Notas das tradutoras:

Antes de qualquer coisa, agradecemos toda a companhia compartilhada durante todo este tempo. Esperamos contar com o apoio de vocês em nossos próximos projetos de tradução e fanfics. Até a próxima! o/


Capítulo 42 (Final)

O Segredo que nós guardamos

Remus nunca se importou com a Ala Hospitalar de Hogwarts quando ele era um estudante. Sempre achara o azul pastel e a atmosfera calma muito tranquilizantes, e ainda era, só pra constar. Ele suspirou baixinho, empoleirado ao pé de uma das camas, e tomou um gole de seu chá, esperando apenas que Poppy lhe desse alta para que pudesse voltar para a sua própria cabana.

A lua cheia tinha terminado na noite passada. Ele fora confinado à ala ao lado da que Draco havia ocupado durante a sua primeira transformação. Poppy e Albus tinham explicado que eles estavam apenas sendo cuidadosos, monitorando para ver que nada de anormal resultara de sua semana de cativeiro. Eles suspeitavam que os Comensais da Morte pudessem ter deixado alguma maldição nele, talvez, que só se manifestaria mais tarde.

Mas ele estava bem, tanto quanto a medibruxa fora capaz de determinar.

Suspirando novamente, colocou a xícara e o pires de lado e ficou de pé com uma leve careta, um choque de dor passando por seu corpo quando descansou seu peso sobre a perna esquerda. Poppy tinha consertado a lesão, mas avisou que ele poderia sentir algumas pontadas por alguns dias. Ele sempre se esquecia disso.

Inquieto, foi até a janela olhar os campos. Ele queria ar fresco, e o frio tranquilo do inverno. Muito de sua vida, no passado recente, tinha sido ruído e escuridão e isolamento...

O som da abertura da porta assustou-o de seus pensamentos. Ele olhou por cima do ombro, esperando ver Poppy e, em vez disso, seus olhos encontraram um esfarrapado adolescente de óculos.

"Harry ... ? "

Ele não tinha visto o garoto desde aquela noite, e não conseguiu evitar a surpresa em sua voz. Remus esperava que Harry fosse evitá-lo por mais tempo que isso.

Seu visitante arrastou-se para dentro do quarto, parecendo intensamente desconfortável. Com pena, Remus voltou-se para a vista de sua janela, embora suas orelhas permanecessem em pé para qualquer som que o rapaz fazia, ouvindo quando ele suspirou e finalmente se aproximou, fechando a porta atrás de si.

"Estou feliz que esteja bem", foi a declaração abrupta, sem tom.

O lobisomem sorriu para si mesmo por alguns instantes. "Obrigado, Harry", ele respondeu suavemente . "Devo dizer que também estou." À distância, assistiu dois alunos da Lufa-Lufa atirando bolas de neve um no outro.

O menino soltou uma respiração lenta, ainda tenso. "Você não vai de novo." Não era uma pergunta.

"Não," cruzou as mãos atrás das costas. "Não, ao que parece o nosso plano chegou a um final bastante desastroso ".

" ... Bom. "

Ele se virou para olhar para o adolescente, erguendo uma sobrancelha. "Harry. Não aja assim."

Ele foi recebido com um encolher de ombros não cooperativos. "O que você quer que eu diga? Eu não queria que você fizesse isso e estava certo. Olhe o que aconteceu. Fico feliz que você tenha sido descoberto." Ele pareceu desafiador por um momento, antes de perceber como tinha soado. "Quero dizer... Não do jeito que você foi descoberto - "

"Eu sei o que você quis dizer." Suspirando, Remus voltou-se para a janela e eles ficaram em silêncio por mais alguns momentos.

"Não que eu não... aprecie o sentimento ", ele disse por fim, depois de algum tempo ", mas devo dizer que estou muito decepcionado que você tenha feito algo tão perigoso quanto a ação da outra noite ... ".

Harry bufou, incapaz de se conter ao murmurar "Olha quem fala... ".

O lobisomem se transformou em uma súbita onda de raiva. "Eu sempre soube os riscos que estava correndo! E a perda certamente não seria tão terrível se eu fosse o prejudicado, em comparação a - "

"Remus! Isso não é - "

"E eu não arrastaria outros para o perigo comigo!"

Eles ficaram em silêncio, ambos um pouco chocados com a acusação. Remus piscou, perguntando-se o que havia acontecido com sua paciência deliberada.

"Eu...", Harry balançou a cabeça." Eu não queria que qualquer um deles tivesse ido comigo. Tentei impedi-los. Eu teria encontrado uma maneira sozinho, se eu pudesse ... ".

"Esta não é a questão...".

"Não, você está certo. Eu não deveria ter levado-os comigo. Não deveria ter deixado Draco me convencer... ".

Remus suspirou, reconhecendo a tomada de culpa que provavelmente estava incomodando o rapaz desde a noite do ataque. Ele suavizou a voz, lamentando sua reprimenda. "Eu imagino que Draco tenha colocado um bocado de luta contra você fazendo algo tão burro", ele comentou suavemente.

"Você não tem idéia ... "

"Bem, certamente você deveria ter sabido que nenhum lobisomem no seu perfeito juízo ficaria para trás enquanto seu companheiro caminhava alegremente para a batalha...".

Os olhos verdes fixaram-se nele de repente, arregalados com o choque . "... Você sabe?"

Remus permitiu um sorriso passar em seu rosto. "Eu estou ciente, sim. É muito fácil identificá-los, na verdade, quando você conhece os sinais...".

"Ah..."

"Estou feliz que você finalmente tenha percebido", o lobisomem adicionou divertido.

Isso rendeu-lhe um olhar um pouco mal-humorado. "Você poderia ter me dito, sabe... eu passei por um mal bocado antes mesmo que me ocorresse... "

Remus riu, nem um pouco surpreso. Sorrindo, ele voltou para a janela, permitindo ao menino alguns segundos para se recompor. Momentos se passaram em silêncio enquanto Harry se mexia sem jeito, antes de começar gaguejando um discurso nervoso.

"Você acha que ... quer dizer ... Sirius ... Você acha que ele ... ? "

Remus virou em surpresa à menção de seu próprio companheiro. Ele não tinha certeza de como se sentia sobre o fato de que já não estava tomado pela dor, mesmo com a lembrança inesperada.

Ele podia adivinhar o que Harry estava tentando perguntar, mesmo que o menino não conseguisse colocar em palavras. Ele deu um meio sorriso . "Você sabe como era Sirius , Harry. Ele teria levado... algum tempo para chegar a um acordo com certas coisas. Principalmente pelo fato de ser sobre um Malfoy que nós estamos discutindo . Mas você está se esquecendo de que ele estava mais ou menos na mesma posição que você está agora. Ele teria entendido."

Harry balançou a cabeça. "E... e você?"

O lobisomem poderia ter rido, mas suspeitou que pudesse ter sido mal interpretado. Em vez disso, ele estendeu a mão e apertou o ombro do rapaz. "Harry, eu sei melhor do que ninguém com o que você está lidando, o que isso significa. "

"... Você não se importa? "

"Por que eu me importaria?" ele perguntou, incrédulo. Então, incapaz de resistir à tentação, acrescentou: "Além disso. Estou começando a acreditar que grifinórios têm uma espécie de... fraqueza por sonserinos. "

xxx

Depois que Harry partiu, o lobisomem sentou inquietamente, suas próprias palavras brincando em sua mente. Será que ele realmente tinha uma fraqueza por Severus? Ele pensou que poderia responder com um sim muito decidido, agora. Ele sempre tivera, não? Mesmo lá atrás, na escola...

Mas nunca antes tivera a... a possibilidade parecia tão perto.

No entanto, mesmo enquanto ousava pensar, Remuse sabia mais que isso. A pequena abertura de oportunidade já estava se fechando, agora que as aulas de Legilimência tinham terminado. Eles iriam voltar a ser o que sempre foram. Severus iria esquecer sua existência, e ele... ele apenas teria que aprender a esquecer Severus...

Dito isto, a insistente voz interior de determinação - ou talvez fosse desespero, ele se corrigiu secamente - não lhe permitiria simplesmente desistir. Ainda não. Não até que ele fizesse uma última façanha de bravura idiota grifinória, como o Mestre de Poções costumava dizer...

xxx

Mancando um pouco pela caminhada até as masmorras, Remus parou em frente à porta trancada na qual havia hesitado tantas vezes antes. Desta vez, porém, ele supôs, era diferente. Afinal, não tinha nenhuma razão válida para estar aqui. Nenhuma desculpa de sessões de Legilimência com a qual se refugiar.

Severus já não tinha qualquer razão premente para falar com ele. Ele poderia, finalmente, retirar-se e isolar-se de novo, como vinha desejando fazer todo esse tempo.

Mordendo o lábio, Remus bateu.

À medida que os segundos se arrastavam e ele esperava com ansiedade crescente, Remus reconsiderava. Severus provavelmente nem mesmo estava lá dentro. Ele certamente não atenderia a porta. Talvez Remus devesse apenas deixar isso de lado por ora. Eles se veriam no jantar. Cercado por outros professores. Provavelmente lugares separ-

A porta abriu-se de repente, fazendo com que o lobisomem se asustasse surpreso, piscando sem palavras .

O Mestre de Poções olhou ao redor do corredor, uma sobrancelha escura arqueada cuidadosamente, de uma forma que nunca deixou de fazer Remus sentir que estava fazendo algo imperdoavelmente estúpido. Ele corou e descobriu que todos os discursos pré-preparados tinham fugido correndo de sua cabeça.

"Existe algo que você queria, Lupin...?" Severus falou arrastado, finalmente, quando ele permitiu que o silêncio se esticasse até o ponto de ruptura.

"Bem... "

"Certamente você não espera que continuemos esta farsa ridícula? Nem mesmo você pode ser suicida a esse ponto... "

"Não, claro que não - "

"Neste caso, devo lembrar que você já não tem qualquer obrigação comigo."

O lobisomem o olhou, distraidamente se perguntando se tinha sido sua imaginação ou se Severus tinha dito aquilo com demasiada pressa. Foi o mais próximo que o sonserino já havia demonstrado de desconforto, Remus pensou consigo mesmo, e com essa perspectiva, sentiu um pequeno pingo de confiança retornar a ele.

Ele ergueu a garrafa de uísque que tinha trazido consigo por um capricho.

Severus o considerou fixamente por um momento, antes de um sorriso irônico e lento se desenrolar no canto da boca, aparentemente contra sua vontade. "Coragem líquida, Lupin?"

"Eu pensei que era apropriado," Remus admitiu, encolhendo os ombros."... E talvez necessário. "

O Mestre de Poções revirou os olhos. "Você ainda não tem - "

"Estou ciente de que não tenho obrigação alguma, Severus. Essa é a questão." Remus sentiu-se muito ousado dizendo aquilo. Ele meio que esperava que o outro homem se ofendesse, de alguma forma. Seria bem Severus...

Olhos escuros o encararam sérios, obviamente tentando compreender as implicações daquelas palavras. Remus podia ver o peso da decisão sendo tomada por trás da superfície, e prendeu a respiração.

Ele não era um homem corajoso, veio a perceber. Esta era a prova do fato, se nada mais. Ele não tinha enfrentado muito pior apenas nos últimos dias sozinho? No entanto, não achava que jamais havia se sentido tão nervoso e exposto. Era como esperar pelo –

Abruptamente, Severus recuou e abriu a porta para ele, sem mais palavras.

Apesar disso, o medo só aumentava, Remus pensou. Mas ele supunha que teria que se acostumar com isso.

Caçar Severus, afinal, não era uma tarefa para os fracos de coração. (*)

xxx

Draco Malfoy olhava o lago, assistindo enquanto algo ondulava a superfície, e tentou não pensar em nada.

Bem. Não é bem assim "nada" exatamente, mas havia alguns problemas iminentes que ele fazia questão de evitar. Infelizmente, eles pareciam ser as únicas coisas em que sua mente se concentrava agora,

Ergueu o rosto para olhar o céu sombrio, refletido na expansão parcialmente congelada da água diante dele, e respirou fundo. Nunca tinha lhe ocorrido antes que o inverno tinha um cheiro, mas na verdade ele tinha. Tudo cheirava... fresco. E frio. Estagnado.

A atmosfera geral dos campos era semelhante. De uma forma estranha, ele achou aquilo reconfortante, aquela calma frígida. Muito melhor do que o perigo e emoção daquela noite; aquela que tinha se repetido em sua cabeça cada vez que ele fechava os olhos desde então. O quão perto ele chegou de perder seu bando... De perder seu companheiro.

E ali estava uma frase que ele podia dizer livremente, agora. Uma coisa boa viera daquela miserável aventura, ele supunha. Harry era seu companheiro . Fato.

Além do mais, ele finalmente estava decidido a lhe contar.

A epifania que ele tivera em Hogsmeade não tinha sido temporária. Ele entendia, agora, o que tinha de fazer para aceitar a situação, como os livros aconselhavam. Antes, ele ainda tentara proteger-se de Harry da única maneira que sabia: o segredo. Se seu companheiro não sabia que ele era seu companheiro, então não poderia haver rejeição, nem completa conexão. Draco podia continuar fingindo que ele ainda tinha escolha na questão, ainda que limitada como era. Mesmo que ele admitisse para si, ele não tinha exatamente que admitir para Harry, e isso fazia toda a diferença.

Mas agora...

Agora ele entendia. Contar a Harry o deixava aberto e vulnerável e provavelmente acabaria em dor para pelo menos um deles - mas era absolutamente necessário.

Sim, o lobo nele poderia tê-lo feito perigoso, e temperamental, e mais poderoso do que ele já tinha sido como um mago normal - mas, neste caso - no caso de Harry – ele o tinha feito altruísta. Desprotegido.

Mas, assim como na batalha em Hogsmeade, ele encontrou-se menos preocupado com os riscos sobre si mesmo se ele contasse. Diria a verdade ao grifinório, simplesmente porque ele merecia saber, e então aguardaria o resultado, porque a escolha a ser feita não era sua - e talvez isto era o que o tinha assustado tanto desde o início.

Seus olhos brilharam de repente quando um som veio em sua direção, alguém se aproximando por trás. Ele reconheceu imediatamente a pisada descuidada que perturbava a neve. Harry. Suspirando, cruzou os braços em torno de si, puxando o fecho do casaco cinza-claro que usava e fixando um olhar vazio no horizonte frígido.

O grifinório parou ao seu lado, sem dizer nada. O vento que vinha do lago brincava com seu cabelo, chicoteando-o em uma confusão que Draco considerava trágica. Decididamente, ele se absteve de comentários.

"Então...", veio a introdução estranha, depois de um tempo. "Ainda com raiva de mim?"

O sonserino tentou manter sua expressão." O que você acha, Potter?"

Harry ergueu uma sobrancelha irônica e enfiou as mãos frias nos bolsos. Ele não esperava por outra resposta, na verdade, por isso não se intimidou com o tom gelado.

"Eu sinto muito, você sabe", disse ele por fim, depois de mais alguns momentos de silêncio tenso. "Eu não faria isso de novo."

"Só porque você não pode mais!" o sonserino sibilou com desdém, antes de perceber que sua personalidade indiferente havia se partido um pouco. Irritado, ele fez-se inexpressivo novamente.

Calmamente, Harry seguiu o olhar de seu companheiro para o lago, tremendo levemente com o frio do inverno . "Sim. Por que será, você acha...? "

Apenas porque ele estava esperando por isso que Harry percebeu Draco congelar abruptamente - ainda mais tenso do que estava anteriormente - e se obrigou a não reagir. Ele queria ver o que o loiro faria. Se ele entraria em pânico.

Mas o sonserino permaneceu calado, apenas um músculo trabalhando em sua mandíbula demonstrava que ele tinha ouvido a pergunta. Tendo se tornado suficientemente acostumado com os maneirismos de Draco, Harry sabia que aquilo significava que ele estava pensando furiosamente, procurando ou por uma forma de abordar o assunto ou evitá-lo completamente.

Por enquanto, o grifinório o deixou em paz, observando o outro com o canto dos olhos, seus pensamentos errantes quando ele percebeu que nem um único fio de cabelo de platinado agitava na brisa. Provavelmente enfeitiçado para ficar no lugar, ele pensou com um pouco de diversão, como todos os outros detalhes imaculados sobre o menino.

Harry notou que Draco era, na maior parte do tempo, todo exterioridade. (**) Aparência era tudo; um sentimento que ele se desesperava por Harry não compartilhar. Tudo o que ele fazia era por causa das aparências – até mesmo, o grifinório suspeitava, a maioria das opiniões que sempre germinava por aí. O sonserino tendia a dizer uma coisa e acreditar em algo completamente diferente.

Por exemplo, durante anos ele tinha falado em odiar trouxas e nascidos trouxas, e ainda não tinha escapado à atenção de Harry que ele vestia-se com a moda trouxa, lia literatura trouxa, e Harry estava certo de que o ouvira usar gíria trouxa uma ou duas vezes até agora.

Ele ainda insistia que desprezava Ron e Hermione, mas não fora ele quem se mostrara disposto a defendê-los contra Remus a apenas alguns dias atrás? Ele não tinha ido atrás deles quando não tinha certeza sobre como lidar com o humor de Harry? Não fora ele que encontrara uma maneira de levá-los a Hogsmeade, mesmo sob risco de atiçar a ira de Snape ao fazê-lo...?

Ele alegava não ter lealdade alguma. Harry bufou. Bem, isso era uma puta mentira.

Admitindo ou não, Draco havia mostrado lealdade a um número de pessoas. Remus, por exemplo, tomando-o como um líder da matilha e mentor.

Em seguida havia Snape, a quem Draco desobedeceria num piscar de olhos, mas somente se ele achasse que a situação estava fora de controle. Havia respeito ali, baseado no fato de que os dois sonserinos se entendiam; entendiam a ética questionável e paranóia geral de outro sonserino; sabiam que o outro se importava, mesmo que eles nunca, nunca admitissim uma coisa dessas.

Mesmo Dumbledore, até certo ponto, tinha a deferência do lobisomem, mesmo que a contra gosto.

E Harry sabia, agora, exatamente o quão leal Draco era para com ele. Ainda o impressionava, ligeiramente, contemplar tal... dedicação - e de Draco Malfoy, de todas as pessoas! Foi... algo que quase o dominara na última semana. Foi –

Um movimento brusco do loiro tirou Harry de seus pensamentos, enquanto Draco virava-se de repente para ele, erguendo o queixo de uma forma desafiante, mas que Harry sabia que realmente significava que ele estava nervoso. Ele ergueu uma sobrancelha em expectativa.

Draco piscou quando colocou os olhos sobre seu companheiro propriamente pela primeira vez. Sua atenção anteriormente perdida em uma paisagem de branco e cinza, Harry era um choque inesperado de cor, vestido com suas cores da Grifinória de um vermelho berrante e ouro, e fixando-o com um olhar surpreendentemente verde que hipnotizou Draco por um breve momento. Ele balançou a cabeça, tentando se livrar de tais pensamentos românticos.

"Primeiro de tudo," ele começou, adotando seu melhor tom autoritário, "Eu nunca vou te perdoar se você fizer algo como aquilo de novo."

"Draco ... Você sabe que eu nem sempre vou ser capaz de ficar onde é seguro... "

O loiro fungou altivo. "Eu quis dizer fazê-lo sozinho. Da próxima vez, eu vou com você - sem exceção. E não apenas porque te alcancei no último minuto. Quaisquer planos suicidas insanos que você fizer a partir de agora me incluem. . ."

Harry piscou por um momento, tentando não demonstrar sua diversão na escolha de frase de Draco, em seguida, virou-se para olhar o lago, assentindo uma vez. "Tudo bem."

"... O quê? Nenhum argumento?"

O grifinório encolheu os ombros. "Nenhum". Ele sabia que estava deixando o outro desconfiado com sua complacência, e provavelmente mais tarde teria de assegurar-lhe que realmente o que disse era pra valer, mas no momento Harry estava contente em aproveitar o olhar estupefato de Draco. "Você tem algum outro ponto?"

"E - sim. Sim, há um outro ponto... "

E este era o ponto crucial da questão, não? Sem volta depois disto...

Mas Draco não sabia por onde ele deveria começar. Não era exatamente algo para se jogar na cara, era? Ele tinha planos de explicar a situação de forma clara e racional, colocando o assunto para ser discutido de forma tal que o grifinório não entrasse em pânico logo nos primeiros segundos. Mas todos os seus discursos cuidadosamente pensados pareciam tê-lo abandonado, e ele de repente estava em meio a uma perda de palavras.

Ao seu lado, Harry suspirou suavemente. " Apenas diga, Draco."

"Você é meu companheiro."

As palavras saíram de sua boca tão rápida e facilmente que ele não teve a chance de considerar se seria sábio fazer uma afirmação como aquela de maneira tão contundente, e teve que resistir à vontade de tapar a boca com a mão, horrorizado. Ele congelou em vez disso, não se atrevendo a ao menos lançar um olhar furtivo no outro rapaz.

Draco passara a maior parte da noite anterior se preparando para as várias reações que seu anúncio poderia causar, então estava pronto para um discurso, uma negação gaguejada, uma risada incrédula.

O que ele não esperava era o muito calmo, "Eu sei", do grifinório.

De início, ele tinha certeza de que tinha perdido alguma coisa. Ou teria Harry se confundido? Mas não, os olhos verdes estavam fixos nele, em toda a sua intensidade, e não havia neles nenhum vestígio de incerteza ou confusão.

O loiro ficou boquiaberto por um segundo, em seguida, fechou os olhos em frustração. "Como você poderia já saber?" ele exigiu, incrédulo, incapaz de se conter. Estreitou os olhos. "Foi Granger que lhe contou?"

As sobrancelhas de Harry pularam. "Hermione sabe? Você está brincando... E nenhum de vocês pensou que eu poderia querer ter sabido disso antes?"

O sonserino bufou. "A situação é um pouco mais delicada do que isso, se você não percebeu... Então, como você sabe?"

"Você deixou alguns livros sobre lobisomens no sofá. Fiquei entediado e os li. Mesmo eu consigo colocar dois e dois juntos quando está impresso na minha cara."

"... Oh."

Bem. Certamente tinha sido menos melodramática do que ele esperava. Mas ele supôs que ainda não tinha acabado...

"Olha..." Draco começou, procurando pelas frases eloqüentes que tinha planejado antes, e eficientemente não encontrando nenhuma delas. "Você deve achar que eu vou pedir pelo mesmo... compromisso que Lupin e... e Black tinham. Não vou, não se preocupe. É só -"

"Você não quer isso?" Harry interrompeu , olhando-o com curiosidade.

Draco vacilou. Já era bastante difícil encontrar as palavras, sem perguntas idiotas do grifinório no caminho. "Bem. Sim. Suponho que sim... Mas eu estou tentando dizer que não irei pedir algo que você não pode dar... "

"Você decidiu que eu sou incapaz de um compromisso?"

O sonserino internamente se maravilhou com o absurdo daquela conversa. "Eu estou tentando ser ponderado. Pare de soar como se eu o estivesse insultando! O fato da questão é... há coisas melhores que você poderia fazer do que se amarrar a um lobisomem ... ou um Malfoy. "

"Esta decisão não é minha?" Harry perguntou, soando para o mundo perfeitamente razoável, o que era, talvez, a coisa mais irritante de todas, Draco pensou.

"O que você está tentando dizer?" ele explodiu, abandonando qualquer intenção de diplomacia. "Que você quer isso? Potter, você é você. Talvez fosse bom para uma aventura, quando ninguém sabia. Mas agora as pessoas saberiam... a longo prazo, eu duvido muito que isto fosse funcionar."

"Por quê?"

"Eu - Como-? O que quer dizer com por quê? Você acha que o Mundo Mágico veria isto com bons olhos, pra começar? Você acha que seria fácil? Você acha... você acha que não ficaria entediado? Querendo algo mais... Você pode ter qualquer coisa - qualquer um -. Harry, sou só eu que está preso a isso... "

Os olhos verdes o fitaram furtivamente, fugindo de seu olhar direto quase timidamente. "E... se eu quiser ficar preso com você? Eu consigo pensar em coisas piores... "

Draco atirou as mãos para o céu em exasperação. "Como você pode estar tão calmo? Você ao menos consegue entender o que estou te dizendo, Potter? Esta é a hora onde a maioria das pessoas surtam!" Não era justo! Draco sentia um desejo infantil de gritar. Harry não estava seguindo o roteiro!

O grifinório encolheu os ombros. "Eu não sou exatamente a maioria das pessoas... "

Draco parou, impressionado com a súbita realização. Isto, ele percebeu, era o que fazia o Menino Que Sobreviveu ser quem ele era. Era o que o fazia tão provável de triunfar contra todas as probabilidades: um adolescente, lutando contra o poder do Lorde das Trevas, que aterrorizava os homens crescidos.

Harry não entendia as regras. Ele nem sequer as reconhecia. E, conseqüentemente, ele obviamente forçava seu caminho através das barreiras que impediam outros de continuar suas trilhas ou voltar para trás.

De acordo com as regras, o ícone social que o grifinório era, símbolo da Luz e tudo o mais, Harry nunca deveria se associar tão intimamente com um reconhecido bruxo das trevas que Draco era, e certamente não se divertindo com ideias do tipo que ele estava propondo...

E, no entanto.

Isso quebrava todas as regras e expectativas sociais. Quebrava convenções. Harry fora projetado para surgir como o herói conquistador em sua brilhante armadura dourada. Ele deveria crescer e casar-se com uma impressionante e respeitável mulher, e produzir meia dúzia de fedelhos Potter, sem nunca uma pitada de escândalo tocando seu bom nome...

Ele não foi feito para ficar parado ali tão calmamente, como se não desse a mínima de que nada disso aconteceria se ele continuasse neste caminho que ele tão alegremente permitiu que Draco o colocasse...!

E ainda...

Era tão tentador... Apenas tomar o outro em sua palavra e fingir, pelo menos por um tempo, que tudo ficaria bem...

Draco balançou a cabeça, afastando-se do grifinório e apertando o casaco em torno dele. "Você não pensou sobre isso direito. Você não sabe o que isso envolve... "

Ao ouvir o tom desanimado, Harry deu um passo atrás do outro, hesitando em tocá-lo. "Eu pensei sobre isso... " admitiu. "Honestamente, eu sei."

"... Há quanto tempo você sabe? " Draco finalmente perguntou depois de alguns instantes.

"Foi na noite em que Remus partiu."

"Foi por isso que você estava tão irritado comigo depois? "

"... Em parte. Eu não tinha certeza do por que você não estava me contando a verdade. Pensei que odiasse a idéia." Ele fez uma pausa quando Draco virou-se bruscamente para encará-lo. "E então, naquela noite... Eu não queria que você viesse comigo de forma alguma. Pensei... se algo acontecesse com você, seria minha culpa, porque você nem sequer teria uma escolha na tentativa de me proteger... "

"Harry - "

"E então eu acho que fiz pior, usando a compulsão em você. Mas foi a única coisa em que consegui pensar em fazer que significaria que você não teria que vir comigo, se não quisesse." Ele supunha que, de uma forma distorcida, tinha funcionado. Balançando a cabeça, Harry suspirou e deu um sorriso irônico. "E tenho certeza de que eu tinha um objetivo quando comecei a falar... "

O sonserino permaneceu em silêncio, observando o outro com o canto do olho. Mais uma vez, os dois fizeram a pretensão de ficar olhando para o horizonte, apesar de que os pensamentos frenéticos obscureciam em demasia sua visão para apreciar a beleza.

Depois de um tempo, Draco sentiu o toque leve de dedos contra os seus próprios. Apenas um toque, mas insistente o suficiente. Automaticamente, ele estendeu a mão e aceitou o gesto, relaxando aos poucos com o contato dos dedos.

Ele supunha que, se agarrasse a chance de crer na palavra do grifinório, ele corria um risco maior do que nunca. Mas então, qual era a alternativa...?

Desolação, ele silenciosamente respondeu a si mesmo.

"Você percebe", disse o sonserino eventualmente, se esforçando para parecer casual, "que se você concordar com isso, eu vou me tornar possessivo, ciumento, inseguro, ridiculamente exigente - oh meu Deus...", ele murmurou, como se tivesse acabado de perceber. "Eu vou me tornar o meu próprio pior pesadelo... "

Harry riu, e decidiu que poderia viver com aquilo.

Fim.


Notas de tradução:

*No original, Pursuing – significa perserguir, ir atrás, buscar, caçar (a presa). Resolvi usar o último pois achei que encaixava com todo o papo de lobisomem e blah.

**O trabalho de casa de vocês é usar a palavra 'exterioridade' 5 vezes essa semana.


Comentários Aleatórios das Malfoy-Moraine:

OHMYGOD ACABOU! ACABOOOOOOOOU! É TETRAAAAAAAAA! É TETRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!