3. Voltando

- Um ano!! Mas isso foi ontem!! – Indagava o "fantasma" de Shigure.

- Mas senhor Shigure, eu tenho certeza de que faz um ano! Quer perguntar ao Kyo? Ele pode confirmar.

Nessa hora, Kyo chegava em casa.

- Tohru? Com quem está conversando?

Ela saiu do quarto e correu até ele. Depois de um beijo, ela desatou a falar.

- Kyo, você não imagina o que aconteceu! O fantasma do senhor Shigure apareceu pra mim hoje no trabalho! E depois ele apareceu aqui em casa, lá no nosso quarto!! Eu não to acreditando até agora, e ele parece estar perdido no tempo!!

Kyo ficou olhando com cara de confuso, tentando entender a situação.

- Tohru... Você não acha que tá trabalhando demais?

- Ah, você também! Achei que você ia acreditar em mim...

- Eu acredito, mas agora pare de pensar em assombrações. Que tal uma viagem pra você relaxar, hein? Podemos ir visitar suas amigas.

Uma luzinha se acendeu na cabeça de Tohru. Indo visitar as amigas, ela teria chance de visitar os Sohma e descobrir o que acontecera com Shigure e porque o fantasma dele estava perseguindo-a.

- Acho a idéia excelente, Kyo! Quando vamos?

- Amanhã de manhã?

- Ótimo! Estaremos prontos! – Disse ela toda empolgada.

Kyo riu e passou a mão na cabeça dela.

- Adoro te ver feliz desse jeito.

Sim, ela estava feliz, mas um bocado preocupada. Dormiu naquela noite pensando no que faria no dia seguinte. O fantasma não aparecera novamente.

No dia seguinte, Kyo e Tohru fizeram as malas e partiram de volta para a cidade onde moraram tanto tempo. Ela contava os minutos pra chegar, ele nem tanto. Kyo estava fazendo essa viagem para deixar sua namorada feliz, pois não sentia a mínima vontade de voltar. Quando chegaram, foram direto ao dojo de Kazuma, que ficou surpreso ao ver o casal em sua porta.

- Kyo? Tohru? Mas que ótima visita! Entrem, fiquem à vontade!

Kyo deu um abraço em seu pai adotivo, muito feliz em vê-lo novamente. Era um lado bom de voltar. Tohru também cumprimentou o mestre e, depois de alojados no quarto de hóspedes, foram convidados a almoçar. Tohru ficou feliz ao ver que Hanajima ainda trabalhava na casa do mestre.

- Hana-chan! Puxa, estou muito contente em vê-la!

- Estou igualmente feliz em ver você, Tohru. – Disse ela sorrindo. – O Kyon está cuidando direitinho de você? Se não, eu peço ao Megumi para lançar uma maldição nele.

- Ah, ele está sim. Estamos nos dando muitíssimo bem. Até o senhor Shigure achou...

Ela cobriu a boca com as mãos rapidamente. Hanajima, Kazuma e Kyo a observavam. Decididamente não podiam saber do fantasma ou pensariam que ela estava louca. Se nem Kyo acreditara na história, o que os outros iam pensar?

- Er... – Ela mudou rapidamente de assunto. – A comida está deliciosa, Hana-chan!

Os três acharam estranho, mas continuaram a conversa como se nada tivesse acontecido. Mais tarde, Tohru pediu para ir até a casa sede.

- Tem certeza de que quer ir lá? – Perguntou Kazuma. – As coisas não parecem estar muito boas desde que... Deixa pra lá.

- Desde o quê, senhor mestre?

- Melhor você saber por lá. Akito não quer essa história espalhada aos quatro ventos.

"Quanto mistério. Que será que aconteceu?" pensava Tohru enquanto andava até a casa sede. No caminho, encontrou Kagura.

- Tohru, quanto tempo!! Como você está?

- Muito bem, obrigada senhorita Kagura.

- Ora, deixe de formalidades comigo. Mas então, o que a traz até a sede?

Tohru pensou um pouco antes de decidir o que dizer.

- Vim... Vim ver a senhorita Akito.

Kagura revirou os olhos.

- Ah, sim. Já vou avisando que ela pirou.

- O quê?? Como assim??

- Pirou, quer dizer, voltou a pirar. Se trancou no quarto e não fala com quase ninguém.

- A senhorita sabe por quê?

- Ela ta assim desde que o Shigure sofreu aquele acidente.

Um brilho na mente de Tohru: haviam chegado ao ponto onde queria saber.

- O que aconteceu com o senhor Shigure depois do acidente?

- Você não soube? – Perguntou Kagura parecendo surpresa.

- Não. Quando soubemos que tudo tinha sido cancelado, eu e Kyo fomos embora.

- Ah... Por falar nisso, como está o Kyo?

"Droga!" Pensou Tohru. "Mudou de assunto!"

- O Kyo está muito bem. Mas o que...

- Sabe que arrumei o emprego que eu queria? – Dizia Kagura animada. – Agora sou professora de uma escola de primário.

- Puxa, que feliz. Mas...

- Por que não conversamos lá dentro? Vem. – Ela puxou Tohru pela mão e a levou até sua casa.

No quarto de Kagura.

- Pronto. O que você queria me perguntar mesmo? Sabe, não é bom ficar conversando desse jeito lá fora, o povo aqui ainda é muito fofoqueiro.

- Er... É sobre o senhor Shigure.

Kagura pensou um pouco antes de começar a falar.

- Bom, você se lembra do acidente, que a festa toda foi cancelada e coisa e tal, não lembra?

- Sim.

- Pois é, não achou estranho que a festa não tenha sido remarcada?

Tohru parou para pensar.

- Agora que a senhorita disse, achei sim.

- É porque o Shigure não voltou do hospital.

- O quê?? Ele morreu?? – Perguntou Tohru assustada.

- Não. Mas também não acordou. Digamos que está em coma. Se quiser mais informações, vai ter que perguntar pro Hatori, porque eu não sei de mais nada.

- Certo, muitíssimo obrigada, Kagura!

Tohru já saía correndo da casa quando Kagura chamou de novo.

- Se quiser falar com o Hatori, volte mais tarde. Ele saiu pra visitar o Ayame e não tem ninguém em casa.

- Ah... Obrigada.

"Então vou até a casa do senhor Ayame." Pensava ela correndo pela rua. Resolveu que não ia perder tempo em solucionar o mistério do fantasma. "O problema de correr tanto..." Ela parou e se encostou numa parede "É que eu fico morta de cansaço." Tohru se sentou em um banco de praça para descansar.

- Da próxima vez... vou tentar... não correr tanto... – Disse ela arfante para si mesma.

- Seria bom, aí você fica menos cansada.

- Tem razão... AAAAHHHH!!

Shigure estava sentado ao lado de Tohru e olhava para ela como se fosse normal um fantasma aparecer por aí de repente.

- Que foi?

- Não apareça desse jeito, senhor Shigure! Assim me assusta!

- Foi mal. Ainda não me acostumei com essa idéia de estar morto ou semi-morto, sei lá.

- Tudo bem, nós vamos até a casa do senhor Ayame e lá poderemos esclarecer esta história.

- Er... Nós?

Os dois ficaram se olhando por alguns segundos.

- Sim.

- Mas acho que só você pode me ver, não?

- Por quê?

- E eu é que sei? Descobri isso porque passaram algumas pessoas agora a pouco que ficaram te olhando porque você tava falando sozinha.

Tohru pensou um pouco. A idéia de não falar nada sobre o fantasma era boa, a não ser que a pegassem conversando com ele, aí achariam que ela era louca. E se ela contasse, teriam certeza que ela era louca. Como faria para conversar com Hatori e Ayame?

- Senhor Shigure... Se eu contar que você aparece pra mim pro senhor Hatori, ele vai achar que eu sou louca?

- Não sei. Eu acharia, mas ele não deve achar, não.

Ela se levantou num pulo.

- Então vamos em frente! – Disse ela fazendo uma pose como se fosse a líder de uma expedição.

- Certo, vamos. – Disse Shigure se segurando pra não rir.

Alguns quarteirões à frente, chegaram à casa de Ayame. Tohru criou coragem e apertou a capainha. Aguardou por um instante e alguém apareceu para atender a porta: Mine.

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Agradecimentos especiais a: Caroline Evans Potter e Akki-Can