O Peso do Destino

Parte Oito - Ignição


- Dumbledore, isso é ridículo. Não podemos arriscar a vida do Malfoy desta forma. Voldemort não é nenhum pouco idiota, antes que tomemos qualquer atitude ele já vai estar morto. – Sirius grunhiu revoltado, observando a barba branca do velho bruxo brilhar intensamente sob a luz das velas espalhadas ao redor da sala.

- Infelizmente eu serei obrigado a concordar com o Black, Draco não terá a mínima chance de escapar. É um caminho sem volta. – Severus raciocinou, mostrando-se muito mais contido na forma de expressar sua opinião.

Dumbledore encarou os dois homens de forma grave, sentindo-se levemente orgulhoso ao ver que por mais que houvesse aquela estúpida rivalidade entre eles, ainda eram capazes de por as brigas de lado para defender a vida de um companheiro de batalha.

- Por mais que eu me sinta lisonjeado e satisfeito por saber que minha legião de fãs aumenta a cada dia, – Draco falou, arrastando a voz mais do que o normal, apenas para ter o prazer de irritar os presentes. – Acredito que quem deve escolher aceitar esta missão sou eu. – As últimas palavras sendo proferidas de forma tranqüila, mas não sem estarem carregadas de um tom determinado e desafiador.

Tanto Sirius quanto Severus encararam o jovem bruxo com expressões nada amigáveis. Remus do seu canto da sala apenas revirou os olhos sabendo a onde o temperamento dos três homens os levaria.

Draco estava entediado. Aquela discussão provavelmente não teria fim. Tanto Severus, quanto Black pareciam obstinados a contrariar as idéia do atual diretor de Hogwarts e no final das contas, ele, que era o mais interessado, só queria simplesmente ir para casa.

- Porque não estou surpreso ao ouvir você dizer isso? Sempre soube que nada de bom viria da sua convivência com Potter. Não me espanta agora ver o quão infectado você está pelo enorme heroísmo que o testa rachada carrega. É como se fosse uma praga. – Severus comentou com desdém.

Remus com o fim do comentário teve que segurar Sirius pelo braço, impedindo que aquela discussão finalmente passasse para algo mais físico. Draco por outro lado parecia lutar ferozmente contra sua vontade de simplesmente azarar o Mestre em Poções.

- Senhores, por favor. - Dumbledore finalmente se pronunciou, gesticulando as mãos na tentativa de dissipar um pouco da tensão que começava a se acumular no ambiente. – Indiferente de quais sejam meus planos, Sr. Malfoy está mais do que correto no que disse. Não posso obrigá-lo a se tornar parte de algo ao qual ele não deseja participar.

Ao ouvir isso Sirius revirou os olhos já sabendo a onde aquilo tudo iria levá-los. Por mais que admirasse Albus Dumbledore, ele sabia muito bem que o bruxo não teria proposto nada daquilo em primeiro lugar se não tivesse a certeza de que Draco concordaria com aquela idéia absurda. Desde o início aquela fora uma batalha perdida.

- Então suponho que este é um sinal para que eu me prepare para consolar um Harry Potter bastante desolado quando tivermos que enterrar o corpo da fuinha, certo? – Black finalmente deixou escapar o que desde o início daquela conversa estava fazendo sua língua coçar.

- Sirius! – Remus exclamou, olhando irritado para o companheiro.

- Não, Moony, temos que ser francos aqui! – Padfoot vociferou revoltado. - Essa missão não é uma mera visitinha para o chá. As chances dele não ser pego, morto e torturado são mínimas. E no final, quem vai sofrer com tudo isso é o meu afilhado, porque obviamente Draco é egoísta o suficiente para se matar em campo de batalha sem pensar nas pessoas que ele está deixando para trás. – As últimas palavras escaparam de sua boca como agulhas impiedosas, fazendo Draco arrepiar-se em um misto de dor e culpa.

- E você acha que eu estou disposto a morrer pelo o quê, Black? Pela Ordem? Você acha que eu entrei nesse clubinho particular porque acho adorável poder usar furtivamente um broxe com uma fênix brilhante? – Draco questionou ironicamente, observando o auror cerrar os punhos com a provocação. – Se eu morrer nesta missão, foi para o bem do seu afilhado e não por um 'ato egoísta', será pelo mesmo motivo que eu aceitei a me submeter a esta Ordem e ao status de espião.

Sirius engoliu em seco, a fúria ainda entalada em sua garganta. Ele sabia o resultado de tudo aquilo, sabia que no final seria ele quem teria que assistir Harry rastejar pelos cantos recolhendo os cacos do que tinha sobrado. Por mais que Draco estivesse com a intenção de sacrificar tudo por seu afilhado, na cabeça de Sirius a missão do sonserino era simplesmente se manter vivo e ser um dos poucos motivos que Harry ainda tinha para continuar lutando.

Mas vendo o loiro falar daquela forma ele tinha certeza que ele sozinho não seria capaz de tirar aquela idéia absurda da cabeça do bruxo. Draco já tinha se convencido que faria o que fosse necessário para ajudar Harry a derrotar de uma vez por todas Voldemort, e se isso significasse morrer, ele estava pronto para se entregar de braços abertos.

Malfoy observou o sentimento de raiva nos olhos de Sirius sumir lentamente dando lugar para revolta misturada com tristeza e aceitação. Aquele era o desejo dele, todos naquela sala tinham a obrigação de respeitar e aceitar isso e por mais que ele tivesse dúvidas de que sairia vivo desta missão, em algum lugar lá no fundo do seu ser havia aquela pequena esperança de que algo no fim das contas acabaria dando certo.

- Só espero, Malfoy, que você não se arrependa depois. – Sirius disse por fim, apontando o dedo para Draco.

- Só se for em seus sonhos. – o loiro retrucou bastante convencido do que estava dizendo.


Draco sentiu o ar entrar em seus pulmões como se ele estivesse sendo rasgado ao meio.

Não posso parar, não posso parar. Força Draco, isso não é hora para sentimentalismos!, sua mente gritava indignada, mas seu corpo reclamava e estava cada vez mais difícil ignorar.

Seus olhos ardiam, seu braço pulsava como se estivesse sendo puxado para fora do corpo e o pior de tudo eram suas pernas, que embora estivessem inteiras, doíam tremendamente devido ao esforço para correr.

Praguejando em silêncio enquanto esbarrava nas paredes em alta velocidade, ele sentia o desespero cravar as unhas ao redor de seus pensamentos. Aquele lugar era um labirinto sem fim, não fazia a mínima idéia da onde ir ou de como escapar.

Tropeçando em algumas pedras, ele sentiu-se despencar, o corpo pesado caindo sobre inúmeras poças d'água, seus cabelos loiros antes penteados de forma impecável, agora empapados de suor e sujeira.

Maldita Ordem, já faz um bom tempo que mandei o sinal. Não vou conseguir..., sua mente fervia enquanto ele sentia uma vontade imensa de simplesmente se dar por vencido e continuar ali, caído, esperando o destino dar cabo do resto.

E era nestes instantes que a imagem de Harry pulsava em seu cérebro dando-lhe um choque elétrico, e em um único impulso ele estava de pé novamente, correndo desembalado, rezando para encontrar alguma saída.

Foram minutos de desespero, aflição, o coração batendo como se não houvesse mais nada além daqueles míseros instantes de tensão, e quando Draco escutou uma explosão, gritos, zumbidos... foi só aí que ele percebeu que estava chorando e que o prédio estava em chamas.

Agora mais tateando o caminho do que enxergando, ele tentou ignorar tudo e continuou sua corrida desembalada.

Harry!, sua mente gritava. Harry..., e era quase um mantra na tentativa de encontrar forças em algum lugar obscuro de seu ser ao qual ele desconhecia.

Foi neste estado de pânico que ele finalmente deparou-se com o céu escuro do lado de fora da construção, o vento cortante da noite açoitando seu rosto, seus olhos piscando incontrolavelmente para se ajustar ao ambiente.

Ele conseguira, saíra do labirinto, e foi neste instante que ele sentiu um feitiço atingir suas costas, arremessando-o vários metros à frente.

Vozes explodiram por todos os lados, alguém correu em sua direção, outro feitiço passou por cima de seu corpo e em segundos um barulho infernal o atordou, e erguendo a cabeça e olhando a sua volta, Draco viu aurores e comensais da morte se digladiando em um mar de sangue e corpos.

- Malfoy! – alguém gritou muito próximo. Draco virou o rosto procurando a fonte, sem saber se deveria correr ou sentir-se mais seguro. – Malfoy! – o grito ecoou novamente, agora ao seu lado e antes que o bruxo reagisse alguém o agarrou pelo braço, fazendo-o rangir os dentes de dor.

Draco ergueu o rosto na esperança de estar encontrando algum aliado e foi com alívio que se deparou com a face preocupada de Lupin.

- Segure-se, vou te levar para a sede da Ordem. – o lobisomem imediatamente informou, sacando do bolso uma chave de portal e enfiando-a sem nem avisar numa das mãos de Draco.

Em poucos segundos ambos giraram loucamente sem sair do lugar. Malfoy sentiu o próprio estômago gritar, seus músculos doloridos se contraindo furiosos com a tensão provocada pelo transporte, e quando ambos chegaram ao destino desejado, não foi surpresa nenhuma para Draco o enjôo repentino que subiu por sua garganta, fazendo-o se curvar involuntariamente para frente, vomitando sobre o chão.

Remus franziu a testa preocupado ao assistir a cena e imediatamente de uma das salas, surgiu um Sirius bastante afobado.

- Moony, você o encontrou? – Black perguntou sem nem ao menos tomar fôlego.

O lobisomem olhou para o animago enquanto se agachava e massageava de leve as costas de Draco, sentindo o loiro se retesar de dor com o toque.

- Não foi fácil, Pad. Aquele lugar está um inferno.

Sirius apenas concordou com a cabeça, olhando de uma forma estranhamente preocupada para Draco.

- Malfoy? – ele chamou hesitante, não sabendo exatamente como lidar com o loiro naquele estado.

- Por Merlim, Black, será que não posso ter a paz de consciência nem para vomitar com tranquilidade? – Draco praguejou com a voz rouca, mais para disfarçar o terror que ainda havia em seus ossos do que para provocar o bruxo.

Sirius deixou um sorriso aliviado escapar levemente por seus lábios e Remus olhou para ele igualmente mais leve, vendo que o loiro estava bem o suficiente para fazer piadinhas infames.

- Vamos, Draco. – Remus incentivou com suavidade o rapaz a se erguer. – Você precisa de cuidados médicos. – completou, fazendo um sinal para Sirius que mais do que depressa sumiu em um dos corredores para ir encontrar um medibruxo.

Em poucos instantes Malfoy se viu sentado em uma sala qualquer, um cobertor bem quente repousado sobre seus ombros enquanto McGonagal tentava obrigá-lo a tomar um chá bastante suspeito. Remus recostado em uma das paredes o observava atento, parecendo esperar que ele fosse desmaiar a qualquer momento.

- Eu não vou morrer. – Draco finalmente praguejou, indignado, tentando pela segunda vez recusar a xícara de chá oferecida pela bruxa.

- Mas poderia ter morrido, Sr. Malfoy. – a bruxa retorquiu, comprimindo ferozmente os lábios enquanto o fitava com severidade.

Lupin observou o jovem bruxo com curiosidade, seus olhos passeando da face mais pálida que o habitual para as mãos manchadas de sangue, que insistiam em empurrar a xícara oferecida. Draco tremia, e se Remus não estivesse observando bem não teria notado, porque o loiro se esforçava bastante para esconder.

Enquanto Minerva digladiava tentando argumentar com o bruxo para que ele aceitasse a bebida, Sirius adentrou o recinto sendo seguido de perto por um medibruxo, que mais do que depressa aproximou-se de Draco, apoiando uma das mãos no pescoço do rapaz.

- Mas o quê- - Draco já começou a reclamar com a ousadia do homem, mas foi imediatamente interrompido.

- Quantas cruciatus, senhor Malfoy? – o medibruxo perguntou sem muitas delongas, agora puxando as mãos pálidas do loiro e virando as palmas para cima, traçando com os dedos algumas veias que partiam do pulso.

Draco lançou um olhar ao redor, pensando em alguma forma de deixar a perguntar passar em branco, mas o bruxo parou o que fazia para encará-lo, aguardando alguma resposta.

Malfoy engoliu em seco, olhando para as próprias mãos trêmulas.

- Sete. – respondeu por fim e a sala teria decaído em um silêncio fúnebre, se um som semelhante a um grunhido não tivesse vindo do umbral da porta.

Todos imediatamente se viraram para olhar e foi com muita surpresa que se depararam com um Harry Potter no mínimo furioso.

-O que significa isso? – Potter perguntou, os olhos verdes cintilando por detrás dos óculos enquanto encarava todos na sala com um ar claramente acusatório.

- Harry, o que você está fazendo aqui? – Sirius rapidamente questionou franzindo o cenho, aquilo era no mínimo inesperado.

- Como o que eu estou fazendo aqui? – Harry questionou lançando um olhar estranho ao padrinho enquanto caminhava para mais perto de Draco sem exatamente alcançá-lo. – O mundo bruxo está em estado de calamidade com uma suposta batalha em um bairro trouxa de Londres, acredito que minha obrigação era vir para cá ao saber disso, não?

E ao mesmo tempo que Sirius estranhava o tom irritado do afilhado, Draco mantinha-se cabisbaixo, não sabendo o quanto exatamente Harry ouvira ou o quanto conseguira deduzir ao vê-lo ali.

- Nós decidimos não intervir com força total, alguns de nós ficaram responsáveis por vigiar a sede – Lupin tentou apaziguar o ambiente, ao mesmo tempo que Sirius se segurava para não falar nenhuma besteira. – E você deve ficar aqui também, essa batalha não é nossa, é do Ministério, seria arriscado nos misturarmos em uma luta sem nenhuma estratégia prévia.

Harry olhou para o ex-professor piscando os olhos enquanto tentava entender exatamente o que estava acontecendo. McGonagal de seu canto da sala, continuava muda, aguardando o desenrolar daquela situação, assim como todos os presentes, ela se encontrava temerosa em acabar deixando escapar algo desnecessário.

- E o que exatamente Malfoy está fazendo aqui? – ele perguntou por fim, olhando agora fixamente para o loiro que fazia o possível para não tremer e para não encará-lo de volta.

- Ele foi trazido por um dos nossos, o capturaram no campo de batalha. – Sirius mentiu descaradamente sem demonstrar nenhum pingo de vergonha ao olhar nos olhos do afilhado.

Draco sentiu-se profundamente agradecido com isso, o que já era algo surpreendente tendo em vista que quem o ajudara fora Sirius Black.

Potter olhou desconfiado para o padrinho, todos agora na sala prendiam a respiração e foi com certa surpresa que observaram Harry girar nos calcanhares e sair porta a fora bastante irritado.

Imediatamente uma onda de magia rompeu para dentro do lugar e tanto Remus quanto Minerva arregalaram os olhos espantados.

- O que foi isso? – Draco questionou levemente assustado e impressionado.

- Isso, Malfoy, é um Harry Potter furioso. – Sirius imediatamente respondeu, dando indícios que iria atrás do bruxo.

- Não. – Lupin o segurou pela manga da capa. – Dê um tempo para ele. Mentir diante de uma situação como essa foi à pior decisão que tomamos, ele tem todo o direito de estar bravo.

Malfoy levou uma das mãos aos olhos tentando por de lado todas suas dores para poder se concentrar naquela situação.

- Eu vou atrás dele. – disse por fim, erguendo-se com certa dificuldade e descobrindo que suas pernas não estavam tão fortes quanto ele imaginava.

- Senhor Malfoy, o senhor não está em condições- - o medibruxo imediatamente protestou, mas um simples olhar de Draco o fez se calar.

Caminhando com dificuldade até a porta, Draco evitou olhar para trás tentando ignorar os olhares preocupados que todos lhe lançavam ao vê-lo caminhar com extrema dificuldade.

Como se eu fosse alguma espécie de donzela indefesa, praguejou mentalmente, enfezado.

Andando pelo corredor comprido da sede, ele passou por algumas inúmeras salas, em sua maioria estranhas. Grande parte delas estavam com a porta trancada, algumas nem porta tinham. Draco imaginava se seria realmente capaz de encontrar Harry no meio daquele pandemônio, e foi com um certo alívio que ele abriu uma das porta e se deparou com um estranho jardim, vendo mais adiante, sentado de costas para si, um Harry Potter claramente tenso.


Notas da Autora: Estou levemente envergonhada de escrever qualquer coisa aqui. Minha vida mudou tanto desde a primeira vez que escrevi o primeiro capítulo dessa fanfic, que nem sei o que dizer para vocês. No passado eu era um teco mais otimista e sonhadora, agora com a realidade, me tornei basicamente cruel e realista. Temo que isso venha afetar o fim dessa história, mas veremos como as coisas irão prosseguir.

Para os que perguntaram, não, nunca tive a intenção de abandonar esta fanfic, na verdade este capítulo aqui estava pronto a 1 ano. Não me matem por isso! Irei continuar a medida que minha alma se acostuma a nova vida maldita que tenho, por isso acredito que em breve estarei postando a parte nove.

Agradeço a todos que acreditaram, mandaram msg brigando cmg, etc etc. Eu mereço a raiva de vcs.

Espero que gostem. E para variar um certo suspense no final do cap. para deixá-los curiosos. ;D