O NATAL DE CLAIRE

Ainda faltavam alguns dias para o Natal, e o colégio de Claire havia preparada mais uma de suas festas de ano anuais.

Casa de Cuddy

- House, saia já desse banheiro senão vamos nos atrasar! Exclamou Cuddy, batendo na porta do banheiro.

- Eu já disse que não vou a lugar algum! Respondeu ele.

House estava de óculos, sentado no vaso do banheiro, com um jornal aberto entre as mãos.

- É a apresentação de final de ano da sua filha, você tem que ir! Gritou Cuddy, batendo cada vez mais forte na porta.

- Eu não vou sair daqui, a não ser que você consiga arrombar a porta...Disse ele, virando sossegadamente uma das páginas do jornal.

Mas House não fazia idéia que Cuddy tinha uma carta na manga. Ela seguiu para o quarto, abriu a gaveta do criado mudo e retirou uma chave reserva dali.

- Não vai ser preciso arrombar a porta. Afirmou ela, colocando a chave reserva na fechadura do banheiro e abrindo a porta para se deparar com House sentado no vaso e lendo jornal.

- Como você conseguiu entrar? Questionou ele, incrédulo.

- Vá se arrumar, agora...nós dois vamos na festa da Claire, ela se preparou por meses para essa apresentação e está contando com você. Disse Cuddy, enfurecida.

- O que você vai fazer comigo se eu não for,greve de sexo? Perguntou ele, fechando o jornal e retirando os óculos.

- A enfermaria de Pediatria não conseguiu achar um Papai Noel esse ano, o que você acha se eu indicar o médico mais encantador e solidário daquele hospital para o cargo? Indagou Cuddy, colocando as mãos na cintura.

- Você se esqueceu de mais um adjetivo...o médico mais encantador, solidário e gostoso daquele ele, sarcasticamente.

- Vá se trocar, eu vou ajudar a Claire com a fantasia. Ordenou Cuddy.

Dessa vez House não teve saída, ele colocou a primeira roupa que viu pela frente e se sentou na sala, esperando Claire ficar pronta.

Quando a menina saiu do quarto, atrás de Cuddy, House deu um pulo de susto ao ver o que sua filha estava usando.

- Meu deus, o que é isso? Questionou House, ao ver a fantasia da filha.

- Eu vou ser a personagem principal da peça, papai....O PERU DE NATAL! Exclamou ela, rodopiando para que House visse sua fantasia por completo.

- De novo...OH MEU DEUS...que peça é essa? Perguntou ele, se preparando para ouvir o pior.

- A peça se chama A Ceia de Natal...e eu sou o Peru de Natal, o que seria da Ceia de Natal sem mim? Disse Claire, orgulhosa.

Cuddy estava tentando conter o riso, quando House se aproximou dela e cochichou algo em seu ouvido.

- Você vai deixar sua filha fazer papel de idiota na frente de todo mundo, vestida de Peru de Natal? Eu não preciso ver isso! Cochichou ele.

- Ela é só uma criança, House, e está se divertindo...e você PRECISA ver isso, é a sua obrigação! Ok? Respondeu Cuddy.

- Mas Claire, porque o "Peru de Natal" está enrolado no papel alumínio? Perguntou House, olhando para a filha.

- Dããã, porque o papel alumínio só se tira depois que o peru tiver assado né Papai? Respondeu Claire, indignada.

Ele apenas sorriu para a menina diante desse comentário. Afinal, diante da personalidade de Claire, era inegável que o sangue dele corria nas veias na criança.

O trio então seguiu para a escola de Claire, onde iria acontecer o evento.

Colégio Saint Paul

A quadra coberta estava toda decorada para a festa. Havia um palco montado e a várias cadeiras colocadas para receber platéia.

Quando House, Cuddy e Claire chegaram, Wilson já estava sentado na primeira fileira de frente ao palco, para poder ter uma vista melhor de sua afilhada.

- Ei, House, aqui...Disse ele, levantando os braços para ser percebido.

Cuddy acompanhou Claire até os fundos do palco, onde todas as crianças estavam se arrumando, enquanto House sentou-se ao lado de Wilson e colocou alguns comprimidos de Vicodin na boca.

- Uou, porque tantos comprimidos? Questionou Wilson.

- Para conseguir aguentar essa palhaçada toda. Respondeu ele, mal-humorado.

As luzes se apagaram e Cuddy finalmente sentou-se ao lado de House na platéia.

- Já vai começar. Contou Cuddy, orgulhosa da filha.

As cortinas de abriram e varias crianças apareceram, vestidas como pratos da Ceia de Natal.

- Bem, até que a Claire ficou bonitinha vestida de Peru...Se você fosse se vestir de alguma coisa, teria que ser de Chester...eles costumam dar hormônios para essas aves ficarem com o peito bem desenvolvido, ainda bem que você não precisa disso não é mesmo, Cuddy? Brincou House.

- Engraçadinho...Respondeu Cuddy, prestando atenção na peça.

- Aquele ali vestido de leitão de natal... não é o Adam? Perguntou Wilson, incrédulo.

Durante a peça toda, Claire não disse uma palavra sequer. Ela ficou andando de um lado para o outro no palco, balançando as maozinhas para cima.

- Ela não vai dizer nada, é só isso? Perguntou Wilson, incrédulo.

- O que você queria que ela dissesse, seu idiota, se Peru de Natal falasse nós não os comeríamos no Natal. Respondeu House.

Enquanto todas as crianças iam para um lado, Claire ia para o outro, contrária ao grupo durante a apresentação. E ela parecia nem se importar com isso, queria mesmo era aparecer. Quando as crianças deram as mãos em agradecimento ao público, Claire se soltou delas, se colocou no meio do palco e mandou beijo para todos, sentindo-se a estrela da festa.

House, Cuddy e Wilson começaram a aplaudi-la, sorrindo diante das gracinhas da menina. House assobiou, incentivando a filha.

Quando as cortinas de fecharam, em questão de segundos, Claire apareceu novamente, mandando beijos e dando tchau a todos. Provocando gargalhadas em todos os presentes.

- Ela gosta mesmo de se aparecer...até parece que é filha de quem é...Afirmou Wilson, ironicamente.

A irmã Licinha surgiu no palco, tendo que puxar Claire pelo braço para que ela voltasse para trás das cortinas.

- Claire, saia já daí, agora vamos ter outra apresentação! Exclamou a irmã.

- Cuddy, me diga que acabou e nós vamos para casa...Pediu House, olhando com ar de piedade para ela.

- Não acabou, e nós vamos ficar até o final. Respondeu ela, sem dar atenção a House.

As apresentações continuaram, e com a luz apagada, House acabou cochilando. E só acordou quando recebeu um beliscão de Cuddy.

- Ahhh! Gritou ele, sentindo dor.

- Você estava roncando...a Claire vai se apresentar de novo. Avisou ela.

As cortinas de abriram novamente, e Claire estava usando o uniforme da escola, luvas nas mãos e com marias chiquinhas no cabelo, e ao seu lado estava sua amiga Ingryd, vestida do mesmo jeito.

As duas começaram a dançar, ao som de Dingo Bells. Até que no meio da música, Ingryd começou a tirar as luvas e a jogá-las na platéia, obrigando Claire a fazer o mesmo. Ingryd continuou sua dança, rebolando para a platéia e levantando a saia. E antes que Claire tentasse imitá-la, a irmã Priscila e a irmã Isabela surgiram no palco, segurando as duas e as levando para trás das cortinhas.

- A Claire fez o que eu estou pensando que fez? Questionou Wilson, boquiaberto.

- Ela aprendeu com a mãe...não acha que é muito cedo para ensinar a menina a fazer strip, Cuddy? Ao invés de balé ela devia fazer pole dance, o que você acha? Brincou House.

- Cale a boca , House! Exclamou Cuddy, envergonhada.

Para encerrar as apresentações, a diretora Cassy subiu ao palco.

- Obrigada a todos os presentes...E para fecharmos nossa festa de fim de ano, nossa aluna Claire vai recitar um pequeno poema, feito por ela mesma. Disse a Diretora, chamando Claire novamente ao palco.

A menina pegou o microfone, limpou a garganta e começou a recitar o poema escrito em seu papelzinho.

- Primeiro eu queria agradecer aos meu pai e minha mãe e meu tio Wilson que estão na platéia...Levantem aí para todo mundo ver vocês! Pediu Claire.

Wilson se levantou primeiro, em seguida Cuddy se levantou, e puxou House pelo braço para que ele se levantasse junto com ela.

- Minha Vida - Começou Claire.

" Minha Vida - Por mim mesma

Eu fui feita rapidinho na mesa do escritório da minha mãe.

Papai diz que rapidinho é mais gostoso,

É por isso que eu sou apressada, e nasci antes do tempo.

Meu pai é o House, e ele é manco. Minha mãe é a Cuddy, e ela é brava.

Quando eu era pequena achava que o tio Wilson era um idiota.

Meus pais vivem brigando ,

E no começo, quando ouvia a gritaria entrava debaixo da cama....

Mas agora eu nem ligo mais, só tapo os ouvidos,

Porque sei que tudo sempre acaba em sexo no final.

Claire Cuddy House "

Cuddy corou de vergonha ao ouvir o poema da filha e House começou a aplaudir orgulhoso.

- Essa é a minha garota! Exclamou ele, batendo palmas.

- House, páre com isso...está todo mundo olhando para nós. Disse Cuddy envergonhada.

- Eu não me importo, deixa que eles saibam da nossa invejável vida sexual...Disse ele, em voz alta para que todos ouvissem.

Claire desceu do palco e correu na direção dos pais e do tio Wilson.

- O que acharam do meu poema? Perguntou ela, curiosa.

- Oh, Claire...foi...Começou Wilson.

- Fantástico, você deveria virar escritora de poemas quando crescer. Brincou House, encorajando a filha.

Assim que a festa acabou, Claire seguiu para a saída com House e Wilson, enquanto Cuddy estava conversando com a diretora sobre o acontecido. Passados alguns minutos, ela juntou-se novamente a eles.

- A Diretora Cassy não quer mais a Claire no colégio no próximo ano. Disse Cuddy, sem saber o que pensar.

- Já era hora de você entender que a menina não combina com um colégio de freiras, Cuddy. Respondeu House.

- Vamos ter que procurar um outro colégio...mas as freiras se rebelaram, disseram que se a Claire não voltar, elas largam o hábito! Exclamou Cuddy, sorridente.

- Aquelas freiras nunca me enganaram, elas estão é loucas para ficarem sem hábito, na cama com um homem...Se eu não fosse casado até que me ofereceria para elas. Brincou House, provocando Cuddy.

- Veja lá como fala seu...seu...

- Seu...só seu. Completou ele, beijando-a suavemente nos lábios.

- Que pouca vergonha! Exclamou Claire, ao vê-los se beijando.

House esticou a bengala e deu duas batidas na cabeça da filha, para que ela se calasse.

- Cale a boca, Claire! Exclamou ele.

- Tio Wilson, o que você achou do meu poema? Perguntou a menina.

- Muito...educativo. Eu só fiquei com uma dúvida, você disse que quando era pequena achava que eu era um idiota, e agora, não acha mais? Questionou ele.

- Claro que não né tio...agora eu tenho certeza! Exclamou Claire, as gargalhadas.

A menina saiu correndo a frente de Wilson, que partiu atrás dela. Atrás dos dois, House e Cuddy continuavam abraçados, observando a brincadeira da filha.

Enquanto isso, a neve começou a cair em New Jersey, abrindo as portas de mais um Natal, provavelmente tão importante quanto todos os outros, mas dessa vez seria um Natal ainda mais alegre e cheio de emoções para a família de House e Cuddy.