Disclaimer: Naruto me pertence. Processem-me e.e

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Resposta ao desafio que antes era "dos 72", mas agora é dos 198, feito junto com Lady Murder. Eu sei. Nós somos loucas.

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Silêncio
Capítulo I – Boneca de porcelana.


As bochechas pálidas da garota estavam rosadas. Seu peito subia e descia rapidamente, e o coração batia descompassado. Dobrou-se para frente, apoiou uma das mãos no joelho e outra no muro de sua casa. Ficou lá, por alguns instantes. Não queria entrar em casa daquele modo. Queria evitar as perguntas de Hanabi, seu pai e Neji. Mas não era como se eles realmente fossem se preocupar, ou algo assim.

Hinata voltou à posição normal, passando a mão pelos longos cabelos azuis enegrecidos. Respirou fundo uma última vez, antes de começar a caminhar lentamente em direção a sua casa.

Ela realmente não tinha motivos para ter corrido, a não ser o fato de que gostava. Sim, Hinata gostava de correr, da escola até sua casa, pois assim se sentia mais... livre. Era como se estivesse correndo para chegar a algum lugar especial. Não que ela soubesse que lugar era aquele, mas era assim que ela se sentia. Uma sensação gostosa, que lhe dava um frio na barriga e lhe colocava um minúsculo sorriso nos lábios. Talvez ela fosse realmente uma boba, como Ino às vezes dizia que ela era. Ela se importava um pouco com os comentários, claro, mas a sensação deliciosa de correr fazia com que ela esquecesse as besteiras ditas pela loira.

"Olá, papai. Olá, Hanabi." Ela disse, entrando em casa e tirando os sapatos. Hiashi estava sentado no sofá da sala, lendo um jornal, e Hanabi estava deitada no chão, com o controle da televisão em mãos, mudando de canal de cinco em cinco minutos.

"Olá." Os dois falaram ao mesmo tempo. Hinata subiu as escadas em direção a seu quarto. Jogou a mochila perto da porta, que fechou com o pé. Foi até a varanda, só para ver seu primo Neji, junto com seus amigos Lee e Tenten, treinando artes marciais. Ela sorriu. Sabia como eles se sentiam quando treinavam – era a mesma sensação que ele tinha quando corria.

Deitou-se na cama e fechou os olhos. Alguns instantes depois, dormia tranquilamente.

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Existia uma pessoa que era capaz de fazer Hinata sentir todas as emoções mais deliciosas e aterrorizantes do mundo, tudo isso ao mesmo tempo. Fazia com que as pernas de Hinata tremessem, sua voz falhasse, suas bochechas avermelhassem, suas mãos suassem frio. A pessoa também fazia com que Hinata sentisse uma tremenda alegria e uma vontade boa de rir. O sentimento por ela era quase que opressor, fazia um peso no seu peito. Dava pânico e tranqüilidade. Era assustador para Hinata sentir-se assim perto de alguém. Por isso, quando Naruto lhe dirigiu um caloroso "Bom dia, Hinata-chan!", ela só conseguiu balbuciar uma resposta em voz baixa.

Mesmo sentindo-se ridícula, estava feliz. Naruto havia falado com ela! "Você se contenta com muito pouco, Hinata." Ino falou, sentando-se ao seu lado. "O Naruto fala com você e você simplesmente... simplesmente responde qualquer bobagem! Um dia, você tem que tentar engajar uma conversa com ele. Estou falando sério." A loira disse. A baixa auto-estima de Hinata às vezes lhe irritava profundamente, mas ela achava que era seu dever ajudar a tímida amiga a conquistar o garoto de seus sonhos. Mesmo que esse garoto estivesse apaixonado pela sua melhor amiga, Haruno Sakura. Era só um fato mínimo que elas ignoravam.

Hinata não prestava muita atenção nos discursos de Ino, sobre ela mudar, virar uma pessoa mais corajosa e coisas do gênero. Enquanto a Yamanaka fazia seus conhecidos discursos, Hinata ficava preocupada em sonhar alto com declarações de amor feitas por Naruto em serenatas ao luar. Então, quando a voz do professor Asuma fazia-se ouvir na sala, ela abandonava os devaneios para prestar atenção na aula de biologia.

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Hinata despediu-se de seus colegas e começou a tomar o rumo de casa. No caminho, passou em frente a uma cafeteria e resolveu parar lá. Era sexta-feira, e nesse dia, Hanabi sempre ia para a casa de uma colega, seu pai sempre ficava até mais tarde no trabalho e Neji e seus amigos saiam para jogar conversa fora. Não tinha ninguém a esperando em casa, então ela não viu mal nenhum em entrar, tomar um chocolate quente e talvez comer um pedaço de bolo.

Quando entrou, sentiu-se extasiada pelo cheiro de café. Todo o ambiente era muito bonito, de um jeito meio escuro, com vários quadros nas paredes, estantes cheias de livros, pessoas conversando em mesinhas, algumas escrevendo e outras lendo. Sentiu-se bem naquele ambiente e procurou uma mesa ao fundo, onde poderia ficar observando os outros. Quando se sentou, notou um piano na parede oposta. Sempre tivera vontade de tocar piano...

"Em que posso ajudar?" perguntou um rapaz segurando um bloquinho. Hinata nem olhou para o cardápio.

"Eu gostaria de... um pedaço de bolo de morango e... um chocolate quente..." ela falou. O rapaz anotou, sorriu para Hinata e ia saindo, se ela não tivesse o interrompido. "E-ei... quem toca esse piano?"

"Hum?" ele olhou para o piano e seus olhos se encheram de compreensão. "Bem, ninguém em especial, sabe? Está aí para ser tocado, quem quiser tocar pode tocar..." ele coçou a cabeça. "Mas, ultimamente, tem vindo uma mulher tocá-lo... ela vem aqui quase todo dia..." o garçom falou pensativamente para si mesmo. "Mas você queria saber por quê? Você sabe tocar?"

Hinata nem soube o motivo, mas enrubesceu. Talvez porque os olhos verdes do rapaz a fitassem tão intensamente e sua expressão de curiosidade era engraçada e ao mesmo tempo, bonita. Muda, ela só conseguiu balançar a cabeça negativamente.

"Ah..." ele disse, parecendo um pouco desapontado. "Você tem cara de quem toca piano, sabe? Achei que você tocava. Você escreve?"

"Eu... eu..." Hinata pensou em poemas de amor que escrevia para Naruto em seu diário e todas as suas colocações máximas em redação. "Não muito..."

"Oh." O rapaz lançou-lhe um olhar que quase queria dizer 'então o que você está fazendo aqui?', mas ela o achou simpático demais para interpretar assim. "Eu sou Setsuiya e você?" ele sorriu.

"H-Hinata." Conseguiu dizer. Por que ele ainda estava conversando com ela? Não que ela não estivesse achando agradável, mas era agradável de um jeito estranho. Ele era curioso demais, talvez.

"Bem, Hinata, espero que você venha mais vezes aqui. Só para você sentir vontade, além do seu bolo e do chocolate quente, trarei um docinho. É chamado de Amorentia, sabia? É um nome especial, porque é muito bom. O criador disse que-"

"Sakurazaki! Pare de importunar os clientes e venha cá!" gritou uma mulher no balcão.

"Essa é minha mãe." Ele suspirou. "Ela me chama de Sakurazaki aqui no trabalho, mas quando estamos em casa eu sou o Set-chan. É triste, eu sei. Bem, eu vou lá, mas eu volto!" e saiu, deixando Hinata atordoada com o ritmo da conversa – ou seria do monólogo?

Hinata ficou olhando fixamente para o piano, enquanto esperava Setsuiya com seu lanche. Repentinamente, um garoto sentou-se a sua frente. Ela abafou uma exclamação de surpresa com a mão. O garoto era realmente muito parecido com um da sua sala, Uchiha Sasuke. Só que ele... ele sorria de um jeito amigável, mas ao mesmo tempo, muito falso. "Olá, senhorita Lua Cheia¹." Ele disse.

"Hum?"

"Lua Cheia. Seus olhos. Ou prefere que eu a chame de Hyuuga Hinata?"

"C-como sabe meu nome?"

"Quem não sabe seu nome? A grande herdeira do Império Hyuuga." O garoto deu de ombros. "Mas não é por isso que vim aqui. Fiz um desenho seu." E só então Hinata reparou na folha que ele tinha em mãos. Estendeu para ela e o queixo da garota caiu um pouco quando ela se sentiu olhando para um espelho. "É muito fácil desenhar você, e muito bom, ao mesmo tempo. Mesmo que seja chato desenhar alguém tão... sem desafios." Ele disse. Quase que ia usando o termo 'insosso', mas aquela garota era tão delicada que ele sentiu medo de fazê-la chorar por qualquer bobagem.

"Ah... é... obrigada..." ela disse, sem ter muita certeza das palavras. "E quem é... você?"

"Eu sou o Sai. Estou estranhando você estar aqui, e não estar correndo em direção a sua casa ou qualquer coisa assim." o sorriso dele continuou o mesmo quando Hinata largou o desenho em cima da mesa. Como ele sabia dessas coisas?

"Está tudo bem, Hinata?" Setsuiya perguntou, olhando desconfiado para Sai, enquanto colocava os pedidos de Hinata em cima da mesa. A garota balançou a cabeça afirmativamente, ainda que suas mãos tremessem sem ela saber o porquê. "Certo..." e saiu, ainda olhando para Sai.

"C-como você sabe disso?"

"Mais uma vez, quem não sabe disso? Você passa aqui em frente todo dia. Fizemos um bolão de apostas para ver com que idade você irá começar a correr os cem metros rasos – e ganhar uma medalha por isso."

Hinata sentiu que ficava cada vez mais vermelha, e agradeceu a Deus pelo fato de a iluminação ser precária. Então todas aquelas pessoas sabiam? Ela sabia que passava por algumas pessoas na rua, e que elas a olhavam com expressões estranhas, mas corria tão rápido que não podia ser identificada. Bem, era o que ela achava.

Sai deu uma risada. "Você é tão fácil..." ele disse. "Ninguém fez aposta nenhuma. Eu só reparo em você. Você é um belo modelo para se desenhar. Um dos mais belos, na verdade."

"O-obrigada..." Hinata murmurou. Novamente, não sabia se era o certo a se dizer. Sai levantou-se.

"Fique com o desenho, Lua Cheia. Quem sabe eu não faço um seu e do Uzumaki? Então você poderá colocá-lo no seu diário..."

"C-como você sabe...?" ela estava apavorada.

"Eu não sei." O sorriso falso de Sai se alargou um pouco. "Você é quem acaba de me confirmar."

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Hinata acabou pegando o hábito de sempre que saia da escola, passar no Café. Chegava um pouco mais tarde em casa, mas ninguém se importava muito com isso – somente Neji que perguntou depois da quinta vez que chegara tarde. O primo só dissera para ela ter cuidado ao sair de lá.

Então, às vezes Hinata passava a tarde toda lá, conversando – ou tentando conversar – com Setsuiya, recebendo alguns desenhos de Sai. Mas ela evitava falar com este último. Algo nele a deixava assustada. Porém, o que ela mais esperava era alguém que fosse tocar no piano. A "mulher misteriosa" nunca mais havia aparecido, segundo Setsuiya.

Apoiando o queixo na mão, Hinata começou a rabiscar uma folha de papel. Todas aquelas pessoas eram... tinham um toque artístico, e ela não. Tentou escrever alguma coisa, mas não achou que tinha escrito algo bom. Desistiu, e resolveu deixar o exercício para outro dia.

"Sabe, Lua Cheia..." Sai, sentando-se na mesa com ela. "Sempre que eu vejo a Feiosa," e Hinata já sabia que Feiosa para Sai era o mesmo que Sakura, "eu me lembro de você. Ela tem uma coleção de bonecas de porcelana, sabia?"

"S-sim." Hinata disse, olhando para as mãos. A presença de Sai a deixava nervosa. Os olhos negros dele escondiam todos os mistérios do mundo, mas parecia que ele sabia tudo sobre todos. Como se todos fossem... transparentes.

"Você se parece muito com elas." E Hinata estremeceu quando Sai colocou a mão na sua bochecha. "Fria, branca e principalmente... frágil." O sorriso de Sai continuou intacto quando Hinata empurrou sua mão para longe do rosto dela. Foi um impulso, ela nunca teria feito aquilo se tivesse pensado bem.

"Sai, pare de assustar a garota." A voz era fria e dura. O tipo de voz que você nunca discordaria. Levantando os olhos, Hinata e Sai vislumbraram um homem de olhos e longos cabelos negros.

"Itachi? A que devo a honra?" O sorriso de Sai continuava o mesmo, mas seu tom de voz... estava diferente. Os dois trocaram um olhar. Sai se levantou e eles andaram até outra mesa. Aquilo deixou Hinata atordoada.

Só então ela reparou no grupo de pessoas que havia entrado. Ela os achou estranhos, mas ao mesmo tempo, fascinantes. Havia um ruivo e um loiro que aparentemente estavam discutindo; um de cabelos alaranjados que estava no balcão junto com outros dois, um que parecia muito com o tal Itachi e outro de cabelos estranhos e verdes. Havia também um de cabelos azuis, conversando com um albino e um moreno. E havia... uma mulher.

A mulher começou a andar até o piano. Sentou-se. Estava simplesmente majestosa. Hinata ficou olhando-a, decorando-a. Os cabelos azuis, com uma delicada flor como enfeite. A pele branca, os braços finos, os dedos longos. Dedos que tocavam as teclas do piano com suavidade, produzindo um som que deixou Hinata arrepiada. O burburinho cessou, enquanto ela tocava.

A música alcançava suas notas finais e Hinata nem sabia o motivo, mas sentia vontade de chorar. A mulher parou. O Café continuou em silêncio, até ela se levantar e se dirigir ao balcão, então os sons recomeçaram. Hinata, tímida, levantou-se também.

Respirou fundo e andou até a mulher. Tocou-lhe o ombro. Ela se virou, a expressão séria. Hinata respirou fundo mais uma vez. "Q-qual... seu nome?"

A mulher encarou Hinata, deixando-a amedrontada. Até que a expressão dela se suavizou, mesmo ela não tendo sorriso. "Konan."

Hinata se virou e saiu.

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Konan. Hinata disse. Konan, mais uma vez. É um belo nome, pensou, saboreando aquele som.

"Boa noite, Konan..." sussurrou, ao adormecer.

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¹ Créditos à Lady Murder por fazer o Sai apelidar a Hinata assim. Leiam a história original desse apelido na fic, tandandan, Lua Cheia! Não a minha, a dela. Enfim.


N/A: E agora eu não posso postar mais nenhuma oneshot até terminar essa fic, a não ser o presente de aniversário do Mello e do Aldebaran das Areias Vermelhas. Enfim. Konan/Hinata é... é bonzinho. Dá pro gasto. Minha motivação é pelo fato da fic ser yuri, e, entre heteros e yaoi, eu prefiro yuri. Mas você ainda me paga, Lady Murder, por me fazer ter de escrever uma Sasuke/Naruto... enfim. Não teve beta, então desculpem qualquer erro. Além do fato de o Sai estar OOC. E, quando a autora da fic diz que o tal personagem está OOC e sabe que ele está, ninguém precisa ficar concordando com isso nas reviews. Mais cinco capítulos e essa fic acaba. Tomara que minha inspiração esteja boa, porque se não...