Felicidade Falsa

O que você faria se desse conta que sua vida é uma mentira? Que tudo aquilo em que você acreditava,amava e fazia total sentido se tornou simplesmente nada? Foi doloroso, mas aos poucos me dei conta que tudo aquilo que acreditava que era felicidade era pura falsidade.

Track – Tudo pode mudar

Era dia 02 de aos berros do meu pai.

- Ei seu vagabundo, acorde logo!

- Já estou acordado!

O alcoólatra do meu pai estava como de costume me acordando aos gritos, a vizinhança toda podia ouvir. Minha mãe morreu no parto, logo que nasci e talvez por isso ele me culpe tanto e me maltrate assim. Tomei banho, me arrumei e peguei o carro pra ir a Escola. Estava chegando o fim das minhas aulas, o fim do melhores dias da minha vida. Conheci inúmeras pessoas maravilhosas a cada ano minha vida foi marcada cada vez mais por alegrias inexplicáveis e aquilo simplesmente estava para acabar em dias, afinal, são poucas as amizades que vão ficar. Apesar disso eu estava feliz, naquela manhã de frio intenso cheguei à escola disposto a curtir cada segundo com meus amigos. Logo que entrei, procurei o meu armário, dei de cara com um bilhete da Mika,minha namorada. Estava escrito "te amo". A Mika,era mais que uma namoradinha qualquer,era minha amiga e a pessoa que eu mais amava no mundo. Peguei os livros e fui caminhando pelo corredor quando encontrei o Matt.

- E ai cara! Tudo bem? Você tava meio mal ontem né? Fiquei preocupado, seu resfriado passou?

Matt,meu melhor amigo, era incrível como ele estava sempre sorrindo. Eu confiava nele como em ninguém, era mais que um irmão pra mim.

- Passar não passou né! Mas eu to bem melhor já cara, obrigada pela preocupação.

Em seguida, fomos conversando até a sala, a primeira aula é matemática, a matéria que eu mais detestava com o pior professor possível!

- E ai Brian!

Me assustei! Era o Steve falando comigo?

- Olá Steve...

Steve era o cara mais estranho da classe, ele mal falava com as pessoas. Era frio e só dava atenção a alguém quando queria. Ele não falava comigo há anos.

- Na saída preciso falar com você...

- Sobre o que?

- Na saída eu falo.

Fiquei curioso, o Steve não era mais o tipo de pessoa que levaria um papo comigo. Com certeza era algo realmente importante.

- Amoor! - Era a Mika

- Mikaa

Nos beijamos na sala, céus como eu a amava, as vezes sentia que eu a amava mais do que devia. Cada beijo parecia selar mais nosso amor. Logo em seguida o professor de matemática entrou. Só o olhar macabro dele era suficiente, me despedi da Mika que correu para ir para a sala dela e me sentei.

- Bom dia. Abram o livro na pagina 203.

- Brian.

Ouvi alguém cochichando meu nome.

- Briaan!

Olhei e percebi que era o Matt.

- O que...?

- O professor deve ter uma tara por você cara! – Ele riu baixo

- Que?Como assim?!

- Não é de hoje que percebo que ele se invoca com tudo o que você faz, e desde da hora que ele entrou não tirou os olhos de você. Alias desde que ele dá aula pra nossa classe ele te encara.

Logo que olhei percebi que ele estava me encarando profundamente.

- Ele me odeia, isso sim Matt!

- Claro que nãoo! Ele faz tudo para chamar sua atenção.

- Independente disso, eu detesto ele! Só o jeito como ele fala lembra exatamente meu pai!

- Mas Brian ele fica...

- BRIAN!

- Sim professor.

- Já que esta com tanta vontade de falar leia o texto do livro.

- De novo? Toda aula me faz ler e...

- Leia.

- "Gráficos Estati...

- Em pé!

- Porque?

- Vamoos

Nesse momento me senti totalmente constrangido, me levantei e fiz algo que eu nunca havia feito. Encarei ele, olhei profundamente em seus olhos. Céus,ele era tão bonito e atraente,será que era casado?Olhos puxados,estilo a Mika. Quando percebi eu estava pensando de forma um tanto estranha. Não foi apenas aquele dia que eu me peguei com pensamentos um tanto gays.

Li todo aquele texto, e logo já era o fim de duas chatas aulas com aquele professor sinistro. Ao final da aula eu estava saindo da sala quando o professor segurou em meu braço.

- Porque estava me encarando?

- Hã?

- Me olhou de outra forma hoje...Porque?

- Impressão sua eu não...

- Eu não gosto que me olhe assim.

- Como assim?Porque?

- Porque eu gosto dos seus olhos...

Após ouvir aquilo fiquei hipnotizado na porta enquanto ele se aproximou do meu rosto e de repente deu as costas.

Me dirigi a outra sala em choque, tentando entender o que ele quis dizer com "eu gosto dos seus olhos". Será que ele era viado? Acho que Matt tinha razão. Depois de não conseguir para de pensar no professor, nem vi as aulas passarem e logo já era a hora da saí o Steve,mas não lhe encontrei. Então fui até meu carro e quando eu estava pra arrancar o Steve apareceu na janela.

- Desculpe, eu fui ao banheiro e esqueci de te avisar.

- O que você quer? – Perguntei grossamente

- Será que pode me dar uma carona?

- Ah...Era isso? – riso irônico

- Não, é que a historia é muito longa para te...

- Entra.

Estranhei muito, não parecia nada o Steve que conheço.

- Sua namorada estava te procurando. – Disse Steve

Logo tocou meu celular.

- Alo? Ah...ok amor, também te amo.

- Era ela?

- Sim, ela disse que tinha um compromisso e que teve que ir embora às pressas.

- Brian...

- Sim

- Me desculpe.

- Steve? Não combina com você dizer tal coisa, o que você ta querendo hein?

- Minha mãe morreu há alguns dias, não sei como seguir minha vida Brian...Ela era tudo...agora só restou eu e meu irmão mais velho, afinal você sabe que meu pai nos abandonou.

Steve estava chorando, era impressionante. Não parecia ele, fui tão grosso e rude, e tudo o que ele queria era desabafar...

- Você cresceu sem mãe...Como vou conseguir ser assim também?

- Steve, tire forças de suas ambições. Não fique chorando ou pensando no que aconteceu. A morte é fatalidade, algo que ninguém pode reparar. Seu futuro é o que mais te importa, entendeu?

Olhei fundo aos olhos dele, eram verdes, bem claros e dentre tantas lagrimas estavam azuis e brilhando intensamente. Só vi tristeza em seu olhar. Eu já sabia da morte da mãe de Steve .Ele era meu vizinho,crescemos juntos. Sempre fomos amigos, até o dia em que fiquei com a Mika,há 5 anos atrás,depois disso ele se tornou frio e sempre maltratava todas as pessoas, ele sentiu ódio por gostar da Mika e perdê-la pra mim.

- Sim...

- Quer ir lá em casa? Peguei uns filmes legais ontem!

Eu queria animá-lo. Eu nunca senti culpa por ter ficado com a Mika,eu tinha 12 anos quando tudo começou,era uma criança boba. Mas senti culpa por ter sido tão desconfiado, queria vê-lo sorrir.

- Ok.

Ao chegarmos percebi que meu pai não estava em casa, o que era ótimo já que ele vive me enchendo por qualquer coisa.

- Quer um suco, água, refrigerante?

- Água esta bem.

Levei Steve até meu quarto e coloquei o filme de comedia, pra quem sabe ele melhorasse de astral.

- Nossa Brian...

- O que?

- Como seu quarto está diferente...Naquela época tinha tantos brinquedos aqui, e ali havia um monte de cd's, agora tem muito mais ainda. – Ele disse sorrindo

Como Steve tinha um sorriso bonito, era único, ele nunca mais havia sorrido daquela forma, foi histórico!

- É, eu sou apaixonado por musica né, sempre fui. Senta aqui Steve, o filme já ta começando!

Steve não só sorriu, como riu muito durante o filme. Me senti imensamente feliz, como se tivesse ajudado ele de alguma forma. Conversamos mais do que assistimos.

- Nossa, que filme doido, ri litros, amei Brian!Só você mesmo...

- Super doido né, tem outro aqui, mas é terror.

- Me amarro em terror cara, demorou!

O filme era horripilante, eu estava vidrado!

- Nossaaaa,Steve, você viu aquilo?

Olhei e percebi que Steve estava dormindo no meu ombro. Toquei seu rosto ele parecia um anjo dormindo. Me senti estranho ao fazer tal coisa, logo voltei a minha atenção ao filme.

Ao final do filme Steve acordou.

- Nossa cara, desculpa! Cochilei aqui, eu estava muito cansado não durmo a noites.

- Relaxa, não é a primeira vez que você dorme na minha cama. – Eu disse rindo.

- Que duplo sentido hein?Nunca esqueci todas aquelas noites que passei com você na sua cama! - Ele riu alto

- Dormindo né? - Sorri

- Lógico, tava pensando o que seu safado?

Ele sorria de forma tão hipnotizante...Steve sempre foi tão bem humorado quando criança fazia brincadeiras engraçadas que sempre me arrancavam gargalhadas.

- Obrigada Brian...Agora vou embora, já ocupei muito do seu tempo!

- Que isso, relaxa ai!

- Não, tenho que ir, outro dia será que posso...Vir de novo?

- Não!

- Hã?

- Er, claro que pode né! Quando você quiser. - Eu sorri.

- Que susto, obrigado mesmo Brian!

Levei Steve até a porta e logo vi o meu pai chegando

- Quem é esse?

- É o Steve pai, não lembra?

Típico dele me ignorou totalmente e entrou em casa

- Não fez porcaria de comida nenhuma Brian? Ficou fazendo o que a tarde toda?

- Não deu pai ,eu tava lá em cima com o Steve e...

- Não me interessa onde você estava, eu odeio chegar do trabalho e não encontrar almoço pronto! Olha Brian...

Nesse momento senti que a coisa ia ficar feia, ele franziu a testa e fez cara de pensativo.

- Desculpa pai, eu faço algo ago...

- BRIAN!

Ele gritou. Eu detestava isso, que ele gritasse comigo. Preferia que ele me batesse do que gritasse.

- Não precisa gritar!

- Vou te dizer a real Brian! Você esta com 17 anos, e tudo o que sabe fazer é ir a escola vagabundear e namorar, ou melhor, transar né. Ano que...

- Lógico que não! Sou eu quem administra a casa: lavo, passo, cozinho e faço tudo e namoro sério há cinco anos ok. Nossa...sempre faço tudo pra te...

- ME DEIXA FALAR SEU INUTIL! Ano que vem você faz 18 anos e termina a escola, o que você vai fazer da vida? Não ta esperando que eu baque sua faculdade né? Debaixo do meu teto vagabundo eu não tolero! Durante o tempo em que você não podia trabalhar mas recebia a pensão do banco pela morte da Chris até vai,mas agora chega de ficar lendo livrinhos e ouvindo musicas e vá botar comida na mesa!

- Como é que é? Você dizendo que se eu não arrumar um emprego vai...

- VOU TE BOTAR PRA FORA!

- Você só pode estar de brincadeira! Esta casa não é só sua...

- Eu a comprei depois que Chris faleceu, portanto é MEU patrimônio! Ou você arruma um emprego e começa a trabalhar feito homem ou eu vou...

Não era fácil, como ele ousava me ameaçar de tal maneira. Todos os meses eu recebia uma pensão do banco na qual ele ficava com a metade. Mas depois que eu terminasse a escola eu não receberia mais nada. Ele só me manteve em casa por isso...? Enquanto meu pai falava passava um filme em minha cabeça...Cai em lagrimas e pensei como minha vida poderia ter sido diferente se eu não tivesse matado minha própria mãe. Pensando nisso me descontrolei, peguei o primeiro objeto que vi e joguei na parede, eu estava em fúria.

- BRIAN! Seu inútil...Pare de pagar de machinho destruindo a casa, ou eu te coloco pra fora AGORA!

Ele era tão frio, grosso e me magoava sempre que abria a boca. Subi até meu quarto, peguei todas as minhas coisas e coloquei no meu carro. Alias o único patrimônio que consegui comprar com a herança da minha mãe. Pra onde eu ia? Eu não tinha a menor idéia. Na hora em que eu estava pra arrancar com o carro ele apareceu na porta gritando como sempre.

- Isso, seu assassino, suma!

Liguei o som no ultimo, e a musica que estava tocando era do Gun's, "November Rain". Me desmanchei em lagrimas, dirigindo sem saber pra onde. Peguei meu celular e liguei pro Matt.

- Briaan,tava pensando em você cara, adivinha o que ta passando na televisão? Show do Bullet For My Valentine, eu sei, sua banda favorita, você acredita que...

- Matt...

- Cara, você ta bem?

- Matt,será que posso dormir na sua casa hoje...?

- Brian o que aconteceu?

- Te explico quando chegar ai.

Ao chegar, dei um abraço forte no Matt, aquilo me deu um imenso conformo. Contei tudo o que havia acontecido.

- Nossa cara...Que barra.

- E agora Matt,não sei o que faço!

- Mas você não tem nenhum parente?

Meus avós eram falecidos. Minha mãe era filha única e meu pai tinha alguns irmãos os quais só vi uma vez e que moravam na Alemanha. Mas era estranho ele me perguntar isso, ele sempre soube que eu não tinha ninguém.

- Você sabe que não Matt...

- Sabe o que é cara...Não dá pra você...

- Esta me dizendo não?

- Eu não posso cara.

- Porque?

- Teu pai é um alcoólatra, me desculpe dizer isso, mas com certeza ele virá atrás de você, isso vai criar a maior confusão...

Que decepção! Meu melhor amigo me dizendo não por um motivo tão fútil. Pra onde eu vou agora?

- Tudo bem...Vou ver se tem como eu ficar na casa da Mika.

- Desculpa Brian, mas...

- Tudo bem Matt...Tchau.

Respirei fundo e sai com o carro até a casa da Mika. Como que Matt poderia fazer tal coisa? Na hora em que mais precisei dele recebi um não de cara! Liguei pra Mika, pra tentar ficar menos constrangido ainda em aparecer do nada na casa dela pedindo abrigo.

- Mika, sou eu amor. To indo até sua casa aconteceu umas coisas.

Chegando lá percebi que Mika estava preocupada, fui logo lhe contando tudo.

- Não sei nem o que te dizer amor...

- Mika, como ele pode fazer isso comigo?

- Nossa amor...

- Eu sei que é horrível te pedir isso, mas será que tem como você...

- Brian...Não dá...

- O que...Como assim Mika?

- Você conhece meus pais, eles não vão admitir isso.

Fiquei sem saber o que dizer, não podia forçá-la a isso. Os pais dela tinha uma cultura diferente de nós americanos. Eram japoneses,exigentes a tudo. O pai dela mal me aturava, nem sei porque ousei bater na casa dela pedindo tal coisa, logo me arrependi.

- Ah...

- Porque você não faz as pazes com ele, eu sei que é difícil, mas você não tem escolha...

- É, acho que vou fazer isso.

Já era de noite, eu estava cansado e dirigi de volta até em casa. Parei em frente e encostei a cabeça no banco...Pensando numa forma de acertar as coisas. Mas pra mim era impossível, depois de tudo o que ele me disse. Acabei que pegando no sono e quando me dei conta tinha alguém batendo no vidro, levei o maior susto.

- Brian...Briaaan!

Abaixei o vidro, era Steve.

- Steve?

- Eu ouvi tudo o que aconteceu...Você ta bem?

- Ah...De certa forma

- Olha, eu sei que a gente voltou a se falar hoje...Mas se quiser pode ficar em casa o tempo que precisar!

- Steve...

- Como forma de agradecimento por ter me ajudado mais cedo e porque sei como esta sendo difícil pra você. Não ouse negar! – Ele disse sorrindo

Seu sorriso...

- Mas Steve isso pode trazer problemas pra você, sabe como meu pai é...

- Relaxa, isso não importa!

- E seu irmão cara, será que ele não vai...

- Brian! Para, meu irmão é de boa com toda certeza vai entender. Alem disso, eu o ajudo com as contas da casa. Portanto eu banco toda a responsabilidade.

Steve...a ultima pessoa no mundo na qual eu achava que me daria apoio numa hora dessas. Me convidou a ficar o tempo que quisesse? Nossa...será que eu estava sonhando?

- Steve...obrigado cara!

- Que nada, coloca seu carro lá na garagem.

Guardei o carro na garagem e entrei na casa de Steve. Estava tudo tão diferente, afinal há anos que eu não pisava ali.

- Oi Brian – Era o irmão de Steve

- Oi...?

- Thomas!

- Nossa desculpa Thomas, eu não lembrava mais seu nome.

- Tudo bem, não se preocupe com isso.

- Mano o Brian vai passar a noite aqui, alias ele vai passar um tempo aqui.

- Devido às brigas?

- Sim mano não se incomoda né?

- Não, é até bom pelo menos ele te faz companhia.

- Viu Brian, tudo resolvido.

- Puxa, muito obrigada – lagrimejei.

- Relaxa cara, eu já ouvi suas discussões com seu pai, posso imaginar como é difícil pra você. Só preciso que você nós ajude com a oficina.

- Thomas!

- Deixa Steve, isso é ótimo, eu ocupo meu tempo e ajudo vocês.

- Eu posso te dar um salário pequeno, pode ser?

- Ótimo, obrigado mesmo. Mas olha só, eu não manjo muito disso.

- Eu te ensino Brian. – Steve sorriu

- Ok, vou me esforçar hein!

- Agora leve suas coisas lá pra cima e seja bem-vindo a sua nova casa amigo.

Amigo? Sim, era isso que Steve estava sendo pra mim, alias muito mais que um amigo.

- Agora que já guardamos todos os seus pertences e eu já te apresentei a casa vou te explicar como vamos fazer todos os dias, exceto aos domingos. Depois que você chegar da aula a gente almoça e corre pra oficina. Por enquanto eu vou te passar tarefas fáceis como tirar e colocar peças. Depois as 18hrs fechamos e meu irmão fica lá pra finalizar as tarefas administrativas e nos voltamos pra casa, ok?

- Otimoo!

- Agora durma bem, porque amanha mesmo já vamos começar!

- Beleza... mas Steve, aonde eu durmo? Só tem uma cama. – Eu ri

- Ah cara, nós crescemos. Mas vai ter que continuar dormindo na minha cama – Ele riu alto

- Serio? Vê se não ronca hein!

- Ah, não zoa. Pior você que se bate à noite toda.

Me deitei junto a Steve na cama dele. Felizmente era de casal. Rezei e pensei "que loucura" eu aqui, na casa de Steve,morando aqui. Parece mentira, sonho tudo menos a realidade. Logo amanhece e o despertador toca.

Continua...