N/A: O vento de inspiração me trouxe algumas idéias pra terminar a maioria dos capítulos, enjoy.

At home

O dia amanheceu nublado, mas o desânimo provocado pelo dia sem sol não parecia afetar Roy.

- E então Doutor? Quando ela vai sair?

- Acho que ela terá alta á partir das duas da tarde.

- Sério?

- Sim, espero que o senhor possa cuidar bem dela enquanto estiver em casa.

- O que?

- Bom, não teremos enfermeiros disponíveis para os próximos dias. Você sabe, feriados. Natal, ano novo...

- Ah, claro... Mas... O que exatamente tem que ser feito?

- Ora, o básico. Curativos, Banho e Comida. Mas em breve ela poderá fazer a maioria sozinha, menos o banho que exige mais cuidado com as feridas.

- O banho... – Roy ficou parado olhando para o nada, ele não poderia dar banho em Riza, isso seria um tanto quanto estranho. Talvez Shieska fizesse essa parte por ele.

- Coronel Mustang?

- Sim? – Ele saiu de seus devaneios, uma enfermeira o chamava agora.

- A Srta. Hawkeye já está acordada, se o senhor quiser entrar para cumprimentá-la.

- Ah, claro, eu já vou. – Ele sorriu (a enfermeira quase caiu) e tentou arrumar o cabelo. Pegou coragem e entrou no quarto.

Riza estava deitada, olhando para a janela, ela se virou instintivamente quando Roy se aproximou.

- Oi.

- Oi.

Silêncio. Ele olhava para o chão, ela olhava para o teto.

- Hoje não tem sol, isso é uma pena... As feridas doem mais no frio...

- Você quer algum sedativo? Eu posso chamar a enfermeira e...

- Não! Ficar inconsciente e totalmente passada não é muito bem a minha melhor distração. Eu gosto de conversar, me faz sentir quase normal... Mesmo deitada nessa cama.

- É... Realmente deve ser irritante ficar deitada aí vinte e quatro horas por dia...

Riza sorriu e voltou á olhar para fora, Roy acompanhou o olhar dela, mas não havia nada além do céu, afinal, estavam em um dos últimos andares do hospital.

- Sabia que o Miguel recebeu alta hoje de manhã? – Disse Roy tentando puxar assunto.

- O Miguel? Ah, claro... – Ela pareceu ficar meio perturbada e Roy pode ver suas bochechas corarem.

- Aconteceu alguma coisa?

Ela olhou para Roy.

- Como?

- Você e o Miguel, vocês brigaram? Eu notei que você não quer ouvir o nome dele ultimamente, você fica estranha.

- Ah, isso... – Ela desviou os olhos de Roy e pareceu relembrar alguma coisa. Desde quando o Coronel observava dessa forma? Não era tudo baseado em... Tanto de peito, tanto de bunda, tanto de beleza?

- Você gosta dele? – Perguntou Roy.

- O que?! – Riza olhou novamente para ele, meio surpresa com a pergunta.

- Você gosta dele? É só uma pergunta idiota, não precisa responder se não quiser...

- Eu gosto dele, mas não desse jeito que você ta pensando... Eu o vejo como um irmão. Eu já te disse isso.

Roy ficou quieto, imaginava que ela repetisse isso. Se não era Miguel, era Jasper? Ele tinha que descobrir quem era o homem que tanto fazia Riza sofrer. Aquele que ela relacionou a história com a história do fantasma da ópera.

- E o Jasper? – Meio improvável, mas não custava tentar.

Riza olhou confusa.

- Jasper? Oh meu deus, Roy! O Jasper é maravilhoso, é puro e gentil. Mas eu não o vejo de outra forma que não a de um amigo, quase um irmão mais novo.

- Hum...

- Mas porque esse tipo de pergunta, tão de repente?

- Nada. – Ele ficou quieto.

Riza não tinha presenciado a mudança de Roy nos últimos dias, para ela ele ainda era o superior meio irresponsável que sempre ficava bêbado e que ela costumava ajudar quando estava em problemas. Mas ela o amava. Desse detalhe ele ainda não sabia.

As enfermeiras entraram no quarto e interromperam o rumo um tanto constrangedor que a conversa estava tomando, Roy já ia saindo, mas a enfermeira chefe o chamou.

- Você pode nos ajudar aqui hoje?

- Eu?

- Nosso enfermeiro está cuidando de uma emergência, precisamos de alguém forte para nos ajudar á mover a paciente.

Roy olhou para Riza, ela estava quieta olhando para a enfermeira.

- Bom, se ela permitir. Eu ficaria feliz em ajudar. – Ele sorriu.

Riza olhou para ele surpresa, desde quando ele tinha se tornado uma pessoa tão atenciosa e bondosa?

- Acho que não tem problema. – Ela disse num tom baixo.

Roy não tinha a menor idéia de como se iniciava uma sessão de curativos e ficou surpreso quando as enfermeiras começaram a olhar pra ele.

- Você tem que segura-la e impedir que ela apóie os recém curativos na cama. Vá colocar seu avental.

Roy fez o que a enfermeira chefe pediu e foi até a recepção pegar um avental. A secretária o olhou de cima a baixo, ainda se lembrava dele (E quem não se lembrava?).

- Senhor Mustang, o que deseja? – "Um encontro? Estarei feliz em atendê-lo."

- Um avental, rápido. Estou fazendo o papel de enfermeiro.

A secretária pareceu se surpreender (como ela queria ser o paciente), mas não demorou muito em pegar um avental fechado em um plástico e entregar para Roy.

- Boa sorte. – Ela disse encarando o moreno, esperando que ele desse alguma cantada.

- Obrigado. – Ele respondeu e já voltou correndo para o nono andar, onde Riza estava.

A secretária ficou realmente desapontada.

Quando chegou no quarto percebeu que as enfermeiras tinham sedado Riza.

- Porque? Ela não estava com dor... Ela tinha me dito que...

- Ela que pediu. Ela não gosta da parte de remover os curativos, e dói um pouco mais no frio.

- Ah... Mas ela vai ficar bem até às duas?

- Sim, agora nos ajude. Pegue ela no colo.

- Certo...COMO?

- É, você ouviu, agora vai logo. Pega ela no colo...

Roy acabou de amarrar o avental e se aproximou da cama, Riza estava serena, ele se abaixou e a segurou, ela não era pesada. E a pele dela era tão macia...

"Para Roy Mustang, ela está no hospital, você é o chefe amigo bonzinho, só isso, sem pele macia." Ele tentava negociar com sua consciência mentalmente, mas ela já estava treinada para outros tipos de pensamentos e ele não conseguiu evitar pensar em como seria a pele de Riza em toda a sua extensão.

- Ótimo, agora a segure de lado. Isso, assim está bom.

Ele a segurou firmemente contra o peito enquanto as enfermeiras desamarravam a parte de trás da camisola e iam trocando o curativo das costas.

Meia hora depois elas pediram que Roy trocasse Riza de posição.

- Coloque-a na cama, cuidado.

Com Riza nos braços ele foi cuidadosamente até a cama e a colocou, mas curiosamente ela entrelaçou os braços no pescoço dele. Como se não quisesse que ele soltasse, ele gostou disso.

Ela abriu os olhos, ainda estava meio sedada, sorriu pra ele.

- Você é forte.

Roy não sabia o que responder, seria certo corresponder? Ela estava sedada!

- Senhor Mustang, ignore. É normal que os pacientes acabem fazendo esse tipo de coisa. Coloque-a logo na cama.

Ele fez um esforço monstro pra tirar os braços dela dali e a deitou cuidadosamente.

- E agora?

- Vamos trocar a parte da frente. Pra isso ela pode continuar deitada. Obrigada. – As enfermeiras deram um sorriso, Roy retribuiu com seu sorriso ultra mega blaster lindo.

Ele podia pedir para ficar, claro que podia, mas de uns tempos pra cá ele tinha mudado. Ele sentia isso. Tinha que ser mais responsável, parar de se comportar como um mero adolescente, afinal, se não fosse a sua irresponsabilidade nada teria acontecido com Riza, ela estaria no QG ralhando com ele, e não voltando da casa dele sozinha depois de tentar ajuda-lo com a ressaca enquanto uma gangue de malucos assassinos estava solta por aí caçando suas cabeças.

- Bom, se é assim eu voltarei mais tarde. Preciso fazer algumas visitas.

Ele saiu do quarto de hospital e ordenou que Fuery e Havoc ficassem de olho nos arredores.

- Ao sinal de qualquer coisa estranha, me chamem.

Depois de dar as ordens ele foi até o hotel do primo, Jasper já devia ter voltado de suas reuniões para o almoço.

Subiu até o restaurante do hotel, o primo estava lá e ficou meio surpreso de ver Roy ali.

- Roy!

- E aí Jasper...

- E então? Como ela está?

- Acho que ela vai ter alta agora á tarde.

- Você sabia que o tal do Miguer já teve alta também?

- Sim, eu sei.

- Eu liguei para ele, pra dizer que Riza também vai sair logo. Ele me chamou pra almoçar na casa dele amanhã.

- Almoçar lá? Uau. Só vocês?

- Não, a irmã dele também vai estar lá.

- Irmã... Ah sim, a daquele dia.

- É.

Roy reparou que Jasper estava meio perdido.

- O que foi Jasper?

- Nada.

- Tem alguma coisa... E eu acho que está relacionado com a garota. – Roy sorriu maliciosamente.

- O que?! Que é isso primo! Só vi a moça uma vez!

- Ham, como você sempre disse, burro velho não se passa por cavalo. Eu te conheço, Jasper Mustang.

- Hunf, tudo bem. Eu achei a moça bem atraente.

- Uhul! Meu priminho foi fisgado!

- Cala a boca. A Anita é uma boa pessoa.

- Uau, até lembra o nome dela!

- Roy, eu não sei porque ocê acha isso tão empolgante, eu tenho a mesma idade que ocê, não sou inocente.

- Eu sei que não.

- E também, já ta na hora de tentar alguém...

- Primo, você me inspira desse jeito.

- Sério? Bom, espero que ocê e a Riza se acertem logo então. É a sua chance agora que ela vai sair do hospital...

- Qual é Jasper...

- Nem vem Roy, ocê não me engana não. E outra, se você não for em cima da sua chance logo, vem outro e leva a chance de ocê.

- Jasper... Temos mesmo que... – Roy dava um sorriso tentando deixar a conversa constrangedora um pouco mais casual.

- Primo, sabe o que me passo agora?

- O que?

- Ocê faz essa pose de machão, mas na verdade não passa de um frangotinho. – Jasper começou a rir.

- Como? Frangotinho? Jasper, você já viu a minha lista de mulheres...

- E o que que tem a sua lista? Ocê não tem coragem de encarar a mulher que você realmente gosta e fica descontando seus desejo e tudo o resto nas acompanhante! O que adianta essa lista se você não adquiriu nenhum conteúdo que valha a pena dela?

Roy ficou quieto, Jasper estava certo. Mas ele não ia admitir tão facilmente.

- Jasper, você não sabe de nada.

- Não é? Pela sua expressão eu acho que sei.

Roy pensou em contar para o primo sobre o que ele havia visto naquele livro. A tenente gostava de alguém e esse alguém a fazia sofrer e não a correspondia. Mas quem poderia ser? Ele sentia que estava deixando um grande detalhe escapar, mas não conseguia ver qual.

Ele viu o relógio da parede, já eram uma e meia.

- Droga, Jasper, eu volto outra hora.

- Hum, tudo bem. Porque a pressa?

- Ela tem alta ás duas horas.

- Ah, claro. – Jasper sorriu para si, ele podia negar o quanto quisesse, mas de uns tempos pra cá, a vida de Roy girava em torno da Tenente.

Roy demorou meia hora para chegar no hospital, quando chegou lá correu até a recepção, o médico de Riza já o esperava.

- Coronel Mustang! Fico feliz que pôde vir.

- Claro que sim, já vão liberá-la?

- Sim, mas antes precisamos que o senhor assine alguns papéis.

- Claro, qualquer coisa.

- Ah sim, quer que façamos alguma ligação?

- Er... Sim, liguem para este número. – Roy passou o número de Shieska. – Digam á ela que a Riza já esta fora e que estará em casa.

- Certo, senhor. – As enfermeiras se apressaram a pegar o papelzinho da mão dele (ficaram brigando a tarde inteira pra decidir quem faria isso, afinal, isso implicava em roçar na mão dele).

Mas ele não estava prestando atenção no quer que as enfermeiras estivessem tentando insinuar, ele queria assinar os papéis e sair com Riza dali.

- Onde estão os papéis? – Ele perguntou apressado para o médico.

- Pegue-os na secretária. Eu estarei no quarto da paciente, ajudando as enfermeiras.

- Certo.

Roy entrou na fila da secretaria, demoraram cinco minutos até chegar a sua vez, os olhos da secretária brilharam quando o viram.

- Senhor Coronel Mustang. – Ela se curvou no balcão de forma que seu decote pudesse aparecer. Deu certo de chamar a atenção da maioria dos homens presentes, mas Roy não estava nesse grupo.

- Bom dia, eu quero os papéis que tem que preencher pra tirar um paciente, ou qualquer que seja o termo usado. A questão é que minha subordinada terá alta e eu quero acabar com tudo isso de uma vez.

A secretária pareceu ficar magoada com a notícia, sem subordinada internada, sem Roy Mustang. Era triste.

- O médico já deu a autorização de busca?

- Sim, eu tenho que levar pra ele assinar de qualquer forma.

- Claro. – Ela pegou os papéis na pastinha destinada á Riza e entregou ao Coronel.

- Obrigado. – Ele correu escada acima até chegar no quarto.

O médico estava no corredor, Roy não precisou entrar.

- Ei, doutor. Os papéis.

Ele pegou os papéis da mão de Roy e os assinou também. Após uma pausa olhou para o alquimista e disse:

- Agora você finalmente pode levá-la Coronel. – Ele sorriu.

- E os papéis?

- Ficam comigo. Agora, pode entrar no quarto. Ela está acordada.

Roy olhou pelo minúsculo vidro da porta, não dava pra ver nada.

Assim que entrou no quarto olhou pra ela, Riza estava com o cabelo solto e com um vestido acompanhado de um casaco.

- Riza? – Ele olhou para a tenente na cama, ela se virou pra ele.

- Ah, é hoje que eu saio não é?

- Sim. Vamos? – Ele deu a mão para ajuda-la a levantar.

Riza se levantou com um pouco de dificuldade, tudo muito devagar para não ter perigo das feridas abrirem.

- Como se sente? – Ele passou os braços pela cintura e pelo ombro dela, ajudando-a a se estabilizar.

- Bem melhor. – Ela passou um dos braços pelo ombro dele.

Caminharam lentamente até a rampa que havia ao lado das escadas, era um longo caminho até embaixo. Riza fez uma cara de dor só de ver o tamanho, mas como ela nunca foi de reclamar colocou sua máscara despreocupada sob a de preocupação.

Roy conseguiu ver essa mudança e sabia que ela não ia reclamar mesmo que estivesse doendo.

- Eu te levo.

- O que? – Ela pareceu surpresa.

- É um caminho bem longo, eu te levo.

- Coronel, eu acho que...

- Shhiu, eu levo e pronto. – Ele colocou o dedo sob os lábios dela, fazendo com que ela ficasse quieta.

Roy a pegou no colo, daquele estilo que os homens seguram suas esposas assim que saem da igreja. O rosto de Riza adquiriu um tom intenso de vermelho quando chegaram na recepção e todos olharam para eles.

- Roy, pode me colocar no chão agora.

- Pra que? Já chegamos até aqui, vamos até o carro.

Ela não disse nada. Podia sentir os olhares de inveja.

Suavemente ele a colocou no banco de trás do carro.

- Você está bem?

- Sim. – Ela tentou sorrir.

O apartamento de Riza não era muito longe, foram quinze minutos de viagem.

Ele a segurou nos braços novamente para subir as escadas do prédio. Nem de perto era como as escadas do hospital.

Eles não disseram nada durante o trajeto.

Assim que chegaram no apartamento ele a levou até a cama e a deitou ali. Ele já ia se afastar quando Riza passou os braços pelo pescoço dele.

- Riza? – Ele olhou surpreso.

- Por favor, não vá. – Ela continuou o segurando.

- Se não quer que eu vá, eu não vou.

Ele se deitou ao lado dela. Obviamente meio desconfortável no começo, mas então eles começaram a conversar. Riza queria ficar atualizada de tudo o que tinha perdido enquanto estava em sua "redoma" no hospital.

- E é isso. – Ele sorriu.

- Uau, Jasper interessado pela Anita. Isso ia ser engraçado.

- Engraçado?

- Ela é altamente estressada, acho que o Jasper é perfeito pra ela. Mas eles ainda não tiveram um encontro, tiveram?

- Não. Ele vai almoçar na casa deles amanhã. Miguel o convidou.

- Ah, claro. Eu ainda não vi Hayate, onde ele está?

Roy ficou um pouco alertado com a mudança de assunto, o que teria acontecido com ela e Miguel para Riza se comportar daquele jeito? Sempre evitando ele?

Conversaram por algumas horas, Roy contou sobre Hayate, sobre as mudanças no quartel e até citou que agora estava desenvolvendo um novo tipo de organização para os relatórios.

A campainha tocou.

- Deve ser a Shieska. – Ele disse.

- Shieska? – Riza pareceu surpresa.

- Sim, bem, você tem que tomar banho, então eu achei que...

- Ah, claro... – Ela sorriu, seu rosto levemente avermelhado.

Roy foi até a porta, era Shieska, acompanhada de Fuery e Hayate.

- Olá. – Roy sorriu.

- Oi. – Responderam os dois, Hayate começou a latir, incrivelmente agitado.

- Ele está assim desde que descemos do carro, acho que ele sente a presença dela.

- Hum, temos que ter cuidado com isso, ela não pode ter nada muito pesado em cima dela ou os ferimentos podem abrir.

O casal entrou e foi até o quarto, onde Riza os esperava com um enorme sorriso, Hayate pulou do colo de Fuery e foi até o lado da dona, Roy o segurou e Riza fez carinho nele.

Minutos depois Shieska a levou para o banho, enquanto isso Fuery e Roy se sentaram na sala e ficaram papeando.

- Bom Coronel, eu realmente acho muito admirável o que o senhor está fazendo, cuidando assim da primeira tenente.

- Ah é?

- Tenho certeza que se fosse o senhor nessas condições ela faria o mesmo. O senhor vai ficar por aqui?

- Não sei, se ela quiser eu fico. Dá pra melhorar o sofá jogando um edredom.

- Ah, claro. – Fuery sorriu meio sem graça.

- O que foi?

- Nada.

- Fale.

- O senhor vai ficar bravo, esqueça.

- Diga Fuery.

- Bom, é que eu achei que a essa altura, vocês dois já dormiam juntos.

Roy ficou quieto, então era assim que eles interpretavam todos esses anos de cumplicidade e amizade entre os dois? Era interessante.

- Ah, não Fuery. A Tenente realmente não demonstra tanto interesse na minha pessoa quanto parece. E além disso, mesmo que estivéssemos juntos não ia dar pra dormir junto com ela, é perigoso para ela nessa situação. – Ele sorriu tentando fazer a pose de machão.

Enquanto isso no banheiro.

- Ah Riza, suas feridas já estão muito melhores.

- É, o pessoal no hospital fez um bom trabalho.

- Pior se não tivessem feito. O Coronel ficou na cola do pessoal vinte e quatro horas por dia. Quando ele não estava lá de vigia ele mandava alguém.

- Sério?

- Sim. Depois que o Hughes conseguiu aquele mandato militar para ele não houve mais descanso para nenhum funcionário que tomasse conta de você.

Riza sorriu. Era bom saber que ele se importava pelo menos.

- O que vocês ficaram fazendo? Que eu saiba você saiu do hospital ás duas da tarde, agora já esta escurecendo.

- Hum, deitamos na cama e ficamos conversando.

- Deitaram na...

- Não da forma que você pensa. Ele me colocou na cama, eu não queria ficar sozinha que nem no hospital e pedi que ele ficasse comigo, então ele se deitou ali do lado e ficou me passando todas as informações.

- Como um jornal ambulante.

- Por aí.

- Mas pensando bem, você nunca esteve realmente sozinha no hospital, quando você estava sedada ele ficava do seu lado, depois ele ficava ali no corredor... Acho que as últimas semanas dele foram todas dormidas no banco do corredor. Ele parece ter mudado muito desde o dia do acidente.

- É, também percebi isso. Mas porque será?

- Não sei Riz, pergunte a ele!

- Você está maluca?

- Não. – Shieska sorriu. – E além do mais, eu acho que eu sei porque ele mudou tanto.

- Aé? Por quê?

- Porque eu acho que ele está completamente apaixonado por você, Riza.

Riza congelou. Ela realmente não esperava aquilo. Primeiro Miguel, agora Roy? Isso era meio... Assustador.

- Ah sim, você sabia que ele também ficou de olho em tudo o que você vestia?

- Sério? É, ele realmente não parece ter mudado tanto.

- Não dessa forma. Ele vinha aqui pessoalmente escolher o que levar.

- Até as peças... Intímas?

- Não, isso eu me encarreguei de levar nos primeiros dias. Levei o suficiente para que ele não precisasse se preocupar com essa parte. Mas o resto das roupas, incluindo esse vestido que você estava usando foi ele que pegou.

- Meu deus, ele tinha... A chave do meu apartamento?

- Tinha sim.

- Ah Shieska, isso é um desastre!

- Porque?

- E se ele viu algo que me delata? E se ele percebeu que eu gosto dele e agora ta se fazendo de bonzinho pra se aproveitar?!?!

- Riza, ele mereceria muito mais do que um Oscar se tudo aquilo que ele mostrou durante todas essas semanas era apenas atuação. Não seja boba. Ele realmente se importa com você.

- Ai, a água quente ta acabando.

- Vem, vamos acabar logo com esse banho.

Enquanto isso na sala Fuery estava entretido com Hayate. Roy por sua vez estava verificando os alimentos na despensa. Ficou tempo demais enrolando até que percebeu que o banho já devia ter acabado. Assim que voltou á sala se deparou com Shieska e Fuery sentados no sofá se agarrando, Hayate latiu e os dois pararam imediatamente quando viram que Roy estava ali.

- Desculpe Coronel. – Disse Fuery sem graça. Shieska começou a arrumar o cabelo e estava tão envergonhada quanto ele.

- Er, não tem problema. Se vocês já quiserem ir... Tudo bem.

Fuery e Shieska foram se despedir de Riza, Roy foi junto com eles até o quarto.

- Tchau Primeira tenente. – Disse Fuery sorridente. – Acho que seria melhor se levássemos Hayate conosco por mais um tempo, acho que ele daria um pouco de trabalho aqui.

- Ele não vai poder ficar perto de mim, então eu acho que ele vai fazer um pouco de escândalo, seria bom ele se distrair na sua casa. – Riza sorriu.

- Hey Riz, qualquer coisa liga pra mim, tudo bem? – Shieska sorriu e pegou na mão de Fuery, Roy os acompanhou até a porta.

Bom, agora era só ele e Riza. De novo.

- Roy. – Ela chamou do quarto. Ele foi rapidamente.

- O que foi? Está com dor? Algo te incomodando? Se quiser eu posso trazer mais travesseiros e...

- Não, calma, eu estou bem, só queria agradecer por ter ficado no hospital todas essas semanas. – Ela sorriu.

- Ah, é só a minha obrigação. Afinal, seria meio injusto se só você fosse a responsável, não é?

- É... Eu acho que sim... – Ela olhou para baixo, realmente ele parecia ter mudado. – Onde você vai dormir?

- Sofá. – Ele apontou para a sala.

- Hum, os edredons estão na parte de cima do guarda roupa.

- Eu sei. Vamos dizer que eu conheço boa parte do seu guarda roupa agora. - Riza arqueou uma das sobrancelhas.

- Opa, isso soou estranho, não é? Bom, eu sei mais ou menos onde as coisas estão, só isso.

Ele pegou os edredons e foi até a sala deixando Riza em seus devaneios.

No segundo dia Jasper foi visitá-la.

- Uau, o primo cozinhou?

- Sim, realmente fiquei impressionada.

- É, ele não é tão ruim assim, mas é claro que eu so muuuuito mió que ele.

- Não se gabe Jasper, esses anos morando sozinho na Central melhoraram muito minhas habilidades culinárias.

- Duvido. Bom, eu tenho que ir...

- Já? – Riza ficou meio surpresa com a rapidez.

- É que eu tenho um convite. Almoço na casa do Miguel.

- E da Anita. – Riza disse, fazendo Jasper corar.

- Como ocê sabe?

- Ué, eles moram juntos, são irmãos. É meio óbvio. – Riza sorriu.

- Bom, eu tenho que ir. Primo, cuide bem dela!

- Eu cuidarei.

Logo após a ida de Jasper, Roy resolveu pensar no que fazer, ele não podia ficar ali com Riza o dia inteiro olhando pra cara dela.

- Roy!

- Sim? – Ele apareceu meio segundo depois na porta do quarto.

- Er, se você quiser ir embora, tudo bem, eu ficarei bem.

- Você está louca? Eu não te deixaria sozinha, correndo perigo, por nada nesse mundo.

- Mas, eu estou sendo um peso.

- E todas as minhas manhãs de ressaca? Eu fui o que? Um peso! E mesmo assim você me apoiou, e pra sua informação, você não é um peso pra mim.

Riza ficou quieta, ela estava confusa. Será que o que Shieska tinha dito era verdade? Ela não tinha coragem de perguntar, mesmo ela, a melhor sniper de Amestris, não tinha tanta coragem á ponto de lidar com esse tipo de coisa.

E se a resposta fosse negativa? E se ele risse da cara dela? Ela seria só mais uma tonta na lista dele. Ela não queria aquilo.

Roy percebeu que ela ficou quieta de repente, pensou ter dito algo que não devia. Foi até ela e se deitou ao lado, Riza pôde sentir o coração tentar sair pela garganta.

- O que você quer fazer?

- Não sei... Talvez tentar andar um pouco.

- Opa, isso é ótimo. – Ele se levantou e a ajudou a levantar também, Riza podia sentir a tensão que se formava enquanto os dois ficavam ali abraçados, ele a ajudando a dar alguns passos.

- Que ótimo Riza! Você já consegue andar!

- É sim, e nem dói do jeito que eu achei que ia doer...

- Bom, podemos dar uma caminhada amanhã se você quiser.

- Caminhada? Mas e as escadas?

- Eu te carrego. – Ele sorriu.

Riza ficou quieta, ela não sabia o que poderia acontecer se aceitasse o convite, eles podiam se deixar levar e talvez nada acontecesse do jeito que ela esperava.

- Roy, eu quero voltar pra cama.

- Certo.

Ele a guiou até lá, a ajudou a deitar e disse que ia tomar um banho. Enquanto isso, Riza ficava pensando se realmente valia a pena tentar ser mais corajosa e dizer de uma vez o que ela sentia, afinal, tudo que ele estava fazendo ali podia ser passageiro, e quando ele parasse, quando ela estivesse normal e tudo voltasse ao normal, ela iria se lembrar daqueles momentos e ia doer. E muito. Talvez Shieska estivesse certa, e ela não precisaria abandonar aqueles dias.

Mas será que Shieska tinha razão?

N/A: Bom, meio paradinho mas preparem-se porque a ação começa logo. Deixem reviews! É o botãozinho verde. Beijos, Makika.