Lembranças

- Rin-Chan – A médica chamou-a – Você não sente nenhuma mudança muscular? Nada?

- Só uma coisa – Sua doce voz ecoou como uma brisa fria – Eu não consigo sentir minhas pernas – E ela forçou um pequeno sorriso.

Naquele momento, com aquelas doídas palavras sendo murmuradas tudo que eu tentava, inutilmente, esquecer me vieram à mente.

Vi a mãe dela virando-se para mim e murmurando com um sorriso no rosto

- Kakashi-Kun, cuida dela – E beijou a bochecha de Rin

- Com toda certeza – Murmurei passando meu braço pelo ombro dela e contando coisas sem sentido e aparentemente engraçadas, até que dois homens cujos rostos não eram possíveis, para nós, ver, pois estavam encapuzados. Pararam-nos, apontaram e exigiram dinheiro.

- Só tenho 10 reais – Disse tirando tudo do bolso

- Nossa – Um deles disse com desdém – Que mixaria

- Quer muito dinheiro? Assalta um banco – Rin disse enquanto envolta em meus braços

E no segundo seguinte uma bala havia acertado sua cabeça

- RIIIIN! – Gritei desesperadamente segurando-a nos braços e levando-a para a casa do pai dela, que não estava longe.

Então voltei à realidade, o ar fugia do meu pulmão furiosamente, pensei então que a morte iria me pegar, para saciar sua imensa sede pelo desprazer humano. Mas, não. Eu estava errado, nem a morte me queria naquele momento.

Minha expressão havia se congelado num contorno meio medonho e aterrorizado

- Rin – Chamei-a, vendo sua íris ocular virar-se lentamente em minha direção – Suas pernas... Minha culpa – Senti um aperto no coração ao ver que ela tentava manter a calma e o sorriso que estampava de maneira trágica seu belo a delicado rosto

- Kakashi – E seu sorriso tremeu um pouco – Será que eu vou voltar a andar?

- Você vai sim – Eu disse chegando mais perto dela - Vai voltar a andar e fazer tudo normalmente

Ela então passou a mão levemente pelo meu cabelo

- Me sinto um pouco cansada e fraca – Ela suspirou

- Durma Rin – Pedi tocando levemente suas pálpebras e sussurrando – Durma bem...

- Por que você está assim? – Perguntou-me com a voz suavemente cansada.

- Rin – Sussurrei olhando para seu rosto de anjo com os olhos fechados, aguardando minha resposta – Sinto-me culpado.

- Eu já te disse que não é – Me disse com um leve toque de irritação.

- Você não vai mudar meu pensamento Rin – Sorri da irritação dela – Obrigado por viver, Rin...

- Se acostume à minha falta, hora ou outra eu sumo, ou morro – Disse-me pouco convicta e um pouco sorridente – Mas, agora vou dormir... Obrigado pela companhia Kakashi...

- Nem diga isso – Assustei-me com sua resposta – Mesmo assim... Viva! Durma – E encostei meus lábios em sua testa.

- Obrigada novamente Kakashi – A voz pareceu fraca e logo a respiração tornou-se lenta e calma.

- Eu preciso ir a minha casa. Certo? – A resposta não veio – Com licença Rin.

O Caminho longo surgia à minha frente, os grandes prédios e casas passavam, pessoas olhavam para mim, as coisas eram estranhas, me separar dela agora, eu acabara de brigar com o Obito, tudo parecia tão surreal.

- Passa a bolsa! – Dois rapazes disseram em uníssono à uma senhora, os mesmos capuzes as mesmas vozes, e tudo foi tão rápido.

- Não façam nada! – Quando percebi estava de pé entre a senhora e os ladrões.

- Veja se não é um garotinho querendo ser o Super Men – Os dois gargalharam e num rápido movimento o sangue jorrou do meu globo ocular, sem nada ver eu ouvi um grito feminino e a voz do Obito.