Kai POV

Eu não pensava que as 6:00 da manhã uma casa podia ser tão barulhenta, a começar pelo celular nada escandaloso de Ruki que deve ter acordado a vizinhança inteira, logo Uruha amaldiçoava o maldito aparelho, Aoi brigava com Ruki que só faltava chorar e Reita era o único que ainda dormia tranqüilamente, como se aquele barulho todo não fosse nada.

Que coisa mais natural, quase matar todo mundo do coração com barulho do celular, será que era assim todas as manhãs? Com certeza eles eram muito divertidos e eu estava muito feliz de ter contratado Aoi, afinal ele me trouxe muitas pessoas interessantes, eu não queria me separar mais deles, eu queria conhecê-los melhor, afinal eles pareciam ser ótimas companhias e apesar de tudo, pelo menos eu, sentia muita falta de amigos.

Aoi veio até mim, ainda sonolento,mas com um sorriso tímido no rosto.

- Ohayou Kai-Chan, já está acordado e wooow já até preparou o café da manhã – disse se animando.

- Espero que gostem, a neve ta alta lá fora, vocês vão ter aula hoje? – perguntei carinhoso, parecia uma mãe, fala sério...

- Ru-Chan, Uru-Chan, vocês querem ir para a escola hoje? – como ele era básico...

- Não! – responderam ambos sonolentos.

- E o Reita, tem aula hoje?

- Ele ainda não acordou – e Aoi olhou espantado para a sala – então acho que não vai querer ir, não é mesmo?

Olhei também para Reita adormecido, ele não havia tirado a faixa para dormir novamente, o que me fez suspirar em desaprovação, ele estava pegando essa mania que por sinal era perigosa, mas fora isso ele dormia tranqüilamente e bem espaçoso agora que tinha os colchões para ele.

- Eu ainda to com sono Yuu-Chan – Ruki chamou a atenção de todos abraçando o moreno escondendo o rosto contra o corpo dele com a voz mais manhosa que eu já ouvi.

Não era a toa que ele conseguiu chamar a atenção de Reita sem fazer nada de muito especial, ele era bem apertavel, eu achava isso mesmo que ele não fosse o meu tipo, meu sobrenome diz tudo Uke, ele é mais uke que eu, isso nunca ia prestar, não sei ao certo se Reita era o seme, mas nada indicava o contrario, pensando bem, nunca vi Reita com menino nenhum, talvez seja a primeira vez que ele tenha se apaixonado por um menino...

- Ué volta a dormir – Aoi levou o menor no colo para a sala, mas não foi nem um pouco delicado.

Ruki POV

Depois de ter sido "meigamente" levado por Aoi até a sala eu me dei conta que não havia dormido com o meu urso de pelúcia, mas eu sentia que havia abraçado algo, eu tinha certeza disso, mas também em determinados momentos eu me sentia abraçado, e eu sabia que não podia ter sido por Aoi e isso estava me deixando da mesma cor que meus cabelos só de imaginar o que, ou melhor dizendo, quem eu havia abraçado a noite quase inteira.

Me ajeitei melhor em meu lugar, que estava mais no lugar do Uruha, pois o Reita tava completamente espaçoso, peguei uma almofada no sofá abraçando-a, eu tava com muita preguiça de pegar meu urso lá no quarto do Aoi.

Senti o sono chegando novamente e apenas me deixei levar por aquela sensação pré-sono que a gente ta meio inconsciente, sem prestar atenção no que acontece ao seu redor, estava nesse estado meio dopado quando senti Reita se virar demais e ficar parcialmente de bruços sobre mim meio que me abraçando, isso foi o suficiente para sentir minhas bochechas arderem de vergonha, mas alem de não conseguir pensar direito, meu corpo não me respondia, então achei melhor não fazer nada.

Mesmo sonhando ainda sentia o seu peso sobre mim, daqui a pouco meu corpo ia ficar dormente, mas da mesma forma que o sentia sobre mim o senti virar e o peso sumir, o que me fez ficar meio triste, mas o que me espantou foi que ele me puxou para um abraço.

Babem, Reita mesmo que inconsciente, eu acho, me puxou para um abraço e eu, claro, me aninhei entre seus braços, estava sem coragem de abrir os olhos ou fazer qualquer coisa, mas com certeza o rubor havia voltado para minhas bochechas, simplesmente encostei a cabeça em seu ombro e senti seus braços me envolverem meiga e possessivamente.

Então quer dizer que ele tava sentindo alguma coisa por mim?

Que é isso Ruki! Acorda sua criança, ele ta dormindo, ele pode ta pensando em qualquer pessoa, incluindo você então não chora!! Mas é verdade, o que você tem que fazer é investir nele, mas seja sutil, não vai assustando o menino, você não sabe a orientação sexual dele e sair perguntando pra ele só o faria pensar que você é um louco, ou tarado, ou apenas uma bichinha, sabe como é neah? Sociedade preconceituosa.

Eu sei disso tudo ta bom? Mas olha os pontos positivos, ele tava com ciúmes do Uruha para comigo, ele se exibiu pra mim falando que ia ganhar, mesmo que ele tenha ficado em segundo, ele me trata tão bem e ele escolheu deitar do meu lado a noite, se bem que Kai também influenciava em algo, mas vou ignorar esse fato, eu também devo tê-lo abraçado a noite e vice-versa, se ele não tivesse gostado não deixaria.

Só não vai se iludir o cabecinha de vento.

Eu não vou fazer isso sua vozinha chata, mas desse jeito que ele tem me tratado eu posso até me apaixonar, mas se acontecer isso ele vai ter que se responsabilizar, onde já se viu fazer surgir amor no coração de um menino inocente como eu e depois descartá-lo, ele não faria isso, eu acho...

Agora falou a adolescente que ta tendo uma relação sexual sem o uso de preservativo a pedido do namorado, enfim, eu nunca gostei dessa sensação de gostar de alguém, as únicas vezes que eu gostei foram a do Aoi e de Reita, espero não me arrepender dessas palavras, eu me machucaria demais fazendo isso, mas tenho que tentar.

Como eu li uma vez, não sei aonde, "uma mão trabalhando faz mais do que mil rezando" então se eu o queria teria que fazer algo e não esperar que caia do céu, isso não acontece...

Eu senti seu abraço se apertar, mas não me machucava, apenas nos aproximavam mais, eu realmente queria ser a pessoa na qual ele estava pensando em sonho, como ele podia ser assim, tão perfeito? Ele estava me conquistando e eu não quero que ele saiba, não quero que ele pense que eu sou tão fácil quanto uma garota, na verdade, eu ainda tinha que descobrir a orientação sexual dele.

Mas por que ele estaria agindo assim comigo se não quisesse nada? Eu sinto que ele não é o tipo de pessoa que iludi os outros e que gosta disso, não, muito pelo contrario, era atencioso e preocupado, nunca machucaria ninguém, pelo menos era o que ele transmitia, vai saber, tem tantas pessoas no mundo que parecem uma coisa e são outra, mas se ele era uma boa que não engana, então eu tinha um mínimo de chances, certo?

Eu não sabia quanto tempo tinha se passado, mas senti os meninos pulando em cima de ambos, "acordei" assustado com a ação repentina, e pude ver um Reita muito vermelho e lançando um olhar mortal para Kai que ria muito divertido.

- Comam, se ajeitem e vamos para o trabalho – Kai dizia cada coisa cutucando Reita que parecia ficar cada vez mais bravo.

Senti Aoi me pegar no colo, dessa vez realmente delicado, e me levar para a cozinha fechando a porta pedindo um minuto para conversar a sos comigo, eu estava surpreso com a ação dele, afinal, o que eu perdi para ele estar fazendo essas coisas, esse mundo tava cada vez mais estranho.

- O que foi Yuu? – minha voz saiu baixa por causa do famoso efeito travesseiro.

- Você e o Reita... – ele parou de falar, buscando palavras.

- Eu e o Reita... – o incentivei a continuar a frase.

- Vocês ficaram?

- Infelizmente ainda não... por quê? – eu estava atordoado com a pergunta, Yuu achava que eu não contaria para ele? E se eu tivesse ficado nem tinha dado tempo de contar...

- O jeito que vocês estavam, sei lá, parecia...

- Yuu, você é meu irmão, você seria a primeira pessoa para qual eu contaria isso e qualquer outra coisa que acontecesse na minha vida, não se preocupa seu bobinho – disse beijando carinhosamente sua testa e fui abrir a porta para os meninos.

Antes que eu pudesse chegar até a porta Yuu me abraçou de forma carinhosa, eu fitei seu rosto e ele estava corado.

- Que foi Yuu? O que você tem hoje? – me virei acariciando sua bochecha e falando da forma mais meiga que consegui.

- Quando vocês ficarem é bom não esquecer de mim seu desnaturado – ele estava fazendo a maior cena por causa disso?

Me segurei para não rir do quão bobo ele estava sendo com tudo isso, porem tão fofo sentindo ciúmes de mim, então era esse motivo, ele nunca havia demonstrado tanto ciúmes de mim assim.

- Coloca uma coisa na sua cabecinha, você é como meu irmão Yuu, não importa quem eu namore, eu NUNCA vou largar você, entendeu?

Ele não disse nada apenas soltou o abraço sorrindo, era tudo que ele precisava ouvir, a certeza que nossa amizade nunca seria abalada, as vezes ele podia ser bem inseguro.

Me sentei e comecei a comer, estava me perguntando quem tinha feito o café da manhã, tinha apenas duas opções, ou Kai, que era mais provável pelo ar de mar que emana dele, ou Uruha, porque Aoi nunca cozinharia algo tão bom assim, nem aqueles bolos de caixinha ficavam realmente bons quando feito por ele, eu ri com a minha própria brincadeira, se ele descobrisse era uma pessoa a menos no mundo.

Estava tão concentrado em meus pensamentos que nem percebi que Reita também estava lá, e na minha frente.

- Não gosto da comida do Kai.

- Eu gostei – disse sem jeito.

- É muito doce...

- E você não gosta de doces?

- Não gosto muito.

Era tão estranho alguém que não gostasse de doce, eu esta realmente impressionado, mas isso durou pouco.

- Reita, se não gosta de doce não vai gostar muito dos lábios desse baixinho – disse Aoi da porta.

- YUU!!!! Isso é coisa que se diga? – disse tacando o guardanapo na direção dele o que acertou seu rosto, enquanto eu já estava vermelho, roxo, verde, azul, todas as cores menos transparente que era a que eu tanto queria.

Como o Yuu podia falar uma coisa dessa? Ainda falou que ele não ia gostar dos meus lábios, eu tinha que matá-lo depois, quando estivéssemos sozinhos para não ter nenhuma testemunha, estava envergonhado e ele estava se divertindo as minhas custas, a se eu não matava ele depois.

Sorri sem graça levando minha louça para a pia e como Yuu estava agora do lado da pia fiz questão de pisar no seu pé ouvindo alguns palavrões baixos e quase inaudíveis.

- Nee Ru-Chan, e os lábios de Aoi? – Uruha me perguntou e eu fiquei mais vermelho ainda, se é que era possível tal coisa.

E esse complô contra a minha pessoa? Só faltava vir Kai agora com alguma pergunta ou afirmação estranha me fazendo ficar ainda mais sem graça, respirei fundo e vi um Reita tão desconcertado quanto eu e sorri por isso.

- Eu acho doce, mas já faz tempo que experimentei Uru-Chan, pra saber você teria que experimentar...

- Vai ser interessante – e então ele olhou sapeca para Aoi que corou bruscamente.

Olhei novamente para Reita e ele agora parecia perdido em pensamentos, tocando seus lábios, alheio àquela bagunça que o cercava, estava tão concentrado e eu adorei passar o meu tempo tentando descobrir no que ele estava pensando, nos meu lábios? Ou simplesmente qual seria o gosto dos próprios, será que alguém já lhe respondeu isso? Eu gostaria de provar...

- Nee Rei-Kun – nem percebi quando o chamei e corei de leve, agora terminaria a frase – eu acho que seus lábios são bem doces, e por isso você não goste tanto de doces.

Estava vermelho, envergonhado, Aoi me olhava tão espantado quanto Reita e Uruha fazia um esforço sobre-humano para não rir das nossas caras, foquei minha atenção em Reita que mesmo com a faixa podia se ver o tom róseo em suas bochechas e ele me sorriu doce, um sorriso que eu fiquei feliz por ser direcionado a mim.

- Nee Ru-Chan, Aoi disse que seus lábios também são doces, qual a sua explicação? – Uruha era tão inconveniente as vezes, mas engraçado.

- O mesmo motivo do Yuu, comemos muito doce, quando experimentei ele tava com gosto de leite condensado.

- Prefiro chocolate – Uruha retrucou.

- Simples, antes de vocês se beijarem dê uma barra de chocolate para ele – pisquei para ele como quem dá a maior dica para descobrir o sentido da vida e ele riu com aquilo.

- Aoi, eu não tenho chocolate comigo, você tem?

Aoi ficou tão vermelho que eu não me agüentei e comecei a rir dele, pra falar a verdade, gargalhar dele, da situação que o tinha colado, estava muito divertido terminar o que ele havia começado.

- Minna, as risadas estão boas e o papo também deve estar, vamos indo, Ruki vá agora colocar uma roupa para trabalhar, anda – Kai apareceu finalmente na cozinha.

Aoi POV

Ainda bem que Kai apareceu na cozinha naquela hora eu realmente tenho que agradecê-lo depois, não pensei que fazer Ruki sentir vergonha ia ME fazer sentir vergonha, ele nunca tinha revidado, o feitiço voltou contra o feiticeiro, pelo visto ele ta gostando mesmo dele, pra levar minhas brincadeiras tão a sério a ponto de revidar não era normal dele.

Será que Uruha gostaria dos meus lábios com gosto de chocolate? Queria que meus lábios fossem doces o suficiente para Uruha.

- Yuu vai ficar aqui? Não vai trabalhar? Olha que eu roubo o seu emprego viu – Ruki disse divertido e eu sorri para ele.

- To só pensando Chibi, e vou sim pro trabalho, mas e você vão assim? De pijama?

- Bobo! Não me chama de Chibi, e eu vou me arrumar ainda, é rapidinho – e ele saiu correndo pro meu quarto, eu não pude deixar de rir da sua irritação com o apelido que eu insistia em chamá-lo desde que nos conhecemos e ele sempre insistente nunca deixou.

Fui para a sala e pude observar Reita e Kai conversando e um Uruha que boiava, mas nenhum deles prestava a mínima atenção na TV que estava ligada em um canal qualquer e eu mesmo não prestei atenção, a conversa me parecia bem mais interessante.

- Então, ele quer me faze uma proposta, mas não sei qual é – falava um Kai emburrado.

- Kai-Chan!! Calma!! – pedia Reita meio irritado por Kai não ouvi-lo nenhuma vez – parece que ninguém nunca te deixou curioso.

- Mas Rei-Chan eu não gosto de ficar curioso, você sabe... ainda mais sendo coisa da loja, você sabe como é importante para mim, o que eu posso fazer se eu to ansioso... – o bico de Kai aumentava cada vez mais e ele era tão infantil, no bom sentido, quanto Ruki.

- Ele disse que horas ia passar na loja? – perguntei me sentando ao seu lado.

- Pior que não – disse apoiando a cabeça nos braços que estavam apoiados no joelho.

Realmente a loja parecia significar muito mais para Kai do que uma forma de ganhar dinheiro, mas bem, ele teria que esperar mesmo que ficasse tão ansioso, eu queria fazer algo, Reita também pelo visto, ele assim como eu não gostava de ver Kai assim, tão ansioso, mas não tinha nada que podíamos fazer.

Ficamos assim, em silencio por algum tempo, mas não era realmente incomodo, era até que relaxante, pelo menos para mim, mas agonizante para Kai, provavelmente, mas eu não queria quebrar o silencio, até porque eu não sabia o que dizer.

- Alguém morreu? – perguntou Ruki no pé da escada e eu realmente agradeci por ele ter aparecido.

Eu apenas ri me levantando e todos fizeram o mesmo, fomos para a loja conversando alto, rindo, zoando, brincando, mas na hora que Uruha começou a cantar virou o alvo das zoações, o que era aquilo? Ele podia matar alguém no grito.

- Não Uruha, você não pode ser vocalista, se não a nossa carreira como banda acaba antes mesmo de começar – ri alto.

- Você só serviria como vocal se fosse pra sermos a ultima banda e ainda sobrassem pessoas no local do show – Reita ria segurando a barriga.

- Okay, okay, pra cantor não sirvo, mas ainda posso seguir outra carreira, o que acham se eu fosse ator?

- Só se for de filme pornô – Ruki estava vermelho com o próprio comentário, mesmo sendo de brincadeira – a Uruha, fala sério olha só o tamanho das suas coxas! – ele se justificava.

Uruha apenas riu.

- Ta bom, ei Aoi quer fazer um filme pornô comigo? – ele me lançou outro sorriso sapeca e eu entrei na brincadeira.

- Opa! Claro Uru, só se for agora – ria segurando sua cintura e quando nossos lábios estavam próximos ele se separou rindo e eu fiz o mesmo, um pouco decepcionado.

No meio de toda a brincadeira nem vimos quando chegamos na loja, e Uruha ficou maravilhado com ela, e logo foi escolhendo um monte de roupa pra experimentar e ver qual levaria.

E claro, eu que o atendi, e a cada roupa que ele colocava ele me perguntava minha opinião, como havia ficado, se era melhor um modelo menor, maior, de outra cor, outra roupa, outro acessório, eram muitas perguntas, confesso que fiquei um tanto quanto bravo com isso.

As vezes ele colocava cada shorts, deixando as comentadas coxas a mostra e se eu fosse namorado dessa beldade eu não o deixaria sair assim de casa nunca, mas eu NÃO sou, então vou me beneficiar com a imagem que eu tenho, ta isso foi muito tarado da minha parte, mas tem como se conter? Ele é lindo, com o corpo perfeito e também muito legal, é um namorado perfeito, mas eu tenho que me lembrar novamente, que eu não namoro ele, infelizmente.

Em um dos momentos que Uruha estava trocando de roupa pela enésima vez eu pude ver o tatuado entrar e Kai logo ir falar com ele sorrindo como sempre.

Kai POV

- Ohayou Miyavi-Sama – fui até ele sorrindo.

- Ohayou Kai-Kun, como passou a noite?

- Bem... etto... – ele realmente esperava que eu terminasse minha frase, quer saber, vou ser direto – por que o senhor me seguiu ontem?

Eu sou curioso ta e daí? Eu não podia evitar, sem falar que eu tinha o direito de saber disso, afinal eu que estava sendo seguido na noite anterior e Reita só não tirou satisfações com ele porque eu não deixei.

Ele parecia pensativo, tentando se lembrar o motivo, ou se realmente tinha feito isso e então olhou para mim sorrindo.

- Ah! Eu te vi, ai pensei em lhe fazer a proposta , mas ai você saiu correndo e eu não consegui acompanhar – disse meio sem graça – assustei você neah?

- Só um pouco, foi bem inesperado... sabe como é, não é normal um cara correndo atrás de mim – ri com meu próprio comentário inútil.

- Sério? Pensei que você sempre fugia de garotos tentando te pegar, você é bem bonito Kai-Kun, não me diga que não tem ninguém que corra atrás de você? – eu senti o rubor tomar conta do meu rosto.

- N-não que eu saiba – gaguejei um pouco e me amaldiçoei por isso.

- E o cara da faixa é seu namorado?

- Não, o Rei-Chan é meu irmão – disse rápido.

- Que bom – e ele sorriu de forma sedutora para mim – mas eu não vim aqui para isso, ainda, a minha proposta é assim, eu sou musico, e eu to começando minha carreira, eu queria saber se a sua loja não gostaria de me patrocinar.

- Como assim? – sim eu estava confuso.

- Eu já tenho um patrocinador que me fornece dinheiro, mas eu preciso de um que me forneça um bom visual e eu fui de loja em loja atrás de uma que me agradasse e achei essa daqui, o que me diz se em troca da propaganda que eu vou fazer você me dê um certa quantia em mercadoria?

Ta eu estava pensativo, se não me engano eu já tinha ouvido falar dele e agora as coisas faziam sentido, sabia finalmente porque ele não me parecia tão desconhecido, eu já o havia visto em alguma revista de música, mas não lembrava qual, e já ate ouvi uma musica dele, ele canta realmente muito bem...

- E quanto em mercadoria pretende levar? – é obvio que eu estava interessado.

- Bom... como ambos estamos começando, acho que uns 4000 yens¹ o que me diz?

- Eu não sei... – passei os olhos na loja a procura de Reita e fiquei feliz vendo que ele não atendi ninguém – só um minuto – pedi.

Me dirigi para Reita sem dize nada e o arrastei para a sobreloja, ele devia estar confuso, mas eu não me importava, eu estava mais, apesar de ser dono da loja e tudo o mais, ele que me ajudava em qualquer decisão eu não tomaria nenhuma decisão sem ele, não enquanto pudesse usufruir de sua ajuda.

- Rei-chan a proposta do tatuado lá embaixo é fazer propaganda da loja se nós em troca termos 4000 yens em mercadoria para ele, ele é musico e já saiu em algumas revistas e tal, o que você me diz? – eu disse tudo tão rápido que eu fiquei sem fôlego.

- Calma Kai, respira, volta lá e diz que é algo que não tem como responder de imediato que nós vamos pensar, e que gostamos da proposta dele, mas que ele abaixe a quantia pra 2000, ele quer falir a gente por acaso? – ele disse de fora autoritária, eu me sentia mais novo perto dele, mas era eu quem comandava a casa e a loja mesmo assim.

Eu assenti e desci acompanhado de Reita, eu sabia que se alguém poderia cuidar da parte financeira esse alguém era ele sem a menos sombra de duvida, ele que fazia o dinheiro sobrar em casa, e também fez com que conseguíssemos abrir a loja, o meu maior sonho depois de fazer parte de uma banda.

Fui até Miyavi e um Ruki corado, enquanto Reita foi atender duas moças que tinham vindo no dia anterior, as de cabelo laranja e rosa.

Conversei com Miyavi, ele aceitou baixar para a metade, mas ainda não daria certeza para ele, ele agradeceu a atenção e disse que levaria mais algumas roupas, mas que ele pagaria, agradeceu novamente e eu deixei Ruki o atendendo.

Aoi POV

- MIYAVI!!! – berrou Uruha, quanta intimidade cm o tatuado, de repente não gostei mais dele.

- Uru-Chan!! – o tatuado berrou na mesma empolgação, foi até ele e o abraçou quase o rodando na loja, o que o fez receber vários olhares desaprovadores, inclusive meu.

Eles começaram a conversar empolgado e eu fui arrumar as roupas que Uruha não levaria, eu tava sentindo ciúmes, eu tava sentindo sim uma atração por Uruha, natural sentir ciúmes não é? E eu tava com muito ciúmes desse tal Miyavi, mas o que eu poderia fazer se eles pareciam amigos de longa dada? E bem longa pelo que parecia.

Eu olhava sempre que podia para eles e descobri o por que das brincadeiras dele, Miyavi era mais atrevido com as brincadeiras, por isso, talvez, Uruha tivesse brincando comigo na cozinha, no caminho e ate no provador.

Eu já havia terminado de guardar as roupas que Uruha me fez tirar do lugar e estava agora arrumando as que ele levaria, e fiquei relembrando das cenas que eu havia visto, sorri ao pensar que o tatuado não o havia visto dessa forma e eu sim.

Estava tão absorto em pensamentos que nem percebi Uruha se aproximando, só percebi quando ele balançou a mão na frente de meus olhos me fazendo olhá-lo confuso.

- Aoi faz tempo que eu to aqui te chamando e você nem olha para mim – ele disse fazendo bico e voz de falsa tristeza, ele era adorável.

- Gomen ne Uru-Chan, o que foi? – perguntei doce.

- O total... eu tenho que pagar ainda – ele sorriu divertido.

- Só um minuto – eu fui para o caixa e fiz o total para ele, o que não foi barato, mas minha ética não permite dizer quanto ficou.

Ele pagou com cartão, gente rica é outra coisa bem diferente.

Eu pude ver o meu baixinho atendendo ao cara das tatuagens, que pelo visto se chama Miyavi, ele esta bem corado por alguma razão que eu desconhecia, mas desconfiava, provavelmente aquele tarado tava dando em cima de Ruki, novamente... continuei olhando ao redor e vi que Reita também olhava desaprovador para Miyavi e Ruki e eu apenas ri com a cena.

Ele conseguia sentir mais ciúmes que eu pelo Uruha, mas eu gostaria muito de saber suas intenções com Ruki, afinal eu não deixaria ninguém magoá-lo, não importa quem fosse.

- Aoi, é o jeito dele ta – virei-me para Uruha confuso.

- Do que você ta falando Uru?

- O Myv, é assim mesmo, mas ta para acreditar que mesmo sendo assim, um galanteador de plantão, ele não fica com quase ninguém? Pra falar a verdade nem acho que ele faça por mal – ele riu.

- Sabe que eu me preocupo com o baixinho...

- Sei sim, mas agora eu tenho que ir, nos vemos amanhã, okay?

Eu simplesmente assenti com a cabeça e o segui com o olhar, quando estava para sair da loja berrou um tchau para Miyavi e os outros trabalhadores da loja, Miyavi mandou um beijo no ar que Uruha prontamente retribui fazendo um coração com as mãos.

Como eu queria ser o Miyavi, não, eu gosto muito de mim pra desejar ser outra pessoa, eu só queria ser tão especia pra ele quanto Miyavi era, isso sim me deixaria mais feliz, mas era só uma atração, nada mais que isso, então por que eu tava tão incomodado com isso tudo?

Miyavi por sua vez não tinha nenhuma noção do perigo, todos na loja, menos Ruki e ele haviam percebido que Reita esta com intenções assassinas, já havia terminado de atender as meninas e agora os observava, estavam conversando a muito tempo.

Depois que Miyavi foi embora com umas três sacolas de roupa lotadas, o dia correu normalmente, Ruki recuperou a chave com Reita, finalmente, e eu fui para casa completamente cansado, mal cheguei e dormi lá na sala, ninguém me ajudou a levar os colchões para cima e eu não faria isso naquele momento.

E quando mal percebemos já estávamos em março, já havia se passado um mês que nos conhecemos, já não era tão frio o tempo e depois que Kai aceitou a proposta de Miyavi a loja começou a vender mais do que já vendia, nós havíamos nos tornados grandes amigos e Miyavi mal tava em cima de Ruki e Uruha, seu alvo favorito era Kai, ele tinha um prazer por ver Kais em jeito e completamente vermelho, até que ele ficava bonito assim...

Eu estava me arrumando para ir ao cinema com o grupo enquanto pensava nisso, veríamos um filme de terror, não me lembro o nome, mas parecia interessante, como era domingo todos nós queríamos relaxar e isso seria muito divertido.

- Aoi, você ta ótimo, ta lindo, se não fosse meu irmão eu te catava, agora vamos? – Ruki disse bem irritado pela demora para me arrumar – para de se olhar no espelho e anda logo!!

Era fácil pra ele falar assim quando qualquer roupa lhe caia tão bem e qualquer cabelo o deixava tão bonito, até mesmo sem pentear, e que a mínima maquiagem já o deixava tão atraente, ele não tinha os mesmo problemas que o meus.

Olhei novamente para o espelho e ajeitei outra mecha da franja, fazendo-a cair delicadamente sobre meu rosto e sorri satisfeito com o resultado, era um detalhe mínimo, mas eu me importava com ele.

Finalmente saímos de casa, um pouco atrasados, o que deixou Ruki irritado, o que não era difícil, eu estava pensando durante o caminho, por que diabos ele se recusava a cantar na frente do grupo... tipo ele mesmo já sabia que tinha uma ótima voz, mas por que então se recusar a ser o nosso vocal?

Já tínhamos um baterista, uma baixista e duas guitarras, ninguém queria que Ruki ficasse de fora da nossa banda de garagem, então por quê? Talvez vergonha de Reita, mas mesmo assim...

Ruki não parava de falar ao meu lado e sorte que ele não pediu minha opinião para nada, pois eu não tava prestando a mínima atenção nele e ele ficaria apenas mais irritado se descobrisse, não seria bom ver um Ruki irritado.

Chegamos uns vinte minutos atrasados, mas não éramos os únicos atrasados, ainda faltava Uruha, a vaidade em pessoa, ele conseguia ser mais vaidoso que eu e eu sempre achei que era impossível, mas eu sabia que ele estaria lindo quando chegasse.

- Gomen ne – disse coçando a cabeça sem graça – a culpa foi minha por termos chegado atrasados.

Eles riram, já sabiam que o motivo para Ruki se atrasar era unicamente Eu.

Como eu disse todos nós estávamos bem próximos, conversávamos bem animados e a conversa se dividiu entre Kai e Miyavi que conversavam sobre música, eu, Ruki e Reita conversando sobre a loja, as roupas que tinha chegado e se ia vender bem, esse tipo de coisa.

Quando eu vejo Uruha chegando com uma roupa simples, mas tão bonito, com uma maquiagem fraca, porem que o deixava atraente, quase todos olhavam para ele, incluindo o grupo, eu estava secando-o na maior cara-de-pau, mas do jeito que ele estava, ele estava quase implorando por isso.

Ele parou sorridente, sem nem se importa com o olhar de todos do shopping para ele, olhou para todos nós parecendo satisfeito com o resultado, principalmente quando seu olhar se encontrou com o meu abrindo mais o sorriso.

- Desculpe-me o atraso – disse simplesmente.

- Tudo bem senhor vaidoso, vamos fazer o que? – disse Miyavi que já estava bem mais acostumado com o amigo.

Quando nos levantamos Uruha nos cumprimentou com beijos na bochechas, mas quando ele veio fazer isso comigo foi inevitável, olhando praquela boca carnuda, chamativa, desejável e teoricamente doce e macia, eu senti a maciez dela e estava com a boca colada na dele, dei um passo pra trás envergonhado e Uruha parecia confuso, não muito diferente de todos nós, menos Miyavi, eu já disse que ele é estranho? Então, ele é estranho.

Corei bruscamente e mal consegui pronunciar um pedido de desculpas e corri para o lado de Ruki que estava espantado com a minha reação.

Depois de ingressos e pipocas compradas finalmente veríamos o tão esperado filme de terror.

¹ é um valor aproximado de 100 reais, eu fiz o calculo num site ai que eu procurei.