Resposta, desfecho de um até breve...


A tua imagem me persegue...

Eu caminhei por entre corpos jogados ao chão úmido de sangue, revirei cada corpo gélido em busca do teu rosto,

não me envergonhava ao suspirar aliviado ao olhar as faces pálidas e cadavéricas naquele campo de combate ,feliz por não ser o seu rosto...

Angustiado por não encontrá-lo, uma aflição corrosiva que o destino traçou impiedosamente...

Relutei tantas vezes para não gritar teu nome em meio aquele inferno tenebroso, tu era o inimigo e eu era o inimigo...

Que providência era essa? Que justiça divina era essa colocando dois seres em linhas diferentes que um dia se encontraram , se amaram,

e deslizaram pela estrada perigosa da iniquidade, e padeciam por isso.

Quando te vi ao longe com suas mãos de dedos finos e alvos segurando sua espada diante do próprio peito, supliquei aos céus piedade caindo num abismo negro e trêmulo.

Seu corpo deformado, sua alma desfigurada, relutava pedindo-me que te presenteasse com a morte.

Tirar a vida do ser amado era um pecado que meu próprio egoísmo não podia cometer.

Deixar-te vivo foi a escolha que te fez fenecer pouco a pouco, me culpei , me condenei, queria-te ao me lado, nem que aos pedaços, meu amor, eu jamais te deixaria, sua vida eu carregaria aos cacos, mas tua tristeza me massacrava como fagulhas suspensas no ar que eu respirava...

Eu te presenteei com minha alma, furtei teu orgulho, te arranquei da morte, te escondi do mundo, meu inimigo, minha vida...

Tu choraste calado, nos amamos sem pudor, eles estavam próximos, nós seríamos pegos, eu o defenderia, nossa honra sempre esteve à prova, minha morte ainda viria...

Teus olhos eu não mais veria ...

Desespero e infortúnio, a calefação desastrosa de uma história composta em meio ao caos.

Teu corpo sobre neve, gotas rubras adornavam aquela imagem sorrateira e ácida que meu ser provou e recusou aceitar.

Teu sangue ainda sobre a lâmina de prata era a tentação do horror pleno naqueles instantes incontáveis que vi tudo escurecer, meu peito frio aquecer, arder em uma dor intensa não mais intensa que te perder, o ríspido fluido vermelho escorreu...

Nas trevas despenquei...

Eu estava ao teu lado.

Dois corpos gélidos louvando o silêncio lúgubre que compunha a canção da morte retrocedendo a própria dor.

Não te perdôo.

Eu vou contigo...


Obriguei-me a fazer uma versão da dor aos olhos de Kusaka... õ/