Ela era apenas mais uma garota em meio a uma multidão faminta exalando o odor fúnebre da morte... Por horas se escondera atrás arbustos, encolhida, ali permaneceu quieta, chorosa e fria... A noite estava fria! Obscura com tantos ruídos e uivos ensurdecedores capazes de mantê-la atenta. O vento mais parecia uma canção de ninar aterrorizante embalando seu coração atordoado e fazendo bailar as folhas avermelhadas que se desprendiam das imensas árvores naquela noite sorrateira de outono; e outras, em forma de espiral coreografavam sua dança melancólica elevando-se do chão como se louvassem algum deus daquele imenso parque já esquecido pelo tempo...

Já havia se passado mais de 4 horas e ainda tremia de medo talvez ou de frio, mas decidiu arriscar a sorte, essa dama de duas caras que ainda lhe negava um sorriso real, apenas disfarces e calúnias rasteiras.

Seguiu a retilínea trilha de pedras cinza fixadas naquela terra escura e seca onde as imensas árvores formavam paredões obscuros; agora saudando um silêncio aterrorizante que deixava sua respiração mais ofegante e sua pulsação ainda mais acelerada... Seus passos ecoavam, formando assim um trio musical torturante naquele lugar sinistro que a lúgubre névoa fez questão de esconder.

Apenas via vultos dispersos que apareciam e sumiam numa rapidez incrível. Ainda assim seguia em frente, logo avistou a velha casa da Rua 72; sombria como sempre, mas agora parecia mais solitária naquele lugar desabitado e taciturno.

Era novembro e apenas os rugidos das feras famintas que se escondiam na floresta enfadonha de Nancov recuava pelas terras secas da vila solitária.

Peripécias noturnas.