Disclamer: Saint Seiya e seus personagens não me pertencem, direitos reservados. A música incidental é Always do grupo Atlantic Starr.

Comentários da Autora: Este é um capítulo mais curto, mas não menos importante. Agradecimentos especiais a Áries Sin pela betagem relâmpago.


O banquete do segundo dia da cerimônia de casamento não era longo como o primeiro e como seria o último. A refeição fora servida em um ambiente austero e cerimonioso. Cada um dos noivos ocupava uma das cabeceiras da longa mesa, com os respectivos padrinhos à sua direita e a Deusa ao centro. Até mesmo Hector manteve-se quieto e calado, respeitando instintivamente a formalidade do momento. A cada prato servido os noivos reafirmavam os votos de respeito a si, ao compromisso e aos Deuses. Ao final de banquete, Aiória e Marin entregaram a noiva à Milo e Camus, que, enquanto "família" do noivo, deram as boas vindas e a acolheram no seio da nova "família".

A tarde ainda se iniciava quando cada um dos convivas retornou às suas moradas. Hector dormia plácido no colo de Milo. Camus não via a hora de se livrar da incômoda toga, mas ao lembrar do smoking que usaria à noite, exprimiu uma careta.

- Comeu alguma coisa estragada, Camus?

- Não. Estou me lembrando de nossas roupas noturnas.

- Não sei o que o incomoda? É uma fantasia de pingüim, bastante adequada a você, não acha?

Camus endereçou o seu melhor olhar gelado a Milo e dispensou responder. O grego entrou no templo ainda com um sorriso maroto, era tão fácil aborrecer o francês, que se perguntava se ele não se fazia irritado apenas para diverti-lo. Aproveitou que o filho ainda estava adormecido e tirou a pequena toga, trocou a fralda. Estava quente, optou por não vesti-lo, ele próprio colocou apenas uma bermuda leve.

O templo de Escorpião era um dos maiores dentre os 12 templos dos guardiões de ouro. A parte privada, usada como moradia por seu guardião contava com uma pequena sala, uma cozinha, um banheiro e uma biblioteca no piso inferior e duas suítes no piso superior, uma delas convertida de quarto de hóspedes para quarto do pequeno.

Camus estava sentado no piso da biblioteca montando um quebra-cabeças, passatempo que ele e Milo se dedicavam em momentos ociosos. Milo lia um livro com Hector adormecido em seu colo. O ruivo parou por um instante com uma peça em mãos e observou a cena tão caseira. Poucos dias se passaram desde a descoberta da existência da criança e menos dias ainda desde que ela fora deixada aos cuidados dos dois e parecia que ela sempre estivera ali. Hector despertou calmamente, o que provocou um arquear de sobrancelhas no aquariano, escalou o pai e deu um estalado beijo em seu rosto. Milo retribuiu o beijo fazendo cócegas na criança que ria gostosamente.

Hector desceu do colo do pai, sua atenção despertada pela grande figura incompleta que Camus montava. Sentou-se ao lado do aquariano e pegou uma pequena peça. Olhou para a figura e para a peça que tinha em suas mãos. Milo abandonou o livro e ficou apenas observando o que o filho faria. Após alguns instantes de análise, o garoto descartou a peça e pegou outra, encaixando-a exatamente no local. Milo e Camus trocaram um olhar espantado. Aquele era um quebra-cabeças de cinco mil peças, muitos adultos não conseguiam montá-lo quiçá uma criança de apenas dois anos.

- Parabéns, vai ajudar-me a montar, petit?

- É bonito papai Camus.

Era a primeira vez que o garoto chamava Camus de pai também, o ruivo ficou confuso. A lógica era correta, mas ele não era "pai", talvez "tio" fosse mais adequado. Abriu a boca para corrigi-lo mas calou-se ante o olhar de Milo. Precisavam conversar sobre o assunto.

Os três continuaram a montar o quebra-cabeças até que Hector se mostrou entediado. O sol já começava a baixar um pouco no horizonte e a temperatura já estava mais amena.

- Que tal jogarmos um pouco de bola na arena?

A sugestão de Camus foi prontamente aceita pelos dois escorpianos. Seria bom gastar energia para dar um pouco de paz às servas durante a cerimônia noturna.

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- Marin, será que ele vai me achar bonita?

- Mulher, você é linda, quer parar de ter ataque de insegurança nessa altura dos acontecimentos? Vocês já estão casados, sabia?

Shina andava de um lado para o outro retocando o vestido branco que usaria na cerimônia noturna, verificando o véu, limpando os sapatos e tirando a paciência do pobre casal de padrinhos.

- Amazona de Cobra, se continuar dessa maneira, Atena vai ter que trocar a sua constelação para Amazona de Rato! Quanta covardia! Se acalme!

Aiória segurou a amazona pelo ombro e fez com que ela se sentasse.

- Vamos, respire... eu já passei por isso e sei o quanto essa cerimônia longa estressa e dá medo, mas aproveite, é um momento único na vida e só depois eu percebi que a função de tantos dias de cerimônias e festejos é para que os noivos tenham tempo para se habituar a mudança pela qual passarão, mais ainda no seu caso, que deixará a Vila das Amazonas para vir morar aqui. Não desperdice seu tempo com inseguranças sem sentindo. Vá tomar um relaxante banho. Vou pedir que preparem a banheira do templo para você.

Shina assentiu silenciosamente absorvendo as palavras do Cavaleiro de Leão. Ele era um grande homem e um grande amigo. Despiu-se calmamente e aproveitou a relaxante água aromatizada.

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Mu acariciava de forma lânguida a pele marmórea do amante. Podia sentir no toque suave a preocupação que tomava conta do virginiano. Desde a chegada de Héctor ele não conseguia pensar em outra coisa além de que um dia ele talvez estivesse no lugar de Camus. Sabia que as preocupações não eram vãs, mas não era de sua natureza se preocupar com problemas que ainda não tinham acontecido

- Shaka, cada coisa à seu tempo. Existem outros lemurianos além de mim. Não somos muitos, mas eu posso me abster de ter filhos.

- Não, você não pode. Você é único e especial. Talvez não entendam a minha preocupação. Não é o fato de você ter um filho e sim o fato de que nós não sabemos quem o irá criar.

- Você gostaria de criar o meu filho?!

- Quem melhor do que o pai e seu companheiro?

Mu riu. Agora as coisas começavam a fazer sentido. Shaka era um homem que necessitava ter o controle. Ele nunca aceitaria que a criança destinada a ser o próximo lemuriano a vestir a armadura de Áries não tivesse sob a tutela do ariano e dele próprio. A Shion só fora permitido treinar Mu, por este ignorar a sua paternidade. Mas Shaka estava a ver que era possível dar amor à criança e ainda assim criá-la no Santuário. Educar o filho e treinar o cavaleiro. Não era preciso ser um oráculo para perceber quem seria o próximo cavaleiro a ocupar a casa de Escorpião.

- Fique tranqüilo, os tempos mudaram. Pediremos a Atena que a criança seja criada conosco. Quantas regras tolas já não caíram por terra?

Shaka sorriu, rolando o corpo e deitando-se sobre o ariano. Encostou sua testa sobre a do amante e murmurou.

- Você tem razão. Ainda tenho muito a aprender com a sua serenidade.

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A noite chegou. No céu a lua brilhava límpida. As constelações pareciam saudar a cerimônia que logo se iniciaria. Em cada morada homens e mulheres vestiam os trajes especialmente selecionados para aquele momento.

Em Escorpião, Hector brincava calmamente com cubos de armar enquanto os "pais" se arrumavam. Milo preferiu domar os cachos loiros em uma trança frouxa enquanto Camus deixou seus longos fios ruivos soltos. Não usavam qualquer tipo de adereço além de um minúsculo brinco com o símbolo dos signos feito por Mu.

O grego esquentou uma sopa leve preparada especialmente para o jantar do filho.

- Hector, vamos jantar? – pegou o pequeno no colo e o acomodou na cadeira da mesa da cozinha.

A princípio a criança rejeitou a comida, mas Milo entremeou colheradas com brincadeiras divertidas. A serva que cuidaria do pequeno escorpiano observava embevecida a maneira amorosa como o cavaleiro tratava seu filho. Quando recebera a tarefa ficara receosa. Já ouvira dizer que o menino era tão hiperativo quanto o pai, mas ao chegar ao templo, percebeu que não teria trabalho algum. Finda a refeição Hector estava praticamente adormecido.

- Mestre Milo, siga tranqüilo para o casamento. Deixe que eu trocarei as fraldas e o colocarei no berço.

- Por favor, leia uma história para ele que logo se porá aos braços de Morpheus.

- Não se preocupe. Tenho muitos filhos, sei como são as crianças.

Milo e Camus saíram juntos para o templo de Atena, onde seria realizada a cerimônia.

- Será que ele vai ficar bem? E se acordar e não nos encontrar? Cassandra é uma estranha para ele.

- Relaxe, Mon Ange, o tanto que ele correu hoje derrubaria até um aprendiz com mais do dobro da idade dele. Creia-me, o petit só acordará amanhã.

- Que os Deuses o ouçam.

- Quem te viu, quem te vê...

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Shura estava espetacular em seu traje de "noivo". Aguardava ansiosamente próximo ao altar. O Templo de Atena fora preparado para a cerimônia como um templo cristão, respeitando as tradições culturais dos noivos.

A noiva entrou no templo acompanhada por Aiória. O véu escondia sua face e as lágrimas de felicidade. O noivo parecia hipnotizado quando a teve entregue pelo cavaleiro de Leão. Atena pousou suas mãos sobre as mãos de ambos.

- Que os Deuses de todo o firmamento abençoem este casal. Durante esta cerimônia o casal têm afirmado o desejo de partilhar a vida, comprometendo-se um com o outro, perante si, perante seus amigos e familiares e perante os Deuses. Que vocês sejam capazes de cumprir suas palavras com honra e respeito, mas acima de tudo com amor. Ao ser humano foram dedicadas muitas dádivas: a vida, a inteligência mas principalmente a capacidade de amar. Muitas vezes vemos com pesar o amor ser negligenciado pelo ódio, pela amargura, pelo medo, pela cobiça, entretanto a cada humano que descobre e reafirma a grandiosidade do amor temos a certeza de que a luta pela humanidade não é vã. Lutem e encontrem a felicidade juntos, honrando os votos feitos perante os Deuses.

Athena uniu a mão do casal e afastou-se. Shura levantou o véu de sua noiva e pela primeira vez desde que começara a cerimônia, encontrou o olhar da amada. Deslizou suavemente a mão pelo rosto delicado. Seus lábios se uniram brevemente sob os aplausos de todos os convivas. Caminharam de mãos dadas, precedendo o cortejo em direção ao salão onde se daria a festa. Músicos profissionais aguardavam para dar início a noite. Milo se dirigiu ao palco e tomou o microfone.

- Em nome de todos aqui presentes e de todos os que apesar de ausentes estimam o casal, desejo inúmeras felicidades a ambos. Espero que desfrutem de sua primeira dança enquanto enforcados. A música foi escolhida pelo noivo para sua amada...

Entregou o microfone ao cantor e reuniu-se a Camus enquanto os primeiros acordes puderam ser ouvidos.

Girl you are to me, all that a woman should be and I dedicate my life to you always.
A love like yours is rare, it must have been sent from up above.
And I know you'll stay this way, for always.

And we both know, that our love will grow and forever it will be, you and me.

Ooh you're like the sun, chasing all of the rain away.
When you come around you bring brighter days.
You're the perfect one, for me and you forever will be.
And I will love you so, for always.


Come with me my sweet, let's go make a family.
They will bring us joy, for always.
Ooh boy I love you so, I can't find enough ways
To let you know, but you can be sure I'm yours for always.