Amor, Estranho amor...

Capítulo 1

Fandon: J2 / Padackles

Estrelando: Jared / Jensen

Advertências: Trata-se de pura ficção, com conteúdo adulto.

Nota: A idéia de escrever esta fic surgiu depois que assisti a um vídeo muito fofo no YouTube: Life with the Padackles - J2 AU

Sumário: A forma como o conheceu foi inesperada... mesmo assim, algo naquele homem o atraiu... Isto sem falar naquela criaturinha curiosa e irritante de três anos, que também acabou conquistando seu coração...


Parecia ser um serviço bem simples... bastava abrir a trava, desacionar o alarme... algo com que já estava habituado... ou já estivera algum dia... Talvez os incríveis ensinamentos do seu pai finalmente estivessem servindo para alguma coisa...

Fez sua parte do serviço rápido, limpo e sem chamar a atenção de ninguém... Só não esperava que o dono do carro fosse aparecer justo na pior hora.

O combinado era de se mandarem caso algo saísse errado... e foi o que ele e Clay fizeram, só não contavam que Brad estivesse armado com um canivete, e ao invés de seguir o plano, resolveu enfrentar o homem que se aproximou...

Clay ao ver Brad encostar o canivete no pescoço do homem, resolveu correr, os deixando para trás... Jared deveria ter feito o mesmo, mas sua maldita consciência não deixou... Então pediu para Brad largar o canivete e deixar o homem ir... mas seus pedidos insistentes não adiantaram de nada... Brad estava nervoso e isso só piorava a situação.

Puderam ouvir as sirenes da polícia ao longe... então Brad em meio ao pânico, acabou passando o canivete na garganta do cara, e ao perceber o que tinha feito, também saiu correndo do local. Ótimo... Jared ficou estaqueado no lugar... não acreditando no que estava acontecendo...

O sujeito que deveria ter uns trinta anos, caiu de joelhos no chão, segurando a própria garganta que agora estava encharcando sua camisa de sangue...

Num impulso rápido, Jared correu até ele, e se ajoelhando no chão, o acomodou deitado em seu colo, pressionando o corte na garganta com uma das mãos...

Pegou seu celular o mais rapidamente e ligou para a emergência, solicitando uma ambulância...

- Os seus amigos te deixaram na mão...

- Eles não são meus amigos, e você deveria ficar quieto, a ambulância logo vai chegar...

- Qual é o seu nome?

- Por que você quer saber? Merda... você está morrendo e quer saber meu nome?

- Qual é?

- Jared...

- Jared... se você correr, ainda pode conseguir escapar...

- Se eu tirar a minha mão daqui você morre em menos de cinco minutos...

- E por que você se importa?

- Isso... isso não era para estar acontecendo... está tudo errado... e eu não vou deixar você morrer...

Jared estava desesperado... sabia que estava ferrado... Como queria que o tempo voltasse atrás para não ter se metido naquela roubada... sentia suas mãos tremendo... Mesmo pressionando, o ferimento não parava de sangrar... Ficou olhando para aqueles olhos verdes que estavam aos poucos perdendo o brilho... e não pode evitar as lágrimas que rolavam por sua face...

- Eu sou o Jensen - O homem disse com a voz fraca.

- Não é nenhum prazer te conhecer, Jensen...

- Você... está ficando verde...

- Eu estou ficando enjoado... você não pára de sangrar...

- Só... não vomita em cima de mim, ta?

- Eu vou tentar...

Jensen tentou rir, mas se engasgou... estava aos poucos perdendo a consciência...

- Jensen! Jen!

- Hmmm - respondeu num resmungo, mal abrindo os olhos...

- Não morre Jen, por favor! Não morre!

Mas foram as últimas palavras que Jensen ouviu antes de perder a consciência por completo...

A ambulância chegou um minuto depois... colocaram Jensen em uma maca e prestaram os primeiros socorros. O braço de Jared estava dormente, quase não conseguiu tirar a mão do pescoço de Jensen quando os paramédicos chegaram para fazer o atendimento.

Então Jared se agachou na beira da rua, apoiando as mãos nos joelhos, e vomitou... Suas roupas estavam encharcadas de sangue... aquele cheiro estava impregnado em seu corpo...

A polícia chegou já em seguida... empurraram Jared contra o capô do carro sem nenhuma gentileza e o algemaram... Entrou no camburão sem dizer uma palavra... apenas torcendo para que Jensen ficasse bem...

Chegando na delegacia o levaram a uma espécie de vestiário, onde tomou um banho frio, mas que serviu, porque não aguentava mais aquele sangue grudado em seu corpo, e lhe deram para vestir uma calça e uma camisa azul que mais pareciam com um uniforme. Depois disso o enfiaram em uma cela pequena, onde permaneceu sentado numa pequena cama com um finíssimo colchão.

Tanta coisa havia acontecido... Jared não conseguia raciocinar direito... precisava colocar suas idéias em ordem, mas primeiro... precisava fazer uma ligação...

Chamou pelo guarda e o permitiram ligar, mas logo em seguida foi chamado para interrogatório. Não respondeu as perguntas, pois não tinha um advogado, e também porque queriam que ele entregasse os dois outros assaltantes, o que ele não iria fazer de forma alguma.

Passaram-se dois dias, e levaram Jared a uma salinha, dizendo que recebera visita... o que estranhou muito, pensando em quem seria... até entrar lá e dar de cara com Jensen...

Jared ficou boquiaberto ao vê-lo ali... vivo!

Jared teve que ficar sentado em uma cadeira com as mãos algemadas em uma mesinha a sua frente... Jen então se sentou na cadeira em frente...

- Jensen... O que... o que você faz aqui?

- Oi... Jared... na verdade... eu vim te agradecer...

- Agradecer? Por ter tentado roubar seu carro? - Jared riu sem humor.

- Não, por ter salvado a minha vida... Afinal, se você tivesse fugido, eu realmente não estaria aqui há essa hora...

- Ah... mas... você está bem? Não deveria estar num hospital?

- Eu saí ontem, e já estou bem melhor...

Jared estava com os olhos marejados, não conseguia olhar para Jensen sem lembrar-se daquele momento, onde achou que ele iria morrer em seus braços...

- Jared... eu... tentei retirar a queixa contra você, mas, é um pouco mais complicado do que eu pensava...

- Tudo bem Jensen, eu... fiz por merecer...

- Tem algo que eu possa fazer por você?

Jared ficou pensando... Jensen era um completo estranho... mas quem sabe pudesse ajudar... Também não tinha outra opção... só não sabia como lhe pedir uma coisa dessas... realmente estaria se aproveitando da situação...

- Na verdade tem...

- O quê?

- É... eu... eu preciso da sua ajuda... só não sei se...

- Fala Jared! No que eu puder te ajudar... afinal eu te devo a minha vida...

- É que... eu tenho um filho... ele tem três anos e... ele está com uma vizinha agora. O problema é que ela só vai poder ficar com ele até amanhã, e com certeza eu não vou sair daqui tão cedo, então... Será que você conhece alguém de confiança, que possa ficar com ele, até eu sair daqui?

- Mas Jared, isso...

- Jen, eu sei que é pedir demais... mas, se ele for mandado para o juizado... ele... Eu vou perdê-lo, entendeu? Vão acabar tirando ele de mim... e ele é tudo o que eu tenho...

- É complicado, Jared... eu não sei se posso fazer isso...

- Tudo bem, eu sabia que devia ter me mandado de lá, e salvado a minha pele, ao invés de me preocupar com a sua droga de vida... - Jared pensou estar pegando pesado agora, mas talvez funcionasse...

- E você estaria com a consciência limpa, há essa hora?

- Não, mas o meu filho teria quem cuidasse dele...

- Jared, eu...

- Deixa pra lá... eu me viro... é melhor você ir embora...

Jensen fez menção de levantar, mas diante do olhar de Jared, não conseguiu ir em frente... voltou a sentar e anotou o endereço que o moreno lhe passou...

- Eu vou ver o que posso fazer... te aviso assim que decidir alguma coisa...

- Obrigado.

Então Jensen foi embora e o guarda levou Jared de volta para a cela... onde ficou se odiando por tudo que estava acontecendo... por sua culpa agora seu filhinho estava nas mãos de estranhos... e ainda por cima corria o risco de perdê-lo...

Jensen saiu dali e foi direto para casa... ficou olhando para aquele papel com o endereço várias vezes, e não conseguia decidir o que fazer... como iria ficar com o filho de alguém que mal conhecia... e que além de tudo era um marginal... Se bem que disso Jen ainda tinha suas dúvidas, pois se fosse mesmo um marginal o teria deixado lá para morrer e salvado sua própria pele, ao invés de socorrê-lo.

E tinha mais um problema... o garoto tinha três anos... e Jensen não suportava crianças... como iria aturar um pirralho por sabe-se lá quantos dias?

- Puta merda! Que situação!

Aí lembrou-se do olhar desesperado de Jared lá na delegacia... e ficou pensando que não deveria ser nada fácil estar numa situação como a dele, e ainda tendo um filho pequeno perdido no mundo, sem ter ninguém para ajudar.

Acabou amolecendo seu coração e decidiu que iria buscar o garoto... depois arranjaria alguém que tomasse conta dele...

Foi até o endereço informado, e parou o carro diante da casa, onde havia um garotinho loiro brincando com um aviãozinho de madeira no quintal. Chamou pela senhora Susan, que lhe entregou o garoto sem nem fazer muitas perguntas.

O menino era loiro, cabelos encaracoladinhos não muito curtos... com os olhos verdes e um sorriso encantador, mostrando as covinhas, igual ao pai...

Engraçado que Jen mal tinha visto Jared sorrir, afinal, o modo como se conheceram não era muito propício a sorrisos, então como é que estava lembrando agora das malditas covinhas?

Bom, de qualquer forma, levou o garoto para casa, ele parecia meio assustado, relutante... afinal, pelo menos alguém tinha juízo naquela porcaria toda...

Jensen falou que era amigo do seu pai, mas achava que ele não estava muito convencido disso...

Ficou quietinho a viagem toda, e chegando em casa Jensen o instalou no quarto de hóspedes, e pediu a empregada para lhe dar um banho e preparar um jantar.

Jensen não tinha jeito nenhum com crianças, isso seria um completo desastre, mas reparou que o garoto não comeu quase nada, e que até este momento continuava calado.

- Como é mesmo o seu nome, moleque?

- Eu não sou moleque - Respondeu com a cara amarrada - É Gabriel.

- Ah... e você não vai comer?

- Não to com fome... eu quero o meu pai!

- O seu pai... eu te falei que ele está com uma gripe muito forte, e ele quer que você fique aqui por uns dias. - Foi a desculpa mais efarrapada que conseguiu inventar na hora...

- Mas eu não quero ficar aqui... eu não gosto de você...

- Bom, eu não posso te culpar por isso... mas de qualquer jeito você vai ter que ficar... Amanhã você vai pra escolinha e a noite você fica comigo...

- Eu já posso ir dormir?

- Ok, pode sim.

Jensen então o levou para o quarto, onde ele vestiu seu pijama, escovou os dentes e pegando um livro na mala, o entregou para Jensen, indo em seguida se deitar debaixo das cobertas.

- Para quê isso?

- Você não vai ler pra mim?

- Ler?

- É... o meu pai sempre lê pra mim...

- Eu não tenho tempo agora, acho melhor você dormir...

- O meu pai é muuito mais legal que você!

- É mesmo?

- Sim... ele me conta histórias toda noite...

- Que bom pra você...

- Mas as vezes ele dorme... antes de terminar... ah... ele sempre dorme antes... Daí eu apago a luz e divido o meu cobertor com ele...

- Ta, me dá isso aqui...

Então Jensen começou a ler a história dos três porquinhos, sem muito jeito, mas em poucos minutos Gabriel estava dormindo, para seu alívio.

Jensen ficou mais um tempinho ali olhando para aquela criaturinha tão pequena, e pensou que pelo menos dormindo, ele parecia um anjinho... Então ajeitou os cobertores, apagou a luz e foi para o seu quarto, deixando uma fresta da porta aberta.

Jensen já estava num sono ferrado quando sentiu algo lhe cutucando... e uma voz baixinha e tímida lhe chamando...

- Tio Jensen! Tio Jensen!

Jensen se sentou na cama mal humorado...

- O que foi agora, moleque? Por que é que você não está dormindo?

- Eu posso dormir aqui?

- Aqui onde?

- Com você...

- Claro que não! Volta já pra sua cama...

- Eu... eu...

Só então Jen reparou que o garoto estava tremendo...

- O que foi? Você está com medo de alguma coisa?

- Eu quero o meu pai! - Gabriel choramingou - Ele sempre me deixa dormir com ele quando tem trovões...

Jensen nem tinha se dado conta de que estava caindo uma tempestade lá fora...

- O meu pai faz isso, o meu pai faz aquilo... você é um pé no saco, sabia?

Então Jen se arrependeu de ter sido grosseiro porque viu Gabriel se encolher todo envergonhado...

- Peraí... me desculpa, ta? Você pode deitar aqui do meu lado... só não chega muito perto... ok?

- Ta bom... obrigado!

- Bom, pelo menos teu pai te deu educação...

O menino deitou de costas para Jensen, e a cada trovão ele chegava mais perto... até ficar completamente colado ao corpo de Jen. Então Gabriel se virou e o abraçou... ficando com o pequeno bracinho em volta do pescoço de Jensen.

Jensen não levava jeito pra isso, sentia-se incomodado, mas se comoveu e passou a fazer um cafuné no garoto até que este voltou a dormir... Mas agora era Jensen quem não conseguia dormir... sua mente ficou vagando... pensando em Jared... imaginando como ele seria com o garoto... deveria ser um bom pai, pois o menino o adorava...

Quando acordou pela manhã percebeu que o garoto ainda estava grudado nele... então retirou seus bracinhos de cima de seu corpo e o ajeitou melhor na cama, para que continuasse dormindo.

Jensen fez café, se vestiu e então foi acordar o garoto...

- Ei! Moleque... acorda!

- Me deixa dormir mais um pouquinho, pai? - Gabriel disse manhoso.

- Eu não sou seu pai... e deixa de moleza e levanta!

Gabriel sentou na cama com cara de sono fazendo uma careta para Jensen... que teve que rir do garoto.

- Vem, eu vou ligar o chuveiro pra você... você pelo menos toma banho sozinho?

- Meu pai sempre lava o meu cabelo...

- Também, isso está mais parecendo um ninho de rato...

Jensen meio desajeitado o ajudou a tomar banho e se aprontar, depois lhe deu leite com cereais, pois não tinha idéia do que uma criança de três anos comia no café da manhã... então o levou para a escola, onde permaneceria o dia todo... Jensen suspirou aliviado...

Lembrou-se então que Jared deveria estar desesperado atrás de notícias do menino... e se dirigiu até a delegacia para vê-lo...


Continua...

Obrigadinha a quem leu... e gostaria muito de saber sua opinião...

Beijos!!