Capítulo 5


Dá uma puxada aí, véi!

O velho Tião pegou Clovis pelo pulso, assim como um vovôzinho faz com um neto, e o levou até sua casa. Estava animado com a idéia de enfrentar o exercito mais uma vez. Clovis, no entanto, não compartilhava do entusiasmo do velho. Ele se perguntava como aquela "múmia ambulante" poderia ser útil para enfrentar soldados e resgatar uma prisioneira cativa.

Durante o trajeto, Tião ia contando a Clovis como foi que a tragédia havia sucedido. Foi algo muito simples, tanto que ninguém havia notado. A pequena Aninha estava cabisbaixa, encostada a parede. Frágil e ingênua. Bastou um soldado pedir cordialmente que ela o acompanhasse que ela o seguiu. Passou-se meia hora e Aninha não havia mais voltado. Tião, desconfiado como sempre, acabou percebendo que havia acabado de presenciar um seqüestro. Os outros vila verdenses que estavam no posto de saúde nem se ligaram. Estavam preocupados demais com seus problemas particulares.

- Por que eles fizeram isso? – Insistia Clovis na pergunta.

- Sei lá. Sua irmã é subversiva?

- Hmmm? Não! Ela sempre foi tão obediente.

- Sei, sei... Ela sabe de algo confidencial então.

- Hmmm? Ela mal sai de casa. Como descobriria algo assim?

- Sei, sei...

A casa do velho Tião era bem pequena e empoeirada. Ele vivia sozinho e não tinha forças para limpá-la com freqüência, assim como também não tinha dinheiro pra pagar uma empregada. O velho levou Clovis até seu minúsculo quartinho e tirou um azulejo solto do lugar, revelando uma caixinha de madeira escondida. O velho abri a tampa da pequena caixa revelando seu conteúdo. Um estranho inalador preto com um X vermelho desenhado.

- Guardei essa gracinha por trinta anos. Estava esperando uma oportunidade para usá-la novamente e mandar uns soldadinhos para puta que pariu... É... Pena que estou velho demais pra isso. Talvez isso seja de melhor serventia para você, rapaz.

- O que é isso?

- Um troço que eu e meus amigos usávamos para enfrentar os apoiadores da ditadura.

- O quê?! Me deixar ligadão não vai me ajudar em nada em salvar minha irmã.

- He he. Você diz isso porque nunca viu alguém usando a Porrada. Essa coisa fazia um sucesso danado na minha época. Ela deixa qualquer um valente como o diabo! Nenhum soldadinho vai ser páreo pra você.

Clovis, não querendo fazer desfeita ao velho, pega o inalador e guarda no bolso. Estava se culpando por ter se iludido e confiado naquele guerrilheiro com data de validade vencida. – Obrigado. Isso vai ajudar muito. – Diz Clovis, com um sorriso amarelo estampado no rosto. Estava sendo irônico, mas o velho estava animado demais pra perceber isso.

- Use a Porrada com sabedoria. O efeito dessa belezinha só dura uma hora e eu não tenho mais nenhuma guardada comigo.

- Ta certo. – Disse Clovis, já de costas pra Tião, estava indo em direção a porta da casa.

Se Clovis antes achava que o velho Tião era louco, agora ele tinha certeza. Pior, além de louco o velho era "ligadão". Deve ter perdido o juízo de tanto inalar essa droga maluca chamada Porrada, achava Clovis. Droga de nome esquisito que ele nunca havia ouvido falar antes. Clovis já começava a duvidar inclusive que os soldados fossem responsáveis pelo desaparecimento de sua querida irmãzinha. Aquele velho chapado culpava os militares por tudo, porque não iria culpá-los disso também?

Já se distanciando da rua onde morava o velho Tião, Clovis encontra um militar a paisana e vai até ele pedir ajuda na busca por sua irmã. Chegando lá, ele explica sua situação. Dizendo que havia deixado sua irmã esperando no pronto socorro e quando voltou ela não estava mais lá. Clovis cuidadosamente omitiu a parte da história em que quase cai na lábia de um velho maluco. Bem, o soldado não precisava saber disso.

O militar ouve toda a história e pede a Clovis um minuto para falar com alguém no celular. O soldado se afasta dele para não ter sua conversa escutada, no entanto, atento como Clovis é, ele acaba ouvindo parte daquela conversa e a achou bastante estranha.

- Encontrei um parente próximo da mutante capturada.

- Sim senhor, afirmativo.

Depois de desligar o celular e guarda-lo no seu bolso, o soldado pega Clovis pelo braço e, como se ele fosse um bandido, o leva até um jipe militar estacionado a poucos metros dali.

- Hei?! O que está fazendo? Me larga!

O soldado ignorava Clovis e continuava a puxá-lo com brutalidade até o carro. Pros olhos de Clovis, Tião agora não parecia mais tão louco assim. Crack! Um soco certeiro no nariz. Utilizando o braço que não havia sido agarrado, Clovis mete um soco bem dado no nariz do milico. Forte o suficiente para quebrá-lo e fazer com que o braço de Clovis que estava sendo agarrado fosse liberado.

O soldado perde alguns preciosos segundos segurando seu nariz com as mãos e xingando tudo que é tipo de nome feio. Clovis aproveita isso para correr o mais rápido que suas pernas permitiam. O matuto era muito ligeiro. Em poucos minutos já tinha escapado do campo de vista do soldado. O que Clovis não sabia era que o soldado ferido havia ligado para o quartel dando sua descrição física e chamado reforços para capturá-lo.


Forças da natureza.

Sentado na cama da sua cela, Mateus fica ouvindo a explicação do seu colega de prisão tal qual uma criança pequena faz quando ouve uma história fantástica.

- Você ouve falar de nós o tempo todo. Quase sempre que alguém diz ter visto um lobisomem, um anjo ou um alienígena. Todos esses casos nada mais são do que mutantes indiscretos. Estamos no mundo a centenas de anos. Somos Capazes de praticamente tudo. Somos milagres ambulantes.

- Se são tão retados assim, porque o exercito estaria interessado em caçá-los? – Pergunta Mateus.

- Porque nos temem. Os humanos nos tratam como aberrações, como ameaças. Esses primatas são capazes de tudo para nos eliminar. Inclusive deixar uma pequena cidade no escuro para encobrir suas caçadas.

- Aquele gigante...

- Era uma sentinela. A mais potente arma de combate aos mutantes já criada pelo homem.

- Hehe...

- Que foi?

- Tive um amigo... Um conhecido. Ele se dizia vidente e... Ele achava que o gigante era um castigo de Deus enviado pra castigá-lo por ele ter usado "magia".

- Hehehe. Nem todos os mutantes sabem de sua condição. Alguns deles criam teorias bem engraçadas para explicar seus dons fantásticos. Bom, mas até que seu conhecido pode não estar tão errado assim. Até agora ninguém soube explicar como nascemos com esses poderes.

- Meu Deus.... Não posso fazer parte dessa maluquice...

- Se te prenderam aqui de duas uma. Ou você tem parente mutante, ou é um mutante latente. Um de nós que ainda não desenvolveu seus poderes.

- Deve ser a segunda opção. Hmf! Eu saberia se tivesse um parente tão fantástico.

- Saberia mesmo?

- Claro... Ah. Perdão. Estamos conversando há horas e nem perguntei seu nome. Como você se chama?

- Roberto da Costa. Mas pode me chamar de Beto.

- Nome estranho. Você é daqui?

- Sou sim. É que meu pai era mexicano.

-AAAAHHH!!! BOOOM!!!! TRATRATRATRA! A conversa dos prisioneiros foi interrompida pelo som que vinha de fora da ala da prisão, mas precisamente atrás daquela porta que ficava no fim do corredor. A que falei no capítulo anterior. O som era de tiros, explosões e gritos de dor. Como o som ia ficando cada vez mais próximo, a dupla deduziu logo que o que for que seja que estava causando aquilo tudo estava indo na direção do lugar onde estavam.

- Calma, Mateus. Deve ser um irmão mutante que veio nos libertar.

BOOOOM! A porta do final do corredor foi aberta com tanta brutalidade que saiu voando e só foi parar no outro lado.

- Você é da irmandade? – Perguntou Roberto ao homem que adentrou o corredor. Como Mateus estava a uma distancia considerável, ele não conseguiu ver a fisionomia daquele poderoso ser que estava ali presente.

Pow! A cela de Roberto é destrancada com um raio. O mutante cativo fica feliz, pois não agüentava mais aquela situação. Infelizmente a felicidade durou pouco. – O que? O que está fazendo? AAAAHHHHH!!! – Mateus não viu o que aconteceu, mas pelo grito de dor dado por Roberto ele foi capaz de presumir o pior.

Plact! Plact! Mateus tremia cada vez mais a medida que os passos do assassino ia se aproximando. O assassino então se torna visível para Mateus, era Adilsom, um velho amigo que agora estava ensopado de sangue.

- Adilsom? Adilsom o que..?

Adilsom ignorou Mateus, não estava nem um pouco interessado em seu "amigo". Não se preocupava em matá-lo nem em libertá-lo, simplesmente o deixou como encontrou, trancafiado.

- Adilsom? O que está fazendo?

Antes de ir embora, porém, Adilsom mostrou uma brutalidade que Mateus desconhecia. O recém descoberto mutante abre a porta da cela que estava à frente de Mateus, a que prendia uma garota desmaiada, e lá dentro faz outra vitima. Pra piorar, Mateus ainda é testemunha de um ato inumano. Adilsom abre o crânio da guria e analisa friamente o seu cérebro. Depois de algumas espiadelas, Adilsom sai da cela e vai embora como se o que tivesse acabado de fazer fosse algo comum, corriqueiro e sem importância. Mateus fica chocado, se encostando ao canto da cela para ficar o mais longe possível daquela criatura. Depois de alguns minutos, Mateus estava sozinho. Restando apenas dois defuntos como companhia.


Inumanos.

Clovis se esconde dentro de uma casa qualquer que acabara de invadir. Estava assustado, não sabia o que fazer. Sua missão de resgatar sua irmã, que já era difícil, agora parecia impossível. Pois, por algum motivo que ele não sabia a razão, o exercito estava em seu encalço. – Será que algum parente meu é acusado de terrorismo? – Se perguntou o jovem, enquanto se escondia dentro de um dos quartos da casa.

- Clovis! Você está cercado! Saia com as mãos para cima!

A voz veio da frente da casa. Era o exercito. Os malditos meganhas tinham descoberto sua localização. E agora? O que fazer? Como não tinha mais nada a perder, Clovis lembrou-se das palavras do velho Tião. Ele pegou o inalador que estava guardado em seu bolso e ficou analisando por alguns instantes quais seriam os prós e os contras de tomar aquele negócio.

CRASH! Som de janela se quebrando, tinha soldado invadindo pelo fundo da casa. Sem pensar mais nada, Clovis coloca o inalador na boca e absorve o seu conteúdo. O gosto era horrível, mas, por algum motivo que ele não soube explicar no momento, começou a se sentir muito bem.

Pow! Com um chute bem dado, três soldados conseguiram invadir o quarto onde Clovis se escondia. Os soldados eram muito bem treinados. Faziam tudo com rapidez. No entanto, para Clovis eles mais pareciam andar em câmera lenta.

TRATRATRATRA!! Oficialmente falando um militar não pode fuzilar um civil desarmado. No entanto, para esses soldados mutantes não eram gente. Por isso não se fizeram de rogados e sapecaram quase que toda a munição de suas metralhadoras no pobre homem.

No primeiro momento Clovis ficou assustado. No entanto, acalmou-se logo ao perceber que as balas estavam demorando muito a chegar até ele. – Será que o tempo parou? – Pensava Clovis. – Acho que esse negócio está me dando alucinações. Só pode ser isso. – Parecia que o tempo dentro daquele quarto havia parado. Clovis vai até a porta do quarto fazendo a volta para não se chocar com as balas que agora estavam paradas no ar. Chega até perto de um dos soldados e dá uma cutucadinha nele com a palma de sua mão. Queria checar se ele era real ou não. VUUUUUSHHH!!! O tempo no quarto parecia ter voltado a velocidade normal assim que Clovis tocou no soldado. O leve toque de Clovis fez com que o milico fosse arremessado com brutalidade até a parede oposta. POWW!! O impacto foi tão forte que o homem faleceu. Os dois soldados que restaram ficaram assustados. Não tanto quanto o próprio Clovis, pois este não sabia o que estava acontecendo.

- Um maldito velocista!! – Exclama um dos soldados.

- "Velocista"? – Se pergunta Clovis. O rapaz ainda não tinha entendido a natureza do poder que adquiriu ao tomar a Porrada. Não era o tempo no quarto que havia parado, mas sim ele que estava rápido demais.

Provavelmente aqueles dois soldados já sabiam que seus esforços seriam inúteis. No entanto, tentaram metralhar o rapaz mais uma vez mesmo assim. Novamente, tudo ficou paralisado. Instintivamente Clovis havia acionado sua super-velocidade. Desta vez, porém, Clovis não perdeu tempo tocando nos milicos. Aproveitou a oportunidade para sair dali. Ele cruzou a porta da frente e viu o pequeno exercito que fazia prontidão do lado de fora. Para Clovis parecia que todos estavam imóveis como estatuas. Foi muito fácil para ele sair dali sem ser percebido.

Tião passou a tarde sozinho dentro de sua casa. Ficou ali, quieto em seu quarto, olhando pra caixinha que escondeu durante tanto tempo. Ele sentia um pouco de frustração por não poder tido a oportunidade de usar aquele bendito remédio uma vez mais. Vooooshhhh! O velho sente um vento forte vindo da sala. Era Clovis. O jovem queria tirar algumas dúvidas.

- Que macumba é essa? – Perguntou o garoto mostrando o inalador para Tião.

- Você tomou não foi? Não se sente maravilhosamente bem?

- Sim. É verdade. Mas como...

- Como a Porrada funciona? Quem precisa saber? Um americano trouxe um lote disso pra cá nos anos 1970. Acho que o nome dele era Sublime. John Sublime se não me engano. Foi graças a esse remedinho do capeta que meu grupo de lutadores da liberdade se tornou imbatível. Nossa... Bons tempos aqueles...

- Esse treco não tem nenhum efeito colateral não, né?

- Vicia como o diabo.

- Meu Deus! Tô fodido!

- Você não queria ajuda pra salvar sua irmã? Então, isso era o melhor que eu podia arranjar. Agora suma daqui. Vá depressa. O efeito disso não vai durar muito. Você tem um trabalho a fazer.

VUUUUUUUSSHHHH!! Clovis foi embora tão rápido quanto veio. Deixando pra trás só uma nuvem de poeira que subiu devido a pequena ventania causada pela sua velocidade. Clovis dispunha de pouco tempo para achar sua irmã, apenas quarenta e cinco minutos, no entanto esse curto espaço de tempo para ele agora parecia uma eternidade. Em apenas dez minutos ele conseguiu checar todos os lugares da pequena cidade (casas, escolas, bares, lojas, mercadinhos... Enfim, tudo) em busca de sua irmã. Infelizmente o jovem não encontrou a pequena Aninha em canto nenhum.

Imagine uma cabeça de um metro e meio metálica. Imaginou? Agora imagine essa coisa caindo de uma altura de vinte metros em uma trajetória parabólica. Imaginou o estrago que essa coisa não faria? CRASH! O enorme cabeção robótico cai em cima do telhado de uma casa. Sai esbagaçando casa, rua, carros... Tudo que estava em seu caminho.

Clovis estava a alguns quarteirões de distância, não chegou a ver o objeto caindo, no entanto o forte barulho que fez ao chocar contra a casa chamou sua atenção. Em questão de poucos milésimos de segundos Clovis já tinha chegado ao local do incidente. Ele reconheceu aquela cabeça gigante. Pertencia ao monstro que atacou sua casa na noite passada. Clovis perdeu a aterrissagem do cabeção, mas conseguiu ver o momento do pouso de outra coisa igualmente estranha, um homem voador. Um homem voador que era seu irmão, Adilsom. Ele havia pousado bem na sua frente.

- C-como?

- Como fiz isso? É essa sua pergunta? Hahaha. Meu irmão... Se você fosse capaz de ver o mundo como eu consigo ver agora... As coisas são agora pra mim tão claras...

- Adilsom, nossa irmã desapareceu. Aninha. Nós precisamos encontrá-la.

- Ah meu irmão, Aninha não é importante.

- O quê?

- Pra que se importar com alguém cujo fim todo mundo já sabe qual será? Os humanos não são importantes. Suas vidas são vãs e inúteis. Nenhum deles faz a menor falta.

- Hmmm?

- Só o futuro importa. Só pessoas como eu, os mutantes, importam. Sinto muito, irmão. Agradeço por todo esse tempo feliz que passamos junto, mas você não faz parte desse futuro.

Adilsom aponta sua mão direita para Clovis e dispara um raio elétrico em sua direção. Ele enxerga seu irmão desaparecer e, então, presume que ele havia sido evaporado pelo seu golpe. No entanto o que ele não sabia é que Clovis, com sua recém adquirida super velocidade, conseguiu desviar do ataque milésimos de segundos antes de ser atingido. Escapando ileso da investida.

Novamente, para a perspectiva de Clovis, o mundo havia paralisado. Clovis raciocinou um pouco, nesse estado um simples toque fez com que o soldado voasse contra a parede, o que um soco com toda a força então não faria?

Vuuuuushhhh! POW! O soco foi realmente muito forte. Bem mais forte do que o esperado. Adilsom voou longe, atravessou uma casa inteira e só foi parar no outro lado, na rua do fundo. Clovis ficou impressionado com o estrago, mais ainda com o rastro de sangue deixado no local.

- Irmão! Irmão!

Clovis corre em direção ao corpo caído de Adilsom. Seu irmão ainda não estava morto, mas estava quase lá. O soco de Clovis provocou um rombo na barriga do irmão. Ele não iria agüentar muito tempo.

- Haha. C-Clovis? Você é um mutante também? – Perguntou Adilsom estatelado no chão. Sangrando pela boca.

- Mutante? Eu nem sei o que é isso. Só tomei uma parada esquisita que o velho Tião havia me dado. – Disse Clovis, com seus olhos já marejados em lágrimas.

- Entendo. Você não é um de nós, então. – Decepcionado, Adilsom recosta sua cabeça no asfalto e fica ali, parado, encarando o nada. De repente seus olhos param. Ficam imóveis e arregalados. Ele havia morrido.

- Nãoooo! Me perdoa, irmão!

Clovis tomou a Porrada esperando que ela lhe ajudasse a encontrar um ente querido, ao invés disso ela o ajudou a perder outro. O pai, a namorada e dois irmãos. Clovis perdeu muito naqueles dois dias. Dois dias que deviam ser de festa, mas que se transformaram nos piores de sua vida.


O demônio alado.

Aninha nunca foi perigosa, nem mesmo quando seus poderes mutantes ativaram. Tanto é que ninguém percebeu quando isso aconteceu, nem mesmo ela. Aninha tem o poder de enxergar sob qualquer circunstancia o que quiser, na escuridão total ou na luz intensa, perto ou longe. Até mesmo através de paredes, mas pra isso ela vai precisar de um pouco mais de treino

Nesse exato momento a chorosa Aninha está sendo levada sob custodia em um camburão militar. Por ser frágil e não oferecer perigo a ninguém, ela não está em uma unidade de contenção especial para prisioneiros super poderosos. Simples algemas normais eram mais do que suficientes.

Cabisbaixa, ela ficava chorando na parte de trás do camburão enquanto dois soldados ficavam na frente, um na parte do carona e outro dirigindo o veiculo. Os dois conversavam sobre qualquer coisa. Música, futebol, cinema... Faziam tudo menos conversar com a detenta. Eles pareciam não se compadecer pela situação da menina. Eles eram frios, cruéis, experientes e bem treinados, o orgulho do exercito nacional de contenção a mutantes.

Truckt! O camburão chacoalhou. A primeira vez os soldados ignoraram, mas a segunda foi mais violenta. Truckt!Truckt! – O que foi isso? – Perguntou o que estava no banco de carona. – Não sei. – O camburão levantou no ar, parecia que estava sendo erguido por uma força invisível. Assustada, Aninha berrou o mais forte que seus pulmões permitiam.

Crackt! O teto do veiculo é brutalmente arrancado por uma força invisível. Os soldados, antes frios, agora estavam em pânico. E tinham bons motivos para isso. A força invisível os pegou pela cintura e os ergueu no ar, depois os arremessou como se fossem lixo. Ambos morreram na queda.

Assustada, Aninha olhava pra cima esperando que alguma criatura demoníaca a pegasse e fizesse qualquer crueldade com ela. Ao invés disso, ela vê outra coisa. Um homem já idoso voando vestido com uma roupa vermelha e uma capa roxa. Logo que o viu ela imaginou se tratar do diabo em pessoa, no entanto estranhou o fato dele estender sua mão e lhe falar de modo tão carinhoso. Aninha sabia um pouco de inglês, logo entendeu na hora o que o velho de voz forte lhe dizia.

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Fim.