Antes da fic, leiam os avisos, por favor. ;)

Autora: Sakuri

Tradutora: Lycanrai Moraine

Revisão: Cy Malfoy e Lycanrai Moraine

Betagem: Nanda Malfoy

Pares: Draco e Harry; Snape e Lupin

Classificação: M

Disclaimer da autora: Eu não possuo nada nem ninguém.

Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem essa historia. Harry Potter é da JK e essa historia é da Sakuri. Nós apenas a estamos traduzindo com a permissão da autora.

Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite.

Notas: Werewolf!Draco

Capítulo 23: Coisas Distorcidas

oOo

A lua estava mais próxima. Remus podia sentir o lobo rosnando no fundo de sua mente assim que Severus a invadiu. Ele lutou fortemente contra suas correntes, rosnando alto, tentando assustar a outra presença.

Para seu crédito, Severus não recuou, embora Remus pudesse sentir claramente uma onda de medo marcando seus pensamentos. Era uma sensação surreal, sentir emoções que não eram suas.

Dessa vez, ele estava determinado a não submeter suas memórias tão facilmente. Não que o Legilimente devesse estar olhando suas memórias, mas ele havia dito isso da última vez, e Remus havia aprendido a não confiar em Severus Snape.

Eles escolheram um horário de manhã cedo quando nenhum dos dois tinha aulas para dar. Essa era talvez a terceira sessão desde a primeira 'introdução' desastrosa, e o lobisomem estava ficando acostumado a ter uma presença invasora na sua cabeça. Ainda que, como sempre, ele ficasse nervoso de sentir o outro homem passeando por seus pensamentos, voltando ao local onde ele havia começado as fundações da Oclumência.

Severus havia criado as linhas de magia mental defensiva como teias, prendendo-as e enrolando-as às cordas douradas que ligavam os pensamentos de Remus. Era uma técnica pioneira, mas o homem já estava se mostrando bastante hábil nela, improvisando quando necessário e de outra forma tentando seguir as instruções ambíguas daqueles que já haviam tentado. Lentamente, sempre muito lentamente, Remus podia sentir a presença estranha de barreiras sendo construídas em sua mente, guardando todos aqueles pensamentos que poderiam entregá-lo como espião. Severus era detalhista, ele podia dizer isso. O homem havia até mesmo começado a inventar memórias falsas, que eram juntadas a tudo aquilo.

Essas eram as mais difíceis de se aceitar. O Mestre de Poções havia tentando fazer isso com uma penseira primeiro, e Remus a observou, fascinado. Era estranho, se ver claramente agindo em cenas que ele sabia que nunca aconteceram. Mas lá estava ele, bem na sua frente, cerrando os olhos para um Harry que nada percebia, odiando-o, culpando-o pela morte de Sirius, silenciosamente planejando vingança –

Elas o assustavam, essas memórias falsas. Mas, ele sabia que eram necessárias, e supôs que devia estar agradecido pelo talento de Severus de criá-las.

Ele só esperava que elas fossem boas o suficiente...

oOo

"Draco, concentre-se!"

A cotovelada forte de Pansy trouxe sua atenção de volta, fazendo-o se endireitar em seu lugar. A voz tediosa de Slughorn ainda podia ser ouvida, provavelmente o motivo para ele estar quase adormecido em primeiro lugar. Por mais que ele amasse Poções, a matéria perdeu grande parte da graça quando Severus parou de ensiná-la. As lições pomposas e as piadas de Slughorn o desanimavam agora que a novidade de ser o favorito de outro professor já havia passado.

Ele suspirou e olhou em volta, percebendo que havia perdido as anotações. Teria que copiá-las depois. Para ser sincero, no entanto, a maioria da turma parecia compartilhar seu desinteresse. Apenas Granger estava escrevendo furiosamente, determinada a salvar cada pedaço de 'sabedoria' que saia da boca do professor. Ele girou os olhos para ela.

"O que há de errado com você?" Blaise perguntou baixo, mexendo distraidamente em um pedaço de pergaminho. "Pensei que você estaria nas nuvens, com a vitória de ontem."

Draco fez um som sem muito sentido em resposta. Ele esteve feliz, e havia provado isso na Sala Comunal da Sonserina na noite anterior. Eles beberam e parabenizaram uns aos outros e ficaram acordados até altas horas, e agora ele estava cansado. E entediado.

E um pouco preocupado.

Havia percebido que após a partida, quando os dois capitães apertaram as mãos de novo, Chang havia ficado o mais distante possível dele. Deus, ela realmente havia visto algo quando ele voou perto dela. Com a lua tão próxima, ele devia saber melhor do que ficar de cabeça quente em uma situação volátil.

A pergunta era, ela iria perceber o significado do que havia visto? Se fosse Granger, ele já estaria se preparando para deixar a escola, sabendo que ela descobriria até o fim do dia. Mas Chang não era tão esperta...

Ao menos, ele esperava que não fosse.

"Draco!"

Novamente ele piscou e olhou para Pansy, apenas para perceber que ela não era a única olhando para ele. O restante da classe, assim como Slughorn, esperava em expectativa.

Ele enrubesceu. "O que... qual era a pergunta?"

oOo

O fim da aula finalmente, finalmente chegou, e Draco não queria nada mais do que se esconder em seu quarto e escapar da preocupação irritante que havia se instalado nele durante Poções. Havia ficado pior durante o dia, até que ele havia se convencido de que a maioria da escola estava cochichando nas suas costas, sabendo sobre seu segredo.

Sua consciência lhe disse que isso não podia ser verdade. Ao menos, com certeza teria chegado a seus próprios ouvidos pelos sonserinos, ou mesmo a Potter, que o teria avisado.

Por enquanto, as coisas ainda estavam sob controle, ele tentou se convencer. Com outro suspiro cansado, disse a senha e esperou que Lilith girasse, então entrou na sala de estar.

Potter estava deitado no sofá, suas pernas cruzadas nos tornozelos, com Vanima sobre seu tórax. Ele olhou para cima surpreso quando o lobisomem entrou, tentando se sentar com um olhar culpado. "Uhm..."

Merlin, o grifinório ficava aqui mais do que ele ficava!

"Potter, essa é a minha sala, você sabia? Como você ao menos sabe a senha?" com suas palavras indignadas, ele passou direto pelo outro sem realmente protestar, desfazendo os botões das mangas de sua camisa.

Harry observou enquanto o loiro desaparecia em um canto, presumivelmente indo para o quarto (Harry nunca havia investigado os cômodos do outro tão a fundo). Sem ter certeza se Malfoy ainda estava ao menos ouvindo, ele falou hesitante. "Eu... não sei, na verdade. Ela simplesmente me deixa entrar."

"Você está brincando?!" veio o grito indignado segundos depois, um pouco abafado. "Eu juro, vou pedir um quadro novo... a segurança desse lugar está ridícula."

Harry riu indolentemente das palavras do outro. Então, percebendo o que estava fazendo, rapidamente fez sua expressão voltar a ficar vazia. Droga, ele tinha que manter em mente que Malfoy não era engraçado, e não era esperto. Deus, quão difícil isso podia ser, quando ele havia passado cinco anos dizendo exatamente isso ao sonserino...?

"Por quanto tempo você esteve aqui?" perguntou a voz do sonserino, parecendo um pouco impaciente.

"Eu tive um período livre agora, então mais ou menos uma hora."

Ele ouviu distintamente uma risada, seguida por um sarcástico e irritado: "Você podia ao menos fingir que eu tenho algum controle se deixo ou não você entrar."

"Desculpe-."

Malfoy subitamente apareceu. Harry o olhou, então pensou em não dar uma segunda olhada. Ele não sabia por quê. Não era como se ele não o tivesse visto vestido casualmente antes. Bem. Ele pensou que tinha. Certamente ele tinha...?

A gravata verde e prata se fora, e o cabelo loiro balançava onde tinha sido deixado desarrumado em sua cabeça. Uma camisa branca frouxa, agora por fora da calça e com o primeiro botão aberto, as mangas puxadas para cima, revelada pela falta das vestes pesadas da escola. Ele segurava um livro em uma das mãos, levando-o consigo para uma das cadeiras opostas a Harry, onde se deixou cair e jogou seus pés sobre a mesa de centro entre eles.

No colo do grifinório, Vanima sibilou questionadoramente. Você sabe que a temperatura do seu corpo acabou de subir? Por quê?

Harry a ignorou, mesmo que com alguma dificuldade.

Olhos cinzentos o estudaram criticamente – mas então, eles não eram sempre críticos? "Você nunca tem nada melhor para fazer do que ficar sentado aqui com essa criatura? Eu acho que não me lembro a última vez que fiquei aqui sozinho, Potter."

Harry deu de ombros, e olhou para a criatura em questão. "É, bem, todas as vezes que eu tento passar um tempo na Sala Comunal da Grifinória as pessoas perguntam se eu fiquei louco. Está começando a ficar realmente irritante."

O loiro riu enquanto abria o livro antigo de capa vermelha em algum lugar na metade e o equilibrou em seus joelhos. "Imagino que seu problema esteja relacionado a mim?"

"E não está sempre?" Harry retorquiu. "Mas sim. Está relacionado a você."

"Eu devia imaginar que sim. Passei minha carreira na escola tendo certeza disso." Ele virou uma página com um dedo, parecendo totalmente despreocupado. "Além disso, o objetivo não era esse?"

"Sim." Harry respondeu cuidadosamente. "Só que deixa as coisas... estressantes."

"Sempre existe a biblioteca. A Sala Precisa. Um número imenso de salas de aula vazias. Tenho certeza que existem outros lugares pra você escapar, e até levar seu bichinho de estimação."

O grifinório ficou tenso. "Você pode apenas dizer se quiser que eu vá, sabe?"

Novamente, olhos cinzentos ergueram-se para encontrar os dele, pálidos e sem expressão. "Eu não disse isso. Só estou me perguntando por que você quer ficar aqui." Ele continuou a encará-lo por um momento, então calmamente voltou ao seu livro como se não tivesse dito o problema com o qual Harry estivera lutando por dias.

Harry não respondeu – havia se recusado totalmente a responder a essa pergunta até para si mesmo – e eles caíram no silêncio que havia se tornado quase um hábito. Porque eles não eram amigos. Não eram. O que eles eram, Harry não sabia, mas conversar não era uma parte disso. Ao invés, eles se sentaram em silêncio, evitando olhar um para o outro, enquanto Harry tentava não pensar no Time dos Sonhos, e Draco tentava não reagir aos sibilos baixos que vinham do outro lado da sala – e, realmente, isso não era uma coisa distorcida, era?

oOo

O primeiro fim de semana do segundo semestre seria marcado pela lua cheia. Draco e Remus não eram mais os únicos que contavam ansiosamente os dias. Severus também mantinha um olho constantemente na data, tentando adiantar o trabalho com Lupin para que a proximidade com a lua não o tornasse muito perigoso. Harry, também, observava o ciclo lunar com um interesse óbvio. Ele ainda não tinha se decidido se iria correr novamente ou não.

A semana sem aulas que se seguiria ao feriado também era um assunto de conversas. Era um momento em que a maioria dos alunos aproveitaria para visitar suas casas, Ron junto com eles. Harry estava secretamente feliz por isso, esperando que um tempo de separação diminuísse o conflito entre ele e o bruxo ruivo.

Draco estava acostumado a visitar a Mansão Malfoy nas férias de meio de período. Foi quase um choque perceber que ele ficaria na escola esse ano – que provavelmente ficaria até que se graduasse, esse era um pensamento horrível.

Mas o que veio como um choque ainda pior foi a carta que ele recebeu na tarde de sexta, quando estava prestes a sair para a cabana de Lupin. A impressionante coruja de igreja havia deixado-a em sua cama, ficando perto dos travesseiros e esperando imperiosamente. Ele reconheceu a ave, e a caligrafia que endereçava a carta a ele, mas nada havia lhe impedido de lançar todos os feitiços de checagem de azaração que conhecia. Apenas quando ele tinha certeza de que a carta era segura, ele a pegou.

Ler as palavras de sua mãe era uma tarefa mais difícil do que ele poderia ter esperado. Abruptamente, saudade se apoderou dele, e logo ele era um primeiranista novamente, chateado e querendo ir para casa. Ela o pediu para voltar, apenas por algum tempo, ela sentia falta dele, e seu pai honestamente não tinha nada a ver com o pedido.

Ele se perguntou que possibilidade doía mais: se ela havia ficado ao lado de Lucius, ou se seu pai havia literalmente a forçado a escrever.

Em qualquer caso, ele não hesitou em levar a carta para a lareira e incinerá-la com um gesto rápido de varinha, olhando tristemente enquanto as cinzas caiam e se acomodavam no chão. "Sem resposta." Ele disse para a coruja, esperando até que a ave tivesse partido apenas para ter certeza de que ela não decidisse que Vanima daria um bom petisco, então ele deixou seu quarto com as mentiras de sua mãe pairando sobre ele como uma nuvem negra.

oOo

Ele estava na metade das escadas que o levariam ate o Saguão de Entrada, quando ouviu os sons ásperos de passos atrás dele. Mas, reconhecendo o som chiado de seus sapatos, seu alarme rapidamente desapareceu, e ele até mesmo parou para esperar por seu perseguidor.

"Malfoy!" a voz grifinório não tinha nenhuma da hostilidade que normalmente carregava quando eles se dirigiam um ao outro em público. Finalmente o alcançando, Potter desacelerou a corrida para um caminhar.

"Sutil." Draco comentou sarcasticamente. "Mas eu não acho que ninguém na Torre de Astronomia te ouviu." Honestamente, algumas pessoas não têm nenhuma consideração pela imagem pública...

"Oh, desculpe." Foi a desculpa rápida que Harry ofereceu, nem metade tão preocupado quanto o sonserino teria gostado. "Você vai ver Remus, então?"

"Não, eu pensei em vagar pelo castelo essa noite. Estou me sentindo tentado."

Harry não pareceu impressionado. "Tudo bem, pergunta idiota... Importa se eu for com você?" a última saiu rápida e embolada, e ele se lembrou do porquê de ter sido sorteado na Grifinória: se estiver em duvida, pule para a saída mais rápida.

Olhos cinzentos se viraram lentamente para ele, frios e questionadores. "Sem encontros dessa vez?" seu tom deixou bastante claro que ele havia visto direto pela última desculpa de Harry, embora o grifinório não tivesse idéia de que tipo de conclusões ele tivesse tirado. Depois de tudo, Malfoy não devia saber que o real motivo para Harry ter cancelado foi que ele tinha se assustado imensamente com as suas... posições noturnas, sabia?

"Não deu certo." Foi o que ele respondeu, no entanto.

A única reação do sonserino foi mover algumas mechas claras de seus olhos e levantar seu queixo de maneira superior como sempre. "Não faz diferença para mim." Ele disse com um dar de ombros afetado. "Não é como se-."

Draco parou rapidamente, ouvindo. Orelhas caninas podiam ouvir o que as de Potter não podiam, e o lobisomem paralisou com os sons que chamaram sua atenção. Vozes, e umas que ele reconhecia muito bem.

"Pansy está vindo." Ele sussurrou imediatamente, já olhando em volta para algum lugar em que pudesse escondê-los. Mas o corredor onde eles estavam era reto, sem portas ou decorações, e o som de sonserinos se aproximando estava ficando mais alto conforme eles se aproximavam da curva que levava ao corredor.

Ele não podia ser visto ali com Potter, não quando eles não estavam azarando ou xingando um ao outro, que era a única explicação aceitável. Pior, ele já havia se atrasado devido a carta de sua mãe, e se eles ficassem ali mais tempo ele acabaria se transformando bem em frente a eles.

Potter, sempre útil, não estava fazendo nada para tirá-los daquela situação, ao invés disso, mexia na mochila que levava sobre um dos ombros.

"Será que você pode por favor fazer alguma coisa?" o lobisomem tentou cochichar furioso.

Olhos verdes brilharam. "Cale a boca. Eu estou fazendo." Finalmente, ele começou a puxar algo da mochila, como um mágico trouxa com uma corda de lenços, mas o que ele segurava parecia líquido e prateado. "Vem aqui."

"O quê?"

"Apenas – Oh, esquece!" e então o grifinório se adiantou na direção do loiro, jogando alguma coisa sobre sua cabeça e em volta deles enquanto se movia. Uma mão se fechou no pulso de Draco, virando-o até que ele ficasse cara a cara com o outro garoto, que tinha as costas para a parede.

"O que – o que você está...?"

"Capa de invisibilidade." Potter murmurou, quase inaudível.

Draco não teve chance de deixar passar o choque de seu entendimento. Alguns poucos pensamentos disparavam por sua cabeça – Potter tinha uma Capa de Invisibilidade?! Elas eram caras! Então era assim que ele se livrava de tanta coisa! – e então Pansy e Blaise entrando em sua vista, suas vozes baixas e privadas.

"Ele tem desaparecido tanto ultimamente, você percebeu?" a garota estava dizendo, e Draco sabia, sem sombra de dúvida, que estavam falando dele.

Blaise deu de ombros. "Ele provavelmente está no quarto dele. Você só percebeu isso porque ele não está mais sentado na Sala Comunal o tempo todo."

Ela balançou a cabeça. "Eu fui visitá-lo outro dia. Aquele retrato dele disse que ele estava fora há uma hora."

"Pansy, pare de tentar pôr rédeas nele, certo? Existem outros lugares na escola. Você checou a biblioteca? O laboratório de Poções? Draco é nerd, provavelmente está fazendo trabalho extra."

Harry teve que virar o rosto para o lado para fugir do olhar arregalado de indignação do loiro, evitando explodir em gargalhadas. Foi um esforço massivo, e ele sentiu sua garganta doer com a reação reprimida.

Os dois sonserinos estavam chegando cada vez mais perto, e estavam tão retos que Draco e Harry temiam que eles passassem direto por cima deles. O loiro se moveu nervosamente, relutante em se pressionar mais contra o grifinório, mas sabendo que ele teria que fazer algo ou ambos seriam descobertos em uma situação mais comprometedora do que a anterior.

A voz apressada de Pansy recapturou sua atenção. "Na verdade, eu estava me perguntando se isso teria algo a ver com... bem, o pai dele, se você sabe o que eu quero dizer..."

Blaise lhe deu um olhar fulminante. "Um primeiranista lufa-lufa saberia o que você quer dizer, Pans." Ele suspirou e balançou a cabeça. "Eu estava pensando nisso, entretanto. Suponho que isso tinha de acontecer mais cedo ou mais tarde. Afinal de contas, estamos falando de Lucius Malfoy. Não poderia fazer mais sentido ele mandar Drake -"

"Não diga!" a bruxa sibilou urgentemente.

"Eu não ia!" ele replicou. "Algumas pessoas têm mais tato que você..." Parecendo magoado, o garoto de cabelos negros ficou em silêncio, apressando o passo em irritação.

Merlin, aquilo seria uma colisão, com certeza, Draco pensou abruptamente. Ele estava parado bem no caminho de Blaise, e não podia se mover mais com medo da capa revelar algum pedaço dele ou de Potter-

Braços de repente circundaram sua cintura, o pegando desprevenido, e então ele foi pressionado contra o outro corpo de uma maneira mais forte do que ele pensou que algum dia pudesse ficar na vida. Ele sentiu a irreprimível necessidade de afastá-lo, de praguejar e de gritar incontrolavelmente, por que como se atrevia Potter a ter tal liberdade, esta... esta completa invasão de espaço pessoal?! Seu queixo descansou no ombro do garoto mais alto, e do lugar mais sombrio de sua mente ele pôde ouvir a voz venenosa do lobo o incentivando a morder em retaliação. Pela proximidade com a lua cheia, ele poderia até mesmo conseguir contaminá-lo, se quisesse...

Ele trouxe sua mente de volta com algum esforço. Não. Bom Deus, Potter estava tentando ajudar...

"Blaise!" Pansy chamou atrás dele, o fazendo parar para esperá-la. Em silêncio, Draco amaldiçoou seu amigo e forçou-se mais contra a parede e o outro garoto – sortudamente, sem perceber a expressão vidrada que estava nos olhos verdes.

Pansy parou de caminhar a pouca distância de seu colega da Sonserina, então falou praticamente sussurrando. "O que... o que você acha disso? Se é por isso que ele some toda hora, quero dizer..."

Blaise levou um tempo para responder, muito para a frustração do lobisomem. "Eu... tento não pensar sobre isso, na verdade," ele respondeu depois de um tempo. "Vai acontecer com todos nós, eventualmente. Por que se preocupar com isso agora?"

Suas palavras não pareceram confortá-la, apesar de óbvias. Com outro suspiro, o garoto entrelaçou um braço ao dela e eles continuaram em silêncio, roçando o par invisível por apenas a largura de um fio de cabelo.

Quando pôde, Draco deixou sua respiração escapar com alívio. Essa tinha sido muito perto.

Harry sentiu o suspiro do loiro com um choque, hálito quente na base de seu pescoço, logo abaixo de sua orelha, e lutou para não fechar os olhos. Ele não estava gostando daquilo, disse a si mesmo. Ele não podia gostar daquilo, porque O Sonho não era suposto ser verdadeiro, caramba!

Malfoy estava virando a cabeça, cuidadosamente tentando não olhar para ele, e os pequenos arquejos tocavam sua mandíbula agora, quente e agradável, e ele estava quase virando-se para encontrá-los com os seus próprios.

"Você pode me soltar agora, Potter."

Ele piscou, e então percebeu – para seu completo embaraçamento – que ele ainda tinha seus braços presos em volta da cintura do outro garoto. Ele o soltou como se queimasse, olhos arregalados em face ao olhar azul gélido.

"D-desculpe, eu –"

Ele não teve a chance de terminar qualquer explicação que pudesse ter. Draco de repente engasgou e se dobrou, uma mão agarrada a camisa do grifinório num esforço para se manter em pé. Incapaz de ajudar, Harry pôde apenas assistir enquanto a transformação se desenrolava. O aperto forte do loiro nele o carregou para o chão quando o lobisomem transformado caiu de joelhos.

Ele simpatizou com Malfoy de um novo jeito, em seguida. Nunca ele tinha ouvido o sonserino gritar em genuína dor antes – ao invés dos falsos gemidos afetados que ele uma vez imitou para ganhar simpatia - mas ele ouviu agora. Alarmado, lançou um feitiço de silêncio em volta deles, mas não havia muito mais que ele pudesse fazer.

Houve um momento nos próximos lentos segundos, em que Draco jogou sua cabeça para trás, os olhos claros lupinos arregalados, e Harry viu, com uma clareza horrível, a maldade da criatura que estava apenas sob a superfície. O lobo estava livre por aquele pequeno instante, antes que as correntes da Mata-Cão se apertassem firmemente ao seu redor. Ainda assim, foi o bastante para Harry pular para trás assustado, percebendo, pela primeira vez, a verdadeira força da coisa dentro de Draco.

Ele testemunhou o restante da transformação em um tipo de hipnose chocada, parcialmente encantado quando o lobo que apareceu o olhou com olhos claros, apesar do fato de ele o ter visto duas vezes antes de agora.

Quando finalmente havia terminado, Harry olhou estranhamente para os restos rasgados da roupa do sonserino. Então, com um suspiro, ele moveu sua varinha e lançou um feitiço reparador que Hermione o ensinou, observando o tecido voltar a seu estado original. Pegando a pilha, ele enfiou tudo em sua bolsa que já carregava a Capa de Invisibilidade – o tempo todo imaginando as reclamações de Malfoy sobre os amassados que ele estava fazendo. Ele planejava deixar a mochila na casa de Remus antes de se transformar.

"Então vamos." Ele murmurou, torcendo para que não houvessem mais alunos pelos corredores além deles dois. Era tudo o que ele precisava. Alguém vendo Harry Potter andando calmamente ao lado de um lobisomem branco imenso. Oh, ele já podia até ver as manchetes...

Continua...


Comentários das Malfoy-Moraine (com participação especial de Coyote, a quase-nora):

Cy: Gente, eu tô ficando uma pessoa saudável. Fui almoçar e botei alface no prato. Sem precisar de ameaças...

Nanda: Aeeeeeeeeeee \o/

Cy: Agora tô comendo maçã...

Nanda: Alface é bom

Coyote: Ahhhh... alface é bom... e tomate! *o*

Nanda: Eu adoro maçã.

Cy: Ontem tomei - pausa para a cara de nojo – leite. O.O ODEIO leite. Tô com medo de mim...

Nanda: Odeio leite...

Coyote: Leite é bom... u_u

Nanda: Não tomo nem sob tortura.

Coyote: Que isso... O_o

Ly: VC TA GRAVIDA CY????? O.O

Cy: ... será, Ly? O.O

Nanda: Naaaaaaaaaaaoooooooooooooooooo!!!!! Não quero mais irmãos.

Coyote: O_O o que??????

Nanda: Não quero filhos bastardos.

Coyote: Irmãos? Quem?

Nanda: Não quero mais ninguém entrando na minha família.

Ly: Grávidas que tem desejos estranhos... O.O ... OMG... \o/ *corre em circulos*

Nanda: *estreita os olhos pras três*

Cy: Será que são 3gêmeos agora? o.o (pra quem não sabe, Ly e Cy têm 3 filhotes: a Nanda, o Marck Evans e a Ju Oliveira. Marck e Ju são gêmeos).

Nanda: Não me venham colocar mais ninguém na família. Ou eu fujo.

Ly: *bate a cabeça na parede* Salário de lobo não da pra isso tudo XD

Cy: Nem de moderadora... .-. A Nanda vai ter q trabalhar pra ajudar em casa...

Ly: Vai mesmo...

Coyote: Não! A marida já tem uma casa pra sustentar!

Cy: Vai trabalhar, Coyote! u.ú

Coyote: ¬.¬

Ly: Mas pensando por outro lado... teríamos um quarto de bebê pra usar de vez quando tambem... pra variar um pouco mais...

Coyote: O_O

Cy: hum... Eu sempre quis te molestar num quarto de bebê... *estala chicote*

Ly: *indo buscar o berço, a coleira e a algema*

Nanda: Perai. Para tudo. Quarto de bebê pra quem? Quem vai ter bebê?

Ly: Pelo visto é a Cy né? Ela que ta tendo uns desejos estranhos de comer o que nao gosta

Nanda: Pode abortar! Cospe!

Ly: kkkkkkkkkkkkkkk "cospe"

Cy: O.O

Ly: Nanda!

Nanda: Que?

Ly: Voce quer matar um vida???? (tirando o fato de que, pra matar, tem que estar vivo...)

Cy: *chorando de rir com o 'cospe'*

Nanda: Caraca meu... vocês tem que se prevenir. Lembram da conversa que tiveram comigo a uns anos atrás?

Cy: Filha, não dá tempo... é emparedada atrás de emparedada... u.u

Nanda: A familia ja esta grande o suficiente, ó: Nanda, Marck, Ju. Agregados: Coy com uma filha bastarda. Fora a Gabi. Fora as avós. A Rashi é outra agregada. Chega.

Cy: E a tia... u.u

Nanda: Quem é tia? a Lili?

Ly: É. A Cy tem uma irmã gêmea.

Nanda: Chega

Ly: Bem... nao vamos ter certeza até o ultrasom de qualquer jeito... u.u

Cy: Verdade, Nanda. Vai ter que esperar até domingo que vem.... u.u

Nanda: Eu vou ter que me mudar... Coyzinha... Vamos arrumar nosso cantinho e eu vou usar DIU...

Coyote: Ah... sim! Nada de crias por enquanto... Prezamos nossa liberdade! ^-^

Nanda: Ahan.


Nota Indispensável das Tradutoras:

Olá, povo, tudo bom? o/

O MM tem uma nota muito importante para vocês hoje, por favor, leiam.

Pessoas, ficou praticamente impossível para Ly e eu entregarmos um capítulo por semana agora. Já faz um tempo que nosso ritmo com as traduções não é mais o mesmo e isso tem desgastado muito a gente. A vida no fandom é absurda de corrida (pra quem não sabe, eu sou uma das Moderadoras do grupo PSF), e a vida fora dele é o triplo com faculdade, família, trânsito e blá blá blá...

Só para vocês terem uma idéia, nós três (Ly, Nanda e eu) quase não nos falamos mais durante a semana. o.o

Sabemos que vocês não têm nada com isso, mas sabemos também que como TODOS temos vida fora da net, vocês entendem o que queremos dizer.

Não, as traduções não vão parar, a gente só vai mudar o esquema de postagem. Os capítulos agora serão postados quinzenalmente. Dessa forma, o MM pode continuar com a mesma qualidade nas traduções (que já não é a mesma desde que a gente passou a pegar dois capítulos de 8, 9, 10 páginas cada para traduzir/revisar/betar do sábado para o domingo, o que cá entre nós, é coisa de Super Homem) e, o mais importante, responder as reviews de vocês, porque nem isso estamos conseguindo fazer, o que não é justo.

A gente sabe o quanto vocês gostam das fics, e ficamos muito felizes com o feedback que recebemos toda semana, durante todos esses meses (sim, cara, estamos nisso há seis meses! =O), e é justamente por essa fidelidade que vamos fazer isso, porque achamos mais importante entregar um capítulo com qualidade, respondendo as reviews, conversando com vocês como nós sempre fizemos, do que entregar algo mal feito e ainda por cima negligenciando nossa vida aqui de fora.

Lamentamos pelos que ficam aí todo domingo esperando atualização, pelos que fogem pro escritório do pai para ler escondidos, pelos que queimam o jantar do marido enquanto tão lendo as emparedadas do Harry no Draco, pelos que deixam a gente apertar as bochechas nas reviews, por todos os Draquinhos lindos e loiros, por todas as taradas que ficam stalkeando a gente (XD)... Esperamos que compreendam essa decisão. ^_^

Agradecendo às reviews do último capítulo: Hêlo (você voltou, muié!), Coy (*lambe*), Mah Jeevas, Parkison Gomes, Dark Wolf, Rafaella Potter Malfoy, 2Dobbys, Leo Shaka (*aperta as bochechas*), Claire Potter, Dona Zeferino, Carine, Lilavate e Kiara Uchiha Hiwatari. ^^

Esperamos que tenham gostado dos dois capítulos, que entendam nossa posição, e que não enviem nenhuma azaração via coruja. T_T

Beijos. Até mais...

Cy, Ly e Nandinha, também. ^^