Um retórico desabafo diante da morte...


Eu perdi...

Não apenas essa guerra infundada,mas algo mais, a vida parece esmorecer... Lembrar de ti foi algo que sempre me acalentou nesses tempos caóticos...

Éramos apenas duas almas sonhadoras, compartilhando dos mesmos ideais, frente a frente, em clãs rivais...

Um tormento que tinha de ser lavado a diante. Pergunto-me quantas vezes, em prantos, correstes por entre o campo de batalha somente para encontrar meu corpo, vivo; duas almas atormentadas, estéreis, perante o cotejo nocivo de dias tais.

Mas para a graça trágica do destino e para teu ambíguo tormento naquele dia tu me vistes...

Por que não me deixastes morrer? Eu te pedi, supliquei, mesmo sangrando por dentro, queria estar ao teu lado, mas sempre há tempo para tudo e nosso tempo realmente havia findado, efêmero e ainda inacabado... Pude olhar em teus olhos como a tempo não via, me assustei e culpei-me ao ver a frieza implantada neles.

A guerra realmente mudara o homem em minha frente que outrora emanava uma luz peculiar, encantadora... Teu amor me salvou quando o que o que eu mais queria era estar morto, já estava aos pedaços, com marcas profundas, no corpo, na alma...

Nesse mundo samurai onde reina o orgulho e a honra, resquícios culturais milenares, somo dois náufragos mirando inexpressivos, padecendo por dentro, o horizonte, esperando em vão o nascer do sol, uma esperança raquítica em meio ao caos.

Teu amor me salvou, agradeço agora, com essa adaga nas mãos, distante dos teus olhos, distante do teu corpo, e apenas um camuflado adeus pude te dar.

Por vezes tentei a morte, cantando a ela minha desgraça para que me ouvisse, me levasse, eu pagaria o preço.

Uma escolha penosa para um ser que fenece aos poucos, a saída austera e honrosa para um samurai. Então tu vinhas, com seu amor incondicional, me arrancava dos braços dela -a morte-...

Sim, eram em seus braços que eu queria estar, mas já estava perdido, tu fostes capaz de me manter vivo, no entanto, há escolhas que são mais profundas, não mais que o teu amor, não mais que o meu, mas você será acusado de refugiar e amar um inimigo...

Que culpa é essa que temos que carregar? Que punição sagaz o futuro nos reserva? Quero-te vivo, seja o sacrifício que for preciso e minha vida ainda é pouco, perdi o meu valor em algum canto fúnebre do tempo, eu tive você para me confortar...

Eu já posso vê-la sorrir, ela é bela e misteriosa- a morte- Me atirarei em seus braços, pensando em ti , apenas querendo estar ao seu lado Kusaka, e na escuridão solene do momento pudera eu abrir os olhos e ver que tudo havia sido um sonho ruim, um pesadelo biforme e taciturno; eu estaria em seus braço, ambos sentados olhando as águas plácidas daquele lago límpido que passávamos a tarde observando, falando de um mundo melhor, de sonhos, encontrando em seus olhos o futuro pleno e feliz que os poetas utópicos sempre aventuravam falar ... Tu foste a droga imensurável que me manteve vivo e deploravelmente feliz, ainda assim feliz...

Agradeço-te, amo-te!

Foi esse amor que nos puniu.

Não, foi o destino. Não, foi esse mundo ofuscado e caduco...

O amor apenas nos manteve vivos nessa curta e traiçoeira existência.

Perdão, perdão, perdão!

Com esse corpo mutilado.

Com essa alma destroçada.

Com esse amor intacto aqui dentro.

Com essa adaga nas mãos.

Com esse corpo imóvel e gélido jogado em meio à neve, agora rubra, enfeitando uma tragédia...

Adeus Kusaka...

Quero-te vivo, mas inda te espero...


Eu tive que escrever uma fic dessa história tragicamente bela... ^^

Eu estava quase entrando em depressão e se não escrevesse algo acho que eu cortaria os pulsos... brincadeira !!! XD

Mas acho que cortaria mesmo... ha ha ha ha õ/