco com certeza riria daquela idéia estúpida, de quem quer que fosse, se não sentisse como se estivesse prestes a morrer.

- Não exagere, Ron. Se Malfoy estivesse mesmo me enforcando, com toda certeza seria eu quem deveria estar passando mal e não ele.

E quando Potter fez essa constatação Draco soube imediatamente que agora todos o encaravam, encolhido naquele chão imundo, pálido como se tivesse visto um fantasma.

Draco ouviu um muxoxo escapar dos lábios da doninha e pelo menos aquilo o fez se sentir levemente melhor.

Ainda enjoado sentiu algo aproximar-se de si e ajoelhar ao seu lado, logo em seguida soube que era Potter, e o que o deixou realmente horrorizado foi constatar que reconhecera o maldito pelo cheiro.

Era ultrajante.

- Acho que isso responde a sua pergunta, não é mesmo, Draco? – o sonserino o ouviu murmurar bem baixo, para que somente ele ouvisse.

Aquilo o fez ter novamente uma violenta ânsia de vômito.

A que perguntar Potter se referia? E foi pensando nisso que sentiu uma mão gelada ser pressionada contra sua testa, seguida por uma voz suave dizendo para ele relaxar.

Como se fosse fácil relaxar com aqueles gritos terríveis rondando sua mente.

E antes que ele adormecesse ele conseguiu vislumbrar parte do rosto de Harry encarando-o preocupado.

Quando finalmente desfaleceu, o fez mais uma vez tendo os olhos verdes de Potter como uma última imagem.


Nota da Autora: Espero que tenham gostado desta primeira parte, logo logo estarei atualizando a continuação.

Deixem reviews dizendo o que acharam.

- Corrigido em: 01 de abril de 2008. Mal de internet, escrevi premonição com u ..' Obrigada a Lithos-chan que me avisou xD.

- Revisado em: 24/03/2009