Disclaimer: Paradise Kiss não me pertence, contudo, esta fic e as suas ideias sim, apesar de não lucrar nada com isso.

ÚLTIMO CAP (maiorzinho que os outros :D), boa leitura!


.

Quente e Frio

Sábado - II

.

Escorregou, caindo inevitavelmente numa possa de água, onde esta se misturava e dançava delicadamente com sujos pedaços de terra. Pureza e corrupção… de que lado estaria ela? Puxou o chão para longe de si, começava a irritá-la todo aquele sentimento de derrota e toda aquela fraqueza desnecessária.

Encarou-se a si própria: suja, rejeitada e perdida. Com um gesto rápido e seco revolucionou a água, afastando-a da terra. Apagando a sua imagem. Um sorriso forte surgiu.

Desprezível.

Levantou-se decidida. Rejeitada por quem? Por um homem que nunca amara e por um que nunca havia sido honesto. Só as desesperadas o lamentariam. Ela, Yukari, iria erguer a cabeça e voltar orgulhosa para o Japão, gozando em seguida dos benefícios que a sua beleza ainda lhe proporcionava.

Começou a avançar lentamente, o rosto fechado e um olhar revolucionário. Acabaram ali as lágrimas por quem não merece a pena. O queixo tremia ligeiramente mas o seu passo era decidido e firme.

Antes de dar o terceiro passo, um braço prendeu-a. O susto fez com que o seu corpo tremesse ligeiramente, mas esperava que se deduzisse que sentia frio, e não receio. O calor daquele braço assustou-a de tal maneira que toda a sua determinação evaporou-se. Ele não viera atrás de si, viera? Depois de tudo, ele procurara-a? A emoção espalhou-se por aquele rosto com rapidez. Sempre fora um baloiço, ora triste ora contente, ora decidida ora perdida.

Ridícula.

Uma única palavra invadia-a e atormentava a sua mente. A pressão que aquele braço fazia sobre o seu peito asfixiava. Podia ser qualquer um, mas o seu pensamento dirigia-se a ele. Ao único homem que fizera tudo por ela, ao homem que rejeitara e traíra. Ele tinha capacidade para ainda a querer de volta?

"Hiro…".

Sentiu uma respiração no seu pescoço, fazendo-a arrepiar. Hesitando ao início, subiu lentamente até o seu ouvido. O que era aquilo? Para além de ter ido atrás dela iria?... A confusão total havia-se instalado na sua mente. Hiroyuki não agiria assim. Por muito bondoso que ele fosse. Então…

Voltou-se de repente e afastou aquele corpo de si com toda a força que conseguiu. Tentou, pelo menos. O braço de George não a deixara escapar e quando deu por si, encarava com revolta aquele homem. O desprezível homem que a levara a trair o seu marido, que a fizera deitar o futuro pela janela.

O único que feriu o seu orgulho de tal forma que jamais iria cicatrizar.

O fogo que exaltava daquele olhar surpreendeu-o. O poder na sua postura trazia-lhe de volta alguém de quem sentira, pela primeira vez, realmente falta. Era aquele porte digno e o mesmo olhar revoltado de quem jamais pretende subjugar-se.

Era sua Caroline.

Puxou com força, o frágil corpo congelado. O chapéu-de-chuva que segurava voou à primeira oportunidade e o beijo que lhe deu não era, de todo, inocente. Era dele, era só dele.

Os braços e mãos da mulher percorriam o corpo dele, desejando gelá-lo. Fazê-lo sofrer. Dominar e correr com todo o calor daquele corpo. Magoar tanto quanto a mão que estava perdida no meio de seus cabelos e a pressionava contra ele.

Deixou que ela o molha-se, deixou-se dominar. Fê-lo com todo o prazer. O calor esvaia-se lentamente daquele corpo e, quando não havia já nem um resquício do mesmo no corpo de ambos, ele sorriu consigo próprio.

Estavam os dois gelados.

Ela interrompeu o beijo e encarou-o. Queria distância, a sua racionalidade exigia distância de tão grande vício. Lutava desesperadamente contra todo aquele irreal desejo, procurando com histeria por uma razão, uma única razão, que fosse suficientemente convincente.

- Não há verdade em ti.

Ele apenas sorriu, claro que não havia. A verdade é algo relativo, banal. Para ele havia vontade, impulso, egoísmo, ganância, ambição e ironia. Não conhecia a palavra "amor" e ria com cinismo do tolo que dissesse conhecer. George queria aquela mulher. Todo o seu corpo chamava inconscientemente por ela. Não toleraria ter que partilhar aquele ser novamente, era seu. Todo seu. Só seu. E ali estava ela agora, gritando para que ele a levasse de volta. Destino? Não, por favor… apenas inevitável.

- Eu disse que, se não parasse naquela altura, não poderia parar nunca mais.

- Nota-se…podes fazer o favor de me dizer quem era aquela desgraçada?

George sorriu novamente, desta vez com luxúria enquanto observava a sua ruína. Aquela mulher À sua frente punha todos os seus ideais em causa, fazia-o desejar por algo tão idiota como uma família. Mas que doce e eterna ruína.

Prendeu-a nos seus braços, apertou-a com força. Enterrou o rosto naquele mar obscuro e sorriu ternamente. Havia regressado para sua gaiola.

-*_

_*-

Evitara-o ao máximo.

No que dependesse dela, George jamais veria aquele jornal, aquela primeira página onde ela fizera o que ele mais detestava. Gabara-se de o ter. A ele, que ela sabia nunca ter sido dela.

Mentira.

Atirava com raiva o pedaço de papel sob o jornal. Sabia que aquilo era a última coisa que obteria dele. Não era uma carta de despedida, não estava em francês, mas ela podia lê-lo.

Era provocação.

Podia lê-lo, mas não sabia o que significava, nunca, jamais, tentaria descobri-lo. George recusara-se, durante os três anos de convivência, escrever ou falar japonês. Sabia que ele alterara o seu nome por não ter o charme desejado.

E ali estava o papel com a fina caligrafia, amarrotado, demonstrando quem realmente dominava e dizia a última palavra.

"Kanojo wa omocha dewanai"

Seria sempre George.


N.A.: FIM! Bem, é isso, espero que tenham gostado!

UM OBRIGADA ENORME a quem leu e, principalmente, a unknow-chan, Isa Higurashi e Miwako Matsumoto, que acompanharam e incentivaram, valeu :DD

É verdade, o recadinho que o George deixou dizia o seguinte: "Ela não é um brinquedo" ;)

(Reviews? *.*)

Arigatou,

Neffer-Tari