"É um daqueles motéis de nível baixo na esquina da 4ª Av. com a Rua Freemont."

E lá estava eu. Vinte e poucos anos, recém formada em advocacia. Atrás de um emprego. Precisava de dinheiro; se não pagasse o aluguel do apartamento até o final do mês, eu seria despejada. E então seria obrigada a voltar para a droga da cidade onde nasci. Eu realmente estava precisando de um emprego, qualquer um, precisava de dinheiro. Nunca havia estado num lugar daqueles antes. Qualquer católico se benzeria ao entrar. Meu estômago parecia um picadeiro. Agitava-se a cada segundo.

Há cerca de uma semana, e simplesmente entrei na firma dele. Á procura de um emprego. Assim que me apresentei e disse o motivo que me levara até lá, a moça que me atendeu disse que não havia vagas. De repente, ele abriu a porta de sua sala e gritou "Preciso de Assistente". Eu me animei. Ele me chamou à sala dele. Ele pediu para ver meus papéis e documentos. Olhava para minhas pernas. Havia escolhido um péssimo dia para usar meias-calças pretas. Ele me olhou novamente, e piscou os olhos verdes.

- Consigo um emprego para você. –falou ele, pensativo.

- Verdade? –eu perguntei ansiosa. –O senhor não sabe o quanto que eu preciso desse emprego!

- Claro, claro... Mas as coisas não saem de graça. Tem uma condição. –ele disse num tom de mistério.

- Ah é? E qual é? Eu faço o que o senhor pedir. –eu disse ainda animada.

- Durma comigo. Apenas uma noite. E o emprego será seu nesta segunda.

- Como? –eu perguntei inocente.

- Você entendeu. Pense. E me encontre nesse local, amanhã às onze. –ele disse, rabiscando um papel. Em seguida me entregou. –Lembre-se, é isso ou não tem a vaga, menina. Agora vá.

Eu me virei, e saí da sala. Estava pensativa. Talvez assustada. Pensei, pensei, pensei a noite toda nisso. E a voz horrorosa daquela velha a qual eu deveria pagar o aluguel martelava em minha cabeça.

- Pague o aluguel ou vá pra rua menina!

Resolvi aceitar. Realmente precisava.

Eram dez horas da noite seguinte quando saí do prédio à procura de um táxi. Levava uma bolsa dourada e usava a mesma meia-calça. Só que desta vez estava enfiada num tubinho preto, que não chegava nem a dois palmos antes do joelho. Consegui este com a vizinha do andar de baixo.

Quando finalmente peguei o táxi, eu entreguei ao motorista o papel que o advogado havia me dado no dia anterior.

- Esquina da 4ª com a Freemont? –perguntou o taxista gordo.

- Exato. Não vá com pressa. –respondi.

Demorou um pouco para chegarmos, e a corrida saiu cara. Ao descer do táxi, eu avistei um carro preto. Só podia ser ele. A rua estava escura e deserta. Era iluminada apenas por uma placa de néon vermelha que indicava nosso "Motel". Ele buzinou. Eu entrei no carro. Ele cheirava bem.

- Espero que você valha à pena. Tive que dizer que era uma reunião. E que havia a conhecido estritamente como negócios. A pobre Senhora continuará com o advogado adúltero. –e depois de dizer a ultima frase, soltou uma risada amarga.

E nós entramos.

Lá estava eu. Levava comigo um rosário, dentro de minha lingerie. Mas eu teria um emprego na firma esta segunda. Pobre virgem.

Oh, que maravilhosa caricatura de intimidade.

Não há gotas de chuva nas rosas e garotas de vestidos brancos dormindo com baratas e tendo oportunidades ruins. À sombra dos lençóis antes de todas as manchas e um pouco mais de suas coisas menos favoritas.