Disclaimer: "Os Sete" © André Vianco. Os sete © Abracadabra.

Presente de aniversário levemente atrasado para Anne Asakura. (L)

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Encostou a palma da mão no vidro da janela. Sentiu fluir pelos seus dedos algo que havia dentro dele – ele não sabia o que era aquilo, não sabia como atuava, ele só sentia. E então, o frio. Para ele não era frio, é claro, mas ele via o vidro começando a congelar. Um sorriso surgiu nos seus lábios. Não um sorriso maldoso ou cruel, como eram normalmente seus sorrisos, mas um sorriso triste. Um sorriso cheio de recordações.

Lembrou-se de D'Ouro. Sentia falta de lá – sentia falta de ser um senhor, de ter seus servos obedientes, de acordar e ir para uma das janelas do castelo, observando seu feudo até onde a vista alcançava. Chegava até o mar, e seu infinito azul.

Mas a memória agora estava ruim – ele não mais sabia do que exatamente sentia falta. Guilherme tinha somente uma vaga noção, difusa e diáfana, daquele período antes do maldito confinamento. Forçava a cabeça para lembrar-se, e lhe vinham como flashes cenas – ele e Baptista conversando, Miguel e Sétimo pescando, as visitas de D. Afonso. E então a Batalha Negra e todas as suas consequências – a imortalidade como uma delas.

Mas de que lhe servia ser imortal? Fartar-se toda noite de sangue, causar medo aos mortais? Talvez fosse a única coisa divertida. Talvez a única que valesse a pena – e o sorriso transformou-se no sorriso cruel ao pensar que Miguel já estaria se retorcendo com o pensamento de tomar sangue novamente. Aquele maricas.

Pensar em Gentil fez sua boca se retorcer. Miguel era um menino, ainda. Mesmo carregando mais de 500 anos nas costas, seria sempre encarado como um menino. E Guilherme seria sempre um adulto. Um adulto que queria sua criança de volta – um filho de fidalgo, que só se importava em brincar. Nenhuma preocupação maior que essa. Nada de Exército. De tomar sangue. Nada do tipo. Um ser despreocupado.

Suspirou, tirando a mão da superfície. Estava acampando numa casa desconhecida – e ainda não havia matado o homem. Isso significava que ele tinha algum mérito, não? Alguma honra, mesmo sendo uma criatura das trevas. Aquele menino ficaria sempre dentro dele – guardado em algum lugar, somente saindo em momentos de fraqueza como aquele.

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N/A: Desculpa. Eu sei que você merece uma coisa um milhão de vezes melhor do que essa, mas a minha criatividade está realmente num estado crítico, juro. O Cord e a Téh estão de prova. Mas, de qualquer forma, essa fic tinha que ser para você. Sei lá por que. Eu simplesmente senti isso enquanto a escrevia. Espero que você tenha gostado. Espero que você seja muito feliz. Espero que você entenda que mesmo eu não te dando as melhores fics ou fazendo as homenagens mais criativas, ninguém te ama mais do que eu. É, eu tô comprando briga. 8D De qualquer forma, é para você. E muitas ainda virão. Feliz vida.

30Cookies - Set Outono - Tema 12. Saudade

P.S: Obrigada, Aldebaran, por me dizer que nem toda fic minha precisa ter um casal. Você não disse com essas exatas palavras, mas enfim.
P.S2: "Clorótico" significa "muito pálido". E "uma ilusão esplêndida de ótica" é um verso do poema Dormindo, do Cruz e Sousa. Inspiração de hoje.