Perfeição

Agora ele era o Deus do novo mundo.
Sem obstáculos, sem ninguém, sem nada que pudesse interferir na sua construção de um Mundo.

Subia calmamente as compridas escadas do QG, como se ao final delas um trono o esperasse.
Um trono feito para ele. Para o novo Deus, aquele que puniria todo mal; limparia da Terra aqueles detritos que ainda, por ventura, viesse se opor a ele. Quem poderia se opor a Deus?
E se algum o fizesse, mereceria a das mais severas punições.

Como L Lawliet recebera.

O paletó preto, a lembrança de que pisara em um cemitério e que enterrara aquele que uma vez disse que era seu melhor e único amigo; não pareciam se quer comovê-lo.

Ora, a divindade faz o que é correto. E esse era justo. Aquele tinha morrido por uma ação maior, por um mundo melhor.

Ele riu. Riu alto, com prazer.

Quem diria que o melhor detetive do mundo, aquele que não dava as caras, não dava nomes e se quer deixava que escutassem a monotonia da sua voz; morreria pelo bem do mundo?

Que L Lawliet entregaria a vida à Kira?

Entregaria o cargo também.

Arrumou a mexa de cabelo que insistia em cair nos olhos. O gesto tão comum nele. A perfeição reunida em uma só pessoa.

Mas eram assim que os Deuses eram.

Perfeitos, perfeitos, perfeitos e perfeitos.

A firmeza e a bela postura em cada passo, ação marcante só nele. Não era como aquela figura que seguiu tantos dias atado a ele. Não, ele sabia como se portar. Era da sua natureza a perfeição em cada ato, em cada gesto.

Até mesmo num simples subir de escadas.

E não tinha mais o que temer. O único que mostrara perigo não existia mais.

Talvez continuasse na memória, remoendo aquelas atitudes infantis; revivendo cada vez que tornasse a ver um bolo.

Ah, mas ele sabia como driblar isso. Afinal, ele era um Deus, não era?

E como um ser divino, ele saberia esquecer, ele saberia não chorar.

Ele esqueceria aos poucos que era um simples humano, e se converteria em um Deus.

Acontece que ele se esqueceu.

Ele era um simples humano. Talvez perfeito, mas ainda assim, um humano de carne e osso.
Um humano de carne, vulnerável como qualquer outro.

Mas no fim ele perceberia isso.

Que nunca passou de um simples humano.

E que não era tão perfeito.

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Notas: Oh, meu querido egocêntrico!

A história faz referências a Yagami Light e cita a sua perfeição.

Obrigado por ler.