Olá

Olá! Está é a primeira KuroFye que eu escrevo. Não sei se tá boa. Talvez sim, talvez não.

Enfim, here it goes!


Gravitation

Até dormindo ele parecia sorrir.

Kurogane olhava para o mago com os olhos entreabertos. Em algum momento da noite, Mokona escorregara do colo de Fye e ficara estirado a seus pés.

A expressão do loiro era calma e gentil, e Kurogane já aprendera que isso não o tornava indefeso. Deveria reconhecer: ele era forte, muito forte. Talvez fosse interessante lutar com ele, mas o guerreiro temia querer perder para ele.

Era estranha a sensação que Fye lhe causava. Ele o irritava muitas vezes, mas não o fazia odiá-lo. Kurogane acabava se aborrecendo mais por costume do que por um incômodo real. Às vezes, a piada que Fye fazia caía tão naturalmente que o moreno tinha que reprimir um sorriso.

Arrastou-se em silêncio para perto dele, e parou próximo à perna esquerda de Fye. Franziu o cenho, observando o peito do outro subir e descer lentamente. Os lábios finos estavam curvados delicadamente, como se ele estivesse tendo um sonho bom. Os cabelos claros caíam sobre a testa, desarrumados.

Droga. O desgraçado era bonito.

Mesmo sendo tão mulherzinha o tempo todo, Fye parecia inatingível, ou talvez fosse proibido destruir algo tão belo.

Kurogane se perguntava por que Fye estava ali. O motivo de Syaoran e o seu próprio eram claros, mas o do outro, não. Ele não poderia simplesmente ter decidido viajar por outros mundos, poderia? Afinal, deveria ter uma razão para ele ter aberto mão de seu bem mais precioso.

Notou uma pequena camada de poeira no ombro do loiro, e até levantou a mão para limpá-lo antes de perceber que poderia acordar Fye com o toque.

Observando-o, se deu conta de que, de um modo quase tolo, se sentia como um corpo celeste sem velocidade suficiente para deixar de gravitar ao redor do encanto de Fye. Fazia tão pouco tempo desde seu encontro que lhe era estranha a intensidade dessa gravitação.

Moveu-se novamente e se encostou na parede, ao lado de Fye. O cheiro de seus cabelos era doce, familiar e estranho ao mesmo tempo, e eles mexiam suavemente com a brisa branda vinda da janela. Se Kurogane os tocasse, dificilmente despertaria Fye.

O loiro se mexeu quando os dedos do outro exploraram seus cabelos. Sua cabeça pendeu para o lado e se apoiou no ombro do moreno, que estremeceu.

E, depois de um longo silêncio, uma voz sussurrada fez Kurogane sentir o coração perder o ritmo e a mente entorpecer.

-Boa noite... Kurorin.

-FIM-


Dedico especialmente à Mi-chan, que leu e deu sua opinião :D