E chegamos ao fim #limpa uma lágrima que escorre#. Queria agradecer a todos que passaram por essa história, tanto aos que ficaram quanto os que não. Cada review foi muito importante para mim, marcou minha história de algum jeito. Espero ter o apoio de vocês em histórias futuras. Muito obrigada!

Agradecimento às reviews: Uzu Hiina, Bruna, DarkAngel 16694, sango7higurashi, Pequena Perola, Anita-chan e Kony Mori!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Kirigakure no Yuurei

Epílogo

- Pode me dizer mais uma vez o que estamos fazendo aqui? – era a vigésima vez que Itachi resmungava para Sakura.

A rosada suspirou.

- Pare de ser ranzinza, você nem tem cinqüenta anos ainda. Como acha que eu vou te agüentar quando você tiver setenta?

Itachi bufou.

- Não mandei você casar comigo.

- E eu não mandei você me engravidar. Portanto, pare de reclamar. É aniversário dos seus netos.

Itachi concordou, de má vontade, e continuou a andar rumo a uma grande casa do bairro Uchiha.

Depois de voltar a Konoha, sete anos antes, Panji não mais voltara a Kirigakure, até porque fora banida por traição máxima – mas nenhum oinin foi mandado atrás dela. A kunoichi foi aceita por Konoha e fixou sua nova residência na vila. Inútil dizer quem foi morar com ela...

- Okaa-san, otou-san, estão atrasados! – Panji exclamou assim que avistou os dois Uchiha se aproximando de sua casa.

- Culpe seu pai. Ele que veio resmungando.

Panji fez uma careta.

- Eu não agüento esse monte de crianças. – e, de fato, sua expressão denunciava todo o cansaço que se acumulara nela. – Matar jounins é tão mais fácil...

Itachi riu.

- Essa é minha filha.

Sakura, por sua vez, soltou um longo e profundo suspiro.

- É bom se acostumar, Panji. Você tem gêmeos.

- Cuidar deles é fácil, okaa-san. – ela foi falando enquanto acompanhava os dois até a sala. – O problema é quando eles se juntam com outras crianças.

Pela porta aberta da sala – que dava para um belo jardim – era possível ver um pequeno grupo de crianças correndo e gritando, a diversão preferida de qualquer criança.

- Obaa-chan! – uma infantil voz feminina invadiu os ouvidos dos três Uchiha.

Sakura se abaixou para dar um abraço em sua pequena netinha.

- Como vai Satsuki?

A pequena abriu um enorme sorriso.

- Muito bem. Papai está me ensinando as primeiras coisas sobre o Byakugan! Ele disse que em pouco tempo eu vou poder ver tudo! Como uma Hyuuga de verdade!

- Que bom! – Sakura sorriu e afagou os cabelos curtos de Satsuki. – Seu irmão, onde está?

- Saiu com Fugaku para buscar Sasuke-san! – ela abraçou Itachi e saiu correndo mais uma vez.

- Como é ser mãe de um Uchiha e uma Hyuuga, ao mesmo tempo? – Sakura perguntou para sua filha, rindo.

- Péssimo. Sasuke fica reclamando no meu ouvido, Hinata fica reclamando no outro. Ser parte de algum clã famoso dessa vila é uma verdadeira dor de cabeça. E eles também não gostam disso. Passam pouco tempo juntos no fim das contas. Já estão em turmas separadas na Academia.

- Por quê? – Itachi perguntou.

- Minato já despertou o nível um do Sharingan. Satsuki ainda não conseguiu despertar o Byakugan. E ela se sente mal por isso, e fica se esforçando demais. Eles acabaram de fazer cinco anos, é demais para eles.

Sakura riu.

- E fala a pessoa que era dez vezes pior.

- É diferente. – Panji decretou.

- Diferente?

- Sim. Eles nasceram em Konoha, não têm o tipo de pressão que eu tinha em Kirigakure. Eles têm pai, mãe, família inteira. Completamente desnecessário.

Sakura sorriu. Era estranho ouvir aquelas palavras saindo da boca dela. Era estranho ver o quão diferente ela estava. Por mais que ainda fosse a mesma, tinha idéias diferentes.

- Não é pressão alguma. Pressão existia quando o clã Uchiha realmente existia.

Panji suspirou.

- O clã Uchiha existe. Já somos cinco. Fugaku vai se casar, Minato também e logo a clã terá muita gente.

- Você sabe do que estou falando. Minato, Fugaku, você, nenhum de vocês tiveram a pressão de ser criado dentro do "grande clã de elite Uchiha". Aquela época era época de pressão.

- Tudo bem, pai, tudo bem. Não fique se lembrando muito disso, está bem? Não vai te fazer bem.

Itachi revirou os olhos e foi se sentar no sofá, excluindo-se de qualquer convívio social.

- Ele é tão difícil... – Panji comentou.

- Igual a você.

Panji se virou para ver Kakashi se aproximando delas.

- Ei, cuidado com o que fala. – ela ameaçou.

Ele a abraçou por trás e lhe deu um beijo na bochecha.

- Você será igualzinha a ele. Você sabe disso.

Panji bufou.

- Isso é muito injusto. Você não é igual ao seu pai, sua mãe, ou mesmo seu tio. Eu não tenho padrões de comparação. Você tem.

Kakashi riu.

- Verdade. Mas você consegue superar isso, tenho certeza.

Sakura sorriu. Lembrava-se bem de quando Panji voltara e decidira se mudar para Konoha. Em pouco tempo, Kakashi já estava morando com ela, mas ela nunca aceitou se casar oficialmente com ele. Dizia que era "contra sua natureza". E ela, de fato, não fazia o tipo de mulher que casava. Já era um milagre ela concordar em morar com ele. Já era um milagre que eles tivessem filhos juntos.

- Ojii-san! – eles ouviram Minato exclamar enquanto ele, Fugaku e Sasuke entravam pela sala da casa.

O pequeno foi até Itachi e o abraçou, sendo calorosamente correspondido. Havia quem dissesse que os Hyuuga só gostavam de Satsuki e os Uchiha de Minato. Não era verdade, mas fazia um pouco de sentido.

Hyuuga Satsuki, se identificava mais com seus parentes do lado de Hyuuga, afinal, ela compartilhava a kekkei genkai deles. O mesmo ocorria com Uchiha Minato e seus parentes do lado Uchiha. Era natural.

- Okaa-san te contou que meu Sharingan despertou? – o pequeno Minato perguntou, todo animado.

Itachi sorriu e assentiu, bagunçando os cabelos do neto em um cafuné.

- Sim, ela me contou. Eu e sua avó ficamos muito orgulhosos de você.

Nesse momento, Naruto se levantou e se sentou ao lado de Itachi.

- Minato, você não quer aprender as técnicas dos Uzumaki? Os Uchiha são muito tediosos.

Itachi fuzilou o Hokage com o olhar e Minato olhou confuso para seu outro avô.

- O clã Uchiha é muito legal, Naruto ojii-san. Você não acha? Eu posso copiar um monte de coisas com meus olhos, e nasci com chakra Kaiton!

Naruto suspirou.

- Nunca consigo alguém que queira aprender comigo. – ele resmungou e se levantou, voltando para o lado de Hinata, que ria silenciosamente.

- Seu pai é complexado, Kakashi. – Panji sussurrou.

- É, eu sei. O sonho dele era que meu irmão tivesse nascido loiro, com olhos azuis e quisesse aprender o Kage Bunshin e o Rasengan dele. (N/A.: Confesso que nem eu mesma lembrava disso, mas no capítulo cinco Naruto conta a Kakashi que Hinata está grávida. Perdoe-me por essa falha.)

- Mas ele também é Hyuuga. – Panji riu. – Mas nada disso impede que algum deles queira aprender o Rasengan. Aliás, seria até mais interessante, todos sabem as técnicas base dos clãs. Algo de fora seria um elemento surpresa e tanto.

- Fale isso para um Hyuuga. – Kakashi ironizou.

- Eu sei. – ela suspirou. – Fale isso para um Uchiha.

Clãs, linhagens avançadas... Era tudo muito complexo, tudo muito dependente de uma hierarquia rígida e inútil.

- Nee-chan, eu preciso ir. – Fugaku se aproximou de sua prima, com um semblante triste.

- Já? – ela perguntou, um pouco decepcionada.

- Sim. Parto em missão agora.

- Tudo bem, meu oinin preferido. Tem tempo de cantar parabéns?

- Sim. – e sorriu.

Panji foi até a cozinha e pegou o enorme bolo de aniversário, coberto com brigadeiro. A vela já estava acesa. Ela foi andando pela sala, carregando o bolo e ouvindo todos os outros cantarem a música "Parabéns para você" para seus dois herdeiros.

Seus sogros, seu cunhado Hizashi, seus pais, seu tio, seu primo, Neji, TenTen, Kakashi. E mais os amiguinhos dos gêmeos. Todos lá, celebrando os cinco anos de um Uchiha e uma Hyuuga. Duas crianças que ainda tinham todo um futuro pela frente. Futuro pelo qual ela zelaria, guiando-os, orientando-os, fazendo de tudo para que eles não precisassem passar pelas coisas ruins que ela havia passado.

Mas ela sabia que eles não precisariam passar por nada que ela vivenciara. Ela sempre soubera. Konoha não era como Kirigakure.

- Orgulhosa deles, não é mesmo? – Kakashi sussurrou no ouvido dela em meio ao coro da música de aniversário.

- Sim, muito.

- Eles serão os melhores ninjas dessa vila.

- Claro que vão. Eles são meus filhos.

Kakashi riu.

- Presunçosa.

- Ei, eu tenho direito de ser. – ela reclamou.

- Eu sei que sim. Você é a única no mundo com tal direito.

- Obrigada.

E se beijaram.

- E eles eventualmente também terão esse direito. – ele continuou. – Afinal, como você mesma disse, eles são filhos de Konohagure no Yuurei.

E tudo ficaria bem para eles. E ela sempre estaria olhando por eles. Ela e Kakashi. Juntos. Para sempre.