NOTAS: Kingdom Hearts não me pertence, assim como nenhum personagem mencionado nessa fic. A fic "name" essa sim me pertence.

Contém: Homossexualismo, linguagem imprópria e spoilers.

Obrigada pela atenção, boa leitura.


I - sorvete

"Como o senhor pode ver, para esse lado temos a cozinha e a sala de jantar e para a sua direita temos a sala de estar no canto o banheiro das visitas. Retiramos boa parte das paredes para ampliarmos o local."

Um Axel de 21 anos assentiu enquanto fingia dar alguma atenção à aquilo tudo. Contar os losangos do papel de parede ao seu lado parecia precisar de uma atenção muito mais urgente naquele momento. 275 até agora.

Talvez não fosse a coisa mais responsável de ser fazer, mas o nível de desespero por uma casa nova estava beirando o abismo. Era espaçosa? Sim. Confortável? Sim. Tinha banheiro, quarto e cozinha? Sim.

O preço era acessível? Essa, caro amigo derrubador de paredes, é a única pergunta que importa. A única ainda sem resposta também.

"Queira me acompanhar, por favor, vamos subir. Por aqui."

O ar preencheu os pulmões de Axel um pouco mais fundo. Aquilo ainda ia demorar pra acabar.


O dia já não tinha começado bem. Acordar nu, ao lado de uma mulher que você se quer lembra o nome e ainda te que dirigir com uma puta de uma ressaca, não é exatamente um bom jeito de começar o dia.

Nem se lembrar de como ele tinha parado lá era a "calda de chocolate em cima do sorvete".

No primeiro sinal vermelho ele deitou o banco massageando a cabeça, então se lembrou de que naquele mesmo dia tinha que estar às 10 horas da manhã, residência 1008, Rua Fletcher. Contando com todas as outras essa era a sua 13ª tentativa de conseguir uma casa nova.

Quando o som desenfreado das buzinas chegou a seus tímpanos, Axel pegou a primeira coisa que viu na sua frente e jogou no carro de trás e rugiu um "FILHO DA PUTA!". Pisou fundo no acelerador e parou na primeira farmácia para comprar duas garrafas de água e a merda do remédio pra ressaca.

Quando foi pegar a carteira no bolso reparou que ela NÃO estava lá. Sim, ele tinha acabado de jogar a carteira para fora da janela do carro.

"Senhor, o senhor deve pagar 7,45. Vai pagar ou não?"

Sabe sobre a "calda de chocolate em cima do sorvete"? Agora bota os palitinhos de biscoito em cima dela.

Jogou as coisas num canto qualquer e saiu de lá com as mãos nos bolsos morrendo de raiva. Entrou no carro, jogou o banco pra trás de deitou-se mais uma vez, ainda eram oito horas da manhã, ele tinha duas horas.

Que pelo menos dessa vez a visita resultasse em alguma coisa.


Escadas. Axel não gostava de escadas, já que por capricho do destino, tudo que ele precisava sempre ficava no outro andar. Porém o desespero passou por sua mente vazia outra vez e o fez lembrar que ele precisa de uma casa nova DE QUALQUER JEITO.

"Aqui está à suíte, o closet, e o banheiro... mais para frente temos o escritório e o..."

Aquilo estava realmente sufocante de tão chato. O ruivo virou a cabeça quando notou pela primeira vez a janela enorme à sua frente, que de tão grande ocupava os dois andares. COMO ele iria limpar aquele troço? Era grande demais, com cortinas longas e pesadas, era com certeza uma exposição de sua privacidade. A vista dos fundos de uma escola realmente não fazia jus a sua magnitude.

Afinal quem gostaria de apreciar um bom café forte de manhã com a maravilhosa vista de dois adolescentes aprendendo a fazer filhinhos debaixo das escadas?

"Algum problema senhor?"

Talvez fosse necessário manter um metro de distancia de pessoas que fossem sujeitas a ter esse tipo de desejo.

"Não" deu uma distancia entre ele e o 'senhor suspeito' "ah... talvez só uma pergunta: Tem muitas crianças nas redondezas? Sabe, barulho. Não dá para pensar."

"Crianças não. Adolescentes. Não vou mentir para o senhor, lá pelas 10 às 10h35min que é o período de recreio deles dá para escutar algumas risadas talvez, mas depois nada. Parece que a escola os afugenta."

Bom. Talvez fosse melhor dar mais um passo do 'senhor suspeito que saiba o horário das vitimas'

"Quer que eu mostre algum lugar mais?"

"Não precisa. Quanto fica?"

Finalmente estavam indo em alguma direção.

"500 mil, com parte da mobília."

O ar entrou nos pulmões de Axel lentamente até saírem num longo e pesado suspiro.

"Eu compro"


Duas batidas seguidas no vidro do carro foram suficientes para fazer Axel acordar e rosnar alguns palavrões. O que podia ser? Um assalto? Contar ao provável ladrão que ele já tinha jogado sua carteira para fora da janela do carro soava ainda mais imbecil.

Abaixou um pouco o vidro colocando o ser em seu campo de visão.

"você se chama Axel?"

"E quem deseja saber?"

"O ex-namorado da vagabunda que você passou a noite"

Ahh... O acelerador nunca foi tão convidativo, aliás, Axel já estava um pouco atrasado.

Quem diria que assim ele ganharia um arranhão enorme na lateral do seu carro novinho?


"Só um momento, Vou pegar os papéis do imóvel, ah, Vamos lá."

Pelo menos ele não precisaria mais se preocupar com a casa.

"Seus dados, por favor. Nome?"

"Axel"

"idade?"

"21"

"Parentes?"

"não"

"telefone de contato"

"75236852"

"data de nascimento?"

"há 21 anos"

"dia e mês, por favor,"

"eu não me lembro"

"ultimo nome, por favor,"

"eu não me lembro"

"ultimo local em que morava"

Axel encheu seus pulmões uma vez mais.

"eu não me lembro."

O 'senhor suspeito' suspirou antes de lhe estender a caneta "Por favor, assine aqui, aqui.... e aqui também. OK. Acho que é isso. Forma de pagamento?"

"Depositarei o dinheiro na sua conta hoje mesmo."

Axel agradeceu a todos os deuses que conhecia naquele momento por deixar um cartão reserva em casa.

"Qualquer problema pode me ligar, o telefone está no meu cartão. Aqui está."

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BENJAMIN BARKER

DIRETOR

COLÉGIO OFICIAL DE TWILIGHT TOWN*

TEL: 867 873 4959

FAX: 857 873 6567

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"diretor?"

"ex-diretor. O telefone do cartão já é o novo."

"E o que o senhor vai ser agora, se me permite perguntar?"

"barbeiro"

"... sorte" então seguiu para porta da frente, talvez se arrependesse se perguntasse mais coisas.

Porém assim que saiu pela porta da frente se arrependeu amargamente de não ter ficado lá dentro um pouco mais.

"PARA APRENDER A NÃO CHAMAR O GRANDE SEIFER DE FILHO DA PUTA!! HAHAUHUAHAUHAAH"

Axel chegou a conclusão que aquele arranhão não era nada, NADA, em relação a completa destruição que aqueles moleques acabaram de fazer com o seu carro novinho. Parecia mais o brinquedinho que o King Kong usou para palitar os dentes.

O dia tinha amanhecido uma merda e isso era eufeumismo. A pior parte? Ainda era meio dia, com um sol de verão e todos à sua volta pareciam saltitar de felicidade.

E isso, caro amigo, isso para finalizar era a "cereja em cima do sorvete".

bon apetit!


Eu acabei reescrevendo esse capítulo.

Achei que ficou melhor assim, dá um pouco de pena do Axel, mas quem nunca teve um dia como esse?

Talvez não tão ruim... Mas tudo parece ruim nesses dias, não?

Prometo não reescrever mais esse mesmo capítulo '-'

Sobre o barbeiro... (Sweeney Todd- o Barbeiro demoniaco da Rua Fletcher) não tem nada a ver com nada tá? É que eu só lembrei desse nome de rua então =.=... bah!

Vamos continuar!

Sakuraya Aiki