O veado estava bem à sua frente, pastando calmamente.

Sem fazer o menos barulho, o grande lobo negro se escondeu na vegetação, esperando a hora certa.

Aquele lobo, outrora conhecido como Sam Uley, estava faminto. Passara quase duas semanas sem colocar nada no estômago, além de água dos rios que às vezes encontrava pelo caminho.

Sam ficara para trás, porém ele ainda estava lá, em pânico. Não entendia o tinha acontecido com ele, a ponto de acreditar que enlouquecera.

Era provável que não estivesse nessa floresta agora, devorando a carne crua de um veado selvagem, e sim num hospício, amarrado a uma cama, com Leah e sua mãe o observando através de uma janela de vidro. Talvez toda essa floresta não passasse de uma ilusão.

O lobo não só o modificara por fora, como tomara conta de suas ações. Ele agia quase exclusivamente por instinto.

A boca sangrando, não com seu sangue, mas com o do veado, o lobo negro deu as costas aos restos do animal, somente carcaça e pele, além da grande poça de sangue.

Podia ouvir o som da água não muito longe. Ele começou a correr, nas quatro patas, até se deparar com a água azul e brilhando sob a luz do sol. O lobo se apressou para entrar naquele rio. A água em volta dele ficou vermelha imediatamente.

Ele olhou seu próprio reflexo. Estava triste; não se reconhecia mais. Afundou a cabeça. Num dos raros momentos de lucidez, Sam pretendia ficar lá, e nunca mais voltar.

Mas isso era impossível. Sam nunca teria forças suficientes para algo assim. Não podia deixar sua mãe sozinha, ela não tinha mais ninguém. E também havia Leah. Eles namoravam desde que ela entrara no primeiro ano, e se gostavam, de verdade. Planeja se casar com ela, um dia...

Sam se levantou de um pulo, o pulmão ardendo por ar.

No entanto, seria o melhor para elas? Terem um lobisomem? Nas lendas do cinema, as transformações só ocorriam numa noite de lua cheia, e se desfaziam na manhã seguinte. A que acontecera com ele não se desfazia nunca, e Sam não sabia se iria acontecer algum dia.

Ele não podia voltar, não como um lobisomem. Por que era isso que ele era agora, a porcaria de um...

Sam finalmente abriu os olhos e abaixou para a água, para seu próprio reflexo. Era humano outra vez. Tocou rápido em seu cabelo, descendo até o rosto, constatando.

Agora sim, não entendia mais nada. Já poderia voltar para casa?

Saiu do rio correndo, e então parou.

Ops, estava nu.


Certo, ninguém há essa hora. Ele não teria problemas.

Olhou de novo o alvo, a casa que ele dividia com a mãe, desde a morte do avô Uley quando ele era um bebê.

Ela deve estar dormindo ainda.

Na ponta dos pés, e incrivelmente sem fazer o menor barulho, Sam se aproximou da casa. Parou embaixo da janela do seu quarto, e num único pulo, a alcançou.

Arrancou qualquer muda de roupa do armário e a vestiu rapidamente. Sua mãe devia estar preocupada, e provavelmente já alertou a polícia...

Sua vida virou mesmo de cabeça para baixo.

O que diabos estava acontecendo com ele?!!


Desculpe a demora, mas o cap está ai :)

E muito obrigado a todos os reviews! Essa história está fazendo bastante sucesso ;D

Bjinhus, e continuem deixando reviews!!