AAAAAAAAAAAAAAAAAH! ÚLTIMO DIA DE FÉRIAS! MINHAS FÉRIAS FORAM BOAS DEMAIS! EU NÃO QUERO VOLTAR PRAS AULAS! Não quero, não quero, não quero, não quero, mas oh, o que fazer, não?

Gente, eu to no terceiro ano. Dá pra acreditar numa coisa dessas? Daqui a um mês eu vou estar fazendo 17 anos! E a fic vai estar fazendo... 3? Nossa mãe! Três anos demorando para postar os capítulos, três anos de fic interrompida por autora de castigo, três anos de capítulos gigantes, três anos de reviews dos meus queridos leitores! Obrigada gente, por não desistirem de mim! Mesmo que eu geralmente fique meses sem postar e depois apareça com a maior cara de pau com um capítulo meia boca.

Chega, chega, vamos ao que interessa! Capítulo 12, meio melodramático demais pro meu gosto, mas bem, fazer o que? A última cena do capítulo com a Lily e o Hugo, que vocês vão ler depois, eu escrevi quando eu tinha doze ou treze anos com a minha irmã para a primeira fic que eu escrevi na minha vida inteira! A fic era ruim que dói, mas a cena era boa. Então eu apresento a vocês... Primeiros momentos de Leca B. e sua irmã! Aushaushuahsuahsausha (editados, não se preocupem).

Agora, eu vou contar um segredo pra vocês. A Mylle Evans me comentou sobre o Chris Chambers nos reviews, e eu me dei conta que eu tinha ESQUECIDO QUE CHIRS CHAMBERS EXISTIA! (-LE GASP-) PASMEM! A verdade é que eu comecei a fic quando eu tinha uns quinze anos e naquela época eu não... Sei lá, escrevia tão bem (eu acho) quanto agora, e eu botei um milhão de personagens na fic e à medida que eu fui escrevendo, eu fui me esquecendo deles, porque na verdade, eles não fazem falta! E o enredo da fic sofreu mudanças tão drásticas, que na verdade muita coisa mudou e personagens que eram importantes antes perderam a função. Aí eu tive que dar um jeito e usá-lo de outra forma. Então, atendendo pedidos, eu fiz um remendo nesse capítulo quanto a isso, mas eu vou deixar claro nesse N/A que eu vou dar mais importância aos personagens principais, e vou deixar os secundários muito de plano de fundo, porque na verdade é isso que eles são.

De qualquer forma, capítulo está aí, divirtam-se!

"Aniversários são bons pra você. Estatísticas mostram que pessoas que tem o maior número de aniversários são as que vivem mais."

Larry Lorenzoni

Capítulo 12

Feliz Aniversário – Faça Um Pedido

Na manhã do dia 2 de Janeiro eu acordei às cinco da manhã com meus pais me encarando.

Imagine só, abrir os olhos e dar de cara com dois sorrisos macabros de tão felizes a um palmo do seu nariz, sendo iluminados apenas por uma luz amarela de baixo do queixo. É, foi uma imagem e tanto. Eu dei um berro e voei pra parede, agarrada no meu travesseiro.

- Calma, calma amor! Somos nós! Mamãe e papai! – minha mãe tentou me tranqüilizar.

- Eu falei que isso era macabro. – a voz do meu irmão Al soou de trás deles.

- Shhh! – papai calou-o e depois se virou pra trás – James! James, acorda!

- Uhm... Angie... – ele resmungou, totalmente desmaiado no chão.

- James! – mamãe gritou.

- Pro campo, time! – ele falou, sentando e levantando o braço pro alto, depois desabou no chão e voltou a roncar.

- Ah, bem...

- Posso ir dormir de novo? Já que a Lily está traumatizada demais pra ouvir o parabéns.

- Parabéns? – perguntei confusa.

Todos me olharam de repente, como se recém tivessem notado que eu estava lá e depois começaram a bater palmas e a cantar "parabéns pra você". Eu olhei para o que a minha mãe segurava e vi que a luz vinha de velas cor de rosa espetadas em um bolo de aniversário semi-destruído de glacê azul e amarelo. Como tudo que a minha família produzia sem ajuda, era um bolo realmente estranho, sabe, não era exatamente redondo e parecia ter sido remendado várias vezes, em alguns lugares o glacê tinha se juntado e ficado verde, dando um aspecto de mofo nele. E tinha escritos! Eu mencionei que tinha algo escrito? Pois é, em vermelho, em letras desproporcionais, estava desenhado: "Felis 'niver, Lilu."

- Lilu? – eu falei, fazendo uma careta incrédula.

- Eu disse que ela ia notar, Ginny. – papai brigou com a mamãe.

- O que você queria que eu fizesse? Deixasse aquela perna do y cortando o... Quem foi que escreveu feliz com 's'? – ela gritou, olhando pro bolo sem acreditar.

- Foi o James! – Al dedurou, apontando para o meu irmão mais velho, que estava estirado no chão roncando. E depois fez uma careta - Aquilo ali é mofo?

- Não, é só glac... Peraí. Não, não, é só glacê, sim.

- E eu acreditava que meus filhos eram alfabetizados... – mamãe resmungou, batendo a mão na testa.

- Nós somos alfabetizados! – Al defendeu. Depois deu uma olhadinha no James e com uma careta, consertou – Eu sou alfabetizado!

- Al, não deboche do seu irmão. – papai mandou.

- Tudo bem, tudo bem, ele não é analfabeto. Ele sabe escrever o próprio nome direitinho!

- Peraí, peraí... – eu falei, chamando a atenção de todos. Bem, James não, ele ainda estava babando no meu tapete. – Quê que tá rolando? Não é meu aniversário.

- Sabemos disso, querida. – mamãe disse, dando um tapinha em minha mão – Mas você já estará na escola quando for seu aniversário, então resolvemos comemorá-lo antes! – ela disse abrindo um sorriso "olha-como-eu-sou-inteligente".

- Dá azar comemorar o aniversário antes da data. – Al informou.

- Sabe o que dá azar? Ser supersticioso! – mamãe rosnou. Depois se virou para mim toda sorridente de novo. – Assopre a velinha, princesa!

Nesse momento, descobri que minha mãe é bipolar.

Eu fiquei dividida entre agradecer pela consideração e xingar por terem me acordado às cinco da manhã pra me dar um cagaço daqueles e me obrigar a comer um bolo gosmento com jeito de mofado. Então eu fiz a coisa mais racional. Eu segui o exemplo do meu irmão James. Enfiei a cara no travesseiro e voltei a dormir. Ou pelo menos tentei.

- Lily? – papai chamou.

- Querida? – mamãe me cutucou.

- Eu falei que era uma má idéia. – Al disse, dando meia volta e saindo do quarto.

- Será que ela ficou chateada por causa do 'felis' do James?

- Não, tenho certeza que foi por causa do 'Lilu'.

- Harry!

- Ginny!

- James! – James gritou de repente, como se tivesse respondendo a chamada.

Todos olhamos pra ele. Ele olhou em volta, viu que não era nada, grunhiu e saiu se arrastando do quarto. Mamãe e papai saíram correndo atrás dele exigindo que ele me desse parabéns. Felizmente, eles levaram o bolo junto. E depois de toda essa comoção, eu fiz o que qualquer garota normal teria feito.

Afundei a cara no travesseiro e voltei a dormir, é claro. Só fui acordar horas depois, com os berros da minha mãe que ressoavam pela casa inteira. Algo muito parecido com isso:

- LILY! JAMES! AL! LEVANTEM LOGO! ESTAMOS ATRASADOS! AI QUE PORCARIA, EU VOU QUEBRAR AQUELE DESPERTADOR FILHO DA... JAMES, ACORDA! AL ANDA LOGO! LILY! VOCÊS TEM CINCO MINUTOS PRA SE ARRUMAR PRA ESCOLA!

Eu me sentei na cama de supetão.

Escola?

Ah, não...

A verdade é que eu não queria voltar pra escola. Bem, não que eu não quisesse, é mais que eu estava com um pouco de receio. Eu estive adiando pensar sobre isso todo o resto do feriado, me ocupando com outras coisas, como ajudar a Rose a pensar em um jeito de terminar com o Raphe gentilmente, servir de manequim pras roupas da Dominique e comprar os presentes atrasados de Natal pros meus amigos. Toda vez que alguém comentava a escola eu desviava o assunto. Adiei a arrumação do meu malão até ontem de madrugada. Eu enrolei tudo o que pude, me fiz de cega, me fiz de idiota, escondi meus calendários e tirei meu relógio. Fiz tudo para não ter idéia de quando as aulas voltariam. E talvez seja por isso que me pegou como um tijolo na cabeça.

Okay, eu vou admitir, por mais ridículo que isso pareça, e por mais que a minha mãe me condenaria por isso...

Eu não quero voltar pra escola porque eu vou ficar encontrando o Nate em todos os cantos! E não é só isso! EU sei que o meu irmão tava me sacaneando, mas o James não sabe que eu sei que ele tava me sacaneando. O que significa que ele vai continuar tentando empurrar o Nate pra cima de mim. Quer dizer, isso se o Nate não resolver contar para ele que eu já sei o que eles aprontaram. E isso ia ser tenso. Meu Deus, tenso demais. E como se não bastasse tudo isso, tem o Will ainda. O que é que eu ia fazer com o Will?

Eu me atirei de novo na cama, e fechei os olhos, grunhindo em decepção.

É melodrama demais pra uma pessoa só!

- Até a Páscoa, querida. – mamãe falou, passando o meu malão para James, e fazendo-o carregá-lo pra dentro do trem, me abraçando depois. Ela deve ter notado o jeito como eu demorei demais a abraçando de volta, porque levantou a cabeça para me olhar com um jeito preocupado. – Tudo bem, Lily?

- Sim. – falei, suspirando e sorrindo, embora eu quisesse gritar "NÃO! EU NÃO QUERO VOLTAR! ME LEVA PRA CASA!" Ela sorriu um pouco confusa, mas pareceu perceber que eu estava apreensiva por alguma coisa. Mamãe me segurou pelos ombros e perguntou calmamente:

- Lily, o que há?

Eu levei inteiros três segundos para decidir se eu contava ou não pra ela.

- Lily? – sacudi minha cabeça, e sorri.

- Nada, mãe. Só... Nada. – ela ainda me olhou desconfiada por algum tempo, mas desistiu e me abraçou mais uma vez.

- Qualquer coisa, escreva. – balancei a cabeça afirmativamente e ela me soltou. – Tchau, querida.

- Tchau, mãe. – corri até meu pai, que estava ajudando Fred a colocar os últimos malões a bordo, e o abracei. – Tchau, pai!

- Tchau, filhote. – falou, beijando minha cabeça. Eu saltei pra dentro do trem, e abanei uma última vez para toda a minha família esperando na estação.

- Oi, Lily, nós vamos estar aqui! – Al falou, apontando para uma das portas abertas no corredor. Eu balancei a cabeça afirmativamente ele entrou. James também não estava em nenhum lugar que eu visse.

Com um movimento brusco que me jogou de encontro à parede, o trem começou a se mexer. Esperei um pouco até ele estabilizar, e depois comecei minha jornada em busca de uma cabine. Andei devagar pelo corredor, abrindo portas e procurando meus amigos. Vi Jasmyn Wittingham sentada com duas garotas da corvinal, vi Gabi Hart e Felicia White (eterno rolo do Fred desde o quinto ano), vi Johnattan Cruise e Kyle Alden (os dois melhores amigos do Louis), e vi até o time de quadribol inteiro da Lufa-Lufa reunido dentro de uma cabine em uma reunião para discutir táticas de jogo, mas depois de meia hora olhando entre cabines... Nada de Liz, nada de Erika, nada de Casey, nada de Andy. Eu não tava achando nem o Hugo! Na metade do caminho o sono de ter sido acordada às cinco da manhã me pegou, e eu simplesmente desisti de procurar por eles. Abri a primeira porta que eu encontrei que não estava totalmente cheia, e entrei. Do lado de fora dava pra ver que só tinha um garoto dentro.

- Licença. – resmunguei, já empurrando meu malão pra dentro do compartimento.

- Sem problemas. – ele respondeu. A voz me soou levemente familiar, mas eu estava um pouco ocupada demais tentando botar o meu malão no maleiro (isso soou redundante) pra olhar quem era. Depois de uns dois minutos tentando levantá-lo, e me estrebuchando a ponto de ficar roxa do esforço, o meu adorável companheiro de cabine resolveu se mexer.

- Aqui, deixa eu te ajudar. – ele falou com uma risadinha, pegando o meu malão como se fosse uma mochila e jogando-o sem cerimônia na prateleira. Eu bufei baixinho em despeito, mas não estava realmente brava. Virei-me para agradecê-lo.

- Obrigada... – e quando finalmente olhei seu rosto, notei quem era de cara. – Chris? – ele sorriu para mim em reconhecimento.

- Oi, Lily.

Eu abri a boca em choque e surpresa. Chris Chambers. Meu Deus. Chris Chambers na minha frente. Chris Chambers a cinco centímetros de distância de mim, com todo aquele cabelo castanho escuro, e aqueles olhos azuis esverdeados tão perto de mim que me faltou ar. Eu não o vejo desde... Meu Deus, desde o final de Outubro. Desde que essa... Bagunça toda com o Nate começou. Quer dizer, claro que eu o via no Salão Principal, mas na verdade eu realmente não o vi muito além disso. Nem mesmo no salão comunal. Mas agora ele estava ali bem na minha frente com todo aquele charme confiante e masculino direcionado a mim e, bem, meus joelhos se afrouxaram um pouquinho. Eu tive que me dar um tapa na cara mentalmente pra me acordar. Pisquei uma porção de vezes, e depois finalmente lembrei que eu não sou retardada e sorri.

- Oi, Chris. – falei, rindo nervosamente. – Quanto tempo que eu não te via. – ele sorriu de volta. E deixa eu te contar, ele tem um dos sorrisos mais charmosos e másculos que eu já vi na vida.

- Não é? – ele respondeu despreocupadamente, e sentou. Minhas pernas se dobraram automaticamente e eu caí no assento em frente com um baque. – Como vai?

- Bem. – falei com uma voz fininha. Ele pareceu confuso por um segundo, como se estivesse se perguntando por que eu estava agindo tão estranho. Eu tossi e repeti, numa voz normal. – Bem. E você?

- Ocupado. Passei metade do ano passado enfurnado na biblioteca. Estudando pros NIEM's.

- Ah, é mesmo! – exclamei. – Você vai fazer o que?

- Eu pretendo ser curandeiro. – ele disse, com aquele mesmo ar seguro de sempre.

- Prevejo um aumento no número de acidentados do sexo feminino no futuro. – falei, divertida. Ele balançou a cabeça, sorrindo pra mim como se me repreendesse.

- Eu certamente espero que não.

- Espere só. – prometi, fazendo cara de sabe-tudo. Ele riu.

- Ainda não é nada certo. Falta fazer o exame de seleção. E dizem que o curso é muito difícil.

- Com um cérebro como o seu, Chris, esta vaga já é sua. Na verdade, que vaga o que, o hospital é seu! – um dos lados de sua boca se levantou em um sorriso torto.

- Você não acha um desperdício?

- Não, eu acho legal. – falei sinceramente.

- Você é a única.

- Que? – perguntei com uma careta. Ele suspirou e virou o rosto para encarar a paisagem pela janela.

- Todos ficam dizendo que eu estou jogando minhas habilidades fora. Que eu devia ir pro Ministério. – ele franziu o cenho e crispou os lábios em desprezo – Passar o resto da minha vida atrás de uma escrivaninha? Não, obrigado.

- Bem, não importa que carreira eu escolha, ninguém vai me acusar de jogar habilidades fora, porque, bem, eu não tenho nenhuma. – eu falei com sinceridade, e ele riu.

E é verdade. Meu futuro provavelmente estava atrás de uma escrivaninha no Departamento de Regulamentação de Licenças de Ratos de Estimação ou algo chato assim. Eu não ia nem acabar na Regulamentação de Licenças pra Aparatar, porque isso tinha uma remota possibilidade de ser interessante, com todas aquelas pessoas se estrunchando e tudo o mais. Não vou nem comentar sobre as vassouras. Não, eu ia ficar com o departamento mais chato, mais inútil, mais sem noção e sem requerimentos do mundo. É, Lily, que futuro legal te aguarda. Mal posso esperar, mesmo. Vou me divertir a beça. Yupi.

- Não se menospreze, Lily, todos temos uma habilidade. – ele falou sorrindo para mim como se estivesse ensinando a uma criança que a terra é redonda.

- Bem, eu sei a letra de London Bridge Is Falling Down de cor, e sou uma exímia jogadora de amarelinha, e eu também sei assobiar o hino nacional. Quer saber? Você está certo. Eu tenho habilidades. Elas só não são úteis. – Chris apenas me olhou divertido, um brilho talvez um pouquinho maldoso detrás daqueles olhos esverdeados.

- Bem, alguma coisa você tem, Lily, porque tem algo em você que deixa as pessoas... – ele deixou isso no ar. Abriu um sorriso torto e balançou a cabeça, como se o pensamento fosse bobo.

- Deixa as pessoas como? – perguntei confusa. Ele levantou os olhos pra mim, ainda com aquele sorriso de canto de boca, e falou misteriosamente.

- Isso, Lily Potter, é pra nós sabermos, e pra você se perguntar.

Abri a boca para perguntar do que ele estava falando, quem era nós e o que diabos tinha em mim que deixava as pessoas sei lá como, mas nesse momento a porta da cabine se abriu, e uma garota que eu reconheci como sendo uma monitora da corvinal meteu meio corpo pra dentro. Eles trocaram meia dúzia de palavras rapidamente, e ele suspirou exasperadamente, resmungando algo como "meu irmãozinho...". Levantou, desamassou a roupa, e se dirigiu até a porta. Quando estava quase fora do compartimento, ele se virou pra mim, com a mão na porta e outro dos seus sorrisos enigmáticos.

- E então, Lil, o que você acha da minha escolha de carreira? – eu não entendi exatamente por que ele estava fazendo essa pergunta, mas respondi sinceramente.

- Eu acho que você está certo. – falei – Você tem que fazer o que mais deseja. É aquela famosa frase cafona: Escute o seu coração. – por um momento, seu rosto se iluminou, como se ele estivesse esperando que eu dissesse isso o tempo todo.

- Eu acho... – começou, e depois me olhou com aqueles olhos azuis esverdeados, tão intensos que eu imaginei se entre aquelas milhões de habilidades que ele tinha, uma delas não seria legilimência – Que você, Lily Potter, tem que começar a ouvir seus próprios conselhos.

- Lily! Lily! LILY POTTER!

Dei meia volta procurando de onde os gritos estavam vindo. Não demorou muito para achar Liz, Andy e Casey correndo na minha direção, puxando os malões. Sorri aliviada de finalmente vê-las. Fui me arrastando até elas, meio feliz por ter minhas amigas de volta, meio apreensiva por causa de quem eu poderia encontrar no caminho. Balancei a cabeça afastando o pensamento. Chega de pensar negativo, Lily. Pensar negativo atrai coisas ruins, lembra? Ensinamentos de tia Audrey. Vamos botá-los em prática.

- Oi! – gritei de volta, sorrindo, segundos antes de ter Liz se atirando em cima de mim e quase me derrubado no chão.

- LILY! VOCÊ ESTÁ BEM?

- Estou, por que eu não estaria? – falei rindo. Ela levantou seus profundos olhos azuis e me encarou seriamente por um segundo inteiro, e eu sabia que ela sabia. – Como é que você sabe? – perguntei sombriamente.

- As pessoas falam, meu bem. – ela disse, rindo sem humor. – Essas coisas nunca acabam bem. Sempre que a gente se arruma toda e sobe num salto, pode anotar, vai dar merda. – sorri de volta amargamente.

- Você podia ter me dito antes de eu ter ido, Liz. - ela me deu um tapinha no ombro e saiu da frente. Andy me abraçou.

- Hey. – ela disse suavemente.

- Hey. – respondi com um suspiro.

- Você planejava me contar isso exatamente quando? – perguntou, com um sorriso torto.

- Agora. – admiti – Mas acho que não preciso me preocupar.

- Por que vocês brigaram? – ela questionou, meio curiosa, meio preocupada. Franzi as sobrancelhas, confusa.

- Vocês não sabem?

- Não. Tudo o que as pessoas estão falando é que vocês terminaram. Por causa de alguma coisa que ele fez. A versão mais aceita é que ele te traiu porque achou que você tava traindo ele com o Will Adams.

Eu resisti à tentação de bater a mão na testa. Número um: Eu e Nate não estávamos namorando pra ter terminado. Número dois: Se não estávamos namorando, não tem como ninguém ter traído ninguém. Número três: Trair o Nate com o Will Adams? Por favor. Eu mal falo com ele. Diga-se de passagem, eu só falei com ele umas três vezes na vida, sendo que o baile foi a única vez que nós conversamos de verdade. Número Quatro: NÓS NÃO ESTÁVAMOS NAMORANDO, PORRA!

- Tá legal. – falei, respirando fundo. – Vamos achar uma carruagem que eu conto o que aconteceu.

Assim que terminei meu relato sobre as férias de inverno do inferno, eu tive várias reações diferentes. Elizabeth abriu a boca e prontamente começou a soltar um fluxo de palavrões que deixariam um marinheiro envergonhado. Casey levou as mãos à boca, em choque, e fez uma cara de "que peninha". Erika, bem, ela não fez muito, mas balançou a cabeça o tempo todo em que a Liz soltava os palavrões. Andy ficou bem quieta no canto dela, o único sinal de que ela não estava contente com a situação eram os lábios crispados e os braços cruzados.

- Foi isso que aconteceu. – concluí, dando de ombros como se não fosse nada demais.

- Mas que audácia daquele filho da puta! Quem ele pensa que é? – Elizabeth continuava gritando, jogando os braços pra cima e gesticulando muito. – Só eu posso sacanear as minhas amigas! Ele vai ver só! – consegui não revirar os olhos para a última parte.

- É, Lils, um gato daquele te dando mole tinha que ser mutreta. – Erika falou balançando a cabeça.

Todas nós olhamos pra ela.

- Que é? – ela perguntou, dando de ombros. – Vamos ser honestas, meninas, olha pra nossa Lils... E olha pro Nathan.

As quatro soltaram um suspiro e começaram a balançar a cabeça concordando.

- Porra, valeu, meninas! – exclamei e elas correram a se desculpar.

Olhei pra Casey por um segundo, ela era a única que não tinha se manifestado ainda. E pra falar a verdade, ela não parecia indignada, parecia mais pensativa. Com um suspiro ela me olhou com aqueles grandes olhos verdes cheios de esperança.

- Será que você não pode ter se enganado, Lils? Porque ele parecia tão legal, e ele parecia realmente gostar de você.

- Tu não ouviu o que a criatura falou meia hora atrás, Casey? – Liz gritou, pulando no banco pra encará-la. – Aquele cachorro sem vergonha sacaneou a Lily!

- Eu sei, mas... Às vezes nós estamos tão certos de alguma coisa, que interpretamos errado o que os outros nos dizem. – ela falou docemente. – Você tem certeza que ele estava mesmo te enganando? – suspirei, massageando as têmporas.

- Tenho, Case. – foi a vez dela suspirar e se encostar de novo no banco.

- Eu não entendo. – disse, inconformada - Todas as vezes que ele foi legal com você... Aquela vez que ele brigou no Três Vassouras por sua causa, lembra? Não dá pra fingir essas coisas...

- Aparentemente... – eu disse friamente. – Dá, sim.

Olhei pra Andy. Ela continuava sem dizer absolutamente nada, apenas me encarando com uma frieza calculista nos olhos. Foi um pouquinho desconcertante, teria sido muito mais se aquele olhar estivesse sendo dirigido diretamente a mim. Mas eu sabia que não era. Por um segundo eu quase senti pena do Nate. Ela levantou o queixo em um gesto que a fez parecer tão... Sonserina, que até deu medo. Ela abriu a boca, e falou no tom mais imparcial, mais natural que existia no mundo:

- Você quer se vingar?

Se não fosse aquele olhar perfeitamente assustador na cara dela, eu teria dito que sim sem pensar duas vezes. Mas sério, o olhar na cara da Andy estava me passando a sensação de que ela não ia simplesmente jogar uma gosma verde na cabeça do Nate, tava mais pra mandar acabar com a raça dele. Sim, eu estava brava. Sim, eu queria me vingar. Mas aí a cometer assassinato... Não é a minha praia. E eu espero sinceramente que não seja a da Andy, porque essa Andy "el matador" tá me assustando pra cacete. Eu ri, contorcendo a barra da minha saia nervosamente.

- Pode deixar comigo, Dee. – ela deu de ombros e voltou a encarar a paisagem pela janela.

Chegar no castelo foi... Ruim pra dizer o mínimo. Por onde quer que eu passasse tinha gente sussurrando, e eu podia adivinhar o que eles falavam. Algo entre "dá pra acreditar naquela vadia traindo o pobre Nate?" e "dá pra acreditar que aquele cachorro traiu a pobre da Lily?". É, para meu consolo e humilhação, Elizabeth tinha me contado que tinha gente que "estava do meu lado". Pois é. Um bando de gente estranha estava bisbilhotando na minha vida e decidiu que eu não era a culpada por ter terminado com um relacionamento que não existia. Grande alívio.

Não.

Ir até o salão principal foi um exercício de auto-controle. A caminhada inteira até lá eu estava arrastando minhas pernas, tentando combater o instinto natural que elas tinham de sair correndo na direção oposta. Eu tinha que ficar me parando e me dando um tapa na cara mental pra continuar andando. Tinham duas vozes na minha cabeça que basicamente ficavam gritando alternadamente "Corre" e "Continua". Eu não sei se pra sorte ou azar, minhas amigas estavam muito mais do lado da "Continua" e de um jeito ou de outro eu cheguei lá.

É por causa de momentos como esse que concluí que eu fui uma grandíssima filha da puta que sacaneou todo mundo numa vida passada. Eu não podia entrar despercebida. Eu não podia sentar à mesa da Grifinória sem chamar atenção. Eu não podia ficar quietinha no meu canto de cabeça baixa evitando olhar em volta pra não ter que ver quem eu não queria. Não, no segundo em que eu pisei no salão principal, Daphne Williams gritou meu nome e saiu correndo na minha direção para me dar as boas vindas, chamando a atenção da escola inteira. Eu nunca estive menos feliz de falar com ela em toda a minha vida. Ela ficou falando pelos cotovelos e gritando coisas em espanhol e eu só balançava a cabeça concordando, tentando não fazer uma cara de enterro. Acho que eu não consegui, porque deu uns cinco minutos e o Shawn apareceu do lado dela e pediu desculpas pelo barraco, e saiu arrastando a Daph de volta pra mesa da Sonserina, mas não sem ela antes gritar que falava comigo depois, que queria saber cada detalhe do que aconteceu nas férias de inverno.

Eu fechei os olhos como se tivesse levado um tapa na cara. Se tinha uma coisa de que eu não queria falar eram as férias de inverno, muito menos na frente da escola toda, que já começava a resmungar mais alto do que antes. Elizabeth deu um tapinha nas minhas costas.

- Sacode a peruca e vai, mulher! – ela murmurou pra mim, me dando um empurrãozinho.

Mas claro que não podia ficar só nisso.

Eu repito, eu fui uma GRANDISSÍSSIMA filha da puta na outra vida, porque não tem como ter tanto carma ruim acumulado em treze anos de existência. James me chamou. Meu querido e adorado irmão mais velho James, quem eu não tinha perdoado totalmente por ferrar a minha vida, me chamou bem alto para todo mundo ouvir. Eu tentei ignorar, seguindo até o meu lugar usual da mesa da Grifinória entre os terceiranistas, mas não. Ele continuou gritando meu nome, até as pessoas começarem a me olhar esquisito, como se me perguntando se eu não ia responder. Eu fiz uma careta, porque eu já sabia o que vinha a seguir, e olhei pra ponta da mesa, pra onde ele estava sentado.

O que quer que seja que o James falou, eu nunca vou saber, porque no momento que eu virei a cara, meu olhos não se bateram nos dele. Não, foi um pouco mais pro lado. E em vez de ver a cara do idiota do meu irmão, eu vi a cara do idiota do Nate.

Ver o Nate foi... Estupidamente doloroso. Era como ter toda a humilhação de ter ele me enganando toda jogada na minha cara. Era como sentir toda aquela raiva e a frustração e a vergonha explodindo debaixo da minha pele, fortes o bastante pra me fazer tremer de fúria. Era tão estranho ter todas aquelas emoções se passando pela minha cabeça, porque eu nunca tinha sentido tantas coisas ao mesmo tempo na minha vida, e a bagunça que elas causaram foi o suficiente pra mexer com o meu cérebro. Eram tantas sensações borbulhando no meu peito, que eu me sentia pronta pra explodir. Eu estava tão furiosa que eu podia ter começado a rir. Se é que isso fazia algum sentido.

Eu consegui colocar tudo aquilo em um olhar raivoso. E tenho certeza que foi um dos bons porque no momento que eu o fiz, Nate fez uma careta de quem tinha levado um soco. "É isso aí" eu queria dizer "Vai se acostumando, amor, porque é só isso que você vai ganhar no futuro". Quando ele abriu os olhos de novo, ele estava sério, e talvez, um pouco magoado. Mas em toda a minha fúria tudo o que eu conseguia pensar era que era mesmo bem feito, e que se ele estava sentindo muito por o que ele fez, melhor ainda! Eu ia pegar e transformar em arrependimento. Profundo, enlouquecedor, amargurado, destrutivo arrependimento. Ele ia amaldiçoar o dia em que mexeu com Lily Potter.

Foi depois desse pensamento que eu me perguntei quando eu tinha começado a soar como uma maluca psicótica, mas eu me dei conta de que eu nunca tinha sido muito boa da cabeça.

Na minha direita, Liz começou a xingar Nate de novo. Andy sussurrou no meu ouvido:

- Eu espero que você tenha uma boa na manga.

Eu olhei pra ela surpresa, e estava prestes a responder que eu estava aceitando sugestões, quando algo atrás dela chamou a minha atenção. Atrás da Andy uma garota da Corvinal tinha começado a brincar com uma corrente de prata. A luz atingiu o pingente no ângulo certo pra ser refletida direto no meu olho. Foi o suficiente pra me fazer olhar, mas não foi o que me fez ficar olhando.

Porque atrás da garota da Corvinal estava sentado um bando de quintanistas da Sonserina, sussurrando entre si e gargalhando de alguma piada idiota que um deles tinha feito. Eu podia ver sentados entre eles Theodore Carsburry e Henry Hargrove. Georgie Webb estava mais afastada, conversando com Gwen Norrington e algumas sextanistas. Alguns conhecidos, mas nada demais. Vi Henry sorrir debochado para alguma coisa e cutucar alguém do seu lado. Foi só aí que eu notei quem estava sentado do lado dele, e que ele estava sorrindo debochado era pra mim.

Naquele segundo, meus olhos cruzaram com os de Victor Heintz.

E eu não consegui segurar o sorriso mais ou menos malvado que se abriu no meu rosto.

- Eu tenho. – falei para Andy – Eu realmente tenho.

Ela seguiu meu olhar e assim que viu sobre o que eu estava falando, sua cabeça voou de volta pra mim. Ela me encarou repreensivamente.

- Lily... Eu não gosto do rumo que seus pensamentos estão tomando...

- Observe.

- Lils, eu realmente não acho que isso é muito prudente. Você não pensou direito nisso. Você conhece o ditado, a vingança é um prato que se come frio.

Fixei meus olhos em Victor e, certamente, devagar, ele começou a sorrir de volta. Sorri convencida.

- Bem... A minha vai ser quente.

E depois rapidamente mudei meu olhar para Nate. Ele estava me observando confuso e talvez com um pouco de... Apreensão? Senti meu sorriso se alargando.

- Vai ser pegando fogo.

Eu nunca comi tão rápido na minha vida. Sério, deve ter sido até meio nojento, mas eu só queria mesmo era sair correndo. James tinha passado o jantar inteiro me encarando com uma cara de quem não tava entendendo nada, mas estava muito inclinado a perguntar. Eu devo ter sido a primeira pessoa a terminar, e muito provavelmente a primeira a levantar pra ir embora. Andy se ofereceu para ir comigo, mas eu obriguei ela a ficar e terminar de comer. Por favor, ninguém vai se privar de comida por minha causa. Eu não estava tão deplorável assim que não pudesse ficar um segundo sozinha. Tudo bem que se o Nate se levantasse e viesse atrás de mim eu estaria muito propensa a mudar de idéia, mas ele estava muito bem acomodado entre Roxy e Fred, e parecia bastante ocupado tentando acabar com o bate-boca dos dois e impedir que eles saíssem no tapa no meio do salão principal. Eu usei esse momento para me levantar do banco e sair andando até a porta. Lancei um olhar rápido na direção de Victor, e certamente, ele estava me espiando, fingindo não estar prestando atenção em mim. Então eu segui em frente, fingindo estar olhando para outra coisa na mesa da Sonserina. E no final das contas eu achei mesmo. Tive que sorrir pra mim mesma ao ver Scorpius sentado ao lado de Angie, todo convencido e sorridente. Ele tinha recuperado seu charme arrogante, e parecia estar demonstrando isso pra Angie nesse momento, porque pra tudo que ele dizia ela revirava os olhos e batia a mão na testa.

Então eu me lembrei de fazer uma pequena paradinha.

- Rosie. – chamei no seu ouvido. Ela levou um susto de pular do banco.

- Lily! – gritou em um sussurro, parte irritada e parte surpresa.

- Lembre-se do que nós combinamos nas férias. – ela ficou muito séria e assentiu. Lancei um olhar à Raphael, que sorriu agradavelmente pra mim. Tenho certeza que devo ter feito uma cara de pena, porque ele inclinou a cabeça confuso e olhou pra Rose como se não entendesse nada. Ela afundou a cabeça e não respondeu.

Suspirei e continuei andando. Eu sabia que ia ser difícil pra Rose. Deus sabe o quanto ela adora o Scorp, mas ela tinha se apegado ao Raphe. Afinal de contas, mesmo não sendo o primeiro amor, ele foi o primeiro namorado. A Rose não é vadia, digamos assim, ela se importa com os sentimentos das pessoas, e por mais que ela ame o Scorp, ela não queria magoar o Raphe. Você não sabe a viagem de culpa em que ela entrou depois de se dar conta de que a noite em que ela tinha se amassado com o Scorp no baile significava que ela tinha traído o Raphe. Mas tinha que ser feito. Al tinha me dito que o Scorp tinha falado com a Vivian no dia seguinte do baile e terminado com ela. O caminho estava livre, se apenas Rose fizesse essa pequena coisinha que era terminar com o Raphael.

E enquanto eu pensasse na desgraça alheia eu não precisava pensar na minha.

E logo, logo, eu tinha uma desgraça alheia bem grande para desviar minha atenção da minha.

Eu estava no salão comunal, jogando cartas com Liz e Erika, perdendo de lavada no pôquer maluco que elas inventaram para me fazer perder. Eu sei que elas estavam roubando, porque, tipo assim, como é que alguém que mente tão bem quanto eu pode perder no pôquer? Por favor! Elas continuavam inventando umas regras malucas só pra eu não ganhar. Elas acharam que eu não percebi, mas eu tô sabendo. Aí o Hugo resolveu se meter, e inventou de misturar verdade ou conseqüência com pôquer... Já viu onde isso deu, né? Meia hora depois, lá ia Lily Potter roubar cerveja amanteigada pro terceiro ano da grifinória depois de perder a vigésima rodada. A capa da invisibilidade estava com o James, e o mapa do maroto com o Al, então a coitadinha da Lily teve que ir como um aluno normal, se esgueirando pelas paredes e tendo que confiar em seu senso de audição (que não é muito bom, se quiser saber). Não é justo, eu quero uma herança marota também! Só porque eu sou a mais nova.

Ou talvez seja porque eu sou menina!

Ah, espera só eu chegar em casa, eu vou ter uma conversinha muito séria com os meus pais e...

- Scorp! Espera!

Eu ouvi a voz da Rose chamando de longe ecoando pelo hall. Dei um pulo no mesmo lugar. Ai meu Deus! Ai, merda! Eu não quero ficar no meio! Eles não podem me ver! Vai estragar tudo! Dava para ouvir as vozes dos dois ficando mais altas à medida que eles se aproximavam. Eu tinha que me esconder! Olhei pros lados. Não tinha nenhuma porta naquele corredor, nenhuma sala pra onde eu pudesse correr. Eu já estava completamente em pânico. Tinha uma velha armadura enferrujada enfiada na frente de uma alcova, e sem pensar, pulei para trás dela, grudando as costas na parede fria, respirando rápido. O som de seus passos furiosos encheu meus ouvidos, alto demais. Perto demais. Tudo o que eu podia fazer era rezar pra que eles não me vissem. Eles estavam quase passando por mim, quando Rose apressou um pouco o passo e alcançou Scorp, pegando seu braço e o virando para si. Dava para enxergar os dois pela fresta entre a alcova e a armadura.

- Me deixa em paz, Rose. – ele pediu, sem se virar para ela.

- Não, Scorp, me escuta. Só me escuta.

- É meio difícil no momento, Rose. – ele falou em uma voz levemente estrangulada, como se estivesse lutando contra si mesmo para não bater nela.

- Por favor, você não precisa nem olhar para mim. Só escuta. – Scorp puxou seu braço de volta para si, mas não fez menção de ir embora. Relutante ou não, ele estava escutando.

- Um minuto. – ele falou em um tom gelado. Assim que recebeu seu prazo, Rose respirou fundo, totalmente exasperada e começou a falar.

- Eu não sei o que eu estou fazendo! Eu nunca quis que as coisas ficassem desse jeito! Acredite em mim! Eu realmente não queria!

- Não parecia que você não queria quando estava dando as boas vindas para o seu namoradinho. – ele falou com desprezo.

- Para, Scorp! Não fala assim! – ele se virou para ela com raiva.

- Você está tentando me convencer a voltar com você e fica defendendo ele? Você realmente não é muito boa nisso, é? – ele debochou com um tom carregado de sarcasmo. Ela parecia prestes a quebrar diante do olhar furioso dele.

- Scorp, eu... Eu não... Eu queria... Eu só... – Rose lutava com as palavras de um jeito que deu pena. – Eu sinto muito! – ela falou por fim, os olhos enchendo de lágrimas – Eu estou confusa, e estou uma bagunça, e eu sinto muito! – ela olhou para o chão para um segundo, respirando rápido, as lágrimas escorrendo pelo rosto. – Eu sei que você deve me odiar agora, mas...

- Não. – ele a cortou subitamente, o tom de raiva ainda presente. Ela olhou para cima, surpresa. Ele não estava olhando para ela. Olhava para o lado, encarando a parede de pedra como se quisesse abrir um buraco e sair correndo. – Não. Fique. Dizendo. Essas coisas.

- O que? – ela perguntou confusa, quase parando de chorar.

- Eu não te odeio. – ele falou simplesmente, e depois riu sem humor. – Diabos, esse é o meu maior problema. Eu nunca conseguiria te odiar. – ele olhou para ela, seus olhos prateados cheios de mágoa queimando nos seus azuis. – E eu tentei. E eu deveria. Eu deveria estar furioso com você, e não suportar seus jeitos... Mas eu não consigo. – ele disse em uma voz suave, que continha tanta frustração que fez o MEU estômago dar um nó. – Até agora quando você está me dizendo na cara dura que gosta de mim mas vai ficar com o seu namorado que você nem está a fim por alguma razão desconhecida, tudo o que eu quero fazer é te puxar pra mim e dizer que tá tudo bem. – mas mesmo dizendo isso ele não se mexeu. – Mas não está. Não está e eu não posso ficar dizendo para mim mesmo que está quando todo mundo sabe que é o contrário. Um cara só aguenta até um ponto, Rose.

- Não, Scorp, me escuta! – ela pediu, dando um passo à frente, mas ele se afastou, fazendo-a congelar no lugar como uma estátua.

- Por que você não deixa ele, Rose? – Scorp falou em um tom de voz que parecia ao mesmo tempo sofrido e como se estivesse implorando para ela fazê-lo.

- Eu não posso. – ela disse, olhando para os próprios pés.

- Você nem gosta dele, Rose! Você me disse que não gosta!

- É complicado! – ela gritou, e depois arregalou os olhos, virando-os para cima, para ele.

Os ombros de Scorpius caíram. Ele pareceu desabar por um segundo. Virou seus olhos para ela. Aqueles olhos magníficos, que geralmente olhavam para todos com um ar debochado e brincalhão, agora tão cheios de... Dor, e de mágoa, e de... Decepção. Ele sacudiu os ombros em sinal de descrença.

- Sempre é.

E depois toda a emoção tinha ido embora, e ele era o garoto frio e calculista das minhas memórias de infância de novo. Ele lançou um último olhar gélido na direção da Rose, e saiu andando. Deixando ela ali. Deixando nós duas ali.

Rose escorregou até o chão, caindo sentada no meio do corredor, agora chorando muito. Eu saí da alcova. Não sabia se eles tinham realmente notado eu aqui. Eu não estava exatamente invisível atrás da armadura. Mas no momento eu nem estava ligando. Ela pode me xingar depois por ser bisbilhoteira. No momento ela não está em condições de começar a brigar comigo. Andei até ela e me ajoelhei do seu lado, pousando a mão em suas costas suavemente. Acho que ela realmente tinha notado que eu estava ali, porque não se assustou. Continuou chorando. Estávamos as duas meio tortas no corredor, ela sentada abraçando os joelhos, e eu sentada em cima dos meus.

- Você ouviu? – ela soluçou pra mim.

- Sim. – eu disse suavemente.

- V-você está brab-ba comigo? – perguntou no meio do choro.

- Estou. – respondi sinceramente, mas em um tom neutro. – Estou bastante brava. O Scorpius não precisa agüentar essas coisas, Roe. Ele é meu amigo, e eu me importo. – ela pareceu soluçar mais. – Mas você é minha prima. E eu também me importo com você.

- Obrigada, Lily. – ela falou depois de um grande soluço. Eu respirei fundo.

- Sem problemas, Rose.

Foi uma semana complicada. Alguém me disse uma vez que as semanas depois dos feriados passam voando. E seja lá quem foi que disse isso, estava completamente certo. A primeira semana de volta foi horrível. O meu único consolo foi que ela passou rápido. Foi terrível, e não só por causa das fofocas e dos meus irmãos pegando no meu pé de novo.

Rose estava destruída. Ela tinha me confessado tudo o que tinha acontecido na noite da briga, e, olha, a briga foi tão feia que ela me contou essa única vez e calou a boca e não falou mais nada sobre o assunto. Ela tinha pedido pra falar com Raphael. Eles saíram do salão comunal e foram conversar. Ela tentou terminar com ele. De acordo com ela, ela tentou ser gentil e começou dizendo que gostava muito dele, e que esperava que ele não entendesse errado o que ela ia dizer, e que não ficasse magoado com ela. E aquele grande IDIOTA fez o favor de entender exatamente isso e atropelou ela e disse que tudo bem, que ele também amava ela.

É, ele disse a palavra com A.

Que grande... Idiota.

Como é que a criatura ia dizer que queria terminar depois que o cara tinha guspido seus sentimentos pra ela e dito que a amava? Rose não soube o que dizer. Ela ficou parada, encarando ele por uns cinco minutos até que ele a abraçou e desejou feliz ano novo pra ela. Como desgraça pouca é bobagem, Scorp tinha que estar passando por ali naquele momento. E assim que Raphael saiu andando, Rose correu atrás dele, mas... O estrago estava feito. Al não estava falando com ela. Rose não estava falando comigo. Scorpius não estava falando com ninguém. Roxanne estava um pouquinho decepcionada que a nossa operação LOUCA não tinha dado muito certo, mas tanto o Freddie como a Dom disseram que a culpa não era nossa, era toda daqueles pombinhos complicados e esquisitos.

Como se eu precisasse de mais complicados e esquisitos na minha vida!

E por falar nos gêmeos problema, na manhã do dia dez eu fui rudemente acordada do meu precioso cochilo em cima da mesa da grifinória no salão principal por Roxy e Fred, que me chacoalharam sem um pingo de consideração e me assustaram o bastante para me fazer enfiar o cotovelo no mingau da Andy. Os corvinais ganharam o dia. Eu ganhei um grude no meu uniforme.

- Eeeca! – reclamei, torcendo o braço para tentar ver a sujeira na manga da minha capa.

- Mas tu é uma banana mesmo, né, Lily? – Rox debochou, puxando a varinha e fazendo um feitiço para limpar minhas vestes.

- Vocês me assustaram! – defendi, fazendo bico.

- Você tava dormindo na mesa! – Fred apontou com a sobrancelha levantada.

- Eu tava com sono! – gritei exasperada.

- Na mesa! – Fred repetiu.

- Tá bom, tá bom, cala a boca, galera. – Rox mandou com ares pacifistas e depois se inclinou na minha direção e sussurrou em um tom conspiratório. – Lily, quarta-feira é dia treze. – revirei os olhos.

- Isso mesmo, Rox, e depois de treze vai ser quatorze. Parabéns, você sabe contar. – ela estendeu os braços, agarrou os meus ombros e me sacudiu.

- Dia treze, mulher! Treze de janeiro! Que dia é treze de janeiro?

Levou mais ou menos dois segundos inteiros para eu me dar conta do que ela tava falando. Eu abri a boca em um "O" em realização.

- Puta, meu aniversário! – exclamei, batendo na testa.

- Isso, animalzinho, seu aniversário. – ela falou, revirando os olhos, me soltando. Ela e Fred se atiraram no banco, um em cada lado meu, e juntaram nossas cabeças, falando baixinho como se estivéssemos planejando uma rebelião.

- Tô me sentindo uma presidiária. – confessei, e ganhei dois tapas na nuca por essa. – Ei! Isso é abuso de Lily! Eu vou chamar as autoridades protetoras de Lilys!

- E isso lá existe? – Fred perguntou com uma careta.

- Elas também atendem pelo nome de Tio Justin.

- Concentração, soldados! – Roxanne ordenou, batendo em nós dois.

- Agora eu sou um soldado? – perguntei.

- Pelo menos você tá do lado certo da lei. – Fred debochou e nós rimos. Não preciso dizer que ganhamos outro tapa na nuca.

- Ai, Roxanne, isso dói! – reclamei.

- Cala a boca. Lily, vamos ser diretos. Como seus primos mais velhos, nós temos o dever de te fazer uma festa de arromba para comemorar seus quatorze anos.

- Vocês tem? – perguntei com uma careta incerta.

- Bem, não. – Fred confessou – Mas precisamos de uma desculpa pra uma festa e você está bem aí!

Roxanne bateu nele de novo.

- Para com isso, caralho! – ele gritou, massageando a nuca.

- Você vai sobreviver. – ela rosnou pra ele e depois se voltou para mim toda arco-íris e caramelos. – O que você acha, docinho?

- Vocês estão pedindo... Minha permissão? – perguntei com uma sobrancelha levantada. Eles me encararam sem dizer nada por uns cinco segundos. – Se eu disser que não vocês vão me bater, não vão?

- Nããão – Fred disse com uma careta de "claro que não!"

- Azarar talvez. – Rox começou.

- Xingar com certeza. – ele terminou.

- Mas bater? – ela continuou.

- Nunca! – os dois concluíram juntos, e olharam um pro outro – Para de falar ao mesmo tempo que eu! Eu disse para! Para, cacete! – e prontamente começaram a se estapear.

- Eu prefiro não arriscar. – murmurei pra mim mesma. – Pode fazer.

- Eu vou te matar, Frederic Theodore Weasley!

- Não fala o meu nome do meio, mulher!

- Não me chama de mulher, animal!

- PODE FAZER, PORRA! – gritei.

Eles pararam de brigar no mesmo instante e me olharam, Roxanne ainda com um punhado de cabelo do Fred entre os dedos e ele com a mão espalmada empurrando a cara dela. Aí pularam do banco, me abraçaram e prometeram fazer a festa mais selvagem e badalada do ano, que as pessoas iam comentar pelo resto do século, que eu não ia me arrepender.

Mas eu sabia que quando se dá poder à Fred e Roxy Weasley, a gente geralmente se arrepende sim.

Na manhã do dia doze eu acordei com uma dor de cabeça dos infernos, daquelas que te dá vontade de arrancar a cabeça fora só pra não ter que sentir. É, estava ruim assim. Não, eu não arranquei minha cabeça. Não, também não arranquei a de outra pessoa, apesar de isso ter soado muito tentador. Não, eu engoli as marteladas no meu cérebro, me arrumei e fui para aula. Acho que eu deveria ter interpretado essa dor de cabeça como sinal de que algo ia dar muito errado. Eu deveria ter ficado na minha cama dormindo. Mas não, fui bancar a boa aluna...

Minhas aulas estavam um saco. Só pra variar. Pra começar, eu não tinha aula com o Chuck gostosão, não, eu tinha em vez disso uma aula teórica de DCAT com a Adriana, que ficou falando pelos cotovelos sobre algum bicho esquisito de sete cabeças. Ou talvez fosse a minha cabeça que doía como se eu tivesse sete cabeças. Eu não prestei muita atenção. Depois veio meu amável tio Neville, que praticamente me expulsou da sala quando eu cortei fora um dos talos de uma de suas flores cor de rosa. Eu larguei tudo em cima da mesa e saí andando porta a fora dizendo que eu ia pra enfermaria. Ele estava tão preocupado com a sua florzinha que mal prestou atenção em mim. Pra um cara que me viu crescer ele não parecia muito amigável naquele momento. E eu nem menti! Eu fui na enfermaria, mas não tinha ninguém lá, e como eu não sou boa o suficiente em Poções para roubar a certa do armário da enfermeira, eu desisti e fui pro almoço. O barulho no salão principal só piorou minha dor de cabeça. Eu queria dar meia volta e sair andando, mas minhas amigas me acharam e me arrastaram para a mesa com elas.

- E aí, Lilizinha? Expulsa da sala pelo Neville? Que talento! – Liz debochou. Eu revirei os olhos.

- Cala a boca que eu to com dor de cabeça. – ela levantou os braços em posição defensiva.

- Calma, pocotó! Eu só tava puxando assunto. – eu olhei feio pra ela.

- É sério, Elizabeth, minha cabeça tá explodindo, não enche. – ela deu de ombros.

- Desculpe, alteza. – eu fechei os olhos e respirei fundo me controlando pra não bater nela.

- Você foi na enfermaria, Lily? – Andy perguntou preocupada.

- Fui. Não tinha ninguém lá. – rosnei. Tentei comer alguma coisa, mas eu não estava a fim. Só olhar pra toda aquela comida estava me deixando meio enjoada.

- Você quer que eu vá com você de novo?

- Não, não precisa.

- Não tem problema nenhum, você sabe que...

- Dee! – eu cortei – Não. Precisa. – falei entre dentes. Ela entendeu o recado e calou a boca na mesma hora.

- Deixa de ser cavala, Lily, a garota só quer ajudar. – Erika disse cruzando os braços.

- Não pedi ajuda, pedi? – retruquei mal humorada.

- Porra, Lilian, que bicho te mordeu? – ela gritou. Eu desisti. Empurrei o prato e agarrei minha bolsa.

- To sem fome. – resmunguei e saí andando do salão principal, ignorando os pedidos da Andy e da Casey pra eu voltar.

Eu nem tentei a enfermaria de novo, só de birra. Fui direto pra próxima aula. Vá adivinhar. Poções. É, o dia estava magnífico mesmo. Entrei na sala de aula. Estava completamente vazia. Nem a Smith estava lá ainda. Escolhi a mesa do fundo grudada na parede e apoiei o queixo nos meus braços cruzados em cima da mesa. Fechei os olhos um pouquinho, imaginando pequenos homenzinhos que se pareciam muito com o Mario (não o que te comeu atrás do armário, o do videogame. Viva los trouxas!) com dois martelinhos na mão mandando ver na batucada no meu cérebro. A cena era bizarra, mas era mais ou menos assim que eu me sentia. Fiquei assim um tempo, massageando as têmporas, tentando imaginar dois homens de preto com espingardas na mão mirando os mini-Mários. Eles estavam com o dedo no gatilho quando uma porta bateu e me acordou do meu pequeno devaneio.

De dentro da despensa de ingredientes do professor, Smith saiu marchando com um livro na mão. Acho que foi a primeira vez que a vi sem uma carranca. Não que ela estivesse sorrindo, porque a Smith não me passa a impressão de ser o tipo que sorri. Mesmo sozinha. Sério, a imagem da Smith saltitando por aí jogando margaridas pela sala toda vez que os alunos saíam me soou muito cômica. Eu tive que prender o riso. Eu devo ter feito um barulho enquanto fazia isso, porque ela virou a cabeça na minha direção e assim que viu que era eu seu rosto se fechou numa careta.

Ultimamente eu tenho esse efeito nas pessoas.

- Potter. – ela rosnou pra mim. – O que está fazendo aqui?

- Eu tenho aula agora, professora. – falei simplesmente. Minha cabeça doía tanto que nem me incomodei em botar sarcasmo e desafio em minha voz.

- Potter, você tem almoço agora. Sua aula é em meia hora. – eu sacudi os ombros.

- Não quis me atrasar. – resmunguei.

Smith pareceu dividida entre me mandar chispar da sala dela, me interrogar sobre o que eu poderia ter colocado em sua escrivaninha enquanto ela estava em seu armário e perguntar se eu estava me sentindo bem. Ela optou por simplesmente me ignorar, ir para frente da sala e começar a escrever a matéria do dia no quadro negro. Nunca fui mais agradecida pela antipatia da Smith por mim. Ela não disse uma palavra, o que contribuiu muito para diminuir minha dor de cabeça. Fechei os olhos por o que pareceu um minuto ou dois, e quando os abri, Smith estava parada bem na minha frente com um vidrinho na mão. Eu suprimi um grito de surpresa. Ela não estava me encarando, só olhava para um ponto além da minha cabeça com uma careta.

- Professora? – perguntei confusa.

- É uma poção pra dor de cabeça, Potter. – eu levantei as sobrancelhas surpresa. Como é que ela sabia que eu estava com dor de cabeça? Ela pareceu adivinhar meus pensamentos, porque deu um sorrisinho desdenhoso – Ninguém agarra a cabeça desse jeito, Potter, a não ser que esteja doendo. Ou tentando entortar uma colher com o poder da mente.

Eu peguei o vidrinho. Agradeci ainda meio abobada e tomei a poção. Foi como se tivessem largado um balde de água morna na minha cabeça e em segundos a dor tinha passado completamente. Devo ter feito uma careta de alívio muito cômica, porque a Smith abriu um de seus sorrisinhos debochados e voltou a escrever a matéria no quadro. Eu devia saber nesse momento que alguma coisa muito errada ia acontecer naquele dia, porque... Sinceramente...

A SMITH FOI LEGAL COMIGO!

Dez minutos depois Liz se jogava na cadeira ao meu lado toda sorridente, como de costume.

- E aí, pocotó? Tá melhorzinha? – eu revirei os olhos.

- Sim, a dor passou.

- Que bom, porque Deus me livre, Lily, você de mau humor, ninguém merece!

- Só porque a dor passou, não significa que o mau humor passou, Liz. – ela torceu o nariz de um jeito que me lembrou muito a Smith e depois agarrou o Hugo quando ele passava pela gente.

- Troca de lugar comigo, Hugo, eu não vou agüentar a Lily em um dos seus humores dos infernos. – se levantou, agarrou ele pelos ombros e empurrou-o sentado no lugar ao meu lado. Depois saiu marchando pela sala até a galera do fundão e sentou com a Erika. Hugo se jogou pra trás, tirando as duas pernas da cadeira do chão, e se balançando.

- E aí, Lils? Pensando na morte da bezerra?

- Não eu- O quê? Que bezerra o que, Hugo?

- Isso, minha cara prima, é um provérbio trouxa. – eu revirei os olhos.

- Eu to de mau humor.

- Isso, Lily querida, eu notei. – eu lancei um olhar pras patas da sua cadeira e falei incisivamente.

- Você vai cair.

- Não vou nada.

- Vai sim.

- Não vou.

- Vai.

- Não vou, não! – eu botei a mão nas costas da cadeira e puxei para trás. Antes que ele pudesse fazer alguma coisa, Hugo voou de costas no chão, dando uma meia cambalhota e dando de bochecha em uma das patas da cadeira. - Porra, Lilian, que merda! Tá doida? – Eu sorri.

- Não. De mau humor. Mas já me sinto bem melhor.

- POTTER! WEASLEY! SERÁ QUE DÁ PRA PRESTAR ATENÇÃO? – ambos olhamos para frente e vimos que Smith na verdade já tinha começado a aula, e que toda a classe estava nos olhando com cara de quem não entendeu nada.

- Sim, senhora. – resmungamos, enquanto Hugo voltava para sua cadeira e eu fazia uma cara de santa, tentando uma vez na vida prestar atenção na Smith.

- Como eu ia dizendo antes de ser rudemente interrompida – ela falou, lançando um olhar mortal na nossa direção – A poção cicatrizante que vocês irão realizar nessa aula vale setenta por cento da nota desse bimestre. – vários protestos se espalharam pela turma. – Sem reclamações! A poção é complicada e exige atenção, concentrem-se mais em fazê-la e menos em reclamar! Já passamos bastante tempo estudando-a, eu não vou aceitar uma poção ruim! Podem começar!

- Professora! – Hugo chamou, levantando a mão. Ela mandou-o falar com um gesto de cabeça. – A senhora não vai dar as instruções?

- Certamente, Weasley. Formem duplas. – ela disse, abanando sua mão na nossa direção como quem não liga. Ela provavelmente não ligava mesmo. Olhei à volta. Andy estava com Casey, Erika com Liz, Eddie com Andrew Wright... Todo mundo tinha dupla. Parecia que eu estava presa com Hugo.

- Não, professora, me refiro aos ingredientes e quantidades.

Smith abriu um sorrisinho maléfico e eu sabia nesse momento que estávamos ferrados.

- Eu coloquei-os no quadro aula passada, Weasley, o senhor tem algum problema de memória ou não estava prestando atenção à aula?

- Eu... Tinha esquecido. – Hugo falou estupidamente.

- Agora o senhor lembra. – ela disse sorrindo falsamente. – Comecem a poção! Quero vê-las prontas no fim da aula! – ela informou a turma, e sentou-se à mesa, puxando um bloco de pergaminhos, que eu só podia imaginar eram trabalhos de outras turmas para corrigir. Eu suspirei.

- Que legal. – reclamei, puxando meu material de poção da bolsa. – Pega aí as instruções, Hugo. – ele me olhou como se eu fosse louca.

- Você acha que tá falando com a Andrea? Eu não tenho as instruções! – eu comecei a gelar.

- Como assim você não tem as instruções? O que você tava fazendo aula passada?

- Eu achei que você tinha! O que você estava fazendo aula passada?

- Desde quando eu copio alguma coisa em Poções, Hugo? E eu sei lá o que eu tava fazendo aula passada! Eu tava com você!

- Bem, eu também não presto atenção nessa joça, você sabe que eu copio tudo de você depois que você copia da Andrea! E eu também não lembro o que a gente tava fazendo semana passa... Ah. Lembrei. – ele parou por um instante.

- As instruções? – perguntei esperançosamente.

- Não, o que a gente tava fazendo.

- O que?

- A gente tava jogando forca com a Smith de bonequinho. – ele falou e depois riu. Eu bati a mão na testa.

- Bem, agora é ela quem vai nos enforcar! Setenta por cento da nota, Hugo! Nem eu posso ignorar uma dessas!

Nos encaramos por um segundo sem saber o que fazer. E então ele fez uma careta e deu de ombros.

- Não pode ser tão difícil, os ingredientes estão com a gente. É só copiar de alguém.

- Tudo bem, vamos ver. – eu tirei a capa e arregacei as mangas, observando nossos colegas. – A Rebecca tá picando aquela coisa verde que parece alga. – eu falei, alcançando a coisa verde para Hugo.

- E, e... A loira tá jogando o troço amarelo no caldeirão. – ele disse, pegando um vidrinho com um líquido amarelo e me passando.

Eu estava prestes a jogar o troço amarelo também quando senti alguma coisa colidir com minha testa. Olhei para cima louca da vida, pronta pra berrar com quem tinha me jogado a coisa, mas vi Andy me olhando exasperada, apontando para a bolinha de papel em cima da mesa. Eu dei de ombros e abri-a. Tinha um recadinho com a letra dela. "Se você botar isso agora vai explodir." Eu olhei com uma cara desconfiada para o troço amarelo, e depois de volta pra Andy. Fiz uma careta de dúvida. Ela balançou a cabeça e me mandou esperar.

- Ow, Hugo, espera aí! A Andy vai nos ajudar. – ele levantou a cabeça e suspirou aliviado.

Andy falou alguma coisa com Casey, que se virou para trás, nos olhou com pena e voltou para a poção. Depois Andy deu uma olhada na professora, que ainda estava totalmente concentrada nos seus papéis e se virou na cadeira. Ela apontou para a coisa verde, e depois para o caldeirão. Hugo fez cara de quem entendeu e jogou a coisa verde inteira dentro do caldeirão, deixando suas folhas penderem pra fora. Andy bateu a mão na testa e apontou pra faca. Ele prontamente jogou a faca lá dentro. Espiamos para dentro do caldeirão. Ele estava verde e começava a borbulhar. Ouvi uma risada atrás de mim, e quando me virei, vi Elizabeth sorrindo e fazendo sinal de positivo pra gente. Não poderíamos estar tão errados, né?

Andy começou a gesticular para mexermos a poção três vezes para um lado. Eu comecei a mexer pro mesmo lado que ela. Ela disse que não, e eu olhei pra ela como se ela estivesse louca. Eu tava mexendo igualzinho a ela, quê que ela queria? Nossa poção continuava verde gosma e soltava bolhas. A dos outros estava rosa e tinha um aroma adocicado. Eu comecei a me preocupar. Andy apontou para um frasco com uma etiqueta que dizia essência de mandrágora, e mostrou cinco dedos. Eu e Hugo nos olhamos e pensamos a mesma coisa: "Contar pra que?" Abrimos o frasco e íamos botar tudo dentro, quando Andy se levantou e berrou:

- NÃÃÃÃO! – todo mundo olhou pra ela. Inclusive a Smith. Ela corou e emendou rapidamente, olhando para Casey. – NÃO FAÇA ISSO, Case, você precisa cortar mais fininho! – ela deu um sorrisinho envergonhado. Smith lançou-a um olhar de exasperação, e depois gritou para a turma.

- CINCO MINUTOS!

- Ai, meu Deus, o que a gente faz? – eu gritei, semi-desesperada.

- Sei lá... – Hugo disse olhando as últimas coisas que restavam na mesa. A balança e um frasco com uma solução viscosa dentro. – Está pensando o mesmo que eu?

- Sim. – eu disse sorrindo. Eu fui pra um e o Hugo pra outro.

- A BALANÇA!

- NÃO, IMBECIL! – gritei, dando um tapa na sua cabeça. – O frasco!

- Ah, é, eu não vi ele ali.

- Claro que não viu... – resmunguei. Abrimos o frasco e jogamos tudo no caldeirão.

A poção ficou azul turquesa, depois lentamente se tornou um anil forte e aí implodiu, lançando uma bola de fumaça na nossa direção. Quando paramos de tossir e abanar a fumaça, demos uma olhada no caldeirão. A poção estava um rosa claro acetinado.

- Era para explodir?

- Não explodiu, Hugo, implodiu.

- Qual a diferença?

- A diferença foi que ela não detonou na nossa cara.

- Você tem um ponto. Era pra fazer aquilo?

- Não sei.

- Agora já foi.

- TEMPO ESGOTADO! – Smith berrou da mesa dela, e se levantou para começar a analisar as poções.

- Ai meu Deus! – eu gritei, mordendo a mão.

- O que a gente faz agora?

- Sai correndo.

- Não dá tempo! Ela tá vindo! – olhamos para frente, e certamente, Smith estava parada perto do nosso caldeirão. Nos levantamos rapidinho e demos espaço para ela passar entre as nossas cadeiras e dar uma olhada na nossa meleca. Paramos do lado da mesa de braços dados e caras de enterro.

- Mas... – ela começou.

- Ai meu Deus, ela vai nos matar! – eu sussurrei em pânico para Hugo.

- Últimos desejos, Lily.

- Essa poção... – ela continuou.

- Não dá mais tempo de correr né? – sussurrei para ele.

- Acho que não.

- Então fudeu.

- Essa poção está... – Smith falou, parecendo chocada.

- Eu sou lindo demais pra morrer! – Hugo resmungou do meu lado.

- E eu vou morrer com treze anos! E o meu aniversário é amanhã! Que sacanagem!

- Essa poção está... – ela repetiu, parecendo confusa.

- Tchau, Hugo.

- Tchau, Lily. Foi bom te conhecer.

- Não importa o que os outros digam, você é o meu Weasley preferido.

- Sério mesmo? – ele disse, me olhando com os olhos brilhando.

- Sério mesmo.

- E você também é a minha Potter preferida. Você é mais legal até que o seu pai.

- Obrigada, Hugo. – eu falei fungando. Nos abraçamos dramaticamente. – Te vejo no inferno.

- Vou estar esperando.

- Certa! – Smith gritou, de repente.

Nós viramos a cabeça na sua direção automaticamente.

- Como é que é?

- A poção está certa! – ela falou com uma careta de quem não fazia idéia de como aquilo tinha acontecido. A minha não estava muito melhor. Hugo e eu nos soltamos e paramos ao seu lado, olhando para a nossa poção mucho louca com a mesma surpresa que a professora. – Textura, consistência, cor, aroma... Está... Certa. – ela resmungou pra si mesma. E depois se endireitou. Eu e Hugo pulamos de pé no mesmo instante com sorrisos pastéis de quem não tinha nada a esconder. – Está certa. – ela repetiu, ainda meio abobada. – Weasley, Potter, nota integral. – falou, e estava tão chocada com isso que nem botou tom de deboche na sua voz. Ela anotou na prancheta com as notas e saiu andando para a próxima dupla.

Olhei para Andy. Ela estava de boca aberta olhando para gente como se fôssemos ETs. Ela balançou a cabeça como se me perguntasse como diabos eu tinha feito aquilo. Eu dei de ombro. Eu também não tinha idéia. Hugo e eu caímos de bunda nas nossas cadeiras. Ficamos em silêncio por uns dois minutos.

E aí começamos a rir descontroladamente.

- Bem... – ele falou, quando conseguimos nos controlar um pouquinho. – Pode considerar esse o seu presente de aniversário dos céus.

Não importa quanto tempo passe, eu ainda me mato de rir dessa cena. Eu sou tão boba, eu rio das minhas próprias piadas! Ahusahsuhausauhs Mas aí estão outras pessoas que riem das minhas piadas que foram gentis e deixaram reviews!

Otavio

Camila Belle

Marcelo

Mila

Luh Weasley

Natasha Weasley

ThathaIvashkov

Mrs. Loockers

Gigi Potter

Natasha Weasley

Julia

Lua Evangeline

Jor Oli

aniinhahandbol

Gabriela

Carolbtp

Mylle Evans

A pessoa que deixou um anônimo com o nome de Please write a new chapter.

JessFletcher

Luu Potter

Yami Umi

Rodrigo DeMolay

whoisyourlover

soolblack

Mury Potter

Zoe BlackBlacke

Bah Malfoy Black

Bia Potter

Luh B.

Herica Potter

Gabriele Ricarte

Valeu pelos reviews, gente! Eu vou tentar escrever mais rápido, até porque eu já tenho um monte de cenas do próximo cap prontas. Eu vou ver se a escola não vai me ferrar demais esse ano.

...

Não custa nada sonhar, né?