D'Inverno.

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Para se chegar à primavera é necessário passar pelo frio intenso do Inverno.

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Para Anne Asakura

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Os cabelos longos, o queixo liso, a voz macia e sedutora com aquele sotaque quinhentista. Uma fantástica aparição, saída dos livros antigos e jogada sobre ela como uma anátema sem ritual preparatório. Sentia que congelaria diante dele. O frio inoportuno e diabólico, que parecia ser nada além da transpiração glacial do altivo vampiro, afundava seu peito e adentrava seus pulmões como agulhas anestésicas.

O vampiro a alcançou com seus passos teatrais e a postura de um rei que chega para reclamar seu trono. "Teu cheiro é doce" lembrava-se ela. As primeiras palavras que ele lhe dirigira, soando quase como uma afobação dos homens contemporâneos aos quais ela já estava tão acostumada, porém com aquela fleuma que acompanhava a voz, lotando de espasmos friorentos o seu corpo pequeno.

Os passos do vampiro tornaram-se mais rápidos, ou talvez fossem os dela tornando-se mais lentos em marcha ré. Eliana quis falar alguma coisa, algo que soasse como uma oração ou um pedido de misericórdia, porém as palavras eram como espadas de esgrima que não conseguiam perfurar sua garganta congelada.

Que palavras conseguiriam chegar a ele que não parecessem tolas e puramente humanas? A jovem recuou um passo e parou. Não por querer, não por necessidade, mas porque sua perna estava dolorida demais para conseguir dar mais um passo. O corpo dele se aproximou.

Seus olhos vivos e falantes encararam os dela. Eliana sentiu uma dor aguda nas têmporas. Os dedos dele tocaram-lhe o rosto, frios, duros como metal, demoníacos! Inverno trazia algo nas mãos, algo vermelho. Como se fosse sangue, mas não líquido, macio, roçando-lhe a bochecha junto dos dedos gélidos. Instintivamente ela ergueu o braço e o tocou. Ao pousar a mão sobre o peito dele, ela sentiu a palma queimar, sensação característica de quando colocamos gelo sobre a pele.

Desejou ter forças para chamar por Deus ou por quem quer que fosse. Mas o sorriso cínico que ele a dirigia a deixou mais fraca do que já se sentira até ali. Os braços gelados dele envolveram-na num abraço insuportavelmente frio. Seus lábios se tocaram com a pressa que ele tinha. Ela não se movia. Seus músculos todos reclamavam, o coração batia com dificuldade e todo o calor se dissipava em ondas frenéticas de calafrios.

Quando ele se afastou, levando com ele o frio agourento e os lábios pálidos, Eliana sentiu a vida escapar-lhe pela respiração e seus olhos vivos foram se fechando para o mundo branco que seguia o vampiro.

Com dificuldade ela tentou tocá-lo, mesmo na distância. Inverno já ia longe, levando nos lábios a última parcela de calor da humana que ficara para trás.

Os ouvidos dela aguçaram-se repentinamente. Ouvia um ribombar assombroso. Exaltou-se ao notar que era o próprio coração retomando seu trabalho involuntário, chamando sem querer o nome da estação e do vampiro que ao longe carregava doses de loucura imortal.

Adormeceu. Seu sangue continuava circulando no corpo, e havia uma rosa vermelha perfumando seu pescoço.


N/A: Que fic besta. O.O'

Nada de perguntas. Eu ainda não terminei de ler e sim, eu quero o Inverno na minha cama fazendo chuva como se não houvesse amanhã. 8D Sou apaixonada por esse vampirão frio/frígido/frívolo e embora eu ache que ele morre de desejo pelo Sétimo, gosto de imaginá-lo seduzindo as mocinhas por aí. MUAHAHAH

Finalmente consegui tempos diários para ler Os Sete e espero com muita esperança [-q] terminar esse livro em breve. Aí sim, posso dizer que virão fics dignas.

Anne, eu precisava escrever essa fic e estranhamente ela é para você. Não sei por que estranhamente. Mas é estranho mesmo. O.O' –q

Não tente entender. Mande reviews dizendo que achou foda e pronto. Huauhahuahu

Sobre o título... Do Inverno. Sem mais. 8D

ps.: Anne, lembre-me de perguntar ao Luca se o Inverno dele, digo, se o Guilherme dele é frio. LOOL \O/