Antes da fic, leiam os avisos, por favor. ;)

Autora: Sakuri

Tradutora: Lycanrai Moraine

Revisão e Betagem: Cy Malfoy e Nanda Malfoy

Pares: Draco e Harry; Snape e Lupin

Classificação: M

Disclaimer da autora: Eu não possuo nada nem ninguém.

Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem essa historia. Harry Potter é da JK e essa historia é da Sakuri. Nós apenas a estamos traduzindo com a permissão da autora.

Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite.

Notas: Werewolf!Draco


Capítulo 40 - Dentro da Escuridão

Severus não tinha uma opinião muito boa sobre aquelas pessoas que não acatavam regras ou instruções. Por algum motivo, ele mesmo havia se tornado esse tipo de indivíduo.

Os limites da barreira protetora da escola estavam a poucos metros agora. Assim que ele os ultrapassasse, poderia aparatar e, com alguma sorte, alcançar Hogsmeade antes da maior parte da Ordem. Infelizmente, Dumbledore tinha lacrado a rede de flu há pouco tempo, o que não lhe permitiu usar a lareira para chegar ali. Como Minerva tinha dito, somente a lareira do diretor ficaria ligada ao Flu, e isso significaria juntar-se aos outros.

Ele olhou para o céu, notando quão próximo estava do pôr do sol. Não demoraria, agora para que seus esforços se tornassem em vão.

Ele acelerou o passo.

Isso era insano, ele disse novamente para si mesmo. O que, em nome de Salazar, ele estava pensando? Mesmo enquanto agia, seus movimentos quase automáticos, não conseguia pensar numa explicação lógica. Ele nunca tinha sido altruísta, ou nobre, ou impulsivo, ou, por Deus, suicida – situação na qual se colocava agora – então do que ele estava brincando? Era apenas Lupin, afinal. Ele não tinha suspeitado desde o princípio que algo assim iria acontecer...?

"Estúpido, patético, desculpa inútil de homem! Eu sabia que ele seria pego e -"

Atrás dele, alguma coisa tossiu incredulamente.

Ele se virou, a varinha em punhos e apontou para – nada. Piscando, ele olhou confusamente em volta.

Por um segundo, o ar a sua frente pareceu ondular, antes de se deslocar para o lado e revelar –

"Potter!" ele reclamou, indignação superando a perplexidade. "O que você está fazendo aqui fora, pelo amor de – Draco?"

Os dois garotos se materializaram lado a lado, saindo de baixo das dobras do que sem dúvida era uma Capa da Invisibilidade. Seus olhos se estreitaram, tentando entender a quem ela pertencia, antes de decidir pelo grifinório. Draco, ele sabia, teria se vangloriado sobre ela há muito tempo se tivesse uma coisa dessas.

"Como vocês chegaram aqui?", Snape não pôde se impedir de repreendê-los, antes de perceber quão estúpida era a pergunta, considerando o disfarce. "Vocês dois, voltem pra dentro agora! Vocês tem algumaidéia –"

O sonserino se adiantou ao outro, se colocando em frente ao Mestre de Poções e lhe encarando audaciosamente. "Eu sei exatamente aonde você está indo, Severus. E porquê. Nós vamos com você."

Severus pareceu realmente indignado. Pestinha insolente! Ele estava passando tempo demais com Potter. Como ele se atrevia a ser tão presunçoso?

Ele estreitou os olhos em fúria. "Saiam da minha frente nesse instante, e talvez vocês dois se livrem de receber detenção pelo resto de suas vidas."

A expressão de Draco nem ao menos se modificou. "Bem, sobre isso. Mesmo que eu quisessevoltar para a escola – o que, eu tenho que admitir, parece tentador – eu não posso. Meu contrato com Dumbledore não me permite."

O Mestre de Poções piscou surpreso, assim como Potter, ambos encarando o loiro.

Draco deu de ombros. "Eu também não tinha percebido, até a gente chegar na metade do caminho e eu me dar conta de que você é um membro da Ordem. Eu meio que tenhoque ajudar você."

O homem desdenhou. "Não seja ridículo. O diretor certamente não se referia a algo tão estúpido como isso. Volte à sala comunal de Sonserina neste minuto –"

"Estou falando sério, eu não posso", o sonserino protestou. "Se por nenhum outro motivo, eu tenho que ir com ele." Draco indicou Potter, que se mantinha desafiadoramente a seu lado. "E você pode perceber que estamos perdendo tempo. Se você pretende dar isso-" ele apontou para o frasco de poção na mão de Severus "- para Lupin antes que a lua nasça, é melhor se apressar."

O Mestre de Poções ficou tenso, sabendo que o garoto estava certo. Ele olhou para o frasco de Mata-cão que ele pegou apressadamente, e dela para o céu, se xingando silenciosamente.

Ele começou a andar novamente, sabendo que os dois estavam seguindo. "Voltem, eu disse! Como professor de Hogwarts, não vou permitir que continuem com essa idiotice. Além disso, vocês não esperam que eu aceite aparatar vocês para o meio de uma batalha –"

"Eu posso fazer isso sozinho", Draco disse simplesmente, ganhando outro olhar surpreso de Harry.

"Você pode aparatar?"

O sonserino riu. "Por favor. Você acha que meu pai me ensinaria toda aquela magia negra e negligenciaria o básico?" Houve um momento de silêncio, antes da voz de Draco continuar. "De qualquer forma, como eu estava dizendo. Nós vamos com você Severus – tanto porque eu tenho que ajudar membros da Ordem se eu puder, eporque sou forçado a satisfazer o heroísmo estúpido de Potter –"

"Você não precisa dizer desse jeito..."

"Além disso," o sonserino continuou, usando seu tom mais persuasivo e ignorando o murmúrio de Potter. "Você não acha que ter um lobis- bruxo como eu na sua retaguarda seria uma boa proteção?"

Severus lhe lançou um olhar estranho, se perguntando porque ele havia evitado a menção a lobisomens. Rapidamente, no entanto, a observação deixou sua mente para ser substituída por assuntos mais importantes. "Francamente, eu não poderia pensar em nada menos reconfortante," o Mestre de Poções comentou lentamente. "Agora, pela última vez, vão embora! Você realmente acha que é esperto levar Potter diretamente até uma concentração de Comensais da Morte?"

"Não, e isso é exatamente o que eu lhe disse. Infelizmente, senso comum é dificilmente uma qualidade grifinória –"

"Draco!"

"Meu ponto é: ele conseguiu sobreviver a um bom número de situações similares, e eu te garanto que ele vai arranjar outros jeitos de chegar lá sozinho. Você não acha que é melhor ter a gentelá como supervisão?"

"Eu não preciso da sua 'supervisão'!", o grifinório protestou indignado.

O loiro o encarou, silenciosamente lhe lembrando que ele sabia como lidar com Severus.

O Mestre de Poções sentiu quando passou pelas defesas, que se ligaram a ele por um momento antes de deixá-lo ir. Livre delas, sua magia parecia muito mais potente, agora livre de algumas restrições que Hogwarts impunha.

Os dois garotos se aproximaram, parecendo tão teimosos como sempre. Ele estreitou os olhos para Potter, que irritantemente parecia inabalado.

Draco o encarou calmamente. "Severus, você é meu padrinho," ele disse. "Você é minha família. Lealdade impõe que eu vá com você."

O homem zombou, olhando-o com ceticismo. Ele nunca tinha ouvido nada tão insincero em sua vida. "Você não tem lealdade", comentou. Não foi um insulto, apenas uma declaração do fato.

O loiro sorriu ironicamente. "Só porque eu não demonstro na maioria das vezes, não significa que ela não está aqui... Então, você está convencido?"

Severus considerou-os com uma raiva mal contida, tentado a arrastá-los fisicamente de volta para a escola. Mas mais uma vez, seu olhar se voltou ao céu, observando o quão baixo o sol estava.

Ele suspirou por entre os dentes cerrados. "Draco, não temos tempopara isso! Se me deixar sozinho, você me ajudaria. E ainda cumpre sua promessa com Dumbledore. Pegue essa capa de Potter e volte para dentro. Se você conseguir não ser pego, eu até mesmo te deixo sair com só uma semana de detenção". Saido dele, aquilo era praticamente um presente. Lançando um olhar rápido para os dois, ele descobriu que não podia ver as dobras prateadas do material. "Onde ela está, afinal?"

"Uhm ..." Potter murmurou, piscando.

Antes que mais alguma coisa pudesse ser dita, Draco deu um passo mais para perto do Grifinório, passando um braço em volta de sua cintura e discretamente escorregando uma mão por baixo da camisa de Harry, de modo que seus dedos encostassem na pele quente, só porque ele podia. "Se prepare", ele falou próximo à bochecha do parceiro. Então, mais alto, acrescentou, "Nós vamos estar atrás da Casa dos Gritos."

Eles desapareceram com um estalo alto.

Xingando baixo, Severus ativou a sua própria magia, concentrando-se na imagem de um morro coberto de neve atrás da Casa.

Tarde demais, ele sentiu algo segurar na parte de trás de sua camisa na fração de segundo antes de sua Aparatação. Sem poder chamar de volta o encantamento, sua magia abrangeu aquela presença desconhecida bem como a si mesmo, arrastando-a com ele quando desaparatou.

xxx

Sua aterrissagem foi bem menos graciosa do que de costume, graças ao peso adicional. Ele cambaleou para os lados, conseguindo felizmente se amparar contra a parede da Casa dos Gritos. Mais uma vez, ele não conseguia ver ninguém além de Potter e Draco, que o encaravam com olhos arregalados e nervosos. Imediatamente, ele soube que os dois tinham alguma coisa a ver com a desconhecida carga extra.

Aquela capa. Alguém estava usando a maldita capa de Potter!

Instintivamente, ele olhou para baixo e viu marcadas na neve duas trilhas de pegadas se afastando dele. Com um rosnado, esticou o braço cegamente e agarrou o ar, sentindo seus dedos se fecharem triunfantemente sobre um material macio. Ele o puxou e foi recompensado pela visão de aterrorizados Granger e Weasley, o olhando como se temessem que ele os assassinassem ali e agora. De fato, Weasley até mesmo se colocou em frente à garota numa ridícula demonstração de bravura.

"Vocês...! Vocês...!" Snape gaguejou raivoso, sem palavras, incapaz de pensar numa reprimenda forte o bastante.

Granger cobriu a boca em horror. "Não acredito que acabamos de fazer isso! Eu disseque ele iria nos matar!"

"Se acalme, Granger," Draco murmurou, enquanto ele e Harry se aproximavam do par recém revelado. "Sem movimentos súbitos."

Ela esperou que ele estivesse brincando.

"Seus... seus idiotas! Vocês têm idéia de como isso foi perigoso?" Ele lutou contra a urgência de brandir sua varinha – lembrando-se, bem a tempo, de que eles eram crianças, crianças que ele supostamente deveria proteger. Se sua estupidez não terminasse por matá-lo, é claro. "Vocês poderiam ter se estrunchado ou a mim! De todas as coisas estúpid -"

"Foi idéia do Malfoy!" Weasley exclamou, apontando acusadoramente para o loiro, que lhe deu um olhar assassino.

"Oh, mas que ótimo...", o sonserino sibilou, estreitando os olhos.

O ruivo deu de ombros timidamente.

Severus respirou fundo várias vezes, seus pensamentos viajando por pelo menos uma dúzia de punições bem criativas. Infelizmente, ele teria que esperar. Havia tão pouco tempo...

"CHE-GA," ele berrou. "Draco! Você vai levar todo mundo de volta para a escola neste instante! Tomara que você se esgote fazendo isso. Vocês retornarão para suas salas comunais e aguardarão minha volta. Não pense que o diretor não ficará sabendo disso!"

Harry se aproximou de Hermione, particularmente preocupado pela palidez que tinha tomado o seu rosto.

Severus se afastou deles, movendo-se silenciosamente para a borda da Casa e olhando de seu canto. Agora que o sangue tinha momentanemente parado de correr em seus ouvidos pela raiva, ele podia ouvir os sons da batalha abaixo deles. Olhando para as ruas de Hogsmeade, ele podia ver os habitantes da pequena cidade fazendo o seu melhor para afastar a horda de Comensais da Morte que estavam invadindo. Até onde ele podia ver, a Ordem ainda não tinha chegado, por algum motivo, e a defesa básica dos bruxas e bruxos comuns dificilmente duraria muito mais tempo.

Apertando os olhos, ele os passou por toda a cena a sua frente, mas estava, evidentemente, muito longe para distinguir Lupin do ponto onde se encontrava.

De repente, sentiu seu afilhado parado ao lado dele, também examinando a aldeia. "Não há ninguém aqui para ajudá-los além de nós", ele murmurou gravemente. "Nós não somos incompetentes, Severus. Podemos lutar."

Ele fez uma cara de desprezo para o loiro. "Tentando me manipular, Draco? Eu disse, volte. Eu quis dizer isso. Você vai se arrepender seriamente se for contra mim nesse ponto." Ele puxou sua varinha e se preparou para deixá-los, hesitando quando olhou para o menino. Ele não demonstraria afeto, muito menos com os outros adolescentes presentes, mas lutou com a vontade de transmitir algum tipo de mensagem. "Draco ... eu confioque você vai me ouvir."

E então ele se virou e estava correndo pela encosta, cuidando para não escorregar na neve e tentando se aproximar sem ser ouvido enquanto entrava na briga.

Draco observou-o partir, sem expressão. Harry apareceu ao lado dele. "Ele quer que você esteja seguro. Você não vai ouvi-lo?" Draco não percebeu o olhar sério que surgiu no rosto de seu companheiro.

Em vez disso, ele olhou distraidamente para o grifinório. "O que posso dizer? Ele está certo. Eu não tenho nenhuma lealdade." Virando-se, ele se dirigiu aos outros dois. "Vocês dois ainda estão dentro?"

Hermione o encarou, os olhos arregalados. "E-ele estava falando sério? Sobre contar ao diretor?"

Draco revirou os olhos. "Merlin, Granger. Como se Dumbledore já não tivesse te perdoado coisas maiores. De qualquer forma, ele não pode dizer nada. Ele não deveria estar aqui sozinho, ainda mais por ser acidentalmente responsável por vocêsestarem aqui. Ele não pode nos entregar sem se meter em mais confusão do que já está.

Ela pareceu minimamente aliviada, percebendo que Draco estava certo. Ela só queria que Draco confiasse o suficiente em suas próprias habilidades de Aparatação para transportar mais pessoas do que apenas Harry, então eles pelo menos poderiam ter evitado o crime de roubar uma carona com o irado Mestre de Poções ...

Ron tinha caminhado até onde eles estavam, esticando o pescoço para olhar para o campo de batalha abaixo, bem a tempo de ver o Mestre de Poções lançar uma maldição que derrubou um dos Comensais da Morte por trás. "Inferno sangrento. Nunca pensei que torceria por Snape ..."

"Acredita agora que ele não está do outro lado, Weasley?"

"Dá o fora, Malfoy."

Harry voltou seus olhos para o céu, observando o laranja vivo em que ele estava se transformando enquanto o sol mergulhava cada vez mais baixo no horizonte, deixando Hogsmeade em tons fortes de vermelho e ouro.

"Se vamos fazer isso, temos de ser rápidos", disse ele de repente, adotando a autoridade inconsciente que sempre lhe vinha em reuniões da AD ou situações de vida ou morte. Ele hesitou, e então virou-se lentamente para o sonserino.

Draco viu em sua expressão o que ele estava prestes a fazer apenas uma fração de segundo tarde demais para detê-lo.

"Fique aqui, Draco. Isso... isso é uma ordem."

O sonserino se balançou como se tivesse apanhado, encarando-o. "Não, não -"

"Euestou falando sério," disse ele, em uma imitação de Severus. E com isso, Harry se virou para olhar a batalha, a varinha na mão.

Hermione parecia quase tão chocada quanto Draco, encarando o amigo com a boca aberta. "Harry, com certeza ..."

"O que está acontecendo?", Ron perguntou, por fora como sempre, enquanto olhava entre um amigo horrorizado, um teimoso, e um sonserino completamente atordoado. "Você não espera que ele realmente fique, não é? Só porque você disse -"

"Ron, quieto", Hermione sussurrou, dando uma cotovelada nele.

Draco balançou a cabeça em negação, mesmo quando ele sentiu a compulsão se colocar sobre ele. Ele sentiu como se o lobo tivesse se sentado para esperar pacientemente pelo retorno de seu companheiro, enquanto elenão queria nada mais do que primeiro socar Harry pela audácia, e depois ficar tão próximo dele quanto humanamente possível.

"Que droga você pensa que está fazendo?", ele exigiu saber, sua voz estranhamente baixa.
Harry cometeu o erro de olhar para ele, e viu-se hesitante, pego pela intensidade que irradiava do loiro. "Me desculpe, mas eu não posso arriscar -"

"A decisão não é sua!", Draco gritou indignado, cerrando os punhos. Ainda assim, Harry não vacilou.

Em vez disso, ele se virou para os outros grifinórios, ignorando completamente os protestos enfurecidos de Draco, e falou com calma, retornando ao papel de líder que ele tantas vezes evitara. "Certo, lembrem-se das lições da AD. Eles vão mirar para matar ou mutilar, não para desarmar. Só... tentem evitar ser atingidos. Se alguém vir Remus, lance um Relashiopara o ar. Os outros verão as faíscas."

Ron assentiu para mostrar que havia entendido, mas rapidamente assumiu uma expressão confusa ao dar uma olhada no sonserino e acenar em sua direção. "Hum, parceiro? Tem algo que você queira me contar? Tipo, por que Malfoy tem uma veia saltando só porque você disse que ele não poderia vir...?"

Harry o olhou sem expressão. "Não, na verdade não. Pronto?"

Ron e Hermione o encararam perplexos, mas assentiram novamente. Virando-se, começaram a seguir Harry.

"Harry!"

O grito desesperado o fez parar abruptamente, fazendo Hermione colidir em suas costas. Mais uma vez, ela e Ron saíram do caminho e a garota resistiu à urgência de olhar na outra direção, sentindo como se estivesse invadindo algo muito íntimo entre os dois garotos.

Por um momento, vendo como Harry congelou ao som de seu apelo, e observando a forma como seus ombros ficaram tensos em culpa, Draco pensou que tinha vencido. E quando o grifinório se virou e começou a caminhar de volta para ele, Draco estava convencido de que ele tinha mudado de idéia e estava prestes a pedir desculpas profusamente, antes de insistir para que o lobisomem ficasse ao seu lado durante o que estava por vir, pois era o certo a se fazer, é claro.

Ele ergueu o queixo desafiadoramente quando o garoto parou a sua frente, esperando com irritação que a ordem fosse retirada.

Mas Harry apenas balançou a cabeça tristemente, e sussurrou quase inaudivelmente, "Não posso... Eu não queria que você tivesse ido tão longe. Você tem que ficar a salvo..."

Dito aquilo, ele inclinou a cabeça e beijou o sonserino. Desesperado, Draco agarrou-se às roupas de Harry, tentando fazer com que ele não fizesse o que estava fazendo. Seus dedos cravaram na pele, unhas arranhando, e ele mordeu o lábio de Harry antes que este pudesse se afastar. Não havia nenhuma afeição no beijo, mas ele não achava que já houvesse transmitido tanta necessidade de forma tão clara.

"...Eu sabia!" A voz de Ron interrompeu. "Eu tinha certeza!"

Harry o olhou fugazmente, notando a expressão enojada mas resignada, em seguida, sacudiu-se. Afastou-se de Draco, tentando ignorar o revirar em seu estômago depois de um beijo daquele, e, finalmente, deu as costas novamente.

"Mexam-se," ele vociferou para Ron e Hermione antes de sair andando na frente.

Os dois o seguiram apressados, Hermione lançando um rápido e piedoso olhar por cima do ombro.

Harry nunca olhou para trás.

xxx

Pânico puro e não diluído cresceu dentro dele quando Harry deixou seu esconderijo e desapareceu morro abaixo, dentro do caos que assolava abaixo deles. Ele queria gritar para que ele voltasse, ou que pelo menos revertesse o comando e o deixasse ir com ele, mas o olhar nos olhos verdes disse ao lobisomem que Harry estava completamente convencido de que estava fazendo a coisa certa.

"Merda! Merda!" Em desespero, Draco tentou dar alguns passos em frente, seguindo a rota de Harry, mas imediatamente o lobo rosnou ansioso em sua cabeça, fazendo-o congelar. Ele o imaginou pego na indecisão, compelido a obedecer seu companheiro, mas partilhando a necessidade de Draco em protegê-lo. Os impulsos o rasgavam por dentro, quase uma dor física.

"Foco, Malfoy!" ele rosnou para si mesmo, sua voz tingida com os sons baixos do lobo. Ele se pegou andando de um lado para o outro, como um animal enjaulado, frenético, mas incapaz de estimular-se a qualquer ação real. Aquilo era estúpido! Cada instinto nele insistia que ele devia proteger seu companheiro - então por que diabos ele não conseguia? As palavras de Harry ainda permaneciam no ar, tão potentes quanto qualquer magia.

"Fique aqui, Draco. Isso... Isso é que é uma ordem."

Bastardo sem cérebro! Será que ele não percebia que tal compulsão se igualava a uma tormenta, quando o lobo se esforçava para seguir seus dois instintos primários - obedecer e defender - os quais agora entravam em confronto terrivelmente...

E depois de ele ter sido o único a ir contra seu bom senso para trazer Harry aqui! Certo, tudo bem. Ele só precisava de uma solução, só isso. Ele precisava se livrar de um desses instintos. E desde que se sentar e esperar esperançosamente pelo retorno de Harry não era uma opção, parecia que a hora para ele deixar de lado essa coisa de "pet treinado" havia chegado. Ele era, afinal, Draco Malfoy, e Malfoys certamente não precisam de permissão. Desde quando ele tinha o hábito de obedecer alguém, muito menos Harry Maldito Potter?

Com isso em mente, preparou-se para a batalha novamente. Ele ia matar Potter, pensou furiosamente enquanto dava um passo à frente. Assim que -

Oh, meu bom Deus, era como estar em uma coleira! Draco tinha certeza de que quase quebrou alguma coisa quando foi puxado para trás pela influência do lobo. Se eles estivessem mais longe da lua cheia, sua determinação poderia ter sido capaz de romper a compulsão. Mas com a maldição a apenas alguns minutos longe de sua conclusão mensal, ele não teve chance.

Rosnando, ele bateu a mão contra a parede da Casa dos Gritos? em frustração, e, em seguida, passou as unhas, nunca percebendo que ele deixara marcas na madeira.

Que bagunça! Ele tinha que - Ele não podia simplesmente - Harry precisava -

Seus pensamentos nunca tinham sido tão dispersos antes. O pânico ia aumentando quanto mais tempo ele ficava ali, o que já pareciam horas; tempo no qual seu companheiro estava sendo atacado em algum lugar fora de seu alcance. Harry poderia estar morto, ou morrendo. Merlin sabia que Granger e Weasley dificilmente eram uma defesa adequada, e Severus tinha suas próprias preocupações.

Como Potter pôde ser tão estúpido em deixá-lo ali?

Não. Concentre-se. O que era mesmo que Granger tinha lhe explicado há muito tempo atrás...? As compulsões eram o mecanismo de defesa do lobo, porque, aparentemente, ele ainda pensava que afastaria Harry se ele tivesse uma chance.

Afastaria?

Bem, estaexperiência não era prova suficiente? Lá estava ele, desesperadamente tentando arriscar sua vida pela do idiota, apesar do fato de que todo seu instinto de autopreservação estava sugerindo que ele se escondesse debaixo de algo até que o perigo passasse. Draco Malfoy era um covarde certificado. Ele tinha provado isso em várias ocasiões.

Devia haver algo sobre seus esforços em lutar contra as restrições de Harry, só para ir proteger o imbecil ingrato.

Okay. Okay. Como convencer o lobo de que ele realmente, realmente queria aceitá-lo? Que diabos ele queria dele... ?

"Eu... eu entendo", disse ele em voz alta, esperançoso, como se falar diretamente com a criatura em si pudesse funcionar. "Eu entendo. Ele é meu companheiro. Eu... Eu não tenho escolha nisso. Você está me ouvindo?" A última parte ele gritou para o ar, com a voz afogada pelo som de gritos ao longe.

Sentindo-se derrotado, repousou a testa contra a parede decrépita da casa pela qual estava escondido. Aquilo era ridículo. Fisicamente, nada o impedia de derrapar ladeira abaixo em busca dos outros. Não havia obstáculos para mantê-lo no lugar. No entanto, lá estava ele, tão preso como se tivesse sido verdadeiramente enjaulado.

"Eu o odeio", ele sussurrou para si mesmo, fechando os olhos. "Bastardo ... eu deveria estar lá,eutenho que mantê-lo seguro - não o contrário, porra!" Novamente, ele cavou suas unhas na madeira, assistindo com desinteresse à medida em que elas iam se alongando em algo parecido com garras, arrancando lascas da parede antes de retrair-se novamente.

Ele estava se acostumando bastante a usar suas características de lobo, que se mostrava de vez em quando. Houve uma época que elas o irritavam profundamente, quase uma violação à sua pessoa, agora ele suspeitava que se sentia perdido sem sua audição sobrenatural e outras características caninas.

Distantemente, ele se perguntou quando tinha parado de pensar em si como uma maldição.

Mas ele tinha se desviado. Ele se aproximou da borda da colina, de onde podia olhar a vila. Seu olhar procurou reconhecer alguém. Não demorou muito para ele detectar o farol de cabelo vermelho que era Weasley, com Granger logo ao seu lado. Mas... Harry não estava com eles. Ele cerrou o punho e continuou escaneando a multidão, cada vez mais frenética, e ainda nenhum sinal de-

E então ele o viu.

E o que ele viu quase fez seu coração parar de bater. Ele vacilou, fechando os olhos, como se a visão lá embaixo pudesse desaparecer se ele desviasse o olhar por algum tempo.

Não aconteceu.

Sem pensar, sem qualquer decisão consciente ou maisidéias sobre aceitação, ele começou a correr.

A próxima coisa que soube, ele estava correndo sem graça alguma em meio à neve, mergulhando desesperadamente atrás de seu companheiro.

Continua...


Comentários Aleatórios da Malfoy Moraine:

Cy: Nanda, sua mãe tá dando indícios de que deseja minha morte. Hora de mudar o beneficiário do meu seguro de vida. u.u

Ly: Eu nunca falei nada sobre a sua morte! Só fiz um comentário inocente... depois eu que sou a drama queen u.u

Nanda: o.o

Cy: É sim, Nanada. PRIMEIRO, ela repensou nosso casamento. Falou com essas palavras que minhas orelhas escutaram "Ah, se eu soubesse...". Depois, voltou pro Skype de fininho pra eu não perceber e deu uma coçadona na garganta, me fazendo ter um princípio de infarte!

Ly: Eu só tossi!

Nanda: Mais uma crise... Se acalmem. Quer ir para o lustre?

Ly: Você sabe que isso é o resultado de uma mente facilmente impressionável, né? Ela me atormenta por semanas pra ver Psicose e ai quando eu finalmente digo "Tudo bem, da o play" ela cisma que eu quero matá-la quando eu tava só tossindo inocentemente u.u

Nanda:

Nanda: E tudo partiu dai? Pow, Cy, esse filme é fraquinho!

Ly: A musica é extremamente aleatória e a mulher tem peitos MUITO estranhos o.o Sério mesmo... eles estão me dando nervoso!

*algum tempo depois...*

Nanda: Cy, vc pode me esperar hoje no msn?

Ly: Se ela ainda estiver viva até lá, você quer dizer u.u

Cy: TÁ VENDO!

Nanda: VC TA QUERENDO MESMO MATAR MINHA MÃE?

Ly: Você quem começou u.u Ela que deu a idéia! Até então eu nem sabia que era beneficiária do seguro!

Cy: Você viu, minha, filha? Dormindo com o inimigo!

Ly: É pra apimentar a relação u.u

Cy: Aham... sei... Vai sugerir agora Knife!play!

Ly: Hm... é uma ideia... u.u

Cy: Se eu morrer, não deixa ela levar nenhuma piriguete pra usar meu balanço! Nem meu aparador! Nem o parapeito da sua janela!

Nanda: Piriguete? hauhuauahuhauuhahua

Ly: E o chafariz no quintal? Pode?

Nanda: o.o Sinto que alguém dormirá na casinha do cachorro...

Cy: Do chafariz? Claro... De lá dá pra eu brotar da água e puxar seu pé.

Cy: Cuidado com o banheiro, hein... Psicose...

Ly: Já viu o filme que a gente não vai ver hoje né? Fica me ameaçando com ele u.u

Nanda: O bagulho ta ficando sinistro... pulando a janela e indo embora! Não quero ser testemunha de nenhum crime!

Ly: Como não! Você será minha cumplice! Me ajudará a esconder o corpo! E a entrar com piriguetes escondidas em casa!

Cy: Tenta, Nanda... Tenta que eu puxo seu pé também!

Nanda: Euuuuu? Me tira fora dessa.

Ly: Como assim Nanada! Debandando antes mesmo de botar o plano em pratica?

Nanda: Eu não faço parte desse plano... nada de matar mãe...

Nanda: E eu tenho idéias melhores pra te dar, uma outra forma de mata-la sem que ela vá mesmo pro além véu, uma forma mais prazerosa... mas esse lugar aqui é impróprio...

Ly: Qual a graça de matar alguém e a pessoa não ir pro além? Quero assombração não!