Canto

Me lembro como se fosse ontem, de quando o vi pela primeira vez na praça aonde eu sempre ia. Era ele: Zé Luiz, o mais velho do pessoal do Bairro do Limoeiro. E também aquele que conseguiu chamar minha atenção.

Ainde não me apresentei, peço desculpas. Meu nome é Agnes, uma garota estranha do bairro das Pitangueiras. E não ache que estou exagerando. Sou considerada estranha por usar gorro e cachecol fora da estação, com medo de ficar gripada. E também por ser alta pra minha idade.

Quando era mais nova, tinha a mania de caçar passarinhos e levá-los pra minha casa. Eu sempre gostei do canto deles. Aliás, eu estava fazendo isso na tal praça quando Zé Luiz apareceu e eu bati nele de costas. Ele me ajudou a levantar do chão. Não senti nada por ele no início, até ele se despedir e sair assobiando. Tinha algo naquele assobio que me encantou.


A primeira vez que eu vi a Agnes, logo notei algo diferente nela, diferente de tudo que eu sabia sobre ela. Graças à Mônica e a Magali, claro! Elas haviam me contado que Agnes achava que era alérgica a tudo e podia ficar gripada, por isso usava gorro e cachecol. Sem falar que era orfã há alguns anos, morava numa casa que parecia um castelo e prendia os passarinhos em gaiolas. Eu não entendia o motivo dela fazer isso, até ela se surpreender com meu assobio.

Meu nome é Zé Luiz, o mais velho da Turma do Bairro do Limoeiro. Senti algo pela Agnes no dia que a conheci. Ela parecia ser malvada, mas tinha seu lado sensível. Um lado que toda mulher tem, e que me encanta. Mas fiquei mais encantado ainda depois de algo que ela me disse:

Agnes: Eu adoro o canto dos passarinhos, mas o seu nem eles superam!

Fiquei ruborizado com isso. Ela gostava do meu canto?! Ninguém nunca havia me dito isso antes. Acabei me apaixonando por Agnes, e ela até aprendeu a apreciar o canto dos pássaros sem precisar prendê-los.

Mas não pude ter uma chance com ela. Meus pais me arrumaram uma noiva, e logo seria o nosso casamento. Fiquei muito chateado com isso, mas não tinha escolha. Ou tinha?! O duro é que a Agnes não falou mais comigo depois que anunciaram essa notícia.


Eu disse mesmo aquilo pro Zé Luiz? Que gostava do canto dele mais do que o dos passarinhos?! Ai, meu Deus! Depois dessa, eu não sabia onde esconder a cara. Felizmente, ele não ficou bravo comigo.

Eram poucas as vezes em que eu ia ao Bairro do Limoeiro. Mas fiquei em choque numa dessa visitas. Disseram pra mim que Zé Luiz havia conseguido uma noiva e que logo eles se casariam. Fiquei tão triste que deixei de ir ao bairro do Limoeiro.

Havia algo de errado comigo?! Pra ele ter escolhido outra garota pra ser sua futura esposa?! Mais tarde, fui convidada pro casamento dele através da Penha. Me senti horrível ao ver isso, e quando estava a ponto de sair correndo da igreja, ouvi a voz do Zé Luiz:

Zé Luiz: Eu lamento dizer isso, mas não posso continuar com esse casamento que não escolhi! Tem uma garota que eu admiro e amo de verdade, e se não for com ela que me casarei, não me casarei com ninguém! Agnes... eu te amo!

Meus olhos se encheram de lágrimas. Ele não havia escolhido se casar com a moça?! Abri um sorriso, ainda chorando. Senti que estava sendo empurrada, e olhei pra trás. Era a Penha.

Penha: *murmurando* Vai lá, Agnes!

Fui até o Zé Luiz e o abracei, sem conseguir parar de chorar. No final, a família aceitou sua decisão. Fomos morar juntos e pretendemos ter um filho. Mas o que sempre me encantou nele e continua me encantando não mudou nada: seu lindo canto, cheio de amor.

O casal é meio estranho, mas amei ter escrito essa história. comentem se gostaram.