Por Leona-EBM

Os Três Juizes do Inferno

Parte I

Lá estavam os dois juizes andando lentamente pelos terrenos infrutíferos do inferno. Eles estavam fazendo a patrulha rotineira. Hades não havia retornado ao seu trono e tão pouco despertado ainda. Não havia muita função para os espectros, então apenas protegiam os domínios da morte e aguardavam.

Minos e Aiacos estavam sempre juntos. Na verdade não havia motivo para dois juizes fazerem a patrulha juntos, um deles era suficiente para dar conta de qualquer problema, mas por motivo de afinidade eles estavam sempre juntos.

O clima pacífico foi rompido por uma rebelião que estava acontecendo num dos infernos. Eles estavam se dirigindo para o local com passos rápidos e quando chegaram acabaram por encontrar alguns espectros tentando conter as almas sofredoras de tentarem sair de suas covas.

- O que está acontecendo aqui? – indagou Aiacos a um dos espectros, que se aproximou, explicando o que estava acontecendo.

- Alguma coisa para nós fazermos finalmente. – falou Minos com um sorriso carregado de arrogância, empurrando o espectro inferior para o lado, jogando-o contra o chão duro enquanto passava junto a Aiacos.

- Você está entediado, Minos?

- Bastante.

- Tente procurar alguma coisa para fazer, pois não será tão cedo que nosso mestre retornará.

- Eu pretendo fazer algo em breve. – disse com um leve sorriso.

- Mesmo? O que pretende fazer para acabar com o tédio?

- Você verá Aiacos, você verá. Será bem prazeroso e divertido, creio que você gostará também.

- Ah, é mesmo? Então me conte depois. – comentou com descaso.

Minos suspirou, balançando a cabeça negativamente, não entendendo como Aiacos poderia ser tão ingênuo quanto as suas intenções para com ele.

Os juizes cuidaram de toda a confusão, trazendo a paz à prisão. Quando saíram, eles olharam para os espectros que os veneravam, agradecendo pela ajuda.

Um dos espectros que tinha a simpatia de Aiacos se aproximou com um leve sorriso, comentando alguma coisa. Aiacos lhe deu atenção, parando com as mãos na cintura, observando o menor lhe falar sobre algumas coisas que o divertiram.

O espectro tocou no ombro de Aiacos, enquanto ambos riam. Aquela situação era um pouco incomum entre um espectro e um juiz, mas não era tão absurda, afinal muito deles se conheciam por estarem lutando pelo mesmo objetivo por muitos anos.

- Vamos Aiacos! – falou Minos.

- Ah, eu já vou. Pode ir indo na frente, Minos.

O mais velho arqueou uma sobrancelha ao ouvir aquilo e foi se aproximando lentamente, enquanto encarava o sorriso simpático de Aiacos a um espectro qualquer. Aquilo o deixou enciumado, era notável o seu sentimento pelo juiz mais novo. Apenas Aiacos que ainda não havia notado.

Minos tocou na ombreira de Aiacos, chamando sua atenção. Eles se olharam por um minuto e Aiacos resolveu se despedir do seu colega com um aceno na cabeça e se afastar junto a Minos.

- Parece irritado, Minos.

- Não gostei daquele espectro se aproximando de você. Quem era ele?

- Um colega meu. Não se preocupe, ele não faltou com o respeito a um juiz, Minos. – falou com um leve sorriso.

Minos revirou os olhos diante aquela resposta e contou mentalmente até dez, para não perder a paciência. Como Aiacos não percebia suas intenções? Ele só podia se fingir de desligado.

- Aiacos, eu gostaria que viesse aos meus aposentos quando terminarmos a patrulha hoje.

- Por quê?

- Eu gostaria de um pouco de companhia.

- Você parece estar realmente impaciente nesses tempos, Minos.

- Sim, o tédio está me deixando de mau humor.

- Como quiser. Mais tarde eu passo por lá, agora eu preciso ir cuidar de alguns assuntos a mando Senhorita Pandora.

Minos viu seu amigo se afastar aos poucos até sumir de sua visão. Ele sorriu internamente com seus planos para mais tarde e voltou aos seus serviços. E não demorou para as horas passarem.

No seu quarto, Minos estava vestindo roupas normais, tecido de algodão que descia por seu corpo numa grande camisa que estava com os botões abertos, as suas pernas eram cobertas por uma calça de alfaiataria. Ele esperava por Aiacos, enquanto bebia um pouco de vinho e sua alegria foi ouvir os passos do seu companheiro se aproximarem pelo corredor.

Aiacos mal bateu na porta e essa já havia sido aberta pelo seu anfitrião. Diferente de Minos, o mais novo ainda usava sua armadura, ele havia direto de seus afazeres para entreter um pouco o outro. Quando entrou, logo foi convidado a se sentar à mesa e uma taça de vinho cheia lhe foi entregue.

- Estava até agora atendendo os pedidos da senhorita Pandora?

- Sim. – respondeu, enquanto movia sua cabeça de um lado para o outro, alongando seu pescoço.

Eles ficaram um bom tempo conversando e logo a garrafa de vinho estava vazia. Minos sorria internamente ao ver os olhos vermelhos do mais novo. Aiacos não conseguia beber muito e já ficava bêbado, ele mesmo admitia que não tinha resistência para a bebida.

- Eu vou pegar um bom whisky para bebermos.

- Acho melhor não, Minos.

- Amanhã não teremos afazeres logo cedo, portanto não tem problema. – disse, enquanto pegava a garrafa no armário. Quando voltou, ele sorriu para Aiacos que massageava suas têmporas, desejando que sua cabeça não começasse a doer.

Dois copos pesados de cristal foram cheios com a bebida. Aiacos gostava do cheiro do whisky, sua bebida favorita, mas ele bebia com moderação, pois sabia que poderia cair como um qualquer no chão se abusasse.

Certo, Aiacos sabia que não devia beber tanto e agora sentia que havia cometido mais uma vez outro erro. Ele olhou para o seu copo que estava ficando incerto demais, ora ele estava num lugar, ora estava no outro, na verdade estava perdendo um pouco de sua sanidade.

- Você está bem, Aiacos?

- Não devia beber tanto. Você sabe que eu não sou forte para bebida.

- Claro que eu sei. – sorriu – Venha Aiacos, eu vou te ajudar a se levantar.

- Acho melhor eu ficar sentado.

- Claro que não, levante. Você se sentirá melhor.

- Minos... não seria ao contrário? Eu prefiro ficar sentado. A não ser que queira descansar, assim eu voltarei ao meu quarto.

- Você fará muito barulho andando pelos corredores com essa armadura do jeito que está.

- Por isso vou esperar um pouco.

Minos se ergueu, indo até o mais novo, puxando-o pelo braço até que Aiacos se levantasse. Ele o ajudou a ir até a grande cama de casal que ficava num outro cômodo. Quando entraram no quarto, Aiacos se sentou no colchão macio, sendo acompanhado por Minos, que agora passava a mão por sua cabeça.

- O que está fazendo, Minos?

- Apenas mexendo no seu cabelo.

- Pare com isso. – pediu, dando um tapa na mão do mais velho.

- Sabe, Aiacos. Eu acho que poderíamos ter dias mais agitados nesse lugar.

- E como pretende fazer isso?

Os dedos compridos de Minos se moveram lentamente, fazendo o seu cosmo dançar por seus dedos e assim as linhas de sua técnica da marionete começaram a se prender no corpo de Aiacos, a quem poderia controlar sem nenhum problema e como ele estava bêbado, seria muito difícil para o mais novo notar o que estava acontecendo.

Aiacos moveu a cabeça e seu tronco na direção de Minos, sem notar que seus movimentos eram totalmente controlado. Ele estava absorto demais em seus pensamentos e só foi acordar quando se encontrou com os lábios próximos aos de Minos.

- O que está fazendo Aiacos? – indagou Minos, fingindo surpresa.

- Eu... eu...

- Quer me beijar?

- Não! Não! Não é isso... eu estou tonto, não é isso.

- Se você quiser, para mim tudo bem, Aiacos. – falou, passando a mão pelo queixo quadrado puxando de encontro a sua boca, batendo seus lábios macios contra os de Aiacos, abrindo lentamente sua boca para então enfiar sua língua habilmente para sua cavidade, sentindo o sabor que sempre ansiou. Aiacos suspirou e tentou ir para trás, mas não entendeu o motivo de seu corpo não obedecer e não ficou tentando pensar, pois sua cabeça doía.

As mãos de Minos desceram pelo peito de metal, amaldiçoando aquela armadura que cobria o corpo de Aiacos. Os dedos foram até seu pescoço, para poder sentir um pouco do calor de sua pele, tentando se acalmar com a irritação de não poder ver aquele corpo como desejava. A parte interna da coxa não havia a proteção dar armadura e o próximo passo foi levar as mãos ansiosas até o local, onde podia ficar mais próximo ao pênis adormecido do mais novo.

- Mi... Minos... – O chamou com o rosto rubro.

Minos moveu seus dedos atrás da cabeça do menor para que não visse as linhas da marionete saindo da ponta de suas unhas. E assim moveu os braços de Aiacos para que fechassem na sua cintura, abraçando-o.

- Quer mais contato, Aiacos? – Minos indagou. – Não sabia que queria tanto isso. Mas se é isso, eu vou te satisfazer.

Aiacos sentiu seu peito pesar, ele não conseguia explicar o que estava acontecendo. Não queria que as coisas fossem por aquele caminho e quando sentiu a mão de Minos apertar o seu membro, ele teve a certeza que deveria acabar com tudo aquilo antes que cometesse um erro. Com muita concentração, ele fechou os olhos e se afastou de Minos que parou de usar sua técnica da marionete.

- Minos... eu não sei o que... aconteceu. Desculpe-me.

- Claro. – sorriu com um ar decepcionado. – Mas eu acho que podemos fazer isso mais vezes, não acha?

- Co-como? – indagou com assombração, sentindo sua mente começar a funcionar novamente. Aquela situação era demasiada estranha, mas agora podia entender que Minos simplesmente o manipulou aquilo com a bebida e depois por trazê-lo até sua cama.

- Pode se deitar, Aiacos. Eu sei que está cansado.

Aiacos se ergueu num impulso, tocando na testa suada. Ele ignorou os chamados de Minos e saiu do quarto, esbarrando nos móveis, indo diretamente a porta e num novo impulso saiu, fugindo das mãos de Minos que quase o puxaram novamente para dentro. Felizmente no corredor estava Radamanthys que caminhava até Aiacos.

- Você está bêbado, Aiacos? – indagou Radamanthys com certa surpresa.

- Radamanthys, por favor, não diga nada. – pediu com agastamento, enquanto caminhava até o seu quarto que ficava alguns corredores à frente.

Quando chegou no seu quarto, Aiacos retirou sua armadura e caiu na sua cama, pensando em tudo que havia acontecido. Ele passou a mão por seus lábios e depois levou até seu membro, sentindo o pênis duro e ereto.

- "Maldição! Minos... você...".

Depois desse episódio, Aiacos fez o possível para não encontrar mais o outro juiz. Mesmo que fizessem o mesmo tipo de trabalho, o mais novo sempre se afastava quando sentia o cosmo de Minos se aproximando. Algumas vezes tratou de ficar com Radamanthys quando Minos se aproximava para impossibilitar qualquer diálogo atípico entre eles.

E assim conseguiu evitá-lo por uma semana.

Aiacos estava sentado no meio daquelas ruínas, sendo envolto pelo seu nublado, onde era banhado por tons vermelhos. Não havia luz do sol naquele mundo, nada que pudesse lhe dar uma clara visão dos caminhos que percorria. Por todos os cantos havia os portões das prisões, onde guardava os infernos que os humanos estavam a sofrer após a morte.

- O que tanto pensa, Aiacos?

O espectro olhou para sua direita, encontrando a silhueta conhecida de Minos que vinha se aproximando lentamente, deixando os cabelos prateados balançarem-se com o andar, pois ali não existia vento. Quando os dois juizes ficaram lado-a-lado, o mais novo, Aiacos apenas balançou a cabeça negativamente.

- Não pensa em nada?

- Não.

- Por que está aqui?

- Onde poderia estar? – indagou com impaciência.

- No meu quarto.

- O que quer agora, Minos!? – indagou num grito carregado de raiva e euforia.

- Por que está tão afastado? Eu estou te procurando faz tempo. Está se escondendo de mim por acaso?

- O mundo não gira ao seu redor. – falou com certa irritação.

Aiacos ergueu-se, olhando de soslaio para o outro juiz que lhe exibia um sorriso provocante. Desde que se envolveu com o cavaleiro mais velho a sua vida havia se tornado um verdadeiro inferno, por mais irônico que pudesse ser. Eles sempre foram companheiros, pois o trabalho os aproximava, todavia não havia notado as intenções maliciosas do outro para com sua pessoa até a semana passada.

- Não seja infantil, Aiacos. Desde que nós ficamos há alguns dias você tem fugido de mim.

- Não ficamos coisa nenhuma. Tire essa idéia da sua cabeça. – falou com irritação, começando a caminhar para longe de Minos que o olhava com indignação.

- Vai negar agora?

E uma discussão começou a surgir entre os dois juizes. Eles estão tão entretidos nos seus assuntos que não notaram a aproximação do terceiro juiz. Radamanthys estava observando-os ao longe, não acreditando que seus companheiros estavam quase se pegando pelo pescoço.

- O que está acontecendo aqui? – indagou o louro, com um tom autoritário.

Quando Aiacos e Minos lhe deram atenção a discussão teve o seu término. Aiacos bufou e se afastou com passos pesados, sendo observado pelos outros dois juizes.

- Aconteceu alguma coisa, Minos?

- Nada que você deva se preocupar, Radamanthys. – falou com irritação, caminhando na mesma direção que Aiacos.

Radamanthys exibiu um meio sorriso quando Minos lhe virou completamente de costas, divertindo-se internamente com a situação. Ele sabia exatamente o que deveria estar acontecendo, pois sempre foi muito claro o sentimento de Minos com relação ao outro juiz.

Ao longe Aiacos estava entrando no castelo, almejando entrar no seu quarto e ali ficar até que pudesse se acalmar, todavia já sentia o cosmos de Minos se aproximando.

- "Ele não vai me deixar em paz. O que ele vai querer afinal?" – pensava com grande impaciência, sem contar que no fundo de seu âmago estava com medo de confrontá-lo. – "Nós trocamos um beijo, um único beijo e um grande erro. O que mais ele quer?".

Aiacos passou por um extenso corredor, onde um tapete cor de sangue cobria o piso frio, enfeitando o lugar tão mórbido junto aos quadros de demônios que estavam pendurados a parede de concreto. As velas quase se apagaram quando Aiacos passou com o passo apressado, por fim ele entrou no seu quarto, batendo a porta com força.

O juiz sentou-se à uma mesa de mogno antiga, onde tinha uma garrafa de whisky. Ele ficou olhando para o seu copo vazio e sem pensar duas vezes o encheu, olhando para o líquido cobreado, analisando-o atenciosamente antes de bebê-lo. Ele ergueu o copo aos lábios secos e sentiu o álcool adentrar, acalmando seus dragões internos assim que sua garganta queimou pela composição da bebida.

Duas batidas na porta foram o suficiente para Aiacos praguejar. Ele ouviu a voz de Minos e seus pelos se arrepiaram.

- Vá embora!

- Não seja infantil. Eu quero falar com você.

- E eu não quero. Saia daqui Minos, antes que eu...

- Antes que o quê?

- Antes que eu coloque um fim indesejável a você.

A risada de Minos deixou Aiacos ainda mais contrariado. Quem aquele juiz pensava que era para começar a lhe importunar daquele jeito? Havia dado um beijo nele, tinha que admitir que foi dominado por uma atmosfera atípica na semana passada e se permitiu a tal ato, mas não queria repeti-lo. Será que ele não poderia dizer que foi um erro e Minos se afastar?

Um tempo se passou e a situação era a mesma. As batidas na porta continuavam. Aiacos ergueu-se, derrubando a cadeira no chão, puxando a maçaneta de metal num único impulso, quase arrancando a porta para fora dos eixos escuros. Minos entrou e fechou a porta atrás dele com um leve sorriso de vitória.

Aiacos era um ano mais novo que os demais juizes, mas parecia ser bem mais novo pelo seu temperamento e jeito de falar. Desde que ele havia sido designado para ser um juiz, Radamanthys e Minos ficaram inquietos, não conseguindo aceitá-lo, mas após ver a força de seu cosmo, eles acabaram por lhe aceitar.

Eles ficaram parados na frente do outro. Aiacos foi para um canto, encostando-se a parede com os braços cruzados, enquanto Minos ia até a cadeira que estava derrubada, erguendo-a com paciência para depois se sentar.

- Acho que podemos conversar melhor aqui.

- O que tanto quer falar? Eu já não deixei claro que não quero nenhuma relação com você?

- Não, não deixou – sorriu. – Eu posso saber o motivo dessa decisão?

- E agora eu tenho que ficar me explicando para você?

- Eu não vou desistir facilmente. Por que não se deita comigo apenas uma vez? – indagou, enquanto passava a mão pelos cabelos prateados.

Aquela pergunta fez Aiacos tremer internamente. As intenções do outro espectro estavam além de sua imaginação. Por um momento ficou sem fala, deixando apenas os lábios entreabertos, e assim sem querer ia seduzindo ainda mais o outro juiz que amava aquele ar inocente e abalado do mais novo.

- Isso... isso não vai mudar em nada minha decisão.

- Oh! Mesmo?

- Sim.

- Então tanto faz se deitar ou não comigo. A sua decisão vai ser a mesma?

- Eu irei odiá-lo mais do que agora. – falou com firmeza. – Agora já chega, Minos. Saia daqui.

Minos se ergueu para o assombro de Aiacos que tentou equivocadamente dar um passo para trás, mas apenas sentiu suas costas baterem com mais força contra a parede. O outro juiz riu baixinho, provocando-o ainda mais. E num piscar de olhos estava na frente de Aiacos, pressionando-o contra as rochas.

- O que tanto teme? Acha que vou machucá-lo?

- Eu não tenho medo de você!

A mão direita do mais velho tocou no rosto de Aiacos, resvalando seus dedos até uma mecha azulada, sentindo sua textura macia com muito prazer. Ele sempre tocou demais no corpo do outro, de forma companheira, sem mostrar suas verdadeiras intenções, todavia a farsa havia acabado. Agora queria sentir o corpo do outro sem nenhum fingimento.

- Por que não pode me aceitar?

- Acha que eu não ia perceber que me manipulou daquela vez?

- Sim, eu saberia que perceberia. – disse com um sorriso ainda maior nos lábios, enquanto olhava para Aiacos que era ligeiramente maior que ele. – Mas você ficou excitado. Minha manipulação foi mover seus braços ao redor do meu corpo, mas a sua língua se moveu com a minha por vontade própria e seu membro ficou bem rijo quando eu toquei.

Aiacos ficou com a face vermelha ao ouvir aquilo, ele não conseguiu evitar abaixar os olhos como se fosse uma criança sendo repreendida por Minos. O mais velho passou a mão pelo peito metálico.

- Por que não tira essa vestimenta e me mostra que eu não preciso de uma marionete.

- O que quer comigo afinal?

- Você, oras! Não fui claro? Acho que deveria ter sido mais claro, então. Você é muito inocente, Aiacos. Eu te desejo há muito tempo, eu já afastei Radamanthys de você quando vocês estavam mais próximos e qualquer outro espectro. Eu quero seu corpo, sua alma e sua atenção. – disse calmamente – Eu fui suficientemente claro agora?

- A-acho que sim.

- Não precisa ter medo de mim, eu não vou te fazer nenhum mal. Ao contrário, a partir de hoje eu te protegerei sempre que necessário e te ajudarei no que precisar, Aiacos.

- Não aja como se eu fosse um brinquedo frágil, Minos!

- Você sempre acha que eu te vejo como algo frágil, isso não é verdade, Aiacos. Se eu pensasse assim, eu já o teria tomado há muito tempo.

- Como se eu fosse deixar! – bufou.

- Ainda está resistindo? Não fique com vergonha. Diga-me, Aiacos. Por acaso você já ficou com alguém antes?

- Isso não é da sua conta.

Minos riu divertidamente, passando a mão pelo pescoço vulnerável de Aiacos, apertando levemente sua carne.

- Que bonitinho, você é mais inocente que eu pensava. Por acaso aquele foi seu primeiro beijo?

Aiacos fez a menção de se afastar e aquele foi seu erro, pois Minos estava sendo bondoso demais nesse meio tempo em apenas lhe pressionar contra a parede. Dessa vez as mãos do mais velho fecharam-se na cintura fina e o jogou contra o concreto com mais força, fazendo Aiacos bater a cabeça e gemer baixinho. A estrutura tremeu levemente e Aiacos deixou seu corpo escorregar um pouco, ajoelhando-se no piso frio. Não havia sido um simples empurrão, mas um grande tranco aliado ao cosmos de Minos que o derrubou.

Se tinha uma coisa que Minos não possuía, essa era com certeza a delicadeza e sutileza. Ele fechou sua mão nos cabelos azulados e puxou a cabeça de Aiacos para cima, admirando o rosto suado que se contorcia em dor.

- Não me obrigue a feri-lo, Aiacos. Você está sendo insistente demais, eu já decidi que você é meu. Não há muita coisa que você possa fazer. Diferentemente de Radamanthys e eu, você é bem mais fraco e imaturo.

- Então me mate!

Minos balançou a cabeça negativamente, enquanto passava a língua pelos lábios secos. Ele começou a andar pelo quarto, puxando o seu anfitrião pelos cabelos até o outro cômodo que era igual ao seu na sua arquitetura, por isso sabia por onde seguir. Quando entraram no quarto, tratou de jogar o corpo de Aiacos na cama.

- Minos se você se aproximar eu juro que vou... – interrompeu a sua fala ao ver as mãos de Minos se moverem para começar a manipular o seu corpo. – Ah... Minos... meu... meu corpo... não me obedece!

As linhas invisíveis começaram a moverem o corpo de Aiacos à vontade de seu mestre. Aos poucos Aiacos ia retirando sua armadura contra sua própria vontade, tentando resistir àquela técnica diabólica. Internamente desejava jamais ser inimigo de Minos.

Agora Aiacos estava vestindo uma calça e uma camiseta azul marinho que era um pouco comprida, chegando a cobrir parte de suas coxas. Ele ficou sentado na cama e aos poucos sua mão foi a barra da camiseta, retirando-a lentamente, mostrando seu físico perfeito para os olhos dourados de Minos. Quando retirou a sua calça, Aiacos se constrangeu, não acreditando que sofreria tamanha humilhação, mesmo sendo um dos três juizes.

Quando a última peça de roupa foi tirada, Aiacos se levantou, mostrando sua nudez para Minos que o olhava dos pés a cabeça sem nenhum pudor, parando nas suas genitais por um bom momento, já imaginando o que faria com o mais novo.

- Por que não se excita para eu ver?

- Nunca! Está louco?! Solte-me agora mesmo, Minos!

- Não grite tanto. Eu ainda nem comecei com você.

Aquelas palavras fizeram Aiacos engolir em seco. Minos puxou uma poltrona que estava num canto e se sentou na mesma, acomodando-se confortavelmente, para depois voltar a mover seus dedos, exercendo sua manipulação de novo. Agora Aiacos levava sua mão direita até seu membro, tocando-se lentamente, começando a massagear-se vagarosamente enquanto tentava a todo custo não sentir prazer diante daquilo.

- Não se reprima, Aiacos.

- Por favor... pare com isso.

- Eu paro quando você aceitar os meus sentimentos.

- Isso... nunca!

- Então será assim até você entender que não terá outra maneira. – sorriu de modo sádico, continuando a comandar Aiacos.

A masturbação estava começando a dar o efeito esperado. Aiacos conseguiu ergueu a cabeça e mordeu seus lábios para conter o gemido baixo quando seus próprios dedos lhe apertaram a glande com mais intensidade. Todavia Minos queria ver seu rosto mergulhado no prazer e logo moveu suas linhas, fazendo Aiacos ficar com o rosto parado na sua direção.

- Você é muito sexy, não deveria ficar com vergonha. Eu estou excitado só em te ver desse jeito.

- Minos... por favor...

Os pedidos baixos juntamente com os lábios trêmulos de Aiacos apenas aumentavam o desejo de Minos que sentia seu baixo ventre arder diante àquela cena. Ele estreitou seu olhar e deu mais força ao movimento, vendo Aiacos se masturbar com maior destreza e agilidade, levando o seu corpo a um estado de torpor.

O suor escorria pelos músculos definidos, as madeixas grudavam nas costas e no rosto do mais novo, que tremia em leves espasmos que iam aumentando seu ritmo à medida que o orgasmo ia se aproximando. Na cabeça do membro algumas gotículas começavam a aparecer, lambuzando os dedos próximos à glande. Aiacos encolheu sua barriga, mostrando os ossos de sua costela quando um forte espasmo o assolou.

- Vamos Aiacos... está quase lá. – disse perdido no prazer de assistir aquela cena.

Os gemidos de Aiacos eram reprimidos, mas não deixavam de soar como música aos ouvidos de Minos. Num espasmo mais forte Aiacos não conseguiu segurar sua voz, permitindo um gemido tímido e longo preencher o aposento enquanto suas mãos se lambuzavam com o seu próprio sêmen.

Aiacos estava ofegante, olhando de soslaio para Minos, constrangendo-se com o resultado final daquela manipulação. Todavia Minos não parou, ele comandou Aiacos para se sentar na cama com as pernas abertas, fazendo com que os seus dois pés ficassem em cima do colchão, deixando os joelhos flexionados e abertos, dando total visão de todo seu corpo ao mais velho.

- Já chega... Minos... – pediu com os olhos cheios de lágrimas, não agüentando mais aquela humilhação.

- Você que pediu por isso, Aiacos. – falou baixinho, com os olhos nublados de prazer, ele mesmo não conseguia parar com o que fazia. Aiacos era maravilhoso de todos os jeitos, tanto lutando numa batalha, mostrando ser um cavaleiro impiedoso, quanto humilhado numa cama, implorando por perdão.

A mão de Aiacos voltou a tocar no seu membro e voltar a massageá-lo com mais intensidade dessa vez.

- De novo? Minos, por favor!

- Vamos fazer algo diferente, então. Essa visão está me deixando com novas idéias.

A mão direita de Aiacos resvalou por todo seu peito até chegar abaixo de seu pênis, no meio de suas nádegas.

- Mi-Minos!

- Coloque um dedo para eu ver você se abrindo para mim, Aiacos.

- Não! Não se atreva! – gritou enfurecido.

- Agora eu vi que ficou realmente bravo. Mas não vai doer nada, você está bem excitado com isso.

Aiacos olhava para baixo, vendo sua mão trêmula chegar até o meio das suas nádegas, enquanto sua outra mão ia para trás, para que ele ficasse com o corpo levemente inclinado para trás, assim daria uma visão melhor do que estava fazendo para o seu telespectador.

O dedo do meio de Aiacos parou na sua entrada, tocando-a lentamente. Ele prendeu sua respiração quando começou a sentir o seu próprio dedo invadindo-o languidamente. Aquilo doía por mais delicado que estivesse sendo feito. Aiacos tentava se livrar daquela manipulação, mas de nada adiantava.

- Se continuar a resistir eu vou fazer você enfiar de uma vez, Aiacos! – falou num tom severo.

Mesmo diante daquele aviso Aiacos tentava a todo custo parar seus movimentos e aquele foi seu erro. Minos estreitou seu olhar e fez um comando mais brusco, fazendo com que Aiacos enfiasse o seu dedo de uma única vez, entrando por completo, causando dor a ele mesmo.

- Minos... pare... por favor, pare!

Minos suspirou e se ergueu da poltrona, indo até o mais novo que estava com o rosto molhado pelas lágrimas. Ele tocou na sua bochecha úmida e depois levou a mão aos lábios, sentindo o gosto salgado das lágrimas. Num simples gesto ele parou de movimentar o corpo de Aiacos que caiu deitado na cama, derrotado.

- Aiacos, olhe para mim.

- Vá embora, por favor.

- Olhe para mim. – pediu num tom mais firme, sendo obedecido. Os olhos azulados lhe observavam com atenção. – Bom garoto. Eu vou embora agora, amanhã eu voltarei e quero que você esteja mais dócil ou então não serei tão bom com você.

- Co-como!?

- Espero que esteja pronto nessa cama para me receber, Aiacos. Eu não quero manipulá-lo nesse ponto.

- E acha que eu estarei fazendo algo por vontade própria!? – indagou num grito furioso, sentando-se na cama.

- Então eu posso continuar com o que estou fazendo aqui.

Aiacos se arrependeu. Ele poderia ficar quieto e esperar Minos sair para que no dia seguinte estivesse preparado para enfrentá-lo, mas aquela situação lhe era desfavorável no momento.

O corpo de Aiacos novamente foi preso e ele foi forçado a se deitar na cama. Agora ele via Minos retirando suas roupas e aquilo lhe deixou num estado de pânico. Todavia não tinha a quem recorrer e seria humilhação demais gritar por socorro. Não queria que ninguém visse aquela cena.

A nudez de Minos o alertou para o que viria. O mais velho ajoelhou na frente das pernas de Aiacos até que ele deixou seu corpo deitar em cima do peito agitado do mais novo. Minos não perdeu um segundo sequer, ele já começou a devorar aquela boca úmida, deixando sua língua passar por todos os cantos e seus lábios chuparem a pele.

Os dedos de Minos apertavam a carne do outro com toda força, deixando marcas vermelhas que logo ficariam roxas. Quando chegou nas coxas de Aiacos, Minos pareceu enlouquecer, cravando suas unhas na região, cortando sua pele, causando dor ao mais novo que gemia entre o beijo esmagador.

Uma bofetada foi desferida contra uma nádega de Aiacos que gemeu de susto e dor. Seus cabelos da nuca foram puxados para trás, deixando todo seu pescoço para o bel prazer do mais velho, que começou a chupá-lo e lambê-lo.

- Quer ficar nessa posição ou de quatro para mim, Aiacos? – indagou próximo ao seu ouvido, enquanto mordia sua orelha.

- Minos...

- Responda. Se não escolher, eu vou fazer isso por você.

- Por favor, Minos... não faça isso comigo.

- Não tente me enrolar, Aiacos. Responda logo. – pediu, parando com o que fazia, para olhá-lo com atenção.

- Minos... vamos tentar conversar.

- Não! – riu baixinho com aquele pedido. – Acho que já conversamos e decidimos as coisas. O que estou fazendo agora é resultado da nossa conversa.

- Então me dê um tempo para pensar.

- Por que eu faria isso?

- Você por acaso gosta de mim? Se preocupa comigo?

- Hum... Que pergunta mais inconveniente, não é mesmo? Esse tipo de coisa não pode ser perguntado, Aiacos. Você está invadindo meus sentimentos.

- E o que você acha que está fazendo agora!?

- Invadindo seu corpo. Isso é bem diferente! – disse com um sorriso cínico.

- Então está fazendo isso apenas por prazer?

- Como você é esperto!

Aquela resposta pareceu esmigalhar qualquer sentimento que havia dentro de Aiacos. Minos não o via como um companheiro, como um amigo que lutava por causas comuns. Ele era apenas um brinquedo em suas mãos, uma pessoa que desejava possuir.

O brilho no olhar de Aiacos morreu com aquela resposta e Minos percebeu. Ele virou Aiacos de bruços facilmente, sentindo o corpo mole do outro juiz que parou de resistir finalmente.

- Isso mesmo, Aiacos. Assim é bem melhor – sussurrou. – Eu vou fazer você sentir muito prazer, mas vai doer nas primeiras vezes já que você é tão puro. Eu nunca pensei que alguém tão bonito como você fosse virgem ainda. E pensar que nem seu mestre e nem seus companheiros de treino nunca te tocaram, eles eram grandes idiotas.

Enquanto falava, Minos pegava seu próprio membro que há tempos encontrava-se duro e ereto, pronto para ser usado como bem entendesse. Ele abriu as pernas de Aiacos que estava com os ombros encostados diretamente no colchão, deixando sua cabeça afundada nos lençóis como se fosse um corpo sem vida.

Aos poucos a cabeça daquele membro começou a pedir espaço, entrando lentamente. Aiacos por sua vez não conseguiu se manter indiferente, ele agarrou-se nos lençóis, enquanto seus dentes estavam cerrado, tentando agüentar aquele tranco. Minos passava a mão por sua coxa, acarinhando-a enquanto continuava a entrar.

- Se... você fosse meu companheiro de treino... eu ia... fazer isso todos os dias com você, Aiacos. – Dizia com uma voz doce, enquanto movia seu quadril para frente e para trás, indo com suavidade contra o corpo trêmulo. – Você ia ver como... eu entraria agora... facilmente. Mas logo... seu corpo vai se acostumar. Você verá daqui uns dias... como será mais... gostoso! – disse a última frase com um tom elevado, movendo-se com mais agilidade contra o mais novo que gritou.

O grande falo entrou por completo para o alívio de Minos que não desejava sair dali tão cedo. Ele deu um tapa energético numa das nádegas e fechou suas mãos no quadril de Aiacos e assim começou a puxá-lo e empurrá-lo, enquanto seu quadril também se movimentava contrário os movimentos do corpo de Aiacos, dando mais ritmo a penetração.

- Ah... você, um juiz, completamente entregue e de quatro para mim, que humilhação, Aiacos. Não se preocupe, ninguém vai saber disso. – riu baixinho. – Não vou deixar ninguém rir de você, também. Você será meu putinho em segredo, tudo bem? Hein, Aiacos? Tudo bem?

Aiacos sentiu um tranco maior e seus cabelos serem puxados com força para trás.

- Me responda, Aiacos.

- O quê!?

- Está tudo bem em ser meu puto?

- Nun... nunca!

- Ah, resposta errada! – riu alto, dando outro tapa contra a sua nádega, voltando à penetração mais forte e ágil. Minos mordia seu lábio inferior, gemendo baixinho, deliciando-se com tudo que fazia, satisfazendo-se ao saber que estava tendo o corpo daquele que tanto desejava. – Mais uma vez, Aiacos. Diga que é meu!

- Não!

A mão de Minos fechou com mais força nas madeixas azuladas, arrancando alguns fios, enquanto sua penetração continuava com a mesma intensidade.

- Diga!

- Por... favor, Minos!

- Não é isso que eu quero ouvir. Eu vou te dividir ao meio se não dizer!

- Eu...

- Diga! – gritou, dando outro tapa contra suas coxas que já estavam sangrando.

- Eu... sou...

- Diga quem é seu mestre. Vamos, Aiacos!

- Eu sou... sou... seu.

Minos riu deliciosamente, parando de bater no mais novo. Sua mão soltou a sua cabeça, vendo que estava cheia de fios azulados presos nos meios dos dedos. O ritmo da penetração ficou mais vagaroso, todavia não demorou a que Minos gozasse no interior daquele canal tão quente e apertado. Quando terminou, ele saiu lentamente, vendo seu membro manchado pelo seu próprio gozo e um pouco de sangue.

- Seu sangue virgem está no meu corpo, Aiacos. Veja!

O mais velho o puxou para que ficasse sentado novamente na cama. Aiacos olhou para o lençol vermelho de sangue e para o membro lambuzado de Minos. Ele abaixou a cabeça, não conseguindo encarar o juiz.

Minos empurrou seu peito para trás, fazendo-o se deitar. Ele se aproximou para beijar seus lábios, vendo que os olhos de Aiacos estavam totalmente sem brilho, ele começou a beijar sua boca mesmo assim, sentindo a língua mórbida esbarrar na sua sempre que tentava movimentá-la.

- Eu vou para meus aposentos agora. Amanhã nos veremos, Aiacos.

Ao terminar de falar ele já se ergueu e começou a vestir suas roupas, antes de sair do quarto deu uma última olhada para o juiz que estava derrotado na cama. Aiacos levou as mãos ao rosto quando ouviu a porta se fechar. Agora ele chorava baixinho, sentindo seu corpo arder de dentro para fora.

Minutos mais tarde Aiacos se levantou, indo até o espelho de sua penteadeira e ali viu o estado que estava. Seu peito estava arranhado, mas suas pernas estavam num estado lamentável. Ele se moveu até o banheiro e entrou embaixo do chuveiro, deixando a água fria descer contra seus ferimentos. Quando terminou de se lavar, ele bebeu quase todo o seu whisky e foi dormir.

As horas de sono foram importantes para Aiacos, pois ele não pensava mais na violência que sofreu com Minos. Mas quando acordou, a primeira pessoa que veio a sua cabeça foi o juiz. Ele vestiu sua armadura com um olhar entristecido e saiu dos seus aposentos para fazer suas funções diárias.

Felizmente não havia encontrado Minos nos primeiros minutos. Ele estava andando com a cabeça baixa, distraído, recordando-se de cada cena, palavra e sorriso de Minos.

- Aiacos!

O juiz olhou para o lado, vendo aquele que tanto odiava se aproximando. Minos tinha um sorriso leviano nos lábios e quando se aproximou, ele tocou na ombreira do mais novo.

- Como está?

Aiacos nem sequer responder, ele deu um tapa naquela mão e deu um passo a frente, tentando fugir dali antes que travasse uma batalha ali mesmo e contrariasse as ordens da Senhorita Pandora. Ele não podia chegar para a responsável pelos 108 espectros chorando, reclamando que havia sido violentado por um de seus companheiros. Isso seria sua morte.

O mais novo foi dar mais um passo para se afastar por completo, todavia já encontrava seu corpo preso, sem poder mover um dedo sequer. Minos foi se aproximando com uma doce risada, parando logo atrás.

- Por que está fugindo de mim, Aiacos? Você não me disse ontem mesmo que era meu?

- Minos, se não me soltar agora, nós iremos resolver isso...

- O que está acontecendo!? – a voz alta e autoritária de Radamanthys cortou o diálogo. – O que vocês pensam que estão fazendo? Querem brigar para despertar o aborrecimento da senhorita Pandora?

Os três juizes ficaram se olhando. Aiacos queria morrer ali mesmo caso Radamanthys descobrisse o que havia acontecido. Minos continuava com um sorriso leviano nos lábios, mantendo seus braços cruzados, encarando Radamanthys com igual superioridade. Enquanto o louro olhava para os dois, sem entender o motivo para a elevação de seus cosmos de modo tão agressivo.

Minos começou a se afastar lentamente dando uma última olhada para Aiacos que suava em frio. Quando ele sumiu, Radamanthys deu sua atenção ao outro juiz.

- O que está acontecendo entre vocês? De uns dias para cá, vocês estão sempre discutindo.

Aiacos não conseguiu dizer nada, ele não podia contar o que estava acontecendo. Ele não podia permitir que seu nome fosse motivo de chacota dos outros.

- Nada demais, Radamanthys. Preocupe-se com os seus assuntos.

- É o que eu estou fazendo. – disse, virando suas costas, afastando-se do mais novo.

E os afazeres de Aiacos e os demais espectros foram concluídos horas mais tarde. Não havia sol e nem lua naquele inferno, não existia a noite e nem o dia, tudo era determinado pela cor que banhava os céus. Se fosse um vermelho mais intenso, isso significava que o expediente estava chegando ao seu final. Mas nunca havia descanso, sempre havia espectros espalhados pelos arredores.

Aiacos parou onde estava, olhando aos arredores, vendo que estava sozinho e em paz. Ele temia voltar para seus aposentos e confrontar Minos. Nunca pensou que poderia ser tão covarde, ele não conseguia sequer encará-lo, mas mal ele sabia que havia sido instalado um trauma que fazia com que ele não conseguisse desafiar o outro, mesmo que fosse capaz. No momento sentia-se indefeso, inferior a qualquer um. Sujo, imundo, indigno... merecia a morte.

O mais jovem dos juizes ficou rondando por mais um tempo até que resolveu voltar ou então se perguntava se dormiria ali mesmo. Quando chegou no seu aposento, ele foi diretamente para o banheiro, onde tratou de tomar um banho lento para tirar todo seu estresse. Quando terminou, ele enrolou uma toalha em volta de seu quadril e saiu, batendo a porta de madeira.

- Bem melhor que aquela armadura pesada, Aiacos.

Os pêlos de Aiacos arrepiaram-se. Minos estava encostado na parede, ao lado da porta do banheiro. Seu cosmos havia sido ocultado para que não fosse notada sua presença. Aiacos virou-se para encará-lo com surpresa.

- Hoje eu vou tentar te ensinar a me tratar melhor quando estivermos no nosso serviço, Aiacos.

Os lábios trêmulos do mais novo eram um sinal que Minos podia se aproximar e ele o fez, tocando no seu rosto frio, acariciando os fios azulados que agora estavam mais escuros por causa da umidade.

- Você é realmente irresistível.

- Acha que vai ser como ontem?

- Isso é óbvio. – sorriu, enquanto sua mão ia à direção da nuca do mais novo, fechando-se nos fios úmidos. – Acha que pode me enfrentar? Vamos fazer um teste. Tente se livrar desse abraço. – Falava, enquanto seus braços se fechavam na cintura fina do moreno, apertando-o.

Aiacos sentiu a forte pressão e começou a empurrá-lo para trás sem muito êxito. Os músculos de Minos não eram tão definidos como os seus, mas ele tinha uma força absurda que o fazia temer. Não conseguiu movê-lo um milímetro sequer. Será que as suas forças eram tão diferentes assim? Será que havia um grande abismo entre seus poderes?

- Não tem como resistir a mim, Aiacos.

- E vai querer... sexo de novo?

- Por qual razão eu viria aqui?

- Sempre conversamos normalmente.

- Eu estava tentando te seduzir, mostrar minhas intenções, mas você é tão inocente e ingênuo que não percebia e por isso tive que mudar minhas atitudes. – falava calmamente, como se explicasse para uma criança. – E eu pensando que já tinha dado todas as indiretas desse mundo. Mas com você tem que falar claramente, como se fosse uma criança.

- In-indiretas?

- Sim, Aiacos. Eu dava todas as indiretas do mundo, até mesmo Radamanthys já havia percebido e vindo falar comigo sobre isso. Qualquer pessoa notaria, mas ou você é muito ingênuo ou então finge que é.

Aiacos ficou estático com aquela notícia. Então até mesmo Radamanthys sabia da situação? Então será muito mais fácil para o outro juiz descobrir o que estar acontecendo para a sua humilhação ser completa.

- Mas com essa cara de espanto, eu acredito que seja realmente ingenuidade sua.

Aiacos voltou a tentar se afastar e dessa vez sentiu que Minos se esforçou para prendê-lo. Ele não era fraco, isso estava longe de ser verdade, por isso o mais velho tomava cuidado para não cometer nenhum erro.

Num impulso Minos o jogou contra a cama para ficar com as mãos livres, agora ele movia as linhas de sua técnica, prendendo o corpo de Aiacos que estava quase desnudo, pois a toalha havia escorregado, escondendo apenas parte de seu corpo.

- Por que não tenta ser mais gentil, Aiacos?

- Por que não cala a merda dessa boca de uma vez por todas!? – indagou num berro que talvez pudesse ser ouvido de todo o castelo. Minos até deu um passo para trás com aquela explosão. O cosmo de Aiacos elevou-se a um nível perigoso, ele se moveu com esforço e arrumou a toalha em volta do quadril para depois voltar a encarar o seu inimigo.

- O que vai fazer Aiacos? Acha que pode...

- Acha que vai sair vivo desse quarto, Minos!?

Aiacos avançou com sua velocidade e golpeou a face do Minos, jogando-o contra a parede, que se quebrou deixando os eixos caírem em cima do mais velho. Aiacos foi se aproximando, puxando Minos pelos braços a fim de fazer ele dar um passeio pelos céus com sua técnica para ele aprender a lhe respeitar. Todavia nesse instante a porta de seu quarto se abriu e Radamanthys adentrou.

- Agora não tem como dizer que nada está acontecendo! – falou o louro, aproximando-se dos dois. Nesse instante Minos já estava se recuperando do ataque, ele deu um passo para o lado e ficou no seu canto, limpando o sangue que escorria de seus lábios e da sua testa.

- Radamanthys, quem deixou que você entrasse no meu quarto?

- A partir do momento que você se esquiva de seus deveres, eu irei interferir. Não importa quem seja. Essas são as ordens da senhorita Pandora!

- Então tira esse verme da minha frente antes que eu o mate!

- O que você fez Minos?

- Nada demais, ele que ficou irritado com o meu jeito. – disse com um largo sorriso.

Aiacos voltou a elevar seu cosmo, mostrando para os outros dois juizes que aquela situação não teria um final feliz se continuassem daquele jeito. Radamanthys puxou Minos pelo braço para fora do quarto, deixando Aiacos finalmente a sós.

O moreno se jogou na sua cama, olhando para o estrago que havia feito na sua parede, mas aquilo havia valido a pena. Ele repetiria isso incontáveis vezes até se vingar por completo. Todavia logo sua paz foi interrompida por Radamanthys que entrou novamente em seu quarto.

- Minos não me disse o que aconteceu. Então me explique, Aiacos.

- Como se você fosse meu superior. – falou com agastamento – Não seja tão arrogante, Radamanthys.

- Eu sei o que Minos quer e imagino o motivo dele estar nesse quarto. Mas mesmo assim, eu não entendo o porquê de você querer atacá-lo daquele jeito.

Aiacos deu mais atenção a Radamanthys daquela vez. Ele suspirou e passou a mão por seus cabelos úmidos, enquanto massageava sua testa.

- Minos disse o que queria de mim também.

- Não seria mais fácil recusar?

- O que você... me diria Radamanthys... ou melhor, o que você faria se... se...

- O que aconteceu, Aiacos?

- Se fosse controlado como uma marionete para atender... as vontades... sexuais de Minos?

Radamanthys ficou estático diante daquela pergunta. Ele olhou para o corpo de Aiacos, vendo que ele tinha marcas de dedos e unhas por toda a região de seu corpo. Agora podia entender o motivo de sentir o cosmos de Aiacos e Minos tão agressivos no dia anterior.

O louro passou a mão pelos cabelos curtos, tentando pensar no que falar para Aiacos que parecia uma criança desamparada. Ele foi se aproximando lentamente, pensando no que poderia aconselhar. Aiacos realmente parecia ser sensível e Minos soube pegá-lo no ponto certo.

- Aiacos... ele te... forçou?

O moreno apenas balançou a cabeça positivamente, enquanto suas mãos apertavam com força a toalha de algodão. Aquilo era sua humilhação suprema.

- E ele... queria fazer de novo agora?

- Sim.

- Por isso o atacou?

- Claro. Não podia permitir ser... manipulado daquele jeito horrível de novo.

- Você devia ter notado as intenções de Minos, Aiacos. Como não notou?

- Eu não sou ligado para esse tipo de coisa, eu nunca pensei em ter sentimentos para com alguém desse jeito, Radamanthys, assim eu penso que ninguém jamais os teria por mim. Além disso, não é comum um homem sentir isso.

- Antigamente os homens relacionavam-se desse jeito, assim como os deuses também o fazem. Não sei o motivo de achar isso estranho. Ainda mais entre cavaleiros, isso é bem mais comum e só você mesmo para não perceber, Aiacos, mas outros espectros vivem tentando sua simpatia e você não percebe. – falou, vendo a expressão de surpresa do mais novo. – Francamente... você é realmente ingênuo nesse aspecto. Agora terá que se acertar com Minos.

- E o que seria esse se acertar?

- Pararem de brigar, tentem conversar. Não podem ficar quebrando os domínios de Hades desse jeito.

- O que faria no meu lugar?

- Eu nunca estaria no seu lugar, Aiacos. Eu já teria percebido o que Minos queria e teria parado, mas você é tapado demais.

- Era tão evidente assim?

- Por Hades! Um dia ele disse que queria te ver nu claramente, pois te achava bonito, Aiacos!

- Oh! Esse dia! Mas eu não vi isso de um jeito malicioso... eu pensei que ele queria comparar o nosso físico para ver a nossa força.

Radamanthys riu baixinho ao ver aquele olhar ingênuo, além do diálogo de Aiacos. Ele se sentou ao seu lado, olhando-os de soslaio.

- Eu posso te ajudar com Minos se quiser.

- Pode?

- Sim, mas eu vou querer algo em troca.

Aiacos olhou de modo desconfiado para Radamanthys, ele se afastou alguns centímetros sentando-se um pouco afastado, temendo que ele também propusesse alguma coisa indecente.

- O que você quer?

- Está mais esperto agora. – riu baixinho.

- Depois de que eu ouvi aqui, eu vou desconfiar de qualquer coisa.

- Você é alguém que realmente dá vontade de se pegar, Aiacos. – comentou com um sorriso divertido. – Nem parece um homem, apesar de ser um juiz e ser sério no que faz. Minos estava sangrando bastante com o golpe que você aplicou nele e se eu não tivesse chegado a tempo, eu tenho certeza que você o teria matado. Mas em outras coisas, você é um homem muito fraco.

- Não caçoe de mim, Radamanthys.

- Eu vou querer exatamente isso que você deu a Minos.

- Ah... mas... mas como assim?

- Eu também acho os dias aqui tediosos demais. Qual o problema? Pelo menos podemos nos divertir juntos. Minos não irar mais te atrapalhar, ele ficará mordido de inveja, também com ciúme. Acho que seria um ótimo meio de se vingar. Nós juizes apenas nos relacionamos entre nós. – comentou com um sorriso divertido nos lábios. – Minos ficará isolado apenas nos observando.

Aiacos ficou hesitante, a proposta parecia tentadora tirando apenas um item, ter que se relacionar sexualmente com o outro juiz. Ele ergueu seu olhar e observou as madeixas louras de Radamanthys e depois seu sorriso. Era inegável que Radamanthys era atraente, mas nesse ponto até mesmo Minos era.

- Tudo bem.

- De acordo? – indagou, estendendo sua mão. Aiacos a apertou, movimentando sua cabeça numa resposta positiva. E sem esperar, Radamanthys o puxou, fechando seu braço no seu pescoço, puxando-o num meio abraço, para aproximar suas bocas que logo se juntaram num beijo rápido.

- O que pretende fazer, Radamanthys?

- Eu vou falar com Minos.

- Falar o que?

- Amanhã eu te falo. Agora descanse, Aiacos.

O moreno concordou e viu Radamanthys se afastar, sem saber se havia realmente feito um bom acordo. Ele deitou-se na sua cama e descansou seu corpo por horas até que acordou a fim de voltar a sua rotina diária.

OoO

Continua...

Esse conto foi feito num momento de pura inspiração, saiu num único dia e me proporcionou bons momentos de distração. Eu espero que estejam gostando.

O que acontecerá com Minos e Aiacos?

Não houve betagem, se tiver erros grotescos de matar avisem. Claro que um ou outro passa, mas eu também não sou perfeita.

Comentários são bem-vindos. O que acharam?

e-mail: gotasdegelo(arroba)hotmail.(ponto).com

6/8/2009

Por Leona-EBM