Prólogo

No continente Johto, encontra-se a mística Floresta de Ilex. Um guardião zela por ela como um santuário. Apesar da frágil aparência, Celebi, cuja lenda diz que é capaz de viajar no tempo, é inteligente e tem grandes poderes. Ele parece ser único e avistá-lo é quase impossível. Muitas histórias envolvendo Celebi foram e são contadas, o que o fez se tornar uma espécie de divindade. Esta, contada aqui, é uma dessas histórias.

Celebi sempre passeava livremente por sua querida floresta, observando e certificando se tudo estava em ordem. Mal sabia, o pequenino, que já vinha sendo também observado há muito tempo...

Sim... Aquela organização que cultuava o poder e tinha a frieza como regra principal, desejava ter os poderes do Guardião do Tempo em suas mãos e espreitava todos os seus passos. Já estava preparada a armadilha perfeita.

Seu voo foi bruscamente interrompido quando Celebi foi de encontro com uma espécie de parede. Assustado, ele voou para direção oposta e o mesmo aconteceu, tentou outra, e mais outra, mas sempre se deparava com a barreira invisível. Não havia mais saída! Tentou finalmente usar seus poderes para sumir dali, mas foi em vão, pareciam não ter mais efeito, provavelmente devido a alguma energia que "gaiola" gerava, e quanto mais ele tentava, mais fraco se sentia.

- Como imaginamos. O dispositivo funcionou perfeitamente! - A silhueta de um homem surgiu de trás das árvores - Vejam como ele ainda tenta atacar! - Debochou com um meio sorriso

- Já está fraco! Capturem! - Outro homem apareceu e depois dele, mais cinco, todos com vestimentas escuras e equipamentos estranhos. Alguns usavam máscaras outros lenços ou chapéus que ocultavam parte de seus rostos, e em seus peitos destacava-se no brilho de suas lanternas uma única letra: "R".

O escudo foi desativado e Celebi caiu desacordado. Um dos homens se apróximou, e rápidamente, o colocou numa capsula.

- Levem-no para o Quartel General! – Diz outro homem, que se destacava por ter o uniforme com alguns detalhes brancos. Este pareceu estar liderando o pequeno grupo. Dois dos subordinados pegaram a cápsula nos braços e partiram para o QG.

A Nova Era

Três semanas se passaram desde a captura do Pokémon.

Estamos agora no continente Kanto. No meio de uma densa floresta não muito conhecida, encontra-se o Quartel General da Equipe Rocket, uma grande fortaleza, lugar de treinamento e de muitos sonhos para alguns, mas para outros, é uma verdadeira prisão...

No terraço de um dos prédios da fortaleza, uma bela menina uniformizada caminhava. Parava as vezes na sacada, se apoiando na proteção de grades e ficava olhando fixamente para o horizonte, voltando a caminhar logo depois. A jovem Rocket, estava em seus doze anos de idade, costumava usar seus longos cabelos presos no alto da cabeça em um rabo-de-cavalo. Deixava duas mechas mais curtas e desbotadas em cor-de-rosa nas pontas, soltas, uma de cada lado de seu delicado rosto, e uma parte de uma dessas era rebelde e se soltava, roçando seu nariz as vezes. Eram esses lindos cabelos de cor violeta que naquele momento, estavam belamente mesclados ao tom alaranjado dos raios de sol poente. Seu uniforme era preto e branco com a letra "R" em carmim no peito, que indicava que a moça era de classe superior aos outros membros. Ali ela cresceu, mas nunca teve uma família. Foi trazida ainda muito pequena pelo seu líder e treinada para ser sua principal agente. Alguns podem achar que isto foi exploração, mas para o sombrio líder da Equipe Rocket, não existe nada no mundo que tenha valor além do poder a qualquer custo.

Tudo o que contaram à menina foi que seus pais foram corajosos e fortes, e que morreram bravamente, salvando a Organização da ruína. Se tornaram então, lendas e inspiração para muitos ali dentro, principalmente para ela.

Debruçada nas grades e perdida em pensamentos, seus olhos azul-esverdeados encontravam-se novamente fixos no horizonte em que o sol agora se escondia aos poucos. A preocupação misturada com dúvida eram visíveis em sua feição.

- Será que estou mesmo agindo errado?...

Ela então percebeu alguém se aproximando

- Jennifer, querida! Lamento por você - Debochou outra garota, mais velha, que levava as mãos à cintura.

Sem se mostrar nem um pouco surpresa, a mais jovem virou-se e encarou a outra. Esta tinha grandes cachos dourados até a altura do pescoço, olhos azuis, e um uniforme aparentemente da mesma classe da primeira.

- Não preciso de sua pena, Domino! - Respondeu

- Isto é o mínimo que eu poderia sentir por você... Peninha! – Disse acenando com uma das mãos, tentando diminuir sua companheira ainda mais - É o que fracassados merecem... "filha de magikarp, magikarp é"!

- Cala a boca! Você não sabe nada sobre eles! – A raiva ferveu em seu rosto

- Acredita mesmo no que dizem? Hahahahahaha! Que idiota! - Riu alto, abafando o riso depois com a mão – Eu os conheci. Se você não acredita, apenas aviso: Siga os passos deles e vai cair direto no poço do fracasso! Fique aí então com suas ilusões ridículas, queridinha do chefe! Alias, ele quer vê-la...

Era clara a inveja que sentia da mais jovem. Enrrugou o rosto antes de dar as costas e seguir caminhando, rindo sarcasticamente, sem parar seus comentários maldosos.

Jennifer apertou os punhos, mas se segurou naquele momento. Estava ainda mais preocupada após ouvir que fora convocada. Ela respirou fundo e partiu para a sala do Líder.

Chegando no local, ela sinalizou para um dos guardas do corredor, que abriram a grande porta de ferro, permitindo sua entrada. A grande sala de teto alto era diferente das outras localidades internas. Tinha objetos de decoração antigos em toda parte, uma grande janela de madeira no estilo do século passado, e no centro uma mesa, também de madeira, com a única luxuosa poltrona verde, que mais parecia um trono. Nela, estava ele, o poderoso, em sua imponente silhueta sombria em contraste com a luz do crepúsculo que adentrava a sala.

Jennifer estremeceu um pouco com a situação, que acontecia com frequência, mas mesmo assim, era sempre estranha a sensação de estar ali. Permaneceu de pé, em frente a porta, calada por alguns segundos. Ele pareceu não notar sua chegada, ela então, quebrou o silêncio

- Pois não, senhor?

O homem virou-se em sua poltrona. Seu rosto não era muito conhecido entre os Rockets. Jennifer era uma das poucas que o conhecia

- Jennifer, o quê está acontecendo com você? Sempre cumpriu muito bem todas suas designações, e agora Isto?! Já não é a primeira vez que deixa uma presa escapar desse jeito! Está me envergonhando! - Deu uma pausa, mas a garota não conseguia argumentar e ele continuou - Espero que não esteja se deixando levar por emoções baratas! Não irei tolerar isso novamente!

- Sim senhor! Me desculpe - Respondeu, cabisbaixa

Saiu do recinto ainda mais perplexa do que antes de entrar. Domino estava no corredor, encostada em um dos pilares, de braços cruzados. Parecia ter ouvido toda a bronca.

- É demais para você, não é, lindinha? Ele não devia nem ter te trazido para a Equipe Rocket. Logo eu estarei de volta ao meu lugar! Lugar que VOCÊ roubou!Nem pena sinto mais... Isto é para os fracos, como você! Só lamento, queridinha.

Jennifer escutou tudo em silêncio, olhando para o chão, corada, e logo voltou a caminhar procurando sair o mais rápido dali. Uma pergunta latejava insistentemente em sua cabeça -"O que é certo e errado afinal?"