Desenhos, por J.P.

Capítulo um – onze.

Aos onze anos de idade, James Potter já sabia voar perfeitamente em qualquer vassoura, sabia executar feitiços simples sem falar uma palavra, sabia fazer uma poção para curar arranhões e sabia que não deveria saber fazer nenhuma dessas coisas antes de chegar a Hogwarts.

Mas desenhar, isso era algo que ninguém poderia o impedir de fazer. Não mesmo. E desenhava como um adulto, seu pai dissera repetidas vezes. Um exímio desenhista. E essa era somente mais uma qualidade a ser acrescentada a seu currículo extenso.

James desenhara o expresso de Hogwarts como imaginava e agora desenhava-o como ele realmente é, enquanto esperava pelo sinal do embarque para sair correndo e entrar no trem. Já havia deixado as malas em uma cabine e tinha se despedido dos pais com promessas de cartas semanais.

Nunca tinha visto um vermelho tão bonito quanto o que coloria o trem. Era vivo e parecia gritar boas vindas. Sorriu interna e externamente. Desde quando se entendia por gente, sonhava em ir para Hogwarts. E estava a cinco minutos do sinal para o embarque que realizaria esse sonho.

Procurou em seu estojo uma tonalidade de vermelho que fizesse jus ao trem, porém só achou um tom mais brilhante e um tom menos brilhante. Olhou do trem para o lápis e para o trem novamente. Decidiu usar o tom menos brilhante e, quando aprendesse um feitiço para tal coisa, mudá-lo-ia para a cor exata, vermelho incandescente.

O apito do trem soou no instante em que James guardou os lápis no estojo e admirou o desenho. Escreveu J.P. no canto direito inferior com a caneta de tinta permanente que ganhara do pai, guardou o desenho na pasta e entrou correndo procurando a cabine. Teria muito o que desenhar em sete anos.

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Os campos estavam começando a se tornarem amarelados por causa do outono, James logo percebeu assim que o trem abandonou o perímetro urbano. Estaria desenhando se não fosse pela presença daquele estranho garoto calado sentado a sua frente.

- Qual é o seu nome? – perguntou antes que pudesse se frear. O outro garoto hesitou antes de responder.

- Sirius. O seu é...?

- James. Potter. James Potter. – respondeu rapidamente.

Apertaram as mãos, mas não tiveram muito tempo para conversar visto que uma garota de cabelos extremamente vermelhos entrou na cabine enxugando os olhos. James olhou para ela uma, duas, três vezes, até que desistiu de tentar ser notado para perguntar o que havia acontecido.

Deu os ombros e voltou a fitar a janela. O tom de vermelho que ele havia descartado para o trem ficaria perfeito para o cabelo dela.

Em algum tempo se desligou da garota e voltou a conversar com Sirius. Ele não sabia desenhar, infelizmente, mas planejava ter uma moto, como os trouxas, quando fosse maior de idade. Ele, assim como James, já havia experimentado feitiços sozinho e nenhum deles tinha acabado com boas conseqüências, infelizmente.

Estavam rindo da falta de esperteza do Ministério em acreditar que os pais conseguiriam esconder as varinhas dos filhos quando a porta do compartimento se abriu e por ela entrou um menino magricela, que já vestia o uniforme da escola. A garota olhou para o recém chegado e desviou o olhar, ainda chorando.

James continuou a conversar com Sirius em voz baixa, enquanto o garoto de uniforme conversava com a menina ruiva. Ele era estranho, estava sujo e seu uniforme, amassado. Sentou-se em frente à garota, sem nem olhar para os outros ocupantes da cabine.

Conversaram baixo e a garota limpava os olhos constantemente sem, entretanto, tentar esconder as lágrimas. James, porém, não conseguiu se conter quando o intruso resmungou que a ruivinha deveria ir para Sonserina, afinal ela era parecera bem legal, apesar da choradeira.

O assunto o fez descobrir muitas coisas. A família de Sirius, um cara tão legal, era toda pertencente à Sonserina; mas ele dissera que pretendia mudar isso. O outro garoto se chamava Severus e já tinha um apelido: Snivellus, dado pelo próprio James, que também possuía "exímio em conceder apelidos" em seu currículo. E a garota ruiva, bem, ele não sabia o nome dela, ainda, mas ela tinha uma voz melodiosa e aparentemente gostava do seboso. O que James não sabia era como alguém poderia gostar de um seboso.

O resto da viagem correu na mais perfeita paz. Tanto ele quanto Sirius planejaram e prometeram pregas peças no novo amigo Snivellus sempre que possível. O carrinho de comida foi praticamente esvaziado na cabine que os dois dividiam e a euforia por ver logo Hogwarts era dividida por todos os primeiranistas.

A viagem de bote até o castelo foi divertidíssima e, por sorte, ninguém caiu no lago negro. Hagrid disse a ele que todos chegarem secos ao castelo era um recorde. James riu e comentou com Sirius que ele não ficaria muito triste se Snivellus caísse no lago e ambos planejaram cuidar disso futuramente.

O salão estava magnífico e ele mal podia esperar para entrar naquele lugar todos os dias, nem que fosse somente para olhar o céu estrelado que substituía o teto. Arregalou os olhos com tamanho das mesas e se reuniu aos demais quando a professora McGonagal os chamou.

Ouviu silenciosamente todos serem chamados, a não ser quando Sirius foi colocado na Grifinória, momento no qual ele se permitiu dar um grito de felicidade pelo amigo. Alguns nomes após o de novo amigo, ele viu a ruiva chorona da cabine andar até o banquinho de três pernas tremendo visivelmente. O nome dela era Lily Evans. E, ao contrário do que o seboso queria, ela foi mandada pelo chapéu direto para a Grifinória. E, apesar de ter sentado ao lado de Sirius, ignorou-o completamente quando percebeu que ele era um dos que estavam na cabine.

James sentiu o coração se desmanchar e ir parar nos pés quando McGonagal finalmente chamou seu nome. Caminhou decidido ao encontro do chapéu puído e pediu aos céus que o colocassem na casa dos corações valentes, a Grifinória. Relaxou visivelmente quando seu pedido foi atendido e se sentou ao lado de Sirius na grande mesa grifinória.

Ele assistiu em silêncio ao final da seleção e cutucou o novo amigo descaradamente quando Snivellus foi selecionado para a Sonserina. Notou o olhar que o agora sonserino lançara e ergue as sobrancelhas em uma pergunta muda.

- Está onde deveria. – comentou em voz baixa.

- Só espero que a ruiva não chore de novo. – Sirius devolveu no mesmo tom – É muito assustador ver uma garota chorando.

- Acho que ela só vai chorar de novo no dormitório. – ele riu. – O namoradinho dela foi para a casa rival. Muito triste. – completou num tom fingido de choro.

Ambos riram tão alto que os alunos sentados mais próximos os olharam com censura. Calaram-se quando o diretor levantou alegremente e deu as boas vindas. Não houve discurso imediato e todos os novatos se assustaram com a comida surgida de lugar nenhum. James, que não se lembrava de estar com fome, comeu até seu estômago se encher, acompanhado por um Sirius faminto.

Quando todos estavam satisfeitos, o diretor, que James descobriu se chamar Dumbledore, fez um pequeno discurso de boas vindas, ressaltando as proibições da escola para os novatos e para os antigos estudantes também. Muitos riram do olhar risonho do diretor ao repreendê-los.

Assim que o banquete foi dado encerrado, os monitores conduziram os primeiranistas até a torre no sétimo andar. O salão comunal era aconchegante, mas James só conseguia imaginar-se em uma cama macia e quente.

Ele ficou em um quarto com Sirius e outros dois garotos que ele havia visto na plataforma e na seleção. Um deles parecia estranhamente doente, mas quando James tomou coragem em perguntar o garoto se esgueirou para a cama sem olhar para os demais.

Os quatro habitantes do dormitório pareciam cansados demais para conversar, então cada um se recolheu em sua cama após guardar os respectivos pertences. James se despediu de Sirius, que ocupou a cama ao lado, com um aceno. Fechou o cortinado e tirou alguns papéis da pasta de levara para a cama.

Antes que pudesse se frear, começou a desenhar o Salão Principal, com o céu estrelado. O lápis vermelho brilhante pareceu piscar para ele na semi-escuridão. Iniciando pelos cabelos, ele fez uma imitação chorosa da chorona Lily Evans, ladeada pelo Snivellus, que tinha muita meleca saindo do nariz adunco, com Sirius mais atrás, fazendo chifrinhos no sonserino.

Colocou os nomes em cada um dos personagens do desenho e assinou com as inicias J.P., como sempre fazia. Sorriu satisfeito com a obra de arte que fizera e separou o desenho. Mandá-lo-ia anexo à carta para os pais.

Não conseguiu ficar acordado tempo o suficiente para fechar o envelope. James Potter, com os óculos amassados no rosto, caiu no sono mais cedo do que esperava.

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Queridos mamãe e papai.

Eu sou um grifinório! Não que seja uma surpresa, já que era óbvio que eu seguiria a tradição da família Potter. Mas mesmo assim eu espero que vocês estejam felizes!

Hogwarts é enorme. O salão principal não tem um teto, são estrelas e vocês nunca tinham mencionado isso.

Já fiz um amigo. Ele é bem legal, o nome dele é Sirius. A família dele é toda da Sonserina, mas ele é da Grifinória, por incrível que pareça. Ele acha que os pais dele não vão gostar, mas quem não gostaria de estar na casa dos corações valentes, a casa da coragem?

Fiz um desenho do salão principal. Mandei pra vocês. A menina ruiva estava na cabine comigo e com o Sirius no trem e o melequento é amigo dela mesmo sendo sonserino. Usei meu melhor lápis no vermelho.

Espero que fiquem felizes com a notícia. Vou mandar mais cartas, prometo.

Amo vocês.

Seu filho, James.


ENE/A: Acharam que iam se livrar de mim? OEHOIHEO Anyway, fic nova, espero os comentários de vocês, ok? Essa fic é muito especial pra mim, porque mostra o James em momentos da vida dele, não em cada dia (fic não linear, povo, eu não vou falar do primeiro ano dele mais, prometo). Mas então, comentem se vocês gostaram, que eu posto quando der (na minha telha, hoho). xD

Beijos corações!!