Nota: FMA não me pertence.

Outranota: Eu tenho mania de chamar o Ed de Edo, e o Al de Aru. Por isso, vou escrever dessa maneira, ok? ^^

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Essa manhã tem tudo para ser perfeita. Den me acordou cedo demais, ainda nem amanheceu, mas nem me importo. Sinto como se algo bom fosse acontecer, algo que quebraria um pouco essa minha rotina em que a minha única diversão é fazer automails novos. Levantei, vesti minha roupa de trabalho de sempre, mas dessa vez com expectativas.

Os dias passam de forma mais monótona, a cada semana. Deve ser porque faz muito tempo que Edo e Aru não aparecem, fazendo com que essa casa não passe por nenhuma novidade. A mesma rotina durante esses dois meses inteiros. Sem dúvidas ocorreu um milagre: Edward não fica tanto tempo assim sem quebrar o automail. E ele, mesmo assim, ainda não deve acreditar que milagres existem.

Depois de me vestir e arrumar o cabelo desci para a cozinha, preparei um leite quente e comi biscoitos. Não consegui entender o porquê de meu tão bom humor. Terminei de comer, abri a porta de casa e saí com Den. Sentei embaixo de uma árvore, enquanto meu cachorro brincava com alguns insetos. Fiquei olhando o sol nascer, sentindo a brisa fresca bagunçar meus cabelos, trazendo o cheiro das flores de primavera. Não sabia que essa hora da manhã era tão agradável.

O leve tom dourado claro deixado pelos primeiros raios de sol era ótimo. Trazia tranqüilidade, segurança, calor e me lembrava os dois irmãos. Meus melhores amigos de infância. Aqueles que eu não via há muito tempo. Eu sei, dois meses não é lá muito tempo, mas... Eles nunca tinham ficado esse tempo sem aparecer por aqui. Não estava acostumada com isso. Perguntava-me: eles sentem falta da gente? Eles pensam em nós quando se arriscam, pensando em como ficaríamos se eles se ferissem? Eles pensam em como eu me sinto quando Edo aparece aqui com o automail quebrado? Eu me sinto aliviada. Aliviada por não ter sido o pescoço dele que quebrou. Aliviada por terem sobrevivido nos últimos tempos. E fico preocupada por ele se meter nesses perigos. Muito mais preocupada do que queria ficar, na verdade.

O sol começava a raiar. Lembrava-me dos momentos que passei com os irmãos antes deles tentarem trazer a mãe deles de volta. Senti uma única lágrima descer pelo meu rosto. Não quis impedir o caminho dela, deixei que caísse livremente. Agora Den estava sentado ao meu lado, como se estivesse sentindo a mesma saudade e as mesmas expectativas que eu quanto àquele dia.

Agora, além do brilho aconchegante do sol, tinha o canto dos pássaros, mais reconfortante do que qualquer outra coisa naquele momento. Mas infelizmente era hora de sair dali, já que a vovó provavelmente estava acordando. Voltei para casa, mas deixei Den por ali. Não iria privá-lo de sensações tão boas.

E vovó realmente tinha acordado. Quando entrei de novo, encontrei-a na cozinha, preparando um café da manhã para ela.

- Bom dia, Win.

- Bom dia, vovó, dormiu bem? ^^

- Sim. O que te fez acordar tão cedo hoje, garota? – eu geralmente não acordo cedo. Só acordo quando algo de importante ou especial vai acontecer, como por exemplo, quando Edo e Aru apareciam. Ela estava até perguntando pouco sobre isso.

- Na verdade, eu não sei. Estou com uma sensação boa.

- Uhm. Espero que se eu te disser que você provavelmente passará o dia inteiro trabalhando em automails na oficina, esse seu bom humor milagroso não vá embora. – de fato, nada disso estragou meu humor. Eu geralmente iria choramingar, implorar de joelhos e fazer um teatro daqueles. Dessa vez, nem me incomodei.

- Se puder, vou agora mesmo. – dito e feito. Lá fui eu passar o dia sentada em uma mesa tirando medidas, observando, montando e desmontando.

Edo sempre dizia que eu era estranha por gostar disso. Não é mais estranho do que ele sair por aí mudando a forma de todas as coisas usando alquimia daquele jeito extravagante dele. Sempre que ele vinha me chamar de maníaca por mecânica, eu arremessava a minha querida chave inglesa no meio da cabeça dele. Fazendo com que eu admitisse, no fundo, ser uma maníaca por mecânica. Mas ele é um maníaco por alquimia, baixinho e reclamão, e fica falando de mim! É o sujo falando do mal lavado, oras.

Por mais que eu brigue com ele, por mais que ele me aborreça e me faça morrer de preocupação, ele é o meu querido Edo, meu melhor amigo. Junto com Aru, mas... Sinto que às vezes é outra história.

Parei de pensar nos irmãos e apenas me dediquei ao trabalho que tinha para realizar naquela manhã e durante toda a tarde.

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Vovó tinha dito que era bastante coisa para fazer. Mas eu não imaginava que era tanto! Eu nem ao menos tive tempo para almoçar, e a tarde terminava lentamente. No final, eu ia perdendo aquele meu entusiasmo que eu tinha pela manhã. Nada de mais tinha acontecido, nada bom. Foi só mais uma tarde rotineira. Não devia confiar em meus instintos. Apenas suspirei, desapontada, e continuei trabalhando.

- Winry! – vovó Pinako me chamava. – Wiiiiinryyyyyy! – Impaciente.

- O que foi? – Perguntei, já que ela insistia

- Chegou uma carta. Uma carta deles.

Quando vovó falava disso para mim, só poderia estar falando de certas duas pessoas que não param nunca. Me vi novamente esperançosa. Pulei para fora da cadeira e corri subindo as escadas. Tropecei umas duas vezes. Cheguei lá, vovó nem ao menos tinha lido a carta. Estava fechada. Ela entregou para mim.

- Não precisa ler alto – ela me disse – Eu vejo essa carta depois. Vou terminar o trabalho lá embaixo, pode descansar.

Agradeci por isso. Depois abri a carta e comecei a ler:

Pinako e Winry...